3.3 Interférences entre aspects au niveau du code
3.3.2 Résolution des interactions
O processo de comunicação mediada pelo computador recebeu incrementos significativos desde aproximadamente 2005, quando o crescimento das redes sociais digitais começou a ser ampliado em ritmo e volume. Isso decorreu do fato de a internet, a interface web e aplicativos para dispositivos móveis terem amplificado muito a conexão entre usuários, proporcionando ganhos em escala na construção de redes sociais digitais.
Por redes sociais é possível entender sistemas nos quais pessoas estão conectadas - e não apenas computadores (RECUERO, 2007). O conceito de conexão entre pessoas pode ser encontrado em todo o século XX, tornando-se mais complexo com as contribuições de Pierre Lévy, Charles Baudelaire, Mafesoli e outros acerca das novas constituições de grupos formados a partir de interesses comuns.
Antes da abordagem proposta nesta pesquisa é preciso considerar algumas teorias a respeito do conceito de rede, pois, como cita Recuero (2007, p. p.16), “(...) o estudo da sociedade a partir do conceito de rede representa um dos focos de mudança que permeia a ciência durante todo o século XX”.
Da Teoria Geral dos Sistemas formulada por Bertalanffy nas décadas de 1940 e 1950 ao contraponto com as ideias da física quântica apresentadas por Einstein e Heinsenberg, notadamente quanto aos níveis de interação subatômicos, há aspectos conceituais importantes - especialmente com o advento da cibernética. Esta, a partir de princípios sistêmicos e biológicos, aborda semelhanças entre o funcionamento de hardware e sistemas biológicos em fatores como interação, desenvolvimento e auto- organização.
Embora os primeiros estudos sobre redes tenham sido desenvolvidos na matemática, notadamente com Euler, no século XVIII, em pouco tempo foram absorvidos pelas Ciências Sociais para aplicação no estudo de comportamento e relacionamento comunitários. Em conjunto com os estudos sobre cibernética, baseados em teorias sistêmicas e biológicas, tais estudos tornaram-se a base para a análise de cenários no ciberespaço. Nele já é possível observar e avaliar aspectos como a auto-organização em torno de normas comuns, a dinâmica da formação de grupos e redes sociais, a validação de premissas e a formação de capital social (RECUERO, 2007).
Basicamente, uma rede social constitui-se de atores e conexões. Estas podem ser entendidas como as interações ou laços criados entre e/ou pelos primeiros, os quais podem ser pessoas, instituições, grupos afins – os chamados “nós” da rede (RECUERO, 2007, p.24). Pensar as redes sociais no ciberespaço e mediadas por computador e pela internet implica em analisar como se dão os processos de socialização e compartilhamento por meio das TICs.
Os atores das redes sociais moldam as estruturas às quais pertencem mediante a interação entre si, mas na internet a substituição da distância física por uma possível proximidade virtual os torna menos discerníveis, fazendo com que eles sejam substituídos por representações baseadas em construções virtuais de identidade. Estas são expressas de diversas maneiras – quer seja por meio de blogs, sites pessoais e/ou institucionais, avatares em mundos virtuais ou perfis nas redes sociais digitais. De certo modo, como observa Recuero (2007), são perfis/identidades em construção permanente, o que exige atualização constante de si mesmo e das próprias relações na rede.
Além dos atores ou “nós”, as redes sociais são em boa medida constituídas pelas conexões entre eles. São elas que alteram e formam parte da estrutura dos grupos sociais e implicam em fatores com interação, relações e laços sociais. A interação é um dos elementos fundamentais para a manutenção das relações na rede na medida em que atende ou amplia expectativas e contribui para a formação do capital social.
A interação pode ser síncrona ou assíncrona e há possibilidade de se configurar como permanente – como na relação entre membros de um grupo com interesses mútuos – ou reativa, na qual prevalece o sistema de estímulo e resposta.
Este processo é também permeado pelo conceito de capital social, notadamente vinculado nas relações entre pessoas e o sentimento delas associado ao fato de pertencerem, real ou virtualmente, a uma comunidade. É possível dizer que o capital
social abarca os recursos disponíveis para um indivíduo a partir do momento em que ele se configura como pertencente a um grupo. O capital social está, portanto, vinculado diretamente ao conteúdo das relações sociais em uma rede e possui duas facetas: é simultaneamente coletivo e individual. Está relacionado com o indivíduo desde quando a ele é dada a possibilidade de alocar os recursos do capital social e utilizá-los. É quando alguém se vale do pertencimento a um determinado grupo ou da legitimação deste para uma ação específica – como, por exemplo, inscrever-se em um concurso de fotografia no qual uma das exigências seja estar inscrito como membro de um fotoclube.
O capital social é coletivo quando faz parte das relações de um determinado grupo ou rede social e somente existe com ele. Neste caso, portanto, apenas existe enquanto recurso coletivo – mas, diante da capacidade de ser alocado e utilizado individualmente, acaba por possuir caráter duplo.
O acesso ao capital social constitui-se na derradeira vantagem de pertencer a um grupo. Nesse sentido, de acordo com Recuero (2007), a comunicação mediada por computador oferece vantagens fundamentais aos usuários ao superar barreiras de território e presença, permitindo a manutenção à distância das relações sociais.
Diferentes autores veem a formação do capital social como proveniente de maneiras diversas de alocação e relacionamento entre os atores (Quadro 1). Se Coleman vê capital social como decorrente da estrutura das relações, cuja percepção reflete-se em possibilidades individuais, Bordieu o atribui apenas às interações possíveis – e não aos indivíduos -, enquanto Putnam o conceitua como estando vinculado a sentimentos cívicos e de agregação de interesses comuns.
Nesse sentido, faz-se necessário considerar diversos fatores na avaliação da dinâmica existente em uma determinada rede social, tais como conteúdo de mensagens e interações entre seus membros, atribuição de poderes e/ou responsabilidades (como as de moderadores em fóruns de discussão, por exemplo) e o quanto e como o capital social coletivo influencia e é influenciado por seu correspondente individual.
Quadro 1: Visões de diferentes autores sobre capital social
Coleman (apud Recuero) Defende que o capital social
está diretamente relacionado com a estrutura das relações, as quais permitem a concretização de objetivos
específicos, como a realização de transações mediante confiança mútua e solicitação/recebimento de apoio por parte do grupo.
Putnam (apud Recuero) Afirma que a formação de
capital social deve excluir a possibilidade de conflito entre os interesses individuais e coletivos; defende o capital social como altamente positivo, vinculado ao engajamento cívico e, por extensão, desconsidera a possibilidade de ações marginais – que estejam fora das normas construídas pelo grupo.
Bordieu (apud Recuero) Vê o capital social como
vinculado às relações e não aos indivíduos
Fonte: Recuero (2007) – Adaptado pelo autor
Para compreender como o capital social se apresenta, Bertolini e Bravo (2001) valem-se das classificações de Coleman para defender a existência de categorias as quais oferecem pistas de onde ele pode ser encontrado.
Eles descrevem as categorias como:
a) Relacional: abarca as relações e trocas entre os integrantes da rede social b) Normativa: define as regras de comportamento e atribuições dos indivíduos c) Cognitiva: responsável por reunir informações e conhecimento gerados pelo grupo.
d) Confiança: credibilidade e confiança nas informações e no comportamento dos integrantes do grupo
e) Institucional: compreende as instituições que estão incluídas na formação dos grupos, muitas vezes definidoras das regras e das relações e responsáveis por atribuir alto grau de cooperação e coordenação entre os integrantes
Quando há objetivos definidos para a criação de determinada rede social é preciso pensar na estrutura possível para que ela alcance a eficácia proposta. De acordo com Recuero apud Baran (2007, p. 56), ilustrado na Figura 4, “redes sociais possuem três topologias básicas possíveis: distribuída, centralizada e descentralizada”, as quais teriam, cada uma, dinâmica e eficiência peculiares conforme descrito no Quadro 2.
Figura 4 – Tipos de rede
Fonte: Recuero apud Baran (2007, p. 65)
Basicamente, é possível considerar o atual projeto como um modelo misto entre as redes descentralizada e distribuída. Tal característica decorre da proposta de se criar “nós” responsáveis pela produção e disseminação de conteúdo institucional/acadêmico, ao mesmo tempo em que outros atores externos (alunos, comunidade, instituições parceiras) podem compartilhar conteúdo de maneira distribuída – não apenas entre si, mas também com a instituição.
Quadro 2 – Tipos de rede e suas características
Tipo de rede Características
Centralizada Apenas um nó centraliza todas as conexões; compartilhamento limitado; pouca ou nenhuma interação entre os nós, alta hierarquia
conexão entre a rede toda; média hierarquia
Distribuída O número de conexões entre
todos os nós é semelhante; maior grau de compartilhamento, baixa hierarquia
Fonte: Recuero apud Baran (2007) – Adaptado pelo autor
Novos conceitos de redes, no entanto, direcionam o foco da análise mais para a dinâmica proporcionada por e entre elas do que especificamente pela estrutura. Na teoria dos grafos randômicos, há autores que defendem que alguns “nós” agregam-se aleatoriamente, do que decorre, segundo os autores, que todos os grafos possuem número semelhante de conexões ou, ao menos, possibilidades iguais de receber e formar novas ligações. Com isso, pode se pensar em uma “rede igualitária”, a qual “trata-se de uma rede mais harmônica e sem conglomerados” (RECUERO, 2007, p. 60).