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Recomenda-se a avaliação periódica do sistema músculo-esqueléico dos alunos e ações clínicas preventivas, além disso, a implementação de pausas de 10 minutos durante a troca de um paciente para o outro. Nesse tempo o aluno, poderá tomar água, sentar nos bancos destinados ao descanso, verificar o check-list dos materiais e organizar-se para iniciar mais um atendimento. É necessário que o professor cobre do aluno e forje a consciência de prevenção e autocuidado. Atualmente, os alunos não possuem o pensamento de se cuidar enquanto cuida dos outros.

Sugere-se uma rotina de verificação dos equipamentos a serem usados nos atendimentos, que pode ser feito através de check-list de organização dos materiais. Se todos os alunos estão organizando seu material de atendimento, se esses equipamentos estão próximos aos postos de trabalho, da área de trabalho.

6 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Conclui-se que o curso de Fisioterapia da UFRN não oferece disciplinas, nem conteúdos nem realiza práticas acadêmicas, que dão formação e propicia ao aluno situações preventivas de LER/DORT e de auto-cuidado. Faz-se necessária a inclusão de

uma disciplina ou de conteúdos transversais em todas as disciplinas, que propicie aos alunos o conhecimento sobre as possíveis causas do surgimento e agravamento de LER/DORT, já durante sua formação acadêmica e quando se tornar fisioterapeuta, a importância de prevenção e as possíveis medidas de prevenção.

Apesar da Fisioterapia ser considerada como a profissão especialista em tratamento dos distúrbios musculoesqueléticos deve-se dar ênfase aos elementos formativos que favorecem a prevenção de LER/DORT nos futuros profissionais, pois não se pode considerar normal os altos índices de queixas musculoesqueléticas, resultado direto do tratamento de pacientes, relatado pela literatura e mostrado nesse trabalho.

Um dano no corpo do futuro profissional de Fisioterapia poderá incapacitar, temporariamente ou definitivamente, o aluno das atividades acadêmicas e, futuramente, como “efeito-espelho”, o fisioterapeuta, e impedi-los de atuar na profissão que escolheu, resultando em perdas econômicas, em necessidade de mudança de profissão, em frustação profissional e no isolamento social, como acontece com tantos outros profissionais que são acometidos de acidentes e doenças ocupacionais.

Verifica-se a relevância de incentivar que as atividades práticas serem permeadas por uma prática reflexiva, tomando como objeto a reflexão sobre a própria prática, onde os alunos possam refletir e indagar se suas práticas estão pautadas na prevenção de LER/DORT.

Diante dessa realidade falar sobre saúde em fisioterapeutas é um paradoxo cruel. Embora fisioterapeuta e saúde possam parecer incompatíveis, a verdade é que alguns profissionais conseguem desfrutar de uma vida inteira de trabalho produtivo e continuar saudáveis. Como eles conseguem? Estou convencida de que a base da saúde em fisioterapeutas é uma formação que abranja o autocuidado como aprendizagem permanente.

Que este trabalho possa encorajar a equipe pedagógica do curso de Fisioterapia para avaliar a prática atual dos treinamentos ministrados aos alunos e, com isso, aumentar os esforços na atualização dos conteúdos preventivos de LER/DORT na formação dos estudantes. Os alunos precisam de um programa de treinamento atualizado, abrangente e com entusiasmo. Os benefícios profiláticos de técnicas básicas habilidosas e uma

abordagem avaliativa para levantar e manipular pacientes são fundamentalmente importantes para a prevenção de LER/DORT em estudantes de Fisioterapia.

A presente pesquisa buscou responder às seguintes questões:

Problema 1: Que aspectos da organização do trabalho, adotados nos estágios supervionados em tratamento do paciente, são determinantes na queixa de dores, na fadiga e no risco de desencadeamento de DORT nos alunos do curso de fisioterapia?

Ao fim deste estudo, constatou-se que os resultados encontrados que respondem esse problema de pesquisa foram: a falta de pausas entre os atendimentos, a falta de um local adequado para descanso, a falta de um mecanismo de auxilio mecânico no manuseio e na transferência de pacientes depedententes semi-depedentens, treinamento prático de transferência de pacientes dependentes e semi-depedentens foram insuficientes para a aprendizagem.

Problema 2: Em que medida as diferenças antropométricas entre alunos e pacientes e as inadequações dos mobiliários e dos equipamentos utilizados exigem dos alunos um maior emprego de força, instabilidade postural e movimentos bruscos, que podem provocar dores e desconfortos e gerar ou desencadear DORT em si mesmos e, também, afetar a qualidade do tratamento do paciente?

Constatou-se que: os pacientes mais pesados e com mais dependência motora; os mobiliários inadequados, sem regulações e com dimensões desproporcionais as dimensões antropométricas do aluno; a insuficiência de equipamentos; a falta de dispositivos de auxilio mecânico propiciam maior emprego de força, instabilidade postural e movimentos bruscos que levam a dores e fadiga nos alunos.

Problema 3: A falta de uma cultura prevencionista de DORT no processo formativo das disciplinas práticas e do estágio levam os alunos a naturalizarem, a acharem correto ou a não terem consciência do caráter patogênico da organização do trabalho vigente e das tecnologias utilizadas?

Verificou-se que não existe uma cultura prevencionista de DORT no processo formativo do estudante de Fisioterapia que levem em consideração sua própria saúde. O aluno aprende a cuidar do outro e usa todos os recursos necessários para isso, inclusive seu próprio corpo, e quando mesmo sentindo dor durante o atendimento, não muda seu

modo operatório por não levar a sério que sua prática pode levar ao seu próprio adoecimento.

Portanto, as competências requeridas e demandas impostas aos estudantes de fisioterapia, no ambiente de formação acadêmica, estão relacionadas ao surgimento de cenários de risco para o adoecimento dos alunos, porque as exigências de posturas forçadas, emprego de força, repetição excessiva dos movimentos e falta de conteúdos programáticos e aulas para a prevenção de LER/DORT, geram posturas corporais assimétricas e ansiedade intensa nos alunos. Tais situações propiciam a adoção, por parte do aluno, de modos operatórios patogênicos, colocando a saúde e o futuro profissional deles em risco.

A pesquisa atingiu o objetivo de propor mehorias para prevenção de LER/DORT nos estudantes universitários de fisioterapia que realizam estágio.

Os resultados da pesquisa de campo permitiram confirmar as duas hipóteses formuladas, são elas:

• A primeira hipótese formulada, de que: a) A falta ou insuficiência de prescrições para prevenir os DORTs nos alunos fazem com que as orientações do professor para os procedimentos terapêuticos, assim como o monitoramento desta atividade, não levem em conta estratégias de prevenção de DORT e impliquem em adoção de modos operatórios de risco, se mostrou parcialmente verdadeira., pois não existem prescrições no conteúdo formal das disciplinas, contudo, os docentes introduzem, quando possível, tópicos relacionados à prevenção de LER/DORT, durante as aulas práticas e nos estágios. b) a exigência, por parte do professor, de qualidade no processo e nos resultados do tratamento, associados ao monitoramento presencial e ao sistema de avaliação acadêmica com atribuição de nota, como critério de aprovação no estágio, gera tensão e rigidez do corpo do aluno e a adoção de modos operatórios propiciadores de dores e de fadiga, se mostrou parcialmente verdadeira, pois esse cenário foi mais característico do campo de estágio de Cardio-Pneumo-Vascular e do estágio de Atenção Básica.

• A segunda hipótese formulada, de quando as dimensões antropométricas do aluno são menores que a do paciente, as dimensões e regulagens do mobiliário com que o aluno interfaceia são inadequadas e não há medidas preventivas de DORT ou

são insuficientes, propicia ao aluno adotar alavancas e modos operatórios inadequados, exigindo, por vezes, instabilidade postural, maior emprego de força no procedimento terapêutico e movimentos bruscos, que podem provocar dores, fadiga e desconfortos e gerar ou desencadear DORT em si mesmos, se mostrou verdadeira.

Limitações: foram avaliados os alunos do último ano do curso o que não pode ser generalizado. As deficiências de lembrança da memória dos estudantes nas entrevistas também foram reveladas como limitações e continuaram a ser um problema sobre o qual a pesquisadora tinha pouco controle.

Estudos futuros: avaliar os alunos de todos os períodos do curso e buscar por fatores de risco desde o início do curso. Além disso, pesquisas que pudessem investigar se as causas do adoecimento surgiram desde o período da formação universitária, em que momento surgiram os sintomas, como se davam as práticas formativas à época, se estas práticas se mantiveram na atividade profissional e se estas práticas têm alguma relação com a possível DORT adquirida e em que medida.

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UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE CENTRO DE TECNOLOGIA

PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO DE ENGENHARIA DE PRODUÇÃO GRUPO DE EXTENSÃO E PESQUISA EM ERGONOMIA - GREPE

APÊNDICE A – ROTEIRO OBSERVACIONAL: ANÁLISE GLOBAL NA CLÍNICA

• Local de trabalho

• Condições do local de trabalho

• Instrumentos e equipamentos de trabalho • Mobiliários

• Equipamentos de proteção individual

• Sequencias das ações da atividade fisioterápica

• Organização do Trabalho (etapas do processo de atendimento, horários, tempo de atendimento, pausas entre sessões, cooperação, equipe de trabalho,

quantidade de pacientes por sessão) • Deslocamentos

• Posturas

• Como transportam os pacientes • Variabilidades

• Regulações

• Manobras de autocuidado

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