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RELACIONADOS À PRÁTICA DO PARATLETISMO DE CAMPO, CLASSE F55.

A análise da prática do paratletismo de lançamentos de dardo e disco, de acordo com o método OCRA, evidenciou para a classe funcional F55, dentro do contexto das fases da periodização proposta para os atletas estudados, os seguintes riscos ergonômicos para o desenvolvimento de lesões musculoesqueléticas no membro superior direito (membro do lançamento):

No momento da prova de lançamento de dardo ventava bastante no local e os atletas lancaram contra o vento. Falas:

"Tive chance de conseguir um record. Uma marca maior" (Atleta A4)

"Hoje o vento está terrível. Vai

atrapalhar todo

mundo..."(Atleta A3)

A base utilizada para fixação da cadeira impedia a aproximação da cadeira do atleta, obrigando que a transferencia da cadeira de rodas para a cadeira de lançamentos fosse realizada pelos apoios da competição.

Os apoios não dispunham de carrinhos para deslocamento das cadeiras de lançamentos durante as provas fato que os obrigava a realizar a tarefa cadeira a cadeira de forma manual.

Tabela 20 - Riscos ergonômicos relacionados às fases da periodização dos atletas estudados. Risco ergonômico Atleta 1 Risco ergonômico Atleta 2 Risco ergonômico Atleta 3 Fase de Base

Treino 1A Muito leve Médio Leve

Treino 1B Muito leve Médio Leve

Fase Específica

Treino 2A Não avaliado Não avaliado Muito leve

Treino 2B Não avaliado Não avaliado Leve

Fase Competitiva

Dardo Não avaliado Não avaliado Muito leve

Disco Não avaliado Não avaliado Muito leve

Fonte: dados da pesquisa.

A análise dos dados aponta a fase de base como sendo a de maior risco ergonômico na prática da modalidade, e a não realização de pausas, entre os lançamentos dos implementos, como o fator determinante para o aumento da probabilidade de ocorrência das lesões musculoesqueléticas nos membros superiores.

É importante acrescentar que o treino com o medicine ball não inclui pausas e o ritmo é determinado pela equipe técnica, contribuindo, assim, para o aumento do risco ergonômico.

A análise dos dados aponta para riscos ergonômicos mínimos, quando se utiliza o método OCRA e aponta para riscos elevados, quando se utiliza o método da AET, através da aplicação dos seus respectivos instrumentos de pesquisa (apêndices G, H, I e J). A AET evidenciou a existência de riscos ergonômicos elevados, na prática esportiva dos paratletas da Classe F55, causadores de lesões musculoesqueléticas ou agravadores de lesões já instaladas. Estes riscos se dão em função da atividade de lançamento, que impõe movimentos e posturas peculiares, conforme evidências a seguir:

 As atividades de lançamento dos implementos se davam com a adoção de posturas forçadas de tronco (hiperextensão e rotação) e de amplitudes extremas das articulações dos membros superiores (180º de flexão para ombros, 30º para desvios de punho) pelos paratletas. Isto se associava à realização de ciclos de lançamentos curtos e frequentes, à execução de movimentos repetitivos e à execução de movimentos de arranque, tornando os paratletas vulneráveis ao desenvolvimento ou agravamento de lesões musculoesqueléticas.

 A adoção de ritmos diferentes entre os atletas avaliados, durante a prática dos lançamentos, assim como execução de pausas de forma aleatória e não prescrita caracterizavam-se também como fatores de risco relacionados ao desenvolvimento e agravamento das lesões musculoesqueléticas.

Tanto a AET quanto o OCRA evidenciaram que os indivíduos que adotavam ritmo mais lento e realizavam um maior tempo de pausa apresentaram um menor risco ergonômico para o desenvolvimento de lesões musculoesqueléticas no membro superior responsável pelo lançamento.

Através da AET, observou-se que a execução dos treinos não ocorria como prescrito na periodização do grupo e não havia acompanhamento individual no início da prática, nem durante os ciclos de treinamento. Verificou-se, também, que equipe técnica não utilizava nenhum instrumento de monitoramento, nem de prevenção de lesões musculoesqueléticas, nem de rendimento esportivo dos atletas. E, ainda, que a prática de autoalongamentos, geralmente, não era realizada, nem a execução dos gestos técnicos, lento e rápido.

Durante as observações sistemáticas, empreendidas pela AET, observou-se que não existia treinamento nem acompanhamento individualizado dos atletas pela equipe técnica. Os treinamentos eram divididos por grupos específicos (cadeirantes, lançantes, andantes lançantes, etc..), seguindo o padrão específico de prescrição para cada grupo do Projeto Paratletas, tanto para o treino com implementos quanto para o treino de força e resistência muscular. Esta estratégia de não individualização do treinamento como um todo ou em parte, suscetibiliza os paratletas também ao aumento do risco, uma vez que os fatores individuais e intrínsecos de cada atleta – estado de saúde, funcionalidade, característica, capacidade, limitação, demandas, etc.. – não eram levados em conta na programação e realização do treinamento, quando deveriam constituir parâmetros para a programação de treinos específicos.

Também, durante a AET, verificou-se que não havia protocolo de monitoramento de fatores de risco para o desenvolvimento de lesões musculoesqueléticas, nem de monitoramento do rendimento esportivo dos atletas. Esse fato dificultava a visualização de fatores relacionados ao desenvolvimento das lesões musculoesqueléticas e de variáveis que possivelmente teriam influência sobre o rendimento no esporte, tão perseguido, tanto pela equipe técnica quanto pelos paratletas.

Por fim, a AET aplicada ao estudo da prática do paratletismo de lançamentos evidenciou diferentes modos operatórios adotados pelos paratletas nos lançamentos de dardo e disco, em função da atividade em si e dos projetos dos artefatos tecnológicos (implementos, cadeiras de lançamento), alguns de fabricação artesanal, despossuídos dos parâmetros antropométricos dos paratletas de uma seleção prévia de materiais que considerassem critérios como leveza, conforto, segurança, portabilidade (para a facilitação do transporte), modularidade (para facilitação da montagem e desmontagem), durabilidade, etc..

5.6 ASPECTOS DA PRÁTICA DO PARATLETISMO DE LANÇAMENTOS DE

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