earlier CRP upper limit
DIFFERENT GREEK SOIL TYPES
5. DEVELOPMENT OF APPROACH FOR CLASSIFICATION OF RUSSIAN SOIL ON THE BASIS OF RADIONUCLIDE TRANSFER FACTORS FROM SOIL TO CROPS
5.1. Identification of soil characteristics, which can be used for soil radioecological classification Correlation analysis was used to estimate the extent to which each soil characteristic is related to other
Fonte: MACEDO, Helder Alexandre Medeiros de. Ocidentalização, territórios e populações indígenas no
sertão da Capitania do Rio Grande. 2007. 309f. Dissertação (Mestrado em História) – Universidade Federal do
Rio Grande do Norte, Natal, 2007. p.171.
319 MACEDO, Helder Alexandre Medeiros de. Outras Famílias do Seridó: Genealogias Mestiças no Sertão do Rio Grande do Norte. (séculos XVIII e XIX). p. 32.
Retornando à questão das ordenanças, além de considerarmos que a fonte não apresenta de forma clara que João Gonçalves de Mello atuava na Ribeira do Seridó desde 1726, um elemento que consideramos pertinente nesse processo é que existiam alguns critérios para a criação de companhias de ordenanças, conforme o Regimento lusitano que regula a criação e atuação desse corpo militar no Reino e no Ultramar. Assim, dentre esses critérios, era esperado que a territorialidade colonial que fosse abrigar esse corpo militar auxiliar possuísse moradores suficientes que constituir as companhias de ordenanças, como discutimos no primeiro capítulo. Dessa forma, de acordo com esse regimento, cada companhia deveria ser constituída de 250, divididos em 10 esquadras. No entanto, nos lugares em que houvesse menos de 250 moradores era permitido instituir companhias de 200, 150 e até 100 homens.320
Se esse número, contudo, ainda extrapolasse a quantidade de colonos livres, entre 18 e 60 anos de determinada territorialidade colonial, era possível reunir homens de espaços vizinhos para instituir as companhias de ordenanças.321 Acreditamos que entre os anos de 1710
e 1720 a ocupação da Ribeira do Seridó ainda estava em fase de expansão, o que, certamente, não possibilitaria reunir homens de territórios vizinhos, visto que é apenas entre os anos de 1730 e 1740 que constatamos a emergência de novos templos cristãos próximos a essa Ribeira e, consequentemente, novos núcleos populacionais, como demonstrou o mapa 1.
É evidente que seria preciso um estudo de cunho demográfico e um cruzamento exaustivo de fontes para entender demograficamente como estava organizada a Ribeira do Seridó nas décadas de 1710 e 1720. Todavia, não possuímos fontes paroquiais para esse recorte temporal que nos possibilite efetivar essa análise. Dessa forma, tendo como base o surgimento de fazendas de criar e a edificação de templos cristãos próximos à Ribeira do Seridó, acreditamos que nas décadas de 1730 e 1740 o processo de ocupação territorial desse espaço estava ocorrendo de forma mais efetiva, como evidenciou o mapa 1 e que, possivelmente, nesse contexto, existam homens suficientes para constituir companhias de ordenanças. De toda forma, é certo que desde 1741 João Gonçalves de Mello atuava nessa Ribeira como sargento-mor das ordenanças. Ademais, o próprio fato do capitão-mor realizar uma mostra nessa Ribeira já demonstra a existência de homens aptos a servirem como soldados das ordenanças. Assim, o que estamos questionando apenas é que é preciso um conjunto de fontes mais amplo para
320 Regimento dos Capitaes mores, e mais Capitaes, e Oficiais das Companhias da gente de cavalo, e de pé; e da ordem que terão em se exercitarem, 10 de dezembro de 1570. Systema, ou Collecção dos Regimentos Reaes, Lisboa, 1570.
asseverar quando ocorreu, de fato, a emergência das companhias de ordenanças da Ribeira do Seridó e, infelizmente, no momento, dispomos apenas de cartas patentes e assentos de praça que remetem à década de 1740 desse território.
Documentos presentes no Arquivo Histórico Ultramarino e que examinaremos de forma efetiva no próximo capítulo, onde iremos retomar essa discussão, demonstram existirem duas companhias de cavalaria na Ribeira do Seridó no ano de 1744,322 o que evidencia que, de fato, nesse contexto, já existia um aparato administrativo nessa Ribeira, tanto civil, através da Povoação erigida em 1735, quanto militar, por meio de tropas auxiliares. Além disso, foi na década de 1740, mais especificamente em 1748, que foi erigida a Freguesia da Gloriosa Senhora Santana do Seridó, que antecedeu a instituição de um limite territorial e burocrático da administração civil: a Vila Nova do Príncipe, que emergiu, apenas, em 1788,323 quando a
Ribeira já possuía um núcleo populacional e uma dinâmica econômica estável.
Sobre esse último aspecto, especificamente à questão populacional da Ribeira do Seridó, no ano de 1805, ou seja, cerca de 17 anos após a instituição da Vila Nova do Príncipe, esta possuía uma população de cerca de 4.317 colonos, identificados pelo capitão-mor desse território da seguinte forma:
Quadro 9 – População da Vila do Príncipe conforme suas qualidades, 1805
População masculina População feminina
Brancos: 962 Brancas: 935
Pretos: 410 Pretas: 461
Mulatos: 787 Mulatas: 762
Total: 4.317
Fonte: Elaborado por Maiara Araújo com base na CARTA do [capitão-mor do Rio Grande do Norte], José Francisco de Paula Cavalcante de Albuquerque, ao príncipe regente [D. João] remetendo um mapa da população
do Rio Grande do Norte e uma relação dos distritos que necessitam de novas companhias de ordenanças. AHU-RN, Papéis avulsos, Cx. 9, doc. 623.
Esses dados quantitativos, no entanto, devem ser examinados com cautela, visto que nos registros paroquiais da Freguesia do Seridó concernentes ao recorte temporal em análise é possível encontrar mestiços identificados como pardos e cabras e não apenas como mulatos. Um exemplo dessa assertiva é o caso de Manoel Guedes do Nascimento, pardo, soldado das ordenanças e residente na Vila do Príncipe, que será examinado no capítulo seguinte.
322 CARTA do capitão-mor do Rio Grande do Norte Francisco Xavier de Miranda Henriques ao rei [D. João V] enviando mapas do Regimento de Cavalaria e do Terço dos Auxiliares, 1744. AHU-RN, Papéis Avulsos, Cx. 6, doc. 288.
323 Sobre a instituição da Freguesia do Seridó e da Vila do Príncipe, ver: MACÊDO, Muirakytan Kennedy de. A
Penúltima Versão do Seridó: uma história do regionalismo seridonese. Natal: Sebo Vermelho, 2005; MACEDO,
Helder Alexandre Medeiros de. Outras Famílias do Seridó: Genealogias Mestiças no Sertão do Rio Grande do Norte. (séculos XVIII e XIX).
O modo como a Ribeira do Seridó emergiu, enquanto um núcleo populacional e administrativo sob a tutela de Portugal, demonstra que esse território, foi, antes de tudo, produto de uma afirmação militar, uma vez que foi ocupado pelo colonizador, de fato, e territorializado após os conflitos com os nativos, que resistiram de diversas formas. Sobre esse último aspecto, ao longo desse capítulo, demonstramos que a Guerra dos Bárbaros, tendo como base os assentos de praça examinados, foi uma guerra de índios contra índios. De forma precisa, de índios aldeados e aliados as tropas coloniais contra os índios dos sertões. Em consonância com isso, dentre outros elementos, abordamos as deserções ocorridas nesse cenário de guerra e a naturalidade da gente de guerra que atuou nesse contexto.
Em nossa análise no segundo capítulo, examinamos também como o papel da administração militar não estava restrito à defesa dos territórios coloniais, visto que os homens que constituíam essa instituição também atuaram de forma efetiva no processo de ocupação e territorialização do Ultramar, como foi o caso da Ribeira do Seridó, produto de uma afirmação militar, ocupada e territorializada, em parte, através de sesmeiros-militares.
Por fim, no capítulo seguinte, buscaremos entender de forma precisa a população mestiça que ingressou nas tropas coloniais da Capitania do Rio Grande, ou seja, quem eram esses mestiços, no que concerne às tipologias mestiças utilizadas para denominá-los, quais postos militares ocupavam e quem eram esses homens, no que se refere às suas genealogias e posse de cabedal. Para tanto, retornaremos à Ribeira do Seridó e empreenderemos uma análise de cunho mais qualitativo acerca desses mestiços, que, após a Guerra dos Bárbaros permaneceu atuando não apenas nas forças auxiliares da Capitania, mas também nas regulares, sendo, inclusive, quantitativamente superiores aos colonos identificados como brancos.
4 CARACTERIZAÇÃO SOCIAL DOS MILITARES MESTIÇOS DA CAPITANIA DO