O surgimento da fotografia se deu a partir da necessidade de registrar momentos, característica presente desde a evolução humana quando o homem pré-cambriano já registrava seu dia-a-dia nas paredes, como as famosas pinturas rupestres, as quais se consolidaram como os primeiros registros visuais, aderindo outros significados e sentindo, juntamente com a evolução cognitiva do pensamento humano. O homem passou então a desenvolver uma dimensão estética destes registros, que se preocupava não apenas com a simples representação, mas uma representação que traduzisse a ideia do belo, do aprazível, da harmonia (SALLES, 2004).
Com o aprimoramento das técnicas de registros da memória, houve a consolidação desta com o método essencial de gravar a luz em uma superfície de papel. A invenção do daguerreótipo significou o início destes métodos e a popularização desta invenção. Calaça (2012) detalha este processo, o daguerreótipo era uma placa de cobre sensibilizada com iodeto de prata e expostas a luz na câmera escura. Posteriormente, as imagens eram reveladas em vapor de mercúrio e inicialmente fixadas com uma solução de água salgada e depois submetidas ao tiossulfato de sódio
Por estes e outros momentos na história que o homem sentiu a necessidade de registrar sua memória. Hodiernamente, a partir dessas invenções, tornou-se possível realizar alusões do passado, fazendo reconstruções da cultura, costumes e traços da identidade social. A relação em que a fotografia estabelece com a memória, diretamente ligado ao seu processo de criação e evolução histórica.
Conceitualmente, a fotografia “corresponde a uma fase da evolução social, em que a sociedade manifestava sua ascensão através de um ato simbólico – o retrato” (ELLIOTT, 2014, p. 22). Ainda conforme a autora, essas imagens “fazem parte da visão de mundo, recortes da realidade e das percepções produzidas por profissionais ou não, situados nas relações de uma sociedade” (ELLIOTT, 2014, p. 23).
Compreende-se que o papel da fotografia para o meio social, vai muito além de ser apenas um registro documental, com base nas discussões da supracitada autora, averígua-se que essa faz parte da construção da identidade de uma sociedade, a partir da
preservação da memória individual e coletiva, contribuindo dessa forma, para a recuperação da memória de uma população de diferentes gerações.
4 DISCUSSÕES SOBRE A FOTOGRAFIA NO VÍES DA INFORMAÇÃO, CULTURA E MEMÓRIA
Em primeiro instante, a análise prévia de uma fotografia, compreende o que está sendo retratado, se tem pessoas, objetos e a paisagem, posteriormente, pode-se pensar no contexto que essa está sendo relatado, bem com o sentido atribuído pelo autor. Em virtude desses aspectos, pode-se depreender a fotografia como documento informacional, uma vez que para realização do tipo de análise proposto anteriormente, é necessário observar seus elementos descritivos para extrairmos informações latentes da fotografia.
A fotografia como fonte de informação, tem em sua proposta descritiva, as categorizações informacionais, que segundo Smit (1997, p. 3) deve-se levar em consideração os seguintes aspectos para identificação da representatividade da fotografia: quem, onde, quando, como e o que. Em função a subjetividade da fotografia, deve-se dividir cada um desses aspectos em genérico e específico. Más se este documento estiver diertiorado, haverá corrompimento dos dados nele contido em todo processo da análise da fotografia.
No que concerne a fotografia como cultura, essa, pode ser entendida, na perspectiva de Canabarro (2005, p. 36), como “uma das modalidades da cultura singularizada por constituir uma prática específica de produção, de circulação e de consumo da imagem e é, também, um dos possíveis meios que permite a visualização e o entendimento de várias práticas socioculturais, que compõe o universo dos atores sociais”. Nesse contexto, além do entendimento das representações visuais, é preciso compreender a análise de todo o processo de produção desta prática específica da cultura. Outro aspecto do viés cultural da fotografia, diz respeito a sua caracterização enquanto prática social, incorporada há mais de um século e meio ao modo pelo qual se representa o mundo e a nós mesmos (TURAZZI, 1998). Entende-se que a fotografia como prática social, pode apresentar usos e funções variadas na construção das representações imaginárias similarmente ao conteúdo ou à utilização dessas imagens em uma sociedade. Na perspectiva da memória, “[...] registrada em nosso corpo, fala lágrimas, risos, desabafos, momentos de partida e de chegada. A partir daí, vamos construindo acervos, garantindo o futuro por meio daquilo que selecionamos para lembrar, atos e
¹[email protected], Universidade Federal do Cariri (UFCA)
²[email protected], Universidade Federal do Cariri (UFCA)
acontecimentos que tiveram sentido em nossa vida” (CAVALCANTE, 2007, p. 186). Entre os instrumentos que podem construir o tipo de acervo citado pelo autor acima, a fotografia enquadra-se como ferramenta imprescindível dessa concepção.
Como prática social, a fotografia pelo viés da memória, é um elemento essencial para a construção do que se costuma chamar identidade, individual ou coletiva, cuja busca é uma das atividades fundamentais dos indivíduos e da sociedade de hoje (LE GOFF, 2003). Assim, compreende-se que os registros fotográficos são imprescindíveis para formação de identidade individual de um sujeito ou de um determinado grupo coletivo. 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Para responder a problemática, pode-se constatar que a fotografia enquanto fonte de informação, é imprescindível para realização de análise de seus elementos descritivos, com intuito de identificar e sentido atribuído. Como cultura, figura-se pela prática social para construção das representações imaginárias similarmente ao conteúdo ou à utilização dessas imagens em uma sociedade. Na perspectiva da memória, o uso da fotografia contribui para a construção e formação de identidade individual e coletiva de grupos e sujeitos.
No que concerne às constatações sobre o objetivo, as discussões as quais visaram mostrar as aproximações e relações da fotografia como fonte de informação, cultura e memória, averígua-se que essas dimensões fundamentais a relevância desta no campo da representação da informação.
Em suma, este campo de atuação de pesquisa, informação, cultura e memória, necessita ser explorado pelo bibliotecário, uma vez que a informação se figura como a dimensão que fundamenta suas práticas biblioteconômicas. Sobre a fotografia, deve ser inserida nos acervos das unidades de informação, uma vez que essa fonte de informação apresenta múltiplos contextos de representação.
REFERÊNCIAS
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CALAÇA, Mariana Capeletti. Processos fotográficos a (re) descoberta da fotografia. In: VI Simpósio Nacional de História Cultural Escrita da História Ver, Sentir, Narrar. Anais... Teresina - PI: Universidade Federal do Piauí, p. 1-8, 2012.
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