A avaliação dos recursos didáticos deu-se a partir dos depoimentos dos alunos após utilizá-los, os quais enfatizaram aspectos positivos, negativos e as sugestões para a melhoria desses instrumentos, conforme listado abaixo:
Quadro 11 - Considerações dos alunos para a avaliação dos recursos didáticos Positivos Negativos Sugestões para melhoria dos recursos
didáticos
Facilitou entender os conteúdos;
Favoreceu a interação com os colegas;
Gerou motivação para aprender;
Forma descontraída para aprender.
O pouco tempo para a visualização das borboletas na simulação da seleção natural;
No recurso da deriva houve pouco tempo para fazer os cálculos fazendo uma comparação para responder as questões; Pouco tempo para trabalhar com os dois recursos.
Ter menos alunos nos grupos; Ter mais tempo para cada recurso; Na seleção natural usar dois tipos de ambientes (na frente e no verso do tabuleiro);
Na deriva genética deixar mais indivíduos sobre o tabuleiro para simular a reprodução.
Fonte: A pesquisa.
Os alunos consideraram que os recursos didáticos contribuíram para facilitar o entendimento dos conteúdos, assim como interagir com os colegas e gerar motivação para aprender de forma descontraída temas abstratos; que se tornariam cansativos e desinteressantes se trabalhados apenas por meio de aula expositiva.
A impressão dos estudantes, a partir dos aspectos positivos levantados sobre o uso dos recursos didáticos, corrobora com o que Campos e Nigro (1999) colocam ao descreverem a adequação do tipo de atividade que deve ser proporcionada para o estudo do aprendiz quanto aos conteúdos escolares. Para os autores:
É adequada ao nível de desenvolvimento do aluno. Provoca um conflito cognitivo (e também metodológico e atitudinal), promovendo a atividade mental do aluno necessária ao estabelecimento de novas relações entre os conhecimentos prévios e os conteúdos novos. É motivadora em relação à aprendizagem de novos conteúdos, promovendo assim uma atitude favorável dos alunos para com a atividade. Estimula a auto-estima e a autoconfiança em relação à aprendizagem que se propõem (CAMPOS; NIGRO, 1999, p. 112).
Nesse sentido, os recursos didáticos se constituíram como atividade prática motivacional que surtiram efeitos positivos no estudo dos conteúdos trabalhados. É importante ressaltar que em nenhum momento os alunos desqualificaram-nos ou se mostraram indispostos em utilizá-los, pelo contrário estiveram sempre entusiasmados e receptivos para a realização da atividade.
Para Matos et al (2015), o envolvimento e motivação do aluno no processo de ensino e aprendizagem são condições importantes e, certamente, os estímulos recebidos pelo professor e colegas são aliados aos seus esforços na superação dos obstáculos enfrentados. Contudo, as atividades com o uso de diferentes ferramentas contribuem para tornar o ambiente de ensino mais atrativo e estimulante, tanto para o aluno como o professor.
No tocante às considerações negativas dos recursos didáticos feitas pelos alunos se concentraram no fator tempo. Para eles, um tempo maior para trabalhar com cada recurso teria sido mais adequado. Os dez segundos para observação e retirada das borboletas foram considerados por alguns grupos insuficientes, limitando a predação. Os alunos alegaram também o pouco tempo para se fazerem os cálculos e responder as questões, exigindo-lhes ao final a elaboração de respostas para a seleção natural, adaptação e deriva genética.
A respeito das considerações inerentes ao tempo, reconhece-se que de fato um tempo de 100 minutos, ou seja, de duas aulas, é insuficiente para se trabalhar nos diferentes ritmos dos alunos. Observou-se que os grupos terminavam as atividades em variados tempos. À vista disso, entende-se que essa é uma situação considerada normal dentro de uma sala de aula, onde há diversos níveis de aprendizagens, mesmo levando-se em conta que estão na mesma faixa etária próxima (SOUSA-LOPES, 2017).
As observações feitas por alguns alunos em relação ao tempo devem ser consideradas. Não se pode pensar em um ensino, de qualquer conteúdo que seja, no qual não se alcance sua aprendizagem. O tempo corresponde ao nível de maturação que cada um/uma tem quanto às capacidades interpretativas pessoais. Assim, há de se pensar em estratégias e recursos didáticos que considerem o tempo de cada indivíduo aprender, embora somente o aluno poderá controlar sua própria aprendizagem (GIORDAN; VECCHI, 1996; CAMPOS; NIGRO, 1999; POZO, 2002).
Pozo (2002) faz uma colocação interessante sobre a função do professor como facilitador da aprendizagem do aluno:
Quem aprende é o aluno; o que o professor pode fazer é facilitar mais ou menos sua aprendizagem. Como? Criando determinadas condições
favoráveis para que se ponham em marcha os processos de aprendizagem adequados. A instrução ou ensino se traduziria precisamente em criar certas condições ótimas para certos tipos de aprendizagens. Conforme o resultado buscado é preciso ativar determinados processos, o que requer umas condições concretas e não outras. Portanto, se a análise das situações de aprendizagem deve ser iniciada nos resultados e processos para concluir-se no planejamento de algumas condições ótimas ou mais adequadas para a aprendizagem [...], os professores só podem intervir nas condições em que se produz a aprendizagem, e mediante essa intervenção atuar diretamente sobre os processos mentais do aluno em busca dos resultados desejados. Por sua vez, embora os alunos possam chegar a adquirir um certo controle sobre seus processos de aprendizagem [...], o funcionamento destes e seu próprio controle estarão sempre sujeitos às condições práticas em que se realizam as atividades de aprendizagem (POZO, 2002, p. 68)
Para tanto, as atividades de aprendizagem devem ser planejadas, buscando almejar a aprendizagem dos alunos, embora se reconheça que os aprendizados dependam de uma série de fatores que não tem como se prevê como de fato irão acontecer.
As seguintes sugestões dadas pelos estudantes para os recursos didáticos melhorarem foram:
a) Ter menos alunos por grupo, o que, segundo eles, facilitaria a concentração para a resolução das questões propostas;
b) Haver maior tempo para se trabalhar com cada recurso didático;
c) No recurso que simulou a seleção natural, que se pudesse continuar a simulação com as borboletas que sobreviveram em outro ambiente, bastando, para isso, que no verso do tabuleiro tivesse outra paisagem com outra cor;
d) Para a deriva genética, que após a ação do evento causador da deriva, pudesse ser convencionado a permanência de mais indivíduos sobreviventes, tendo a maior possibilidade de se fazer os cruzamentos.
Constatou-se que os recursos didáticos utilizados para simular a seleção natural, adaptação e deriva genética cumpriram um importante papel para desenvolver as questões pedagógicas relacionadas ao ensino e à aprendizagem. Os recursos, de baixo custo de confecção, possibilitaram o oferecimento de estímulos para a capacidade de compreender, analisar e avaliar sobre os assuntos abordados (CAMPOS; NIGRO, 1999; PRICE et al., 2016; ARAÚJO; PAESI, 2017; SOUSA-LOPES, 2017).