Na comunidade acadêmica, o momento da defesa do TCC é marcante como finalização do processo de graduação e também como forma de o aluno demonstrar seus conhecimentos adquiridos nesse processo. Devido a isso, há em torno desse momento, primeiramente a preparação do texto escrito de acordo com as normas acadêmicas, o qual por alguns alunos é realizado no decorrer do último ano de graduação e por outros é um processo desenvolvido durante a graduação. Muitas vezes, a partir do momento que começam a desenvolver projetos relacionados à pesquisa acadêmica, com é o caso das participantes dessa pesquisa, as quais usaram os projetos de IC como subsídio para o desenvolvimento do TCC. Além disso, a P1, em específico iniciou seus estudos sobre o assunto que defendeu em seu TCC desde a entrada na universidade. E ainda mais além, pode-se dizer que ela trouxe esse assunto de suas experiências anteriores.
Assim, essa pesquisa mesmo com a impossibilidade de acompanhar as participantes no decorrer dos quatro anos da graduação, devido aos estudos no mestrado serem desenvolvidos em dois anos e a graduação em quatro, procurou, a partir da análise dos textos, acompanhar e analisar parte do processo de escrita acadêmica.
Justifico o acompanhamento da apresentação e defesa do TCC, por considerar esse um momento de coroação para o acadêmico licenciado, no qual com os apontamentos da banca é possível observar se há a validação (ou não) do texto escrito pelo graduando como umas das formas de finalizar o processo de formação acadêmica.
Considero que esse é um momento singular de cada uma das participantes, pois são as suas opções em relação ao tema e teoria e são as suas características identitárias que aparecem manifestadas na escrita do TCC. Assim, nos tópicos a seguir procuro dissertar sobre a apresentação do TCC de cada uma.
6.4.2.1 P1
Na apresentação oral de seu TCC, a P1 procurou seguir o esquema para trabalhos acadêmicos semelhantes às apresentações em eventos da área. Para isso, organizou-se começando com os objetivos, as questões de pesquisa, a justificativa, a teoria utilizada em seu estudo para chegar à discussão do corpus. Após essa etapa a participante retornou para sua discussão teórica procurando relaciona-la as análises. Por fim, fez a finalização com as considerações finais.
Assim, foi possível perceber que a P1 fez sua defesa do TCC seguindo e procurando demonstrar pontos importantes que foram relatados no texto escrito.
Como relatado pela participante no grupo de discussão, durante a apresentação ela utilizou anotações em fichas escrita as quais usou como suporte para sua fala, fazendo também leitura das anotações.
Com a finalização houve então a interposição da banca sobre o trabalho. A primeira professora começou relatando que conhece a trajetória da graduanda na academia, assim, diz que percebeu no trabalho da P1 o planejamento e a estrutura bem organizada, o planejamento teórico respaldado. Assim, elogiou ressaltando que aprendeu muito com a leitura do texto. Como sugestões, fez apenas alguns comentários relacionados a questões estruturais no texto.
A segunda professora da banca em seu discurso sobre a leitura do texto demonstrou, diferentemente da primeira professora, que não acompanhou o processo acadêmico da P1, pois ressaltou que o trabalho estava consistente. Assim, foi possível perceber um estudo que começou há mais tempo devido a profundidade na discussão e análise de dados, os quais, para ela estavam coerentes com os objetivos e o referencial teórico. Desse modo, questionou a P1 sobre os motivos que a fizeram escolher o trabalho com HQs.
Em sua resposta, foi possível perceber que a P1 retratou vários pontos que foram observados na análise de dados dessa pesquisa, pois ela disse que sempre foi leitora desse gênero e que isso a fascinava, que começou seus estudos na primeira graduação em outra instituição, e mesmo não tendo uma ideia bem formada sobre o assunto já possuía interesse nele e assim o tema tornou-se o pré-projeto no primeiro ano. Ela contou ainda que no segundo ano da graduação procurou por professor para orienta-
la em IC. Com isso, no decorrer dos outros anos da graduação foi desenvolvendo e encorpando o trabalho.
A segunda professora da banca acabou suas considerações destacando que o relato da P1 fez compreender sua identificação com assunto e a importância do processo de pesquisa para o graduando, pois causa crescimento e amadurecimento acadêmico.
Por fim, a professora orientadora finalizou comentando sobre o acompanhamento do processo da graduanda em sala de aula e a importância em conhecer para realmente querer discutir o assunto.
Como resultado desse momento marcante do processo acadêmico da P1, validando a valorização da dedicação acadêmica, a banca atribuiu nota integral a seu trabalho.
6.4.2.2 P2
A P2 começou sua apresentação destacando seu intuito ao desenvolver a pesquisa sobre crenças para procurar saber o que professores em formação estão levando para a sala de aula. Assim, organizou sua apresentação brevemente falando sobre a abordagem teórica e a metodologia. Desse modo, na maior parte de sua apresentação fez a discussão de dados, relatando o processo de pesquisa decorrente de três anos para justificar no título de sue trabalho, o estudo longitudinal, devido ao decorrer de um processo de acompanhamento das participantes de sua pesquisa.
No decorrer da apresentação, foi possível perceber, por meio da apresentação dos dados, o posicionamento da P2 em manter-se imparcial nas análises demonstrando assim sua postura de pesquisadora. No entanto, a participante, mesmo com domínio do assunto que estava apresentando, demonstrou certa insegurança, pautando-se na maior parte do tempo na leitura dos dados apresentados. Assim, ela finalizou sua apresentação ressaltando os resultados encontrados na análise de dados.
A primeira professora presente na banca começou a interposição qualificando a leitura do trabalho como fluida. No entanto, a partir disso trouxe o questionamento sobre o porquê do uso dos verbos no futuro em grande parte do texto visto que o trabalho já está pronto. Fato esse que pode ser observado e destacado na análise do TCC da participante nos itens anteriores deste trabalho.
Sobre isso a P2 justificou que o futuro foi usado porque o TCC advém de projetos e propostas de sua pesquisa. Desse modo, a participante fez uma inversão em relação a especificidade do tempo verbal usado em projetos e em trabalhos finais de conclusão de curso, visto que projetos apresentam uma proposta a ser desenvolvida enquanto que o TCC é o resultado do desenvolvimento desta proposta.
A professora fez também mais duas ressalvas que considero importantes destacar para relacionar com a análise do TCC escrito. Primeiramente, no que diz respeito às referências, a professora notou a citação de alguns autores no decorrer do texto que não foram colocados nas referencias do TCC. Fato esse relacionado aos desvios em relação à citação que foram observados na análise escrita. Percebe-se assim, que o ambiente acadêmico, nesse caso, representado pela professora da banca, requisita a organização de acordo com as normas. Além disso, é justificável o questionamento da professora, pois no papel de leitor de um texto acadêmico existe a possibilidade do interesse pelo autor citado no decorrer do texto. Assim, com as referencias, o leitor terá a possibilidade de encontrar a fonte completa do texto citado.
A segunda ressalva é sobre as afirmações e a defesa do ponto de vista da P2 que não aparecem no texto. A professora indica que a P2 possui dados que podem comprovar certas afirmações e posicionamentos, no entanto, ela na maioria da vez modaliza as afirmações, com o uso, por exemplo, de talvez, como já observado na análise. Assim, a professora diz que as afirmações e defesa de ideias por meio dos dados contribuem para a valorização do trabalho.
Nesse sentido, percebe-se que, nesse caso, a imparcialidade e impessoalidade que a participante procurou manifestar em seu texto como especificidade da escrita acadêmica não atendeu às expectativas, pois a professora da banca sugeriu que a participante demonstrasse mais seu ponto de vista no texto.
A segunda professora da banca fez comentários e sugestões semelhantes ao da primeira professora. Primeiramente, ela qualificou o trabalho como bem escrito e com fundamentação teórica respaldada de acordo com o estudo proposto. No entanto, sugeriu a P2 mudança do uso do verbo no impessoal na tentativa de demonstrar em seus textos as afirmações. Ou seja, assim como a primeira professora, ela observou a necessidade de que a participante demonstre seus posicionamentos no texto.
Por fim, a orientadora reafirmou a processo de pesquisa pelo qual a P2 passou para produção do TCC, e justificou sua falha ao não observar a falta de referências no trabalho da graduanda, demonstrando assim, a relação dialética entre as práticas sociais
esperadas de um acadêmico e as práticas sociais esperadas do meio social universitário, no caso em questão o papel do orientador em observar certos equívocos que o acadêmico pode vir a cometer em seu texto, visto que é um aluno, ou seja, um aprendiz no processo da escrita acadêmica.
O resultado de todo o processo de produção, apresentação e defesa do TCC, o qual possui em seu bastidor o processo de desenvolvimento de pesquisa por meio da IC, da P2 não foi a nota integral devido às sugestões de alteração da banca. Assim, a P2 finalizou seu processo de produção do texto acadêmico no curso de Licenciatura em Letras com nota acima da média, para ser mais específico com nota quase integral.