Os Critérios Ergonômicos, como método de avaliação de interfaces, foram propostos por Bastien e Scapin pesquisadores do INRIA (Institut National de Recherche en Informatique et en Automatique da França) em 1993. Correspondem a oito critérios (conforme quadro 6) que buscam perceber aspectos qualitativos das interfaces e identificar problemas ergonômicos de sistemas interativos.
Bastien e Scapin (1993) afirmam que a aplicação dos critérios ergonômicos para interfaces representa um método que pode ser mais eficiente e eficaz que a mera aplicação de diretrizes, ou avaliação baseada no desempenho, tanto em termos de quantidade e importância dos problemas encontrados, quanto de custo/benefício.
Quadro 6: Critérios Ergonômicos de Bastien e Scapin.
CRITÉRIOS SUBCRITÉRIOS
Condução
Presteza
Agrupamento/distinção entre itens
Feedback imediato
Legibilidade
Carga de Trabalho Brevidade
Densidade de Informação
Controle Explicito Ação explicita do usuário
Controle do usuário
Adaptabilidade Flexibilidade
Experiência do usuário Gestão de Erros
Proteção contra erros Qualidade das mensagens de erro
Correção do erro Homogeneidade/Coerência
(Consistência) ______
Significado dos Códigos e
denominações ______
Compatibilidade ______
Esses critérios foram discutidos também por Cybis (2003) que expressa-os da forma que se segue.
Condução - refere-se aos meios disponíveis para aconselhar, orientar, informar, e conduzir o usuário na interação com o computador (compreendem mensagens, alarmes, rótulos, etc). Uma interface que apresente boa condução facilita o aprendizado do usuário e sua utilização permitindo que o mesmo saiba onde ele está numa sequência de interações ou na execução de uma tarefa; conheça as ações permitidas e suas consequências; e obtenha demais informações. Desta forma, uma interface com boa condução permite melhorar o desempenho e diminuir o número de erros dos usuários. É subdivido em: presteza, agrupamento/distinção entre itens, feedback imediato e legibilidade.
Carga de Trabalho - diz respeito a todos os elementos da interface que têm um papel importante na redução da carga cognitiva e perceptiva do usuário, e no aumento da eficiência do diálogo. Este critério torna-se relevante, pois, quanto maior for a carga de trabalho, maior será a probabilidade de cometer erros. Também, quanto menos o usuário for distraído por informação desnecessária, mais ele será capaz de desempenhar suas tarefas eficientemente. E ainda, quanto menos ações são necessárias, mais rápidas serão as interações. Está subdividido em dois critérios: brevidade (que inclui concisão e ações mínimas) e densidade informacional.
Controle Explícito - está relacionado tanto ao processamento explícito pelo sistema das ações do usuário, quanto do controle que eles tem sobre o processamento de suas ações pelo sistema. A importância deste critério ocorre principalmente porque quando os usuários definem explicitamente suas entradas, e quando as mesmas estão sob o controle deles, erros e ambiguidades apresentam menor ocorrência. Além disso, o sistema será mais bem aceito pelos usuários se eles tiverem controle sobre o diálogo. Este critério está dividido nos subcritérios: ações explícitas do usuário e controle do usuário.
Adaptabilidade - refere-se a sua capacidade de reagir conforme o contexto, e de acordo com as necessidades e preferências do usuário. Quanto mais variadas são as maneiras de realizar uma tarefa, maiores são as chances que o usuário possui de escolher e dominar uma delas. Deve-se portando oferecer ao usuário
procedimentos, opções e comandos diferentes, permitindo-lhe alcançar um mesmo objetivo. Dois subcritérios compõem a adaptabilidade: flexibilidade e consideração da experiência do usuário.
Gestão de Erros - está relacionada aos mecanismos que permitem evitar ou reduzir a ocorrência de erros, e quando eles ocorrem, que favoreçam sua correção. Os erros são considerados como entrada de dados incorretos, com formatos inadequados, entre outros. Esse critério é de grande relevância porque, as interrupções, provocadas pelos erros, tem consequências negativas sobre a atividade do usuário. Quanto menor é a possibilidade de erros, menos interrupções ocorrem e melhor é o desempenho. Três subcritérios participam da manutenção dos erros: proteção contra os erros, qualidade das mensagens de erro e correção dos erros.
Homogeneidade/coerência - diz respeito à forma como as escolhas na concepção da interface (códigos, denominações, formatos, procedimentos, entre outras) são conservadas idênticas, em contextos idênticos, e diferentes, para contextos diferentes. Isso é importante porque os procedimentos, rótulos e comandos são melhor reconhecidos, localizados e utilizados, quando estes elementos são estáveis de uma tela para outra ou de uma seção para outra. Nestas condições o sistema é mais previsível e a aprendizagem mais generalizável; sendo que os erros são diminuídos. A falta de homogeneidade na interface pode aumentar consideravelmente os tempos de procura e podem resultar em recusa na utilização.
Significado dos Códigos e Denominações - refere-se à adequação entre o objeto ou a informação apresentada e sua referência. Termos pouco expressivos para o usuário podem ocasionar problemas de condução, permitindo que ele seja levado a selecionar uma opção errada. Para isso, recomenda-se que: o título deva transmitir o que ele representa e ser distinto de outros títulos; explicitar as regras de contração ou de abreviação; utilizar códigos e denominações significativas e familiares em vez de códigos e denominações arbitrárias.
Compatibilidade - está relacionada aos acordos que possam existir entre as características do usuário (memória, percepção, hábitos, competências, idade, expectativas, entre outras), das tarefas, a organização das saídas, das entradas e
do diálogo de uma dada aplicação. Ela diz respeito também ao grau de similaridade entre diferentes ambientes e aplicações. Torna-se relevante porque a transferência de informações de um contexto a outro é tanto mais rápida e eficaz quanto menor é o volume de informação. Sendo assim, a eficiência é maior quando os procedimentos necessários ao cumprimento da tarefa são compatíveis com as características psicológicas do usuário e quando os procedimentos e as tarefas são organizados de maneira a respeitar as expectativas ou hábitos do usuário.