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Dans le document FLOPPY/HARD DISK MANUAL (Page 119-142)

Esta segunda queixa se abre com a expressão

aAlôh],

, formada pela partícula interrogativa

h]

acoplada ao advérbio de negação

aAl

“Não”. Aqui, optamos por traduzi- la como “Não...?”. Esta, por sua vez se une ao pronome pessoal

hT'äa;

, segunda pessoa masculino singular, fazendo que a expressão tenha o sentido de “Não és tu...?”230 ou, como

prefere Silva, “Porventura não és tu...?231. Optamos pela primeira por privilegiar a literalidade

do texto massorético.

229 Cf. Virgulin, Stefano “Os doze profetas e Daniel” In: Ballarini, P. Teodorico. Introdução à Bíblia com

Antologia Exegética. Petrópolis: Editora Vozes, p. 112, 1978.

230 Cf. Nova Bíblia Pastoral p. 1151

231 Cf. Silva, Domingos Sávio da. Habacuque e a resistência dos pobres: Tradução crítica do profeta Habacuc.

O termo

~d<Q,ªmi

, é formado pela preposição

!mi

e o substantivo masculino singular

~d,q,

. Sayão sugere que não seja traduzido por “eternidade” e, sim, por “desde a antiguidade”, justificando que o termo é empregado para se referir à “ação divina na história do povo”, conforme Mq 5,2; Sl 74,12; e, 77,11232. Silva propõe traduzir por “desde

sempre”233. Holladay234 traduz o substantivo por “em frente”, com o sentido “continuamente”, informando ainda que, acompanhado desta preposição, como aqui, em Is 9,11 se traduz por “desde a frente”; em Ne 12,46 é traduzido por “pela primeira vez”; em Is 45,21 é traduzido por “desde tempos antigos”; e, em Dt 33,27 a expressão

~d<q,ê yhel{åa/

é traduzida por “Deus eterno”.

Aqui, seguindo Sayão, preferimos a tradução “desde a antiguidade”. O nome de YHWH,

hw"hy>

, tem aqui função vocativa e é seguido por dois qualificativos: O nome próprio

~yhil{a/

com sufixo de primeira pessoa masculina singular:

yh;²l{a/

“Meu Deus” e o adjetivo masculino singular

vAdq'

com sufixo de primeira pessoa do singular

yviÞdoq.

“Meu Santo”.

Precedido pelo advérbio de negação

al{

“Não” temos o verbo

tWm+n"

, um Qal imperfeito primeira pessoa comum do plural de

tWml'

“Morrer” que deve ser traduzido por “Nós morreremos”. Considerando o advérbio de negação que o precede temos “Nós não morreremos”. De acordo com o aparato crítico da BHS, temos aqui um tiqqun soperim235, ou

seja, uma proposta de correção dos escribas visando afastar afirmações sobre Deus cabíveis de objeções236. Sendo assim, o verbo original traria

tWmoT'

“Tu não morrerás” tendo

YHWH como objeto. Considerando uma afirmação imprópria aplicada a Deus, os escribas

232 Cf. Sayão, Luiz A. T. O Problema do Mal no Antigo Testamento: O caso de Habacuque. São Paulo: Editora

Hagnos, p. 119, 2012.

233 Cf. Silva, Domingos Sávio da. Habacuque e a resistência dos pobres: Tradução crítica do profeta Habacuc.

Aparecida SP: Editora Santuário, p. 53, 1999.

234 Cf. Holladay, William L. Léxico Hebraico e Aramaico do Antigo Testamento. São Paulo: Edições Vida

Nova, p. 444, 445, 2010.

235 Cf.Rudolph, W.; Elliger, K. Bíblia Hebraica Stuttgartensia. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, p. 1050,

2010.

236 Cf. Silva, Domingos Sávio da. Habacuque e a resistência dos pobres: Tradução crítica do profeta Habacuc.

teriam proposto uma leitura com correção alterando o verbo para

tWm+n"

“Nós não morreremos” ou, “Não vamos morrer” tendo como objeto o profeta e sua audiência.

A versão da Nova Bíblia Pastoral preferiu manter a leitura mais difícil com

tWmoT'

traduzindo-o pelo particípio: “Aquele que não morre”. A forma mais difícil deve ser preferida diante da forma mais fácil em uma tradução. A forma mais fácil é tida como inserção de escribas na tentativa de facilitar a leitura e o sentido da palavra no texto. Entretanto, Sayão afirma que “a leitura mais difícil nem sempre deve ser preferida e, apesar dos problemas, é melhor seguir o TM”237. Ele justifica esta preferência aqui pelo fato de o contexto do livro e

da invasão babilônica favorecer o grito de fé “não morreremos”. Além disso, argumenta ele, a metáfora “Rocha”, que vem a seguir, significa “protetor”.

A frase “Nós não morreremos” indica a confiança de que Deus preserva os justos (ou o povo). Esta proposta segue apoiada pela LXX que verte a expressão por: kai. ouv mh. avpoqa,nwmen. Com dupla negação, conforme aparece no grego, se usa, segundo Dana e Mantey238, para enfatizar negações ou proibições de modo categórico, ficando a leitura da

LXX assim: “Com certeza não morreremos”. Silva afirma que a forma

tWm+n"

al{å

, não fosse correção de escribas, ou seja, se “remontasse enquanto tal ao pensamento original da profecia, realçaria diretamente o lado do crente, do justo oprimido que então afirmaria a absoluta certeza de sua salvação”239.

Há, entretanto, outra possibilidade de leitura. Mosquera240, além de ressaltar estas alternativas, conforme tratadas acima, ressalta ainda outra leitura que surge, também, de corrupção do texto hebraico. Ele argumenta que, ao fazer uma transposição de letra na expressão

tWm+n" al{å

, a leitura foi alterada para

tm,a,

l{a/

, “Deus de verdade”. Quem segue esta proposta traduz o versículo 12a por: “Não és tu desde tempos

237 Cf. Sayão, Luiz A. T. O Problema do Mal no Antigo Testamento: O caso de Habacuque. São Paulo: Editora

Hagnos, p. 120, 2012.

238 Cf. Dana, H. E. & Mantey, J. R. Gramatica griega Del Nuevo Testamento. El Passo, Texas: Casa Bautista, p.

259, 1984.

239 Cf. Silva, Domingos Sávio da. Habacuque e a resistência dos pobres: Tradução crítica do profeta Habacuc.

Aparecida SP: Editora Santuário, p. 66, 1999.

240 Cf. Mosquera B., Fernando A. Habacuc, El interpelador de Yahweh: Comentario Exegetico y Explicativo.

imemoriáveis Yahwéh meu Deus, meu santo, Deus de Verdade?”. Neste ponto preferimos acompanhar a sugestão de Silva, conforme visto acima, e manter a leitura mais fácil, aceitando que

tWm+n" al{å

remonte ao pensamento original da profecia.

O versículo 12b se abre com o vocativo YHWH. É seguido pelo termo

jP'_v.mi

, substantivo masculino singular da raiz

jPv

, “Juízo”, “Julgamento”, “Causa”, “Lugar de julgamento” (tribunal)241. Aqui ele aparece precedido da preposição

l.

. Já o encontramos

duas vezes na primeira perícope (v.4) e uma vez na segunda (v.7). Silva propõe traduzi-lo aqui por “Direito”242. Aqui seguimos a sugestão de Sayão243 entendendo que, pelo contexto,

melhor se encaixa traduzi-lo por “Juízo”.

Esta oração se completa com o verbo

ATêm.f;

, um Qal perfeito segunda pessoa masculina singular

~yfi

, que, dentre outras possibilidades, Holladay244 propõe traduzir

por “levantar”. Acompanhado de sufixo de terceira pessoa masculino singular, como aqui, deve traduzir-se por “Tu o levantaste”. A oração seguinte está em paralelismo com esta. Nela, o verbo

x:ykiîAhl.

, um Hiphil infinitivo construto, acompanhado pela preposição

l.

, “Para corrigir”, está em paralelo com o verbo

jP'_v.mil.

, “Para juízo”. Já o verbo

AT*d>s;y>

, um Qal perfeito segunda pessoa masculina singular, acompanhada pelo sufixo de terceira pessoa masculina singular cuja raiz

dAsywI

, Holladay traduz por “estabelecer”, deve ser traduzido por “Tu o estabeleceste”, está em paralelo com

ATêm.f;

, “Tu o levantaste”.

Há divergência entre os intérpretes quanto ao significado dos sufixos desses dois verbos designando seus respectivos objetos. Há quem prefira traduzi-lo pelo plural “tu os

241 Cf. Davidson, Benjamin. The Analytical Hebrew And Chaldee Lexicon. USA: Zondervan Publishing House,

p. 524, 734, 1850.

242 Cf. Silva, Domingos Sávio da. Habacuque e a resistência dos pobres: Tradução crítica do profeta Habacuc.

Aparecida SP: Editora Santuário, p. 53, 1999.

243 Cf. Sayão, Luiz A. T. O Problema do Mal no Antigo Testamento: O caso de Habacuque. São Paulo: Editora

Hagnos, p. 120, 2012.

244 Cf. Holladay, William L. Léxico Hebraico e Aramaico do Antigo Testamento. São Paulo: Edições Vida

estabeleceste”. Esta é a preferência de Sayão que o justifica ligando-o ao termo “infiéis”, que aparecerá no v.13. Segundo ele, “infiéis” é o objeto destes sufixos de terceira pessoa masculina singular245. Pelo contexto, seria também cabível entendê-lo como se referindo ao

povo de Israel/Judá ou ainda, ao rei judaíta246.

Entretanto, o verso 12 inicia “proclamando a persistência de Yahve na história”247. Tal persistência está vinculada à relação de YHWH com Israel evocada pela expressão “YHWH, meu Deus, meu Santo”. Se YHWH é “desde a antiguidade” ou “desde sempre” e está vinculado a Israel, então faz sentido a afirmação de fé “Nós não morreremos”. Assim, a expressão seguinte “YHWH, para juízo o estabeleceste” e “Rocha, para castigar o tens designado”, se referem ao papel de Israel designado por YHWH nesta relação de aliança. De fato, o texto hebraico exalta Israel em seu papel de ser luz para as nações e, por meio de quem, a benção de YHWH alcançará “todas as famílias da terra” (Gn 12,1). Em Is 42,1-4 lemos expressões como “Juízo produzirá entre os gentios”, “em verdade produzirá o juízo”, “até que ponha na terra o juízo”, “e as ilhas aguardarão a sua doutrina”, todas se referindo a Israel (42,1 com 42,19-20).

Precedido por uma conjunção, temos agora o substantivo masculino singular

rWcß

, traduzido por “Rocha”. O aparato critico da BHS propõe alterá-lo para

yriWc

traduzindo-o por “Minha Rocha”. Silva entende que este

w>

deve ser interpretado “como partícula enfatizante de sentimento” e assim deve ser traduzido: “Óh Rocha”248. Assim como

YHWH, no início, aqui, “Óh Rocha” tem função vocativa.

Baker lembra que YHWH é “chamado de Rocha (cf. Dt 32,18; Sl 19,14), indicando sua imutável estabilidade”. Ao indicar que YHWH levantou a Babilônia e, poderia ser qualquer outra nação, como instrumento de juízo, o profeta “afirma que o poder criador de Deus levanta, e até utiliza, nações que não o reconhecem como Deus” e conclui: “a justiça e a correção redentora (cf. Jó 5,17; Pv 3,12) são estabelecidas pelo próprio Deus, não importando

245 Cf. Sayão, Luiz A. T. O Problema do Mal no Antigo Testamento: O caso de Habacuque. São Paulo: Editora

Hagnos, p. 120, 2012.

246 Cf. Jörg Jeremias, citado por Domingos Sávio em nota p. 53

247 Cf. Morla, Victor. Nahúm, Habacuc, Sofonías (Comentarios a la Nueva Biblia de Jerusalén). Espanha:

Editorial Desclée de Brouwer, p. 106, 2009.

248 Cf. Silva, Domingos Sávio da. Habacuque e a resistência dos pobres: Tradução crítica do profeta Habacuc.

o instrumento que ele escolha para produzi-la”249. Morla discorda. Comentando sobre o ensino

dos profetas do Antigo Testamento de que as “potências estrangeiras (e seus deuses) só são marionetes manipuladas pelo Deus hebreu no cenário da história”, arremata: “Sem dúvida, os acontecimentos que deixaram inerte o povo israelita sucessivamente nas mãos de neobabilônios, persas, gregos e romanos manifestaram que tal ideia só era fruto das fantasias ou do dissimulado desespero de alguns círculos proféticos”250.

Entretanto, esta não parece ser uma ideia “fruto das fantasias ou do dissimulado desespero de alguns círculos proféticos”. Esta ideia está bem fundamentada no escritor deuteronomista (Js-Rs), nos profetas, anteriores e posteriores ao exílio, que adotam este propósito e responsabilizam a liderança política e sacerdotal pela inversão deste propósito, como, por exemplo, pode ser visto em Is 42,1-3 comparado com 42,19-25. Suavizando a questão, Mosquera afirma que, tanto o texto hebraico quanto o grego da LXX, concordam que YHWH “levantou aos caldeus contra Judá com um propósito, nem tanto punitivo, mas sim, didático e corretivo”251.

1.6.6.2 Verso 13

O verso 13 se abre com o adjetivo masculino singular

rAhÝj.

. Este adjetivo em sua forma verbal tem o sentido de “ser ou tornar-se limpo” ou “ser ou tornar-se puro” tanto no sentido físico quanto no sentido moral, segundo Davidson252. Kirst também o traduz por: “Puro” ou “Limpo”253. É seguido pelo substantivo comum dual

~yIn:’y[e

que o

mesmo dicionário traduz por “Olhos” ou “Vistas”254.

249 Cf. Baker, David W.; Alexander, T. Desmond. Sturz, Richard J. Obadias, Jonas, Miquéias, Naum, Habacuque

e Sofonias: Introdução e Comentário (Série Cultura Bíblica). São Paulo: Edições Vida Nova, p. 336, 2001.

250 Cf. Morla, Victor. Nahúm, Habacuc, Sofonías (Comentarios a la Nueva Biblia de Jerusalén). Espanha:

Editorial Desclée de Brouwer, p. 107, 2009.

251Cf. Mosquera B., Fernando A. Habacuc, el intepelador de YahWeh: Comentario Exegetico y Explicativo.

Colombia: Action International Ministries, p. 87, 1993.

252 Cf. Davidson, Benjamin. The Analytical Hebrew And Chaldee Lexicon. USA: Zondervan Publishing House,

p. 282, 1850.

253 Cf. Kirst, Nelson; Kilpp, Nelson; Schwantes, Milton; Raymann, Acir; Zimmer, Rudi. Dicionário Hebraico-

Português e Aramaico-Português. São Leopoldo RS: Editora Sinodal/Vozes, p. 81, 2013.

254 Cf. Kirst, Nelson; Kilpp, Nelson; Schwantes, Milton; Raymann, Acir; Zimmer, Rudi. Dicionário Hebraico-

O termo

tAaår>me

é formado pelo verbo Qal infinitivo construto

tAar.

, precedido pela preposição

!mi

que, juntas, como aqui, se traduz por: “Para ver”. Em muitos textos a figura dos “olhos” e do “ver” descrevem a aprovação ou reprovação de Deus. Sayão lembra que o sentido de “ver” aqui é o de “tolerar”255. O objeto deste verbo é o adjetivo masculino singular absoluto

[r;

que é traduzido por: “Mau”. Este adjetivo “significa mau em um sentido ético e moral, sendo usada para descrever, juntamente com o bom, todo o espectro do bem e do mal”256.

O termo

jyBiîh;w>

é o segundo verbo desta oração. É um Hiphil infinitivo construto da raiz

jbn

que, com a conjunção, deve ser traduzido por “E Contemplar”. O objeto deste verbo é o substantivo masculino singular

lm'['

precedido pela preposição

la,

. Este substantivo é de difícil compreensão, pois ele é vertido para a língua portuguesa como Canseira, fadiga, labuta, esforço, dentre outros257. Em Gn 41,51 e Is 53,11 ele é vertido

por “Aflição”, “infortúnio”; em Ec 1,3 leva o sentido de “Trabalho”, “Esforço”; O sentido pretendido para este substantivo, conforme aparece aqui, é o de “Opressão” como em Hc 1,3a.

Precedido pelo advérbio de negação

al{

, o próximo verbo desta oração

lk'_Wt

é um Qal imperfeito da segunda pessoa masculino singular de

tl,koy>

, que Holladay traduz por “Tu podes”258. Acompanhado pelo advérbio de negação a expressão é traduzida por

“Tu não podes”.

A oração seguinte é aberta pela expressão

hM'l'Û

formada pelo pronome interrogativo

hm'

precedido da preposição

l.

que, juntos, são traduzidos por “Para que?” ou, “Por que?”, que já apareceu no v.3. Após esta expressão inicial aparece o verbo

255 Cf. Sayão, Luiz A. T. O Problema do Mal no Antigo Testamento: O caso de Habacuque. São Paulo: Editora

Hagnos, p. 120, 2012.

256 Cf. Dicionário Hebraico do Antigo Testamento de James Strong anotado pela AMG.In: Bíblia de Estudo

Palavras-Chave Hebraico e Grego. Rio de Janeiro: CPAD, 2011.

257 Cf. Kirst, Nelson; Kilpp, Nelson; Schwantes, Milton; Raymann, Acir; Zimmer, Rudi. Dicionário Hebraico-

Português e Aramaico-Português. São Leopoldo RS: Editora Sinodal/Vozes, p. 182, 2013.

258 Cf. Holladay, William L. Léxico Hebraico e Aramaico do Antigo Testamento. São Paulo: Edições Vida

jyBit;

, um Hiphil infinitivo construto da raiz

jbn

que Holladay traduz por “Olhar” com o sentido de “olhar em uma direção específica”259. Ainda, este “olhar” tem o

sentido de olhar impassivelmente. Isso amplifica a tensão da queixa, uma vez que este verbo tem como sujeito o próprio YHWH.

O verbo

~ydIêg>AB*

é um Qal particípio masculino plural da raiz

dGOb.li

. Das 47 ocorrências no texto hebraico, 21 delas ocorrem como particípio

descrevendo “aquele que age traiçoeiramente”. O verbo é usado para descrever a infidelidade conjugal. O objeto desta falta de fidelidade pode ser a esposa. Em Êx 21,8 se refere a uma serva e em Ml 2,14 se refere a mulher da mocidade. Em Jr 3,20, o objeto da infidelidade é o marido. Neste caso o agente da infidelidade é Israel em sua relação com YHWH. O Senhor ou sua aliança é, às vezes, o objeto explícito deste verbo (1Sm 14,33; Sl 78,57; 119,58). Pessoas assim descritas são alvos do juízo de YHWH (Sl 25,3; Pv 2,22; 11,6; 21,18) )260. Sayão propõe traduzir por “Infiéis” no sentido de “Indignos de confiança”261. Holladay propõe

“Tratar deslealmente”262. Como aqui é um particípio plural, traduzimos por “Aqueles que

agem com infidelidade”, levando o sentido de “Infiéis”, conforme Sayão. Outra alternativa é seguir a ARC263 que verte “os (ou aqueles) que procedem aleivosamente”.

Temos agora mais um verbo. Desta vez um Hiphil imperfeito de segunda pessoa masculino singular

vyrI§x]T;

. Este verbo tem como raiz

vrx

que Holladay traduz por “ficar em silêncio” ou, “Permanecer inativo”264. O verbo aparece 38 vezes no

Hiphil, como aqui, das 46 ocorrências (mais 7 no Qal e 1 no Hitpael) no texto hebraico. Leva o sentido de silêncio no falar. É aplicado ao servo de Abraão que “permaneceu em silêncio (lit., ‘Estando em silêncio’) enquanto observava Rebeca, cogitando se ela seria a escolha de

259 Cf. Holladay, William L. Léxico Hebraico e Aramaico do Antigo Testamento. São Paulo: Edições Vida

Nova, p. 319, 2010.

260 Cf. Goldberg, L. In: Harris, R. L.; Archer Jr, G. L.; Waltke, B. K. Dicionário Internacional de Teologia do

Antigo Testamento. São Paulo: Edições Vida Nova, p. 148, 1998.

261 Cf. Sayão, Luiz A. T. O Problema do Mal no Antigo Testamento: O caso de Habacuque. São Paulo: Editora

Hagnos, p. 120, 2012.

262 Cf. Holladay, William L. Léxico Hebraico e Aramaico do Antigo Testamento. São Paulo: Edições Vida

Nova, p. 44, 2010.

263 Cf. Bíblia Almeida Revista e Corrigida em nota.

264 Cf. Holladay, William L. Léxico Hebraico e Aramaico do Antigo Testamento. São Paulo: Edições Vida

Deus para esposa de Isaque” (Gn 24,21). Este parece ser o sentido aqui, por isso traduzimos por “Tu permaneces inativo”.

O próximo verbo é o Piel infinitivo construto precedido de preposição

[L;îb;B.

. A raiz deste verbo é o

[;l{B.

, que pode ser traduzido por “Tragar/engolir apressadamente”, “devorar”. Na maioria das vezes a palavra é usada como símbolo de destruição e ruína como em Lm 2,2.5.8 e Is 3,12; 49,19. Acompanhado de preposição e em estado construto em relação ao

[v'r'

“ímpio”, adjetivo que vem a seguir, propomos traduzi-lo por: “Ante o devorar do ímpio...”. Este adjetivo, objeto deste verbo,

[v'r'

“ímpio”, já o analisamos em 1,2-4. Este sempre está em oposição a outro adjetivo

qyDIîc;

“Justo” igualmente visto em 1,2-4. No v.4 o ímpio, que é interno, aparece em

sua função de cercar o justo. Aqui, o ímpio, que é externo, aparece, tendo como missão, devorar o justo.

Este verso é encerrado com

WNM,(mi

, uma preposição

!mi

com sufixo de terceira pessoa masculino singular. Entre os usos possíveis desta preposição encontramos aquela usada em comparações com o sentido de “Mais que”. Isso não minimiza a dificuldade de tradução desta última oração. Silva assim a traduz: “ante o devorar de ímpio (ao) justo por própria força?265. A sugestão de Sayão é interessante. Assim ele propõe: “Enquanto os ímpios

engolem os que são mais justos do que eles?”266. É bem vinda também a tradução oferecida

pela Nova Bíblia Pastoral que verte esta oração por “quando um ímpio devora alguém que é justo”267. É possível que a omissão de

WNM,(mi

na LXX e na versão Siríaca seja uma

tentativa de minimizar a dificuldade de tradução desta última oração se, seguindo o texto massorético, for mantido o

WNM,(mi

. A omissão é proposta presente no aparato critico da BHS. Consideramos desnecessária esta sugestão aqui por causa do princípio de privilegiar o texto massorético nesta pesquisa.

265 Cf. Silva, Domingos Sávio da. Habacuque e a resistência dos pobres: Tradução crítica do profeta Habacuc.

Aparecida SP: Editora Santuário, p. 54, 1999.

266 Cf. Sayão, Luiz A. T. O Problema do Mal no Antigo Testamento: O caso de Habacuque. São Paulo: Editora

Hagnos, p. 120, 2012.

1.6.6.3 Verso 14

Este verso inicia com o verbo

hf,î[]T;w:

precedido pela conjunção

w.

. Este é um Qal imperfeito da segunda pessoa masculino singular da raiz

hf[]

. Mosquera propõe traduzi-lo por “fazer”. Assim, como aparece aqui, traduz por “E começas a fazer” ou, “E fazes que os homens sejam como os peixes do mar” e explica que “a ideia subjacente no verbo é que Yahwéh mesmo foi quem provocou a situação agora vivida pelo povo judeu”268. Sayão sugere que este

w>

acoplado ao verbo seja lido como um Waw consecutivo fazendo com que a oração seguinte se ligue ao

hM'l'Û

“Por que?” ou, “Para que?” do v.13. Por isso ele inicia sua tradução repetindo o

hM'l'Û

do v.13: “Por que fazes os homens como peixes do mar...?”269. Aparentemente os editores da Nova Bíblia Pastoral seguiram este

caminho, se bem que não vendo a necessidade de repetir o

hM'l'Û

, como o faz Sayão, mas também fazendo com que a oração do v.14 fique subordinada ao

hM'l'Û

do v.13: “Tratas os homens como peixes do mar...?”270. Silva prefere traduzir o verbo pelo pretérito

perfeito “fizeste” reforçando-o com a expressão “Eis que” por ver aqui um Waw enérgico iniciando uma nova frase271.

Sayão272 propõe aqui que

fm,r,

seja traduzida, seguindo a Nova Versão

Internacional, por “criaturas marinhas” em paralelo com peixes. Holladay273 indica que este substantivo em sua forma verbal significa “Enxamear, fervilhar” referindo-se ao “vasto número de criaturas na água, no solo, em madeiras; em movimento aleatório” como em Gn 1,26. Como substantivo é aplicado a répteis como em Gn 1,24-25.

268Cf. Mosquera B., Fernando A. Habacuc, el intepelador de YahWeh: Comentario Exegetico y Explicativo.

Colombia: Action International Ministries, p. 87, 1993.

269 Cf. Sayão, Luiz A. T. O Problema do Mal no Antigo Testamento: O caso de Habacuque. São Paulo: Editora

Hagnos, p. 120, 121, 2012.

270 Cf. Nova Bíblia Pastoral pg. 1151

271 Cf. Silva, Domingos Sávio da. Habacuque e a resistência dos pobres: Tradução crítica do profeta Habacuc.

Aparecida SP: Editora Santuário, p. 54, 1999.

272 Cf. Sayão, Luiz A. T. O Problema do Mal no Antigo Testamento: O caso de Habacuque. São Paulo: Editora

Hagnos, p. 120, 2012.

273 Cf. Holladay, William L. Léxico Hebraico e Aramaico do Antigo Testamento. São Paulo: Edições Vida

O termo

fm,r<ÞK.

, um substantivo masculino singular precedido por preposição “Como réptil”, deve ser observado em conjunto com a expressão que o segue, ou seja,

AB*

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