Section 2. Evaluation empirique des effets des conditions nutritionnelles et sanitaires
2.2 Résultats et commentaires des estimations
Não será de todo em todo impossível estabelecer algumas coincidências nem que sejam simbólicas entre a Ordem dos Templários, depois Ordem de Cristo, e a Maçonaria. Mais, neste período considerado de introdução de práticas e instituições maçónicas em Portugal, a polémica sobre a adesão de Sebastião José de Carvalho e Melo é reveladora de uma crescente influência dos princípios da Revolução Francesa, nos homens que exerciam o poder do Estado.
Se por uma parte o ministério de Pombal1: «nunca permitiu que a Inquisição perseguisse os Framaçons, defendendo assim os direitos do seu amo contra usurpação dos Eclesiásticos»2. Por outro, sabiam que os trabalhos das Lojas, em
nada perturbavam a autoridade do Estado, podendo até cimentá-la, mercê do juramento de fidelidade ao Príncipe reinante3.
Por fim, a demonstração de tolerância plena, para com maçons confessos:
«guindando-os aos mais altos cargos»4 e favorecendo-os com a sua protecção
declarada. Um exemplo, particularmente interessante é o de Martinho de Mello e Castro, Secretário de Estado da Marinha e do Ultramar (1770-1795): «ocupou esta
função durante um quartel de século»5, mesmo denunciado por pertencer aos De
Liberi Moratori em 17916. Um dos homens do Gabinete de Pombal, manteve-se no
poder depois da " Viradeira". Tendo sido denunciado, continuou em funções durante mais 4 anos. Como afirma A . H. Oliveira Marquês: «a nova situação politica
mostrou-se assim, mais folclórica do que real e permanente. Implicou contudo
1 Marquês de Pombal_ficheiros\Marquês Pombal.htm: «Em 7 de Novembro de 1910 a Câmara decide
finalmente recolhê-lo no seu Arquivo. Os restos mortais de Carvalho e Melo serão trasladados em 1923 para a Igreja da Memória, por iniciativa do 5o Marquês de Pombal e através de uma comissão a
que presidia o maçon Borges G rain ha.».
2 cartas sobre Framaçoneria, 2.a edição, Madrid, 1805, p.123; PEREIRA, Angelo - D. João VI ,
Príncipe de Rei, IV, em carta ao Príncipe Regente, de Dezembro 1802, D. Rodrigo de Sousa
Coutinho, informava do mesmo, embora duvidando. Citado em MARQUES, A. H de Oliveira -História
da Maçonaria em Portugal, vol. I, Das Origens ao Triunfo, Editorial Presença, Lisboa, 1990.
3 SAMPAIO, Luís Teixeira de - Estudos Históricos, 1984.
4 MARQUES, A. H de Oliveira - História da Maçonaria em Portugal, vol. I, Das Origens ao Triunfo,
Editorial Presença, Lisboa, 1990.
5 «.Bacharel em Filosofia pela Universidade de Évora, e em Cânones pela Universidade de Coimbra. Cónego da Sé de Lisboa. Diplomata na Holanda (1751-1754) e Inglaterra (1754-1770)», MARQUES,
A. H de Oliveira - História da Maçonaria em Portugal, vol. I, Das Origens ao Triunfo, Editorial Presença, Lisboa, 1990 p. 413.
6 Ibidem, ANTT: Inquisição de Lisboa, n°s 8614 e 17800 (depoimento do cónego secular de S. João
Evangelista, António de Queirós, de 8.11.1791), Inquisição de Coimbra, Caderno 121 promotor (413) 291-292. PDH IV, 998-999.
algumas perseguições à Maçonaria, nomeadamente na conotação desta com a libertinagem»^.
Esta permanência de Martinho de Mello e Castro terá favorecido António José de São Payo. Era sem dúvida um dos homens da confiança política de Sebastião José, porém, pelos documentos seria o mérito, que o alcandorou a altas patentes do Exército.
No quadro de uma reestruturação geral do Exército português, envolvido na Guerra dos Sete anos, chegou a Portugal a convite de Sebastião José de Carvalho e Melo e Melo, o Conde reinante de Schaumburg e Lippe, Friderich Wilherm Ernst. Mas, veio rodeado de "oficiais - irmãos". Na viagem maçónica, da época pombalina à queda do absolutismo, a 1a fase de reactivação do pedreirismo 2, é marcada, pela
chegada do Conde Lippe (1762) e os seus colaboradores, até aos preliminares da Revolução Francesa.
Neste âmbito destacamos igualmente, Karl Ludwig Friederich II, Duque de Mecklemburg e irmão da Rainha de Inglaterra, pois, pertencia a uma família de tradições maçónicas, que, entretanto: «só em 1766 fez a sua iniciação»3,
possivelmente por apenas neste ano haver atingido a maioridade (25 anos). Nesse mesmo ano o Regimento de Cavalaria de Mecklemburg foi criado pelo decreto de 26 de Junho de 1762, sendo o seu Chefe o Duque Carlos de Mecklemburg-Strelitz4,
muito provavelmente, em honra deste militar. Outros oficiais, que vieram em Companhia do Duque. Tais eram: o Barão Ruxblen e os oficiais James Ferrier, Simon Fraser e o polémico Michael Kinselach5.
Pertenceram aos quadros da Maçonaria portuguesa, segundo os dados conhecidos, militares, que representavam 37,4%: «a nível europeu, este valor era
bastante elevado»6. O Conde de São Payo conviveu com alguns destes militares, se
não foi iniciado, pode estar na proximidade da vivência maçónica. Em várias
1 MARQUES, A. H de Oliveira - História da Maçonaria em Portugal, vol. I, Das Origens ao Triunfo,
Editorial Presença, Lisboa, 1990, p.51.
2 DIAS, José Sebastião da Silva e DIAS, Graça da Silva - Os Primórdios da Maçonaria em Portugal. 4
tomos, Lisboa, INIC, 1980. vol. I, p.202.
3 Ibidem.
4 AMARAL, Manuel - O Exército Português, nos finais do Antigo Regime, recrutamento de oficiais -
Introdução, www.arquet.pt.
5 DIAS, José Sebastião da Silva e DIAS, Graça da Silva - Os Primórdios da Maçonaria em Portugal.
6 FERRO , João Pedro - Trabalhos: O Clero Português na Maçonaria (1790-1820), In Fénix, Boletim
da R: . L: . Fénix n.°493, n.° 1, Lisboa, Julho de 1993, pp. 16-30.
6 ADB/ACSP - cx.04, proc.021 (4) - António José São Payo Mello e Castro: patentes militares,
promoções, nomeações, ordens (1754-1799).
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cerimónias solenes, o Marechal General dos Exércitos de D. José I, para além de ter acompanhado com ele, confere-lhe posse, nas patentes de Brigadeiro e Marechal de Campo, do Exército.
Sobre militares portugueses, há fortes coincidências. Entre outros, o nosso Conde de São Payo, genro de Pombal, que foi Coronel do Regimento de Mecklemburg, posto que depois cedeu a seu irmão João de Sampaio Melo e Castro, assumindo ele próprio o comando do Regimento do Cais1. Ora, segundo alguns
autores2 há coincidências (consequências) muito interessantes: a primeira é que o
Regimento do Cais tivesse sido um: «valhacouto, de cadetes e jovens graduados
maçónicos nos anos de 90»3. Acrescentaríamos outro acontecimento circunstancial:
em 19 de Outubro de 1777, assentou Praça de cadete4, no Regimento de Cavalaria
do Cães, Manuel de São Payo, o novo Conde de São Payo - título concedido por D. Maria I, por despacho de 15 de Maio de 1777-, o primogénito do velho Conde de São Payo5, que aí fora, Comandante, do mesmo Regimento.
A segunda é que o primeiro Grão-Mestre português eleito, da Maçonaria em 1804, após a fundação do Grande Oriente Lusitano, foi precisamente o Desembargador, Sebastião José de São Payo de Melo e Castro Lusignano, filho do Conde de Sampaio6: «.consagrado como jurista e ligado por laços de sangue à melhor nobreza do Reino»7.
A terceira é que Sebastião José, nos elevados postos e graves momentos da vida maçónica, tivesse junto de si o seu irmão Luís de Sampaio Melo e Castro8. De
facto das eleições para os corpos dirigentes, do Grande Oriente Lusitano resulta que
1 ADB/ACSP - cx.04, proc. 021(4) - António José São Payo Mello e Castro: patentes militares,
promoções, nomeações, ordens (1754-1799) 1771.03.23 - carta Patente D. José I, nomeia, Antonio José de São Payo Coronel da Cavalaria do Cães. 23 de Setembro de 1764 - carta Patente.
D. José I nomeia, Antonio José de São Payo Brigadeiro da Cavalaria do Cães, mandando ao Conde Lippe, Marechal dos Exércitos Reais, dar-lhe posse.
SALES, Ernesto Augusto Pereira - O Conde de Lippe em Portugal, pp. 18,57,64,93,71. Vila Nova de Famalicão, 1936.
2 DIAS, José Sebastião da Silva e DIAS, Graça da Silva - Os Primórdios da Maçonaria em Portugal. 4
tomos, Lisboa, INIC, 1980. vol. I, p. 202.
3 Ibidem.
4 Por alvará de 16 de Março, criaram-se os Cadetes do Exército.
5 SÃO PAYO, Marquês de - O Tenente-general, 1° Marquês de São Payo (1762- 1841). In Anais da
Academia Portuguesa de História, Lisboa, 1958., vol. 8, pp. 197-304.
6 Cfr. SERRÃO, Joel (dir.) - Maçonaria, In Dicionário de História de Portugal, vol. V, Lisboa.
7 MARQUES, A. H de Oliveira - História da Maçonaria em Portugal, vol. I, Das Origens ao Triunfo,
Editorial Presença, Lisboa, 1990,p. 84.
8 FELNER, Lima - Almanak do Rit . : Esc. :ant. :e acc. : em Portugal para o anno de 5845,p. 97.
um dos dignatários é o Grande Experto, Luís José de Sampaio1. Sebastião José de
São Payo, no seu currículo profissional, deve destacar-se o desempenho das funções de Desembargador da Casa da Suplicação de Lisboa (1794-1826). Como
MD2 (currículo de maçon averiguado), é identificado com o nome simbólico de Egas Moniz0. Cargo: Grão-Mestre do Grande Oriente Lusitano (1802-1810)4.
O historiador e maçon, A. H. de Oliveira Marques, insere no primeiro volume, um mapa genealógico da família São Payo5. No seio da família, alguns dos seus
filhos são claramente, maçons. Quanto a António José, não desconheceria estes acontecimentos, nem seria alheio a estas vivências e honrarias tornadas públicas.
Mais, no recenseamento feito, na Loja Amor da Razão, ou Razão, de Lisboa, com data de fundação, no quadro dos membros conhecidos, surge o nome de António José de [Sampaio] e Melo [Castro] (numeral8). Com 21 anos de idade, em
1803, de naturalidade portuguesa, solteiro, 21 anos, oficial do Exército. O nome é o do Conde sénior. Porém, falece em Fevereiro do mesmo ano. Tratar-se-à, de um seu filho António Luís José de Sampaio e Melo e Castro, nascido em 1782, com 21 ano em 1803. De facto, este filho de António José de São Payo, futuro 3.° Conde de São Payo, foi oficial do Exército (Cavalaria), chegou por sua vez a Coronel. No seu MD6 consta precisamente, ter pertencido à Loja Razão7, com o já referido
numeral 88.
Porém o círculo familiar tinha mais confrades. Luís José de Sampaio Melo e Castro, no seu currículo profissional, consta, também ser oficial do Exército (Cavalaria), e que atingiu a patente de Brigadeiro. No seu M D, colhe-se a informação, de ter o nome simbólico Aquiles9. Era irmanado, nas Lojas: Amor da
Razão e Virtude (1814). Cargos: «.Venerável de ambas»10.
1MARQUES, A. H de Oliveira - História da Maçonaria em Portugal, vol. I, Das Origens ao Triunfo,
Editorial Presença, Lisboa, 1990,p. 84.
2 Idem, p.331.
3 Idem. p.423.
4 Ibidem.
5 MARQUES, A. H de Oliveira - História da Maçonaria em Portugal, vol. I, Das Origens ao Triunfo,
Editorial Presença, Lisboa, 1990.
6 Idem, p.331.
7 Idem, p.342.
8 Idem. IHGB, lata 21, doe. 2, fis. 8-9. Catalogo por Copia, p. 90. Nobreza de Portugal, III, p. 345.
9 MARQUES, A. H de Oliveira - História da Maçonaria em Portugal, vol. I, Das Origens ao Triunfo,
Editorial Presença, Lisboa, 1990, p.404.
10 Ibidem. Arquivo do Grémio Lusitano. Espólio Myriel. Miguel A.Dias, Annaes, p. 36. Almanach [...]
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Ainda, José Joaquim de Sampaio Melo e Castro e Daun oficial do Exército e da Marinha. Foi Chefe da Divisão da Armada Real e Secretário do Conselho do Almirantado. Em MD é registado que cumprimenta o invasor francês, General Junot, com seu irmão Luís1.
Em conclusão, Oficialmente, o Conde António José de São Payo não surge nos cadastros das Lojas do Povo Maçónico. Mas, dos varões da Casa de São Payo, apenas Manuel de São Payo e Francisco José, não são incluídos nas listas nominais da Maçonaria em Portugal. À excepção do Desembargador e Grão-Mestre eleito, Sebastião José de São Payo, todos seguem a carreira bélica, como o seu progenitor.