2.3 Conclusions et Perspectives
2.3.3 Récompenses dynamiques
Um paradigma ´e uma “maneira distinta de pensar em problemas”, usualmente “in- dependente de conte´udo” ou “livre de substˆancia”, pois se aplica a muitos problemas no dom´ınio (KUHN, 1970). Cada paradigma possui metodologias que s˜ao orientadas para os problemas, de acordo com aquela vis˜ao espec´ıfica e deve apontar os fundamentos epis- temol´ogicos de uma disciplina ou ciˆencia, estabelecer seus objetivos e objetos de estudo, selecionar ou desenvolver as metodologias mais adequadas para a solu¸c˜ao dos problemas e deixar o mais claro poss´ıvel quais problemas est˜ao fora de seu escopo.
Gigch (1979b) faz uma compara¸c˜ao entre os paradigmas cient´ıfico, sistˆemico e metas- sistˆemico, procurando com isto demonstrar a aplicabilidade de cada um deles. Para fazer a compara¸c˜ao escolhe sete caracter´ısticas:
1. Descri¸c˜ao de campo; 2. Natureza do dom´ınio; 3. Problemas adequados; 4. Aplica¸c˜ao do paradigma;
5. Natureza da solu¸c˜ao (ou “verdade” obtida); 6. Crit´erio de avalia¸c˜ao de “verdade”;
7. Prova e garantia de “verdade”.
O autor n˜ao entra em controv´ersias sobre as origens de/ou raz˜oes para deslocamento de problemas ou mudan¸cas de paradigma. Para ele o paradigma da ciˆencia pressup˜oe a aceita¸c˜ao dos m´etodos indutivos e dedutivos sem debater qual ´e “mais cient´ıfico”. N˜ao estabelece uma defini¸c˜ao de “verdade” e nem crit´erios para avalia¸c˜ao de verdade, adotando como “verdade” as solu¸c˜oes obtidas por metodologias de resolu¸c˜ao de problema. Um quadro resumo da compara¸c˜ao entre os diferentes paradigmas pode ser visto no anexo B.
4.3.1
Abordagem Cient´ıfica
O Paradigma da Ciˆencia ou Abordagem Cient´ıfica incorpora o m´etodo cient´ıfico que teve origem em Descartes e no Racionalismo que levou ao desenvolvimento das ciˆencias ditas ‘r´ıgidas’ (como f´ısica e qu´ımica) e o papel das ciˆencias e tecnologia na vida mo- derna (GIGCH, 1979b). O Paradigma Cient´ıfico ´e descrito por Gigch (1979b) como um “sistema de aprendizagem”, caracterizado por reducionismo, repetibilidade e refuta¸c˜ao. A
constru¸c˜ao do conhecimento se d´a a partir da refuta¸c˜ao de hip´oteses. O m´etodo cient´ıfico caracteriza-se pela aplica¸c˜ao dos seguintes passos: 1. Observa¸c˜ao - feita ap´os a defini¸c˜ao do fenˆomeno a ser estudado; 2. Hip´otese - postulado para explicar a rela¸c˜ao entre as vari´aveis; 3. Experimento - teste da hip´otese e valida¸c˜ao da teoria
4. Aceita¸c˜ao da teoria - caso o experimento confirme a hip´otese, ou refuta¸c˜ao caso contr´ario;
5. Generaliza¸c˜oes ou leis - predi¸c˜ao de estados futuros.
4.3.2
Abordagem Sistˆemica
O Paradigma de Sistemas n˜ao ´e menos cient´ıfico em sentido amplo que o Paradigma Cient´ıfico, pois ambos empregam modelos racionais de discurso. O Paradigma de Siste- mas leva em conta a indivisibilidade do dom´ınio dos sistemas onde prevalece uma “com- plexidade organizada” (GIGCH, 1979b). Origina-se da preocupa¸c˜ao de que o Paradigma
Cient´ıfico, destinado a lidar com o mundo f´ısico, falha ao lidar com sistemas vivos. Esses sistemas s˜ao caracterizados pela abertura, pouca separabilidade e alta interdependˆencia.
N˜ao se trata de uma abordagem voltada para a constru¸c˜ao de Sistemas de Informa¸c˜ao. A palavra ‘sistema’ ´e tomada no sentido dado pela Teoria Geral de Sistemas e deve ser entendido como um conjunto de elementos relacionados que podem ser conceituais, ou objetos ou sujeitos. Uma l´ıngua, por exemplo, ´e um sistema cujos elementos s˜ao conceitos. Um autom´ovel ´e um sistema composto por uma grande quantidade de elementos, inclusive alguns subsistemas. Um orquestra ´e um sistema composto por ‘sujeitos’ e instrumentos. Todos os elementos se relacionam para atingir um objetivo: uma l´ıngua se presta para a comunica¸c˜ao, o autom´ovel ´e um meio de transporte e a orquestra executa pe¸cas musicais para o deleite dos ouvintes.
A possibilidade de um sistema ser composto por subsistemas traz duas dificuldades, segundo Gigch (1974):
1. decompor o sistema em subsistemas;
2. compor um sistema maior a partir de subsistemas.
O dilema reside em estabelecer o escopo apropriado para o problema que se quer resolver. Caso se amplie demais o sistema, o problema pode tornar-se insol´uvel. Por outro lado, se n˜ao se considerar a abrangˆencia adequada, o problema pode ser subestimado.
A Abordagem Sistˆemica ´e apresentada por Gigch (1991) como uma filosofia da gest˜ao de sistemas pela qual o esfor¸co de resolver problemas requer larga vis˜ao que permite abarcar todo o espectro de problemas e n˜ao apenas uma por¸c˜ao isolada. Segundo o autor essa abordagem ´e uma maneira de pensar, uma pr´atica filos´ofica e uma metodologia de mudan¸ca e, muito provavelmente, a ´unica maneira de remontar os peda¸cos de um mundo fragmentado. Problemas sistˆemicos requerem solu¸c˜oes sistˆemicas.
4.3.3
Abordagem de Metassistemas
O Paradigma de Metassistema (PµS) engloba a Abordagem Sistˆemica e ´e um pro-
cesso de design de metassistemas. Defende uma hierarquia de pelo menos trˆes n´ıveis de abstra¸c˜ao, conforme a figura 4.2:
Os trˆes n´ıveis de abstra¸c˜ao propostos por Gigch (1991) remetem a uma compara¸c˜ao com os trˆes mundos de Popper (1975):
Figura 4.2: Modelagem e Metamodelagem
Fonte: Gigch (1991)
– Mundo 1: objetos f´ısicos ou estados;
– Mundo 2: consciˆencias ou estados ps´ıquicos; – Mundo 3: conte´udos intelectuais.
O Mundo 1 ´e composto de artefatos mais palp´aveis do mundo material e ´e exterior ao cientista. O Mundo 2 compreende categorias mais abstratas (ideias, valores, pensa- mentos), mas tamb´em abarca esferas mais objetivas como a matem´atica e a l´ogica. O Mundo 3 ´e onde se encontra o conhecimento objetivo e, na vis˜ao de um projeto de inves- tiga¸c˜ao cient´ıfica, ´e o lugar dos resultados da pesquisa; materializados, por exemplo, na forma de artigos, teses, disserta¸c˜oes, patentes ou outras formas vi´aveis de representa¸c˜ao (MIRANDA, 2003).
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A primeira vista h´a uma sintonia entre o ”Mundo 1”de Popper e o ”Mundo Real”de van Gigch; o ”Mundo 2”e o n´ıvel da ”Modelagem”e o ”Mundo 3”e o n´ıvel da ”Metamodelagem”. Entretanto, observa-se pelo menos duas distin¸c˜oes entre os autores. A primeira ´e que Popper situa o cientista como um observador externo e, na vis˜ao de van Gigch, o cientista ´e parte do sistema. A segunda ´e que Popper concebe os trˆes mundos como uma vis˜ao ontol´ogica, ao passo que van Gigch prop˜oe uma hierarquia de sistemas de investiga¸c˜ao para a solu¸c˜ao de problemas cient´ıficos.
Originalmente Gigch e Pipino (1986) denominam os n´ıveis da hierarquia de sistemas de investiga¸c˜ao em: metan´ıvel, n´ıvel do objeto e n´ıvel da pr´axis1
. Ao propor o PµS para o
desenho de sistemas e metassistemas, Gigch (1991) passa a denominar o n´ıvel epistemol´o- gico de n´ıvel da metamodelagem e o n´ıvel do objeto (ou da ciˆencia) de modelagem. Quer
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com isso deixar patente a fun¸c˜ao de cada n´ıvel hier´arquico no contexto dos sistemas de investiga¸c˜ao. Segundo o autor, a concep¸c˜ao de um sistema ´e incompleta sem a interven¸c˜ao destes trˆes n´ıveis, pois cada um desempenha um papel espec´ıfico.
Esta abordagem ser´a discutida mais detidamente no cap´ıtulo 8 `a p´agina 108.