Chapitre IV. Les th´ eor` emes de Darboux-Weinstein
1. Rappels sur les groupes de Lie
Observou-se, no entanto, que no Município de Rio Maria, esses fatores
continuam presentes no cotidiano do pequeno produtor, embora tenham passados
aproximadamente quase 20 anos. Mesmo diante das limitações encontradas, verificou-se
que no que concerne à produção leiteira nos Projetos de Assentamentos do Município de
Rio Maria, esta é a base da produção em quase todas as propriedades. Apenas 8,00% das
unidades de produção pesquisadas, não estão inseridas no mercado de leite no período da
pesquisa alegando que o leite mal dava para sustentar o bezerro. Estas sobrevivem de
aposentadorias e venda de animais. Observou-se também, que o leite em muitos casos,
chega a representar até 70,00% da renda da propriedade, isso ocorre em 60,00% dos
produtores. Os demais 32,00% possuem uma situação equilibrada, entre a venda do leite e
a de animais. Há que se avaliar que nesse caso, o leite passa ser o grande sustentáculo para
a família, posto que durante o ano não vai ter vacas velhas para vender, e nem sempre os
bezerros nascem machos. Como pôde ser comprovada, a venda de animais passa a ser
pretende aumentar o rebanho até o limite da propriedade. Na Tabela 22, observa-se a
produção de leite diária das propriedades, no período seco e no período chuvoso.
TABELA 22. Produção de leite/dia dos produtores de leite entrevistados nos Projetos de Assentamentos do Município de Rio Maria, Pará, em 2002.
Período seco Período chuvoso Quant.
litros/dia Número deprodutores Percentual deprodutores litros/diaQuant. Número deprodutores Percentual deprodutores
<10 8 16,00 <10 6 12,00 11-20 15 30,00 11-20 6 12,00 21-30 7 14,00 21-40 11 22,00 31-40 8 16,00 41-60 15 30,00 41-50 6 12,00 61-80 6 12,00 51-60 1 2,00 81-100 4 8,00 >61 1 2,00 >101 2 4,00 Total 50 100,00 - 50 100,00
Fonte: Pesquisa de campo, 2002.
Como pode ser observado, na Tabela 22, a produção de leite não é volumosa,
porém significante para a manutenção da família durante o mês. A produção média diária de
leite é de 28,41 litros por produtor durante a estação seca e, no período chuvoso, a produção
chega a 49,24 litros.
Na Tabela 23 são analisadas as características da produção da pecuária
leiteira entre os produtores entrevistados de acordo com a área de terra, produção de leite,
venda de animais, entre outros. Embora apareça um saldo positivo, isto não quer dizer que
a renda seja suficiente para fazer investimentos no sentido de melhorar a qualidade das
pastagens e a qualidade do rebanho. Os dados da Tabela 23 indicam que o perfil médio dos
produtores entrevistados nos Projetos de Assentamentos do Município de Rio Maria
mostra um produtor com uma área de 68,85 hectares, com 46,84 hectares de pastagens, o
54 reses, sendo 17 vacas em lactação. A produção de leite é de 1,65 litro de leite por
vaca/dia no período seco, perfazendo uma produção de 3.409,2 litros e, 2,86 litros de leite
por vaca/dia no período chuvoso e o volume de leite produzindo chega a 11.817,6 litros18,
totalizando 15.226,8 litros/ano, no valor de R$ 2.115,84, o que pode ser considerado muito
baixo a nível nacional. Caso fosse investido no melhoramento das pastagens e do rebanho
esta renda poderia ser bem maior.
TABELA 23. Características da pecuária entre os produtores de leite entrevistados nos Projetos de Assentamentos do Município de Rio Maria, Pará, em 2002.
Discriminação Total Média por produtor
Produtores pesquisados 50
Área total (ha) 3.442,5 68,85
Área de pastagem (ha) 2.342 46,84
Tempo de permanência no lote (anos) - 13,7
Início da criação de gado (anos) - 10,2
Rebanho inicial 547 11
Rebanho em 2001 3.607 72
Rebanho em 2002 2.721 54
Mortes de vacas e bezerros em 2002 48 0,96
Venda de reses em 2002 838 17
Vacas em lactação 861 17
Produção de leite vaca (litros/dia) período seco - 1,65 Produção de leite vaca (litros/dia) período chuvoso - 2,86
Média de produção vaca/ano - 2,42
Produção de leite por produtor (litros/ano) - 15.226,80 Média de renda bruta do leite por propriedade (R$/ano) - 2.115,84 Média de renda bruta da venda de reses (R$/ano) - 4.843,60 Renda da pecuária por produtor (R$/ano) - 6.959,44 Média de renda bruta por hectare (R$/ano) - 148,58 Média bruta de salários mínimos por mês - 2,90 Fonte: Pesquisa de campo, 2002.
18 O período seco é compreendido entre os meses de junho a setembro e o período chuvoso corresponde os meses de outubro a maio.
Analisando a Tabela 23 pode-se verificar que sobreviver apenas do leite seria
impossível, posto que, a média de rendimento deste é pouco mais de um salário mínimo, a
venda de novilhas e de matrizes justifica a necessidade de complementação da renda uma vez
que, só a renda do leite e dos bezerros não mantém a sustentabilidade da unidade produtiva.
Do ponto de vista de El Serafy (1989), renda desta natureza é considerada
insustentável, posto que, não proporciona a unidade produtiva a realizar investimentos que
possam garantir a sustentabilidade e a produtividade a longo prazo. Mesmo a taxa de desfrute
estando acima da média nacional, isso se deve ao fato da entrada de rebanho através de
financiamento do FNO.
Além do mais, não basta melhorar apenas a qualidade do rebanho ou das
pastagens para elevar a quantidade de produção do leite, torna-se necessário melhorar o preço,
e para isso seria imprescindível quebrar o monopólio dos lacticínios, posto que são esses que
determinam o preço do produto.
Verifica-se também que a média de tempo para início de investimento em
pecuária é de três anos a quatro anos, ou seja, após a implantação das primeiras roças o que
vem confirmar estudos realizados por Machado et al (2000), no Município de Marabá, Pará,
afirmando que o processo de pecuarização de um lote ocorre, gradativamente, após ter o
mínimo de estrutura para manejo do rebanho. Aqueles que compravam os lotes de outros
ocupantes, tão logo a família estivesse estabelecida estes iniciavam os investimentos, embora
com poucas reses, às vezes à meia, pois já existiam na propriedade alguns hectares de
pastagens que poderiam ser utilizados pelo gado.
Se o produtor investisse em tecnologia e insumos, para recuperar as pastagens, ele
estaria condenado a ficar sem o rebanho e ainda assim, recuperaria apenas alguns hectares.
Mesmo havendo uma série de técnicas desenvolvidas para manutenção e recuperação de
Constatou-se durante a pesquisa que, um dos grandes entraves para o mercado do
leite, são os laticínios que funcionam como uma espécie de oligopsônio e até monopsônio, a
nível de localidade. Embora haja quatro laticínios dentro do Município, estes estabelecem
preço único para o leite e deixam os produtores sem alternativas. Além do mais, o laticínio faz
o controle rigoroso do leite. Essa estratégia acaba imobilizando os produtores, por não terem
outra alternativa para negociação, acabam vendendo o leite pelo preço desejado pelos
laticínios.
Na Vila Betel, próximo aos Projetos de Assentamentos, onde foi realizado o
levantamento, está instalada uma filial da empresa de lacticínios Italac, desde 1998, cuja
matriz está localizada no Município de Xinguara, similares a muitas outras, que estão
disseminadas no Sudeste Paraense, destinadas ao recebimento de leite para produção de massa
e posteriormente o queijo. Essa unidade que recolhe o leite dos produtores entrevistados
atende 6 “linhas”, correspondendo a 60 produtores, com uma média de 4.500 litros/dia e 500
kg de massa que são enviadas para Xinguara onde são transformados em queijo. Para a
produção de massa, adiciona-se fermento na proporção de 190 ml para l.000 litros de leite e se
estiver ácido, bastam apenas 150 ml de fermento. Há uma produção de soro equivalente a
5.000 litros/dia que são entregues gratuitamente aos produtores interessados.
Há um sistema de coleta de leite efetuado pelos carreteiros que apanham nas
propriedades. Cada produtor possui uma ficha onde são anotados as entregas diárias e o
pagamento do leite recebido é efetuado a cada quinzena. Há um controle quanto a possível
mistura com água, sendo que na primeira vez, o produtor é advertido, e na segunda, o leite é
devolvido. A usina utiliza vapor d’água obtida a partir de aquecimento com lenha, indicando
outro aspecto dessa drenagem de recursos naturais. É bem provável, face ao baixo
investimento dessas instalações, à medida que a produção de leite vai minguando, seja
Verificou-se que as condições higiênicas são de baixa qualidade. Os órgãos
oficiais de fiscalização deveriam ter um controle mais rigoroso sobre esta atividade. Como se
percebe o caminho do leite é longo.
Observou-se ainda, que embora os assentamentos tenham associações, estas estão
voltadas apenas, para interesses imediatos como, busca de financiamento junto ao INCRA.
Não há uma organização na defesa do preço do leite. Talvez, esse seja um dos motivos do
mesmo ser vendido a preços tão baixos. Nessas condições adversas, provavelmente, a
proposta mais viável seria o cooperativismo (Borges, 2000). Na área de pesquisa pode-se
constatar que os produtores trabalham de forma isolada, cada um procurando seus próprios
meios para conseguir superar os obstáculos que o sistema de produção pecuária lhes impõem.