Após ter projetado a população de Belo Horizonte, para o ano 2000, caracterizando a mesma em função da idade, sexo e situação conjugal, o próximo passo é distribuir a população em domicílios particulares. Os domicílios podem apresentar, nessa composição, uma única geração, duas gerações, ou três gerações. De forma geral, pode-se dizer que os domicílios compostos por duas gerações diferem-se dos domicílios de uma geração, por possuir pelo menos um filho(a), que co-reside com pelo menos um dos pais. Já o domicílio de três gerações corresponde, amplamente falando, à um domicílio composto de duas gerações, no qual, também reside pelo menos um neto(a).
Se domicílio de três gerações é um tipo comum de domicílios, o modelo calculará os domicílios de uma, duas e três gerações. Segundo Yi & Wang ([200-], p. 12), domicílios de três gerações é um dos tipos mais comuns de domicílios na Ásia e em muitos outros países em desenvolvimento. Nesse caso, o modelo assume que alguns filhos podem continuar a viver na casa dos pais, após o primeiro casamento ou primeira união consensual, de maneira que domicílios nucleares e de três gerações serão calculados. Se domicílio de três gerações não é um tipo comum, como nos países ocidentais, segundo Yi & Wang ([200-], p. 12), o modelo assumirá que todo filho adulto deixará a casa dos pais após o primeiro casamento ou a primeira união consensual (poucos filhos adultos não casados e não co- habitantes podem permanecer com os pais).
O modelo de projeção multi-estado ajusta a distribuição dos domicílios particulares em função dos não parentes e demais parentes, que são as pessoas, cuja relação com o chefe de domicílio não é: filho(a), neto ou bisneto, pai/mãe ou sogro(a), ou cônjuge. Sendo assim, para comparar os resultados da projeção de domicílios de Belo Horizonte, em 2000, foi necessário obter a distribuição dos domicílios recenseados em 2000, não considerando,
para o cálculo do tamanho do domicílio, os demais parentes e não parentes, que inclui irmão(ã), outro parente, agregado, pensionista, empregado(a) doméstico(a), parente do(a) empregado(a) doméstico(a).
A TAB. 18 apresenta o total de domicílios projetados para Belo Horizonte, considerando, no modelo, se o domicílio com três gerações é comum ou não para Belo Horizonte.
Tabela 18: Total de domicílios particulares, segundo o Censo Demográfico de 2000, e projetados pelo modelo multi-estado, Belo Horizonte, 2000
Censo Demográfico Especificação de modelo2
Três gerações Duas gerações
Número de pessoas no domicílio Total1 % Total % Total % 1 97.736 15,50 90.705 14,94 86.773 13,79 2 115.453 18,31 112.038 18,45 132.759 21,10 3 137.772 21,85 127.602 21,01 149.887 23,82 4 143.763 22,80 135.690 22,34 138.315 21,98 5 81.496 12,92 84.474 13,91 74.717 11,88 6 30.983 4,91 43.966 7,24 38.283 6,08 7 12.768 2,02 9.238 1,52 6.376 1,01 8 5.495 0,87 3.566 0,59 2.072 0,33 9 ou mais 5.162 0,82 0 0,00 0 0,00 Total 630.626 100 607.279 100 629.182 100
1) O total de domicílios refere-se aos domicílios particulares, cujo tamanho foi determinado em função do número de: filho(a), neto ou bisneto, pai(mãe) ou sogro(a), e cônjuge ou companheiro(a), que reside no domicílio. 2) O modelo mulit-estado pode ser especificado em função do tipo comum de domicílio: três gerações ou duas gerações de família, residindo no mesmo domicílio.
Fonte dos dados básicos: Censo Demográfico de 1991 e 2000, IBGE.
O domicílio com três gerações corresponde a aproximadamente 10% dos domicílios de Belo Horizonte, em 2000. Embora não se possa dizer que seja um tipo comum, também não pode ser considerado inexistente. O que é reforçado pelo bom ajuste que essa condição
proporcionou às projeções obtidas em relação à distribuição percentual dos domicílios quanto ao tamanho.
Ao especificar o modelo para domicílio de três gerações, verifica-se, através da TAB. 18, que a distribuição percentual dos domicílios de Belo Horizonte, em função do número de pessoas, aproximou-se da distribuição observada no Censo Demográfico de 2000, cujo número de pessoas residentes no domicílio foi determinado em função do número de: filho(a), neto ou bisneto, pai(mãe) ou sogro(a), cônjuge ou companheiro(a) que residem no domicílio, juntamente com o chefe de cada domicílio. O Censo Demográfico de 2000 apresenta o mesmo código de relação com o chefe de domicílio para o sogro(a) e pai(mãe), portanto, sogro(a) foi considerado como parente do chefe de domicílio.
Em relação ao total de domicílios particulares, era esperado um número menor do que foi observado no Censo Demográfico de 2000, uma vez que a população também foi projetada a menor. A diferença relativa entre o número total projetado e observado, ou seja, (projetado-observado)/observado, é 3,7%. As diferenças relativas entre as porcentagens projetadas e observadas dos domicílios de tamanho: um, dois, três e quatro, que constituem a grande parte dos domicílios de Belo Horizonte (78,5%) correspondem a: -3,6%, 0,8%, -3,8% e -2,0%, respectivamente; a diferença para domicílios maiores, com cinco ou mais pessoas, corresponde a 8,0%. As diferenças observadas para a projeção de domicílios dos Estados Unidos, para 2000, para os domicílios de tamanho: um, dois, três, quatro e cinco ou mais foram calculadas por Yi et al ([200-b]) e correspondem a: -2,4%, 3,6%, 9,4%, -2,8% e -15,9%, respectivamente.
Yi, Vaupel & Zhenglian (1997, p. 193) destacam dois fatores que contribuem para que haja uma menor precisão do modelo de projeção multi-estado em relação ao tamanho dos domicílios. O primeiro é que o modelo não inclui as pessoas que não são membros da haste familiar, nem do cônjuge da pessoa de referência. O segundo fator é que a parturição é limitada em um valor máximo “P”, o que faz com que o tamanho dos domicílios de famílias grandes, aquelas que têm mais de “P” filhos(as), seja subestimado.
Ao especificar o modelo para domicílio de duas gerações, obteve-se um total de domicílio particular bem próximo ao observado para Belo Horizonte, em 2000; entretanto, a distribuição percentual distancia-se da distribuição percentual observada em 2000. Isso faz sentido, pois se o domicílio de três gerações não é considerado como um tipo comum, o
modelo assume que os filhos, após o primeiro casamento ou união, deixam a casa dos pais, aumentando, assim, a porcentagem de domicílios com duas e três pessoas. Portanto, para o período de 1991 a 2000 é plausível a especificação do modelo que determina que o domicílio de três gerações é um tipo comum para o município de Belo Horizonte.
A similaridade das projeções obtidas pelo método das componentes principais (Granados, 1989) e pelo método multi-estado, que foi desenvolvido por Yi (1991), atribuiu confiabilidade do modelo multi-estado para projeção da população no período de 1991 a 2000. Em relação à projeção de domicílios, a comparação dos resultados obtidos com os valores observados no Censo Demográfico de 2000 também atribuiu confiabilidade ao modelo, aconselhando, assim, a utilização do mesmo para o período de 2000 a 2050.