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RADIONUCLIDE TRANSFER IN FIELD EXPERIMENTS IN ACCORDANCE WITH THE PROGRAM FOR 2000-2002)

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TRANSFER FACTORS OF RADIONUCLIDES FROM SOILS TO REFERENCE PLANTS

3. RADIONUCLIDE TRANSFER IN FIELD EXPERIMENTS IN ACCORDANCE WITH THE PROGRAM FOR 2000-2002)

Fonte: Elaborado por Maiara Araújo no software GenoPro, com base em registros paroquiais e judiciais.

João Antônio Ferreira das Neves Luzia Fernandes das Neves Manoel Antônio da Assunção Joana Ferreira das Neves Mariana Ferreira das Neves Maurícia Ferreira das Neves José de Souza das Neves Joaquim de Souza Franco Joana de Souza Caetana Maria da Silva Manoel Guedes do Nascimento Antônio Mônica Manoel de Souza Franco

Manoel Tereza Maria Salestiana Severino Ângela

Januário de Souza Forte João Guedes do Nascimento Inácia Sebastiana da Graça Francisca Guedes dos Santos Eugênio Gomes de Oliveira Ana Guedes José Moreira da Costa Joaquim José de Souza França Joana Lins de Vasconcelos Maria da Penha de Souza Joaquim José da Silva Francisca de Souza Manoel da Silva Ramos Joana Francisca de Souza Joaquim Félix do Nascimento Narciza Ferreira das Neves Manoel de Souza Franco Antônia de Souza Manoel Fernandes Ribeiro Mariana Pereira de Souza Francisco Pereira de Souza Maria da Silva Lourenço ?

Além dos filhos legítimos do casal Fernandes das Neves, no geneagrama acima, consideramos Lourenço, criança branca, falecida aos 4 meses de idade, que foi exposta na casa dos Fernandes das Neves como filho de Luzia Fernandes e João Antônio.468 Sobre esse aspecto da sociedade colonial, de acordo com o historiador Thiago do Nascimento Torres de Paula, quando uma criança era exposta no contexto colonial e era acolhida por um casal, esta passava a ser parte constituinte dessa família. Esse parentesco era constituído através das relações de apadrinhamento, onde a criança exposta tinha nos casais que “a adotava” a figura dos seus pais. Isso acontecia, conforme o autor citado, devido à importância do exercício da caridade em um espaço religioso como o das Freguesias. Para Torres de Paula, o ato de acolher uma criança no cenário colonial estava associado a um ganho simbólico em uma economia moral do dom, visto que o retorno para esse ato “só viria após a morte, pois ser padrinho de um exposto ou mesmo de um filho de alguém, talvez contribuísse para que a alma do colono não permanecesse muito tempo no purgatório”.469

Em consonância com isso, o fato de uma criança ser exposta na casa de um habitante da Colônia demonstra, dentre outros elementos, que a família escolhida por seus pais para recebê- la possuía certo cabedal, o que possibilitava que esta fosse criada sem muitas dificuldades na família que a acolhesse. Em decorrência disso, mesmo que uma criança fosse deixada por sua mãe e/ou seu pai na casa de alguém, isso não significava que não houvesse uma preocupação de seus pais com a sobrevivência tanto física quanto espiritual dela. Portanto, uma criança exposta não se tratava de uma criança abandanoda de forma aleatória, mas sim de alguém que foi exposta na casa de alguém que pudesse garantir a sua existência em uma sociedade delineada pelas diferenças de qualidade e condições.470 Desse modo, Lourenço figura como o único filho do casal que foi definido como branco, visto que os seus filhos legítimos, aqueles que tiveram suas qualidades identificadas, foram definidos como pardos e casaram-se com pessoas de qualidade parda.

Acerca do cabedal da família Fernandes das Neves, as informações que conseguimos obter são oriundas dos inventários post-mortem de João Antônio e Luzia Fernandes. Desse modo, apesar de não termos localizado os registros de óbito desse casal, conforme seu

468 Livro de Óbito n° 1, FGSSAS, 1788-1811, fl. 91v. (Manuscrito).

469 PAULA, Thiago do Nascimento Torres de. Teias de caridade e o lugar social dos expostos na Freguesia de

Nossa Senhora da Apresentação, Capitania do Rio Grande do Norte, século XVIII. 2009.197p. Dissertação

(Mestrado em História) – Universidade Federal do Rio Grande do Norte. p. 138.

470 PAULA, Thiago do Nascimento Torres de. COLONOS E EXPOSTOS: uma rede solidariedade na Capitania do Rio Grande do Norte setecentista. Mneme – Revista de Humanidades, Caicó, RN, v.9, n. 24, p. 1-12, set/out., 2003. p. 04.

inventários, João Antônio faleceu em 1809471 e Luzia Fernandes em 1838.472 Quando João

Antônio faleceu, figurou como sua inventariante Joana Ferreira das Neves, sua filha. Nessa ocasião, a soma total dos bens de João Antônio foi de 702$440 réis. A soma do patrimônio desse colono era próximo monetariamente do valor do cabedal das demais famílias residentes no Seridó, uma vez que, conforme já assinalamos, de acordo com Macêdo, o cabedal de 69,6% dos moradores do Seridó não ultrapassava o valor de 1:000$000, sendo que metade dessa porcentagem estava abaixo de 500$000.473 Portanto, apesar da soma total dos bens de João Antônio não ser tão expressiva quanto o cabedal da família Souza Forte, que apenas em terras orçava a quantia de 2:166$000 réis,474 constituía um patrimônio significativo, que se coadunava com os bens dos demais inventariados do período em análise.

Ademais, o inventário de João Antônio está incompleto e, portanto, não sabemos se este valor se refere à quantia líquida de seu inventário, ou seja, ao valor total que seria repartido entre os seus filhos órfãos e a sua esposa após o pagamento de suas possíveis dívidas. Em consonância com isso, alguns bens desse inventariado, como demonstra o Quadro 18, estavam ilegíveis e, portanto, não foram aglutinados ao valor total de seu patrimônio. Assim, os 702$440 réis, equivalente à soma total dos bens de João Antônio, referem-se a uma quantia que deve ser vista de forma cautelosa devido à essas lacunas na fonte examinada.

Os bens que foram arrolados e avaliados no inventário desse colono foram sistematizados no quadro abaixo:

Quadro 18 – Descrição dos bens de João Antônio Ferreira das Neves

Títulos Bens Valor

Dinheiro - -

Ouro Um par de botões 10$000

Prata475 Duas fivelas; quatro pares de fivelas; um garfo; uma caixa; oito colheres

6$850

471 LABORDOC. FCC. 1°CJ. Inventários post-mortem. Inventário de João Antônio Ferreira das Neves. Inventariante: Joana Ferreira das Neves. Sítio das Almas, Termo da Vila Nova do Príncipe, Comarca da Paraíba e Capitania da Paraíba do Norte, 1809. (Manuscrito).

472 LABORDOC. FCC. 1°CJ. Inventários post-mortem. Inventário de Luzia Fernandes das Neves. Inventariante: Manoel Guedes do Nascimento. Sítio Salgadinho, Termo da Vila Nova do Príncipe, Comarca da Paraíba e Capitania da Paraíba do Norte, 1838. (Manuscrito).

473 MACÊDO, Muirakytan Kennedy de. Rústicos cabedais: patrimônio familiar e cotidiano nos sertões do

Seridó (século XVIII). p. 87.

474LABORDOC. FCC. 1°CJ. Inventários post-mortem. Inventário de Manoel de Souza Forte. Inventariante: Petronila Fernandes Jorge. Vila Nova do Príncipe, Comarca da Paraíba e Capitania da Paraíba do Norte, 1793. (Manuscrito).

475 Um dos pares de fivelas e o garfo estavam com os seus valores ilegíveis, o que reforça a necessidade de observamos com cautela a soma total dos bens de João Antônio.

Títulos Bens Valor

Cobre Um tacho 5$020

Ferro Cinco enxadas novas; quatro enxadas velhas; cinco foices novas; uma foice velha

e quebrada; seis machados novos; um machado grande e novo; ilegível; ilegível;

um ferro de cavar grande; um ferro pequeno; quatro marcas de ferrar gado, em

bom uso; uma cangalha grande; ilegível; um facão grande; uma faca de ferreiro; uma

faca pequena nova; um cadeado; um cadeado grande

25$970

Bens móveis Três selas bastardas novas; um arção de sela bastarda; um arção ginete; uma cangalha; lote meio de sola curtida; oito

carros de (ilegível) curtidas; uma mesa grande com gavetas; uma rede nova de fios

travessas bordados; uma rede velha de fio travessa; ilegível; ilegível; doze malas pequenas; uma mala de madeira; uma mala

grande; seis garrafões; seis garrafões de vinho do porto; uma seda nova; uma seda já

velha; uma casaca; uma dita de pano fino; duas véstias; uma véstia e calção; um calção de algodão; dois calções compridos

de algodão novos; duas camisas; uma camisa; duas ceroulas de pano de linho; um

par de lençol de fustão, em bom uso; um par de meias, em bom uso; um timão de chita novo azul; um par de bruacas novas

grandes

166$200

Escravos476 Um escravo mulato, de nome José, de idade de 27 anos; uma escrava cabra, de nome

Maria477, de idade de 53, doente; uma

445$000

476 Além dos escravos citados no inventário de João Antônio, localizamos nos assentos de paróquia, especificamente no livro de óbito, o registro de outras pessoas que eram escravizadas. No caso, estamos nos referindo à escrava Cipriana e ao escravo Antônio. Cipriana, que não teve sua qualidade identificada, era filha natural de Teotônia, escrava de Manuel Guedes da Conceição, residente no sítio das Almas. Esta escrava faleceu aos 4 anos de idade, em 1793, e foi identificada como pertencente a João Antônio. Livro de Óbito n° 1, FGSSAS, 1788-1811, fl. 33v. (Manuscrito). Quanto ao escravo Antônio, foi identificado como preto do Gentio de Angola e faleceu aos 30 anos de idade, em 1799 e foi identificado, também, como pertencente a João Antônio. Livro de Óbito n° 1, FGSSAS, 1788-1811, fl. 60-61v. (Manuscrito).

477 A escrava Maria, após a morte de João Antônio, passou a pertencer a Luzia Fernandes. Esta, no entanto, alforriou Maria no mesmo ano da morte de seu marido, precisamente no dia 21 de maio de 1809. A justificativa para essa alforria, de acordo com Luzia Fernandes, foram os bons serviços que Maria havia lhe prestado, bem como por sua boa companhia. Maria era a escrava mais velha da família Fernandes das Neves e, além disso, estava enferma. Esta, quando foi arrolada enquanto um bem, foi avaliada em 80$000. No entanto, a sua alforria custou 120$000, valor pago por Luzia Fernandes da sua terça. Desse modo, essa alforria, certamente, referia-se a um ato de caridade prestado por uma cristã a uma escrava que já havia alcançando a sua velhice e estava enferma, visto que Maria, estando idosa e doente, provavelmente não teria mais como obter a sua alforria de outro modo que não fosse a “caridade” daqueles que a “possuíam”. Todavia, nos questionamos sobre quais caminhos Maria teria seguido após a sua alforria, uma vez que gozando da idade que possuía e de alguma enfermidade, que não identificada nas fontes examinadas, seria bastante difícil para esta mestiça recomeçar a sua vida como liberta em uma sociedade tão marcada pela desigualdade de qualidade e condição. Infelizmente, não localizamos nas fontes quais caminhos foram trilhados por Maria enquanto liberta. No entanto, não julgamos impossível que esta tenha

Títulos Bens Valor

escrava cabra, de nome Jerônima, de idade de 30 anos; uma escrava cabrinha, de nome (ilegível), de idade de 8 anos; uma escrava cabrinha, de nome Ana478, de idade de 12

anos; uma escrava cabrinha, de nome Vicência, de idade de 5 meses; um escravo

de nome Lourenço, de idade de 10 anos Gado Doze cavalos, um poldro (ilegível); três (ilegível); três poldrina fêmeas; sete

cavalos capados

43$400

Soma total dos bens 702$440

Fonte: Elaborado por Maiara Araújo com base no inventário post-mortem de João Antônio Ferreira das Neves, 1809.

Comparando os bens inventariados por João Antônio ao patrimônio da família Souza Forte, examinado anteriormente, é possível constatar que, apesar de João Antônio ter tido mais bens arrolados que Manoel de Souza, estes n ão resultaram em uma soma superior ao monte maior deste último. A explicação, como já assinalamos, para um cabedal tão expressivo quanto o de Manoel de Souza é a quantidade de bens de raízes que este possuía. Isso acontecia porque na dinâmica econômica da Ribeira do Seridó, os bens que eram mais valorizados monetariamente e socialmente eram terras, escravos e gados e, apesar de Manoel de Souza não possuir gados na ocasião de sua morte e de possuir menos escravos que João Antônio, ele era portador de uma quantidade de terras significativa, que somavam 2:166$000, de uma quantia de 2:306$120. Portanto, na dinâmica socioeconômica da Ribeira do Seridó o que assegurava um cabedal expressivo monetariamente era a posse de uma quantidade significativa de terras, escravos e gados, aspecto que é evidente quando observamos os valores atribuídos às terras possuídas por Manoel de Souza e aos escravos que haviam pertencido a João Antônio, que, no caso deste último, somam a quantia de 445$000 de um total de 702$440 réis.

É importante destacar que, na Ribeira do Seridó, a média de escravos por famílias era inferior a 5, visto que na principal atividade desenvolvida nesse território colonial, a pecuária, não era preciso um número expressivo de escravos para efetivar os cuidados com o rebanho,

permanecido na companhia de Luzia Fernandes, como agradecimento pela liberdade alcançada e pela própria dificuldade em encontrar outras formas de sobrevivência na condição física e social na qual se encontrava. LABORDOC. FCC. 1°CJ. Inventários post-mortem. Inventário de João Antônio Ferreira das Neves. Inventariante: Joana Ferreira das Neves. Sítio das Almas, Termo da Vila Nova do Príncipe, Comarca da Paraíba e Capitania da Paraíba do Norte, 1809. (Manuscrito). Cartas de alforrias, 1792-1814, fl.86.

478 Ana era filha da escrava Jerônima. Esta, assim como a sua mãe, foi definida como cabra no inventário de João Antônio. No entanto, Ana teve sua qualidade modificada quando foi alforriada em 1811. Nessa ocasião, Ana foi definida como mulatinha, pertencente a Joana Ferreira das Neves, filha de João Antônio e que havia figurado como inventariante de seu pai em 1809. A alforria desta mestiça foi concedida, segundo Joana Ferreira, “pelo amor que lhe tinha e pelo amor a Deus”. Além disso, Ana deveria permanecer lhe acompanhado. Acreditamos que o mesmo deve ter ocorrido com a escrava Maria ao ser alforriada. Por fim, a mudança de qualidade desta liberta é mais um exemplo do quanto a qualidade era algo móvel na sociedade colonial, podendo ser alterada de acordo com a condição e o cabedal do indivíduo em questão. Cartas de alforrias, 1792-1814, fl.102.

diferentemente, por exemplo, do que ocorria nas zonas açucareiras, onde era necessário uma quantidade significativa de escravos para manter um engenho funcionando.479 Nesse sentido, João Antônio, na ocasião de sua morte, possuía 7 escravos, uma quantidade que consideramos significativa e que ultrapassa a média de alguns de seus contemporâneos. É importante destacar também que 1 desses escravos se tratava de uma criança de apenas 5 meses de idade e que outro estava enfermo e com a idade de 53 anos. Assim, efetivamente, João Antônio possuía, de certa forma, apenas 4 escravos em idade produtiva e que podiam auxiliá-lo, de fato, em suas atividades laborais. Portanto, apesar de se tratar de um número significativo, quando visto de forma qualitativa os escravos que pertenciam a João Antônio e que podiam lhe ser úteis nas suas atividades diárias referiam-se a um quantitativo semelhante aos dos demais colonos residentes no Seridó, o que demonstra, desse modo, a importância de uma análise metodológica quantitativa ser efetivada em conjunto com uma análise histórica qualitativa também.

Quanto às atividades desempenhadas por João Antônio para garantir a sua sobrevivência e lhe assegurar algum cabedal, o historiador Muirakytan Macêdo, ao examinar o cabedal das famílias residentes no Seridó no contexto da colônia, salientou que João Antônio, possivelmente, era um negociante devido à quantidade de gado cavalar, malas, bruacas e cangalhas que possuía, informação com a qual concordamos.480 No entanto, acreditamos que

João Antônio, em decorrência da presença significativa de enxadas, foices e machados desenvolvia também atividades associadas ao cultivo da terra. Essas atividades, certamente, eram desenvolvidas por seus escravos, visto que o trabalho manual nesse contexto era tido como um “defeito mecânico”. Desse modo, João Antônio podia trabalhar como negociante e seus escravos como agricultores. A ausência de bens de raiz foi algo que chamou nossa atenção nesse inventário, algo que é justificado, certamente, pelo fato dessa fonte estar incompleta, pois sabemos que a família possuía um sítio de terras chamado Salgadinho481 e que residiu no sítio das Almas.482 Provavelmente, ela possuía dois bens de raiz onde eram desenvolvidas as atividades de cultivo com a terra.

479 MACÊDO, Muirakytan Kennedy de. Rústicos cabedais: Patrimônio e cotidiano familiar nos sertões do Seridó. (Séc. XVIII). p. 213.

480 MACÊDO, Muirakytan Kennedy de. Op cit. p. 175.

481 LABORDOC. FCC. 1°CJ. Inventários post-mortem. Inventário de Luzia Fernandes das Neves. Inventariante: Manoel Guedes do Nascimento. Sítio Salgadinho, Termo da Vila Nova do Príncipe, Comarca da Paraíba e Capitania da Paraíba do Norte, 1838. (Manuscrito).

482 LABORDOC. FCC. 1°CJ. Inventários post-mortem. Inventário de João Antônio Ferreira das Neves. Inventariante: Joana Ferreira das Neves. Sítio das Almas, Termo da Vila Nova do Príncipe, Comarca da Paraíba e Capitania da Paraíba do Norte, 1809. (Manuscrito).