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BUS MODULE IDENTIFICATION

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X- BUS MODULE IDENTIFICATION

33,26-29; Hc 3,5-13)”221.

Este é, porém, o primeiro

aF'M;

“Peso” do livro de Habakkuk. Como vimos, foi

dirigido contra o

[v'r"

“ímpio” interno protagonista daquela situação caótica descrita e denunciada em 1,2-4. Teve como instrumento corretivo os caldeus, o império neobabilônico. Sua convocação para “ver entre as nações” indica a leitura que o profeta faz, e convida a fazer, da história, ou seja, a leitura teológica/profética da história onde YHWH move as nações se utilizando delas como instrumento para a realização do seu governo cuja meta é o exercício da justiça. Vimos que esta leitura teológica da história está bem fundamentada nos profetas clássicos e no livro de Deuteronômio.

Sendo assim, destacamos a teologia que sustenta o conteúdo deste anúncio profético, bem como sua origem na história da fé de Israel em YHWH. Certamente que, depois daquele apaixonante clamor do profeta e seus representados, pedindo ajuda, esperávamos por uma resposta de YHWH que satisfizesse aquele anseio. Entretanto, o consolo daquele justo sofredor ainda será adiado. Primeiro virá o juízo de YHWH sobre os desobedientes. Este adiamento do consolo ou, pior, este anúncio do juízo divino que, certamente, tornará a situação daquele justo, ainda mais dolorosa, provoca nele, ainda, uma avalanche emocional. Agora, não mais para questionar a aparente inação ou indiferença de YHWH, mas, sim, para questionar o método que YHWH escolheu para tratar daquela já caótica situação interna. É para este segundo conflito que nos voltamos agora.

1.6 ANÁLISE EXEGÉTICA DE HC 1,12-17

1.6.1 Tradução Interlinear

221 Destacado por Silva, p. 230, de II Messaggio della Salvezza, p. 516 com o fim de refutar tal leitura de

al{å yviÞdoq. yh;²l{a/ hw"ôhy> ~d<Q,ªmi

hT'äa; aAlôh]

não/meu santo /meu Deus/YHWH/desde tempos antigos /Tu /Não (és)

`AT*d>s;y> x:ykiîAhl. rWcßw> ATêm.f;

jP'äv.mil. ‘hw"hy> tWm+n"

/Tu o fundaste/Para castigar/E Rocha/tu o levantaste/para juízo/YHWH /morreremos

lm'Þ['-la, jyBiîh;w> [r"ê tAaår>me

‘~yIn:’y[e rAhÝj.

a opressão/e contemplar/mal/para ver/(és)/de olhos/puro

vyrI§x]T; ~ydIêg>AB* ‘jyBit; hM'l'Û

lk'_Wt al{å

/E te silencia/para os que agem secretamente/tu olhas/para que/podes tu/Não

`WNM,(mi qyDIîc; [v'Þr" [L;îb;B.

mais que ele/de justo/ímpio/ante devorar de

`AB* lveîmo-al{ fm,r<ÞK. ~Y"+h; ygEåd>Ki

~d"Þa' hf,î[]T;w:

sobre eles/não-governo/como réptil/do mar/como peixes/homem/E tu farias

WhpeÞs.a;y:w> Amêr>x,b. WhrEägOy>

hl'ê[]he( hK'äx;B.‘hL{Ku

/e ele ajunta eles/com a rede dele/ele arrasta eles/ele levantou/com anzol/A todos

`lygI)y"w> xm;îf.yI !KEß-l[;

AT+r>m;k.miB.

E ele alegrará /Ele regozijará/por isso/em sua rede de pesca

AT+r>m;k.mil. rJEßq;ywI) Amêr>x,l.

x;Beäz:y> ‘!Ke-l[;

/para a rede de pesca dele/e queimará incenso/para a rede dele/Ele sacrificará/Por isso

`ha'(rIB. Alßk'a]m;W Aqêl.x, !mEåv'

‘hM'he’b' yKiÛ

aumentou/e comida dele/porção dele/engordou/com eles/porque

`lAm)x.y: al{ï ~yIßAG groïh]l;

dymi²t'w> Am=r>x, qyrIåy" !KEß l[;h;î

terá ele compaixão?/não/nações/de matar/e continuamente/rede dele/ele esvaziará/Por isso

1.6.2 Tradução Literal

V.12 “Não (és) Tu desde tempos antigos, YHWH, meu Deus, meu Santo. Não morreremos. YHWH, para juízo tu o levantaste. E, Rocha, para castigar tu o fundaste”.

V.13 “Puro de olhos (és) para ver mal e contemplar opressão não podes tu. Para que tu olhas para os que agem secretamente e te silencia ante devorar de ímpio ao justo mais que ele”. V.14 “E tu farias homem como peixes do mar, como réptil não-governo sobre eles”.

V.15 “A todos ele com anzol ele levantou. Ele arrasta eles com a rede dele e ele ajunta eles em sua rede de pesca. Por isso ele regozijará e ele alegrará”.

V.16 “Por isso, ele sacrificará para a rede dele e queimará incenso para a rede de pesca dele. Porque com eles engordou porção dele e comida dele aumentou”.

V.17 “Por isso, ele esvaziará rede dele e continuamente para matar nações não terá compaixão?”.

1.6.3 Crítica Textual

Verso 12: O aparato crítico da BHS, em lugar de

yviÞdoq. yh;²l{a/

“Meu Deus, meu Santo”, sugere seguir a LXX que traz a expressão grega o` qeo.j o` a[gio,j mou “Deus da minha santidade”. Provavelmente por ter lido

yviÞD>q'

yhel{a/

“Deus da minha santidade”.

O mesmo aparato informa que

tWm+n" al{å

“Nós não morreremos” é um caso de tiqqun soperim222, pois, a leitura original seria

tWmoT' al{å

“Tu não morrerás”, tendo Deus por sujeito. Os escribas tiveram dificuldade de entender a expressão original

tWmoT' al{å

“Tu não morrerás” atribuída a Deus e, por isso, fizeram esta

correção a fim de suavizar o sentido do texto considerando incabível a afirmação “Tu não morrerás” atribuída a YHWH.

Com relação a

rWcßw>

“E Rocha” o aparato crítico da BHS sugere seja lido

yriWc

“Minha Rocha” e informa que Qumran traz

WhykiAml'

em lugar do

massorético

x:ykiîAhl.

“Para corrigir”.

Verso 13: O aparato da BHS informa que o texto de Qumran acrescenta a preposição

B.

“Em” ao substantivo

[r"ê

“Mal” ficando

[r"êB.

“Em mal”. Traz também o verbo

WjyBiîh;

(Hiphil imperativo plural masculino) “Contemplem”, em lugar do massorético

jyBiîh;

(Hiphil infinitivo construto) “Contemplar”. E, seguindo a tradução siríaca e o Targum segundo A. Sperber, Qumram acrescenta um Vav simples ao verbo

vyrI§x]T;

(

w>

) “E te omites”. Apoiado pela ausência do termo tanto na LXX (texto grego original) quanto na Tradução Siríaca, este aparato crítico sugere que se delete

WNM,(mi

“Mais que ele”.

Verso 14: O aparato crítico da BHS informa que o texto de Qumran, em lugar de

hf,î[]T;w:

“E fazes”, traz a forma jussiva

f[]T;w:

, considerando o

h

final como artigo definido da palavra seguinte

~d'a'

“O homem”. Outra sugestão é ler este massorético

hf,î[]T;w:

como

hf,î[]T;:

“fazes”, considerando

o Vav fruto de ditografia. Ainda neste verso, o mesmo aparato crítico informa que o texto de Qumran apresenta, em lugar da negativa

lveîmo-al{

“Sem governo”,

lveM'l.

, transformando a negativa

al{

em preposição

l.

.

Verso 15: O aparato crítico da BHS informa que, provavelmente, o verbo massorético

hl'ê[]he(

(Qatal Hiphil “Ele pescou”) deva ser lido como o texto de Qumran,

O mesmo aparato informa que o massorético

WhrEägOy>

, “Ele o arrasta”, provavelmente, se deva ler conforme Qumran

WhrEägOy>w>

“E ele o arrasta” ou “Arrasta-lo-á” (Yiqtol com Vav simples) conforme a LXX e a versão Siríaca. Este aparato ainda se pergunta se não se excluiu alguma palavra.

Verso 16: O aparato crítico da BHS informa que o massorético

ha'(rIB.

(feminino) “Comida” aparece em Qumran como

oyriB.

, mas sugere como leitura

ayrIB'

, tomando o

h

final como fruto de ditografia.

Verso 17: O aparato crítico da BHS recomenda que se deva omitir a letra

h

da palavra

l[;h;

“Porventura” já que o texto de Qumran, Códices manuscritos hebraicos, a LXX, a

versão Siríaca (Vulgata) têm ou supõem esta omissão. Informa também que, no lugar do massorético

Am=r>x,

“Sua rede” talvez, deva-se ler conforme o texto de Qumran

AB*r>x;

“Sua espada”. Sugere-se omitir o

w>

de

dymi²t'w>

“E sempre”

ou “E continuamente” que, segundo o texto de Qumran, viria de ditografia e, além disso, conecte-se

dymiT'

“Sempre” com o versículo (a) de acordo com a versão Siríaca. O advérbio de negação

al{ï

“Não” aparece em Qumran e em poucos códices manuscritos hebraicos com conjunção

w>

(

alw>

) conforme ainda a versão Siríaca e alguns manuscritos Targuns aramaicos.

Feito a leitura das sugestões de tradução do aparato crítico da BHS, optamos pela manutenção do texto conforme apresentado pelo texto massorético. Julgamos que as sugestões propostas não têm relevância suficiente para alterar o massorético.

1.6.4 Características Formais

Aquele relato que descreveu o perfil do exército caldeu é claramente interrompido, até abruptamente, pois, não há qualquer indicação de termino daquele relato ou introdução de um novo diálogo. Parece que o relato progredia criando uma tensão interna no profeta que, finalmente, o fez explodir em um novo apelo a YHWH. Não há dúvidas de que no v.12 temos o início de uma nova perícope.

Neste ponto, muito embora nos pareça claro o fim da fala de YHWH e o início da fala do profeta, alguns intérpretes adiam o início do lamento para o v.13. Virgulin223, por exemplo,

faz isso levando em conta que a nova súplica do profeta se inicia no v.13. Para isso, ele considera o v.12 como “um apelo a Deus” seguido de uma descrição dos “malefícios do opressor, que continuam impunes”. Para ele o v.12, muito embora haja mudança de sujeito, serve de introdução ao novo lamento que só é iniciado no v.13. Considero, junto com a maioria dos intérpretes, pouco provável que seja assim, pois isso provoca uma quebra inexplicável no sentido fluído do texto. Prefiro, como a maioria224, ver esta unidade sendo

iniciada no v.12 com a mudança de sujeito ativo.

Há, também, certo consenso, entre esses mesmos pesquisadores que vêm o início da perícope no v.12, de vê-la estendida até o v.17. Não há qualquer alteração de sujeito entre o v.12 e o v.13. O mesmo permanece inalterado até o fim da perícope, ou seja, do início ao fim é o profeta o sujeito dominante. Os intérpretes vêm aqui o início de um novo lamento de Habakkuk a exemplo de 1,2-4225, havendo, inclusive, quem queira unir a perícope 1,2-4 com

1,12-17 fazendo a segunda ser um prolongamento da primeira. Visto assim, a perícope de 1,12-17 seria uma extensão da perícope 1,2-4. Entretanto, em 1,2-4, a fala do profeta deve ser considerada como uma unidade literária que, por sua vez, forma uma introdução que provoca a resposta de YHWH que vem a seguir.

Entre aqueles que preferem juntar este segundo lamento (1,12-17) ao primeiro (1,2-4), há aqueles que vêm uma divisão entre os versículos 13 e 14226. Para esses, o lamento do profeta

223 Cf. Virgulin, Stefano “Os doze profetas e Daniel” In: Ballarini, P. Teodorico. Introdução à Bíblia com

Antologia Exegética. Petrópolis: Editora Vozes, p. 113, 1978.

224 Cf. Luis Sayão, Jeová Rodrigues, Fernando Mosquera, Victor Morla.

225 Cf. Silva, Domingos Sávio da. Habacuque e a resistência dos pobres: Tradução crítica do profeta Habacuc.

Aparecida SP: Editora Santuário, p. 56, 1999.

226 Cf. Silva, Domingos Sávio da. Habacuque e a resistência dos pobres: Tradução crítica do profeta Habacuc.

que se une ao seu primeiro lamento está apenas nos vv.12 e 13. Esses intérpretes vêm em 1,14-17 um prolongamento do anúncio de YHWH feito em 1,5-11. Silva afirma que esta é uma possibilidade aberta, pois os elementos nelas se repetem, inclusive, o interpelado, YHWH, e o interpelador, Habakkuk, que lá e cá se mantém inalterados. Entretanto, o problema surge quando esses mesmos intérpretes tentam fazer uma conexão entre os versículos 14-17 com a resposta de YHWH em 5-11. Quem faz isso, propõe transferir para a terceira pessoa singular (

hfey:

w:)

) “Eis que ela fez” a forma verbal do verso 14

(

hf,î[]T;w:

) “E tu Fazes”, fazendo assim que o sujeito não seja mais YHWH,

mas, sim, a nação justiceira227. Domingos Sávio afirma que “modificar a pessoa verbal do

v.14 para assim o adaptar a que melhor se acople ao v.11, como prolongamento da resposta divina de 1,5-11, resulta, contra toda expectativa já formal, numa completa inversão do interpelante (não mais o profeta, mas YHWH), e o interpelado (não mais YHWH, e sim, a nação justiceira)!”.

Sem fazer modificação alguma no texto massorético, a mudança de sujeito, que dá início ao segundo lamento (v.12), configura a sua separação natural do v.11 e se mostra como o início de um novo lamento que protesta contra a resposta de YHWH ao seu primeiro lamento. Este novo lamento se estende até o v.17 e, poderia ser estendido até 2,1, pois ali o profeta ainda é o sujeito dominante. Entretanto, ali, a fala do profeta deve ser considerada como uma introdução à nova resposta de YHWH, que vem a seguir, ao protesto anterior do profeta fazendo-se, assim, o início de uma nova perícope. Portanto, Hc 1,12-17 deve ser tomado como uma perícope.

1.6.4.2 Estrutura

A estrutura desta perícope se apresenta sem maiores dificuldades em duas subunidades como as anteriores: A primeira subunidade nos vv.12-14 e a segunda subunidade nos vv.15- 17.

Há quem prefira ver os vv.12-13 como a primeira subunidade e os vv.14-17 como a segunda subunidade desta perícope. Esses vêm os vv.12-13 como o segundo lamento

227 Cf. Silva, Domingos Sávio da. Habacuque e a resistência dos pobres: Tradução crítica do profeta Habacuc.

propriamente dito enquanto nos vv.14-17 segue-se o discurso em forma narrativa, o que, como já vimos, levou intérpretes a ver estes dois versículos (vv.12-13), como prolongamento do primeiro lamento. Entretanto, o v.14 iniciado com a forma verbal

hf,î[]T;w:

“E tu fazes”, fornece uma sequência natural dos dois versículos anteriores. Deve ser notado que nos vv.12-13 temos um diálogo entre o profeta como sujeito e YHWH, que é retratado como o interpelado na segunda pessoa do singular. O mesmo acontece com o v.14 “E tu fazes”. Não só a forma verbal que inicia o v.14, mas, também, o vav consecutivo que precede esta forma verbal indica um curso natural sem obstáculos entre os vv.13-14. Portanto, a subunidade literária deve abarcar o conjunto dos vv.12-14 tendo, neles, “a interpelação suplicante e lamentosa do profeta a seu Deus”228.

Verificamos uma quebra de estilo entre os vv.14-15. No v.15 encontramos a forma narrativa que, gramaticamente, se une aos três versículos precedentes e assim permanecerá até o fim do v.17. Se na primeira parte (vv.12-14) podemos ver uma identificação imediata com o primeiro lamento (v.2-4), aqui nos vv.15-17, temos uma identificação, também imediata, com a resposta de YHWH nos vv.5-11, pois nos vv.15-17 o profeta tem como sujeito YHWH, a quem se dirige, mas tem como objeto os mesmos caldeus retratados nos vv.5-11.

1.6.4.3 Coesão

A perícope 1,12-17 se mostra harmoniosa com o restante do livro deste profeta. O que temos aqui é um lamento que protesta contra a resposta de YHWH (vv.5-11) ao primeiro lamento (vv.2-4). Como já vimos, a primeira subunidade (vv.12-14) está diretamente ligada ao primeiro lamento, não apenas quanto ao gênero literário, mas também, porque neste aparecem repetidos termos importantes daquela como, por exemplo,

jP'v.mi

“Direito” duas vezes no v.4 e uma vez no v.12;

qyDIc;

“Justo” uma vez no v.4 e 13;

[v'r'

“ímpio” uma vez no v.4 e 13;

lm'['

“Opressão” uma vez no v.3 e 13; além

do nome escolhido para Deus, YHWH, uma vez no v.2, duas vezes no v.12.

Também se percebe a coesão interna da perícope. No v.12 a oração “Não és tu desde a antiguidade, ó YHWH, meu Deus, meu Santo?”, está em paralelo com “Puro de olhos és para

228 Cf. Cf. Silva, Domingos Sávio da. Habacuque e a resistência dos pobres: Tradução crítica do profeta

ver o mal...” do v.13. Neste mesmo v.13 vemos um paralelo entre “Puro de olhos és para ver o mal” e “E contemplar opressão não podes”. É possível perceber, igualmente, o paralelo entre “YHWH, para juízo tu o levantaste” e “Rocha, para corrigir o estabeleceste”. E, ainda, “Puro de olhos és... para ver o mal... e contemplar... não podes...” e “Por que contemplar...”. E, por último, vemos “YHWH, para juízo tu o levantaste e, Rocha, para corrigir o estabeleceste” em paralelo com “Por que contemplar aqueles que agem com infidelidade? Tu permaneces inativo ante o devorar do ímpio ao mais que ele? (mais justo que ele).

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