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QUESTIONS ECRITES

Dans le document CONSTITUTION DU 4 OCTOBRE 1958 (Page 37-43)

Segundo Luria (1981), o interesse pelo estudo da organização cerebral da memória é recente. Por muito tempo foi um dos campos menos explorados da psicofisiologia. No início do século XX, tudo o que se sabia a respeito da natureza e do substrato material da memória mostra que havia muito pouco de valor científico. Até mais ou menos a primeira metade desse mesmo século, os estudos basearam-se na discussão da natureza e dos fundamentos fisiológicos da memória.

A memória é claramente um fenômeno complexo e algumas opiniões foram selecionadas para auxiliar a esclarecer o seu significado. Segundo Rose, (1984, p. 255),

As memórias são os registros armazenados na experiência do indivíduo. Representam a função plástica do cérebro no seu ponto mais alto e mais desenvolvido, e são fundamentais para nossa compreensão do cérebro, pois são uma das principais razões da sua existência.

Na verdade, a própria palavra (de origem latina), implica em um conjunto de processos que pode ser descrito como: aprendizado, recordação ou lembrança. De acordo com o dicionário, quer dizer:

a) Faculdade de reter as idéias, impressões e conhecimentos adquiridos anteriormente. b) Lembrança, reminiscência, recordação [...]. (FERREIRA, 1999).

Para Chaui (1997, p. 125), “a memória é uma evocação do passado. É a capacidade humana para reter e guardar o tempo que se foi, salvando-o da perda total. A lembrança conserva aquilo que se foi e não retornará jamais”.

Na visão de Minsky (1989, p. 154), “memórias são processos que fazem alguns de nossos agentes agirem do mesmo modo que o fizeram em vários momentos do passado”.

Com efeito, é um fenômeno cognitivo altamente importante. É a memória que dá o suporte para a aprendizagem e é esta íntima associação (memória e aprendizagem), que sustenta o nosso conhecimento permitindo que as pessoas orientem-se no tempo, considerando o passado, fazendo-as situarem-se no presente e prever o futuro. É, através da memória, que se retêm informações de experiências vividas e é esse processo de retenção de informações que faz com que as experiências que se adquire, sejam arquivadas e recuperadas quando são evocadas.

Segundo Rose (1984), do aprendizado à lembrança deve envolver alguma coisa fisicamente presente dentro do sistema e que representa a memória aprendida antes de ser lembrada. “Alguma coisa” pode ser chamada de traço de memória, engrama, o mnemon (ou unidade de memória). Uma vez que o aprendizado e a lembrança são processos, o traço quer dizer uma coisa permanente, um estado do cérebro que codifica o evento lembrado.

A capacidade de aprender parece atingir todas as espécies animais, embora se manifesta em graus variáveis entre elas; isso implica na aptidão de aprender de cada espécie. Wilson (1981, apud BURKE, 2002, p. 114), diz que:

O potencial de aprendizagem de cada espécie parece estar inteiramente programado pela estrutura do cérebro, pela seqüência de liberação de seus hormônios, e, fundamentalmente, pelos genes. Cada espécie animal está ‘preparada’ para aprender certos estímulos, impedida de aprender outros, e é neutra com respeito aos demais.

Entretanto, parece não existir dúvidas quanto a capacidade do ser humano de aprender ser bem maior do que a dos outros animais, a ponto de se supor que seja ilimitada. Como resultado da seleção natural, a capacidade de aprender através da própria experiência faz parte da luta pela sobrevivência e reprodução e, além disso, “pode, de certa forma, dirigir a

evolução no sentido do desenvolvimento de redes neurais, tendo tido, provavelmente, um papel importante no desenvolvimento dos cérebros”. (BURKE, 2002, p. 115). Neste raciocínio, “[...] à medida que os cérebros tornaram-se mais altamente evoluídos assumiram cada vez mais as decisões reais sobre os planos de ação, usando, ao fazê-lo, truques tais como a aprendizagem e a simulação”. (DAWKINS, 2001, p. 83).

Quanto ao aspecto da aprendizagem, torna-se quase que obrigatório mencionar os trabalhos de Ivan Pavlov e de Skinner, por exemplo, que abrem caminho para novas áreas de pesquisa sobre sistemas centrais de aprendizado, considerada não abordável até então pela psicologia e neurofisiologia. Na concepção de Rose (1984), o trabalho de Ivan Pavlov com cães sobre a fisiologia da digestão, está entre as primeiras tentativas bem sucedidas de experiência com o problema da natureza do aprendizado e da memória. Sua experiência relaciona-se basicamente com um tipo de aprendizado chamado de condicionamento associativo, ou seja, o processo de adquirir capacidade de responder a um determinado estímulo com o reflexo apropriado de outro estímulo – o reforço – isto é, quando dois estímulos são aplicados simultaneamente. “Estes experimentos foram os precurssores dos labirintos, shuttleboxes e caixas de Skinner [...]”. (ROSE, 1984, p. 258). Portanto, a pesquisa de Skinner,

Reconheceu que os animais mais evoluídos revelavam, na verdade, novas formas de comportamento, que ele denominou de “operantes”. [...] as descobertas de Skinner tiveram uma influência descomunal na psicologia e na educação, contudo jamais levaram à explicação de como os cérebros produzem novos operantes. Ademais, poucas destas experiências com animais lançaram muita luz no modo como os seres humanos aprendem a formar e a executar seus planos complexos; o problema é que os outros animais não têm condições de aprender nada disso. Estes conceitos geminados – recompensa/sucesso e castigo/fracasso – não explicam o suficiente sobre como as pessoas aprendem a produzir novas idéias que as capacitam a solucionar problemas difíceis que não poderiam, se assim não fosse, ser solucionados sem muitos períodos de vida de tentativas e erros ineficientes. (MINSKY, 1989, p. 75).

Além desses, pode haver outros tipos de aprendizado latente,

Onde os estímulos são associados sem uma recompensa óbvia, e um tipo melhor resumido como insight, onde uma resposta é o resultado da compreensão de novas relações, ou ainda o aprendizado negativo (não fazer alguma coisa para não ser punido), às vezes conhecido como condicionamento de fuga. (ROSE, 1984, p. 259).

Assim, se deduz que para todos esses tipos de aprendizado, o mecanismo suposto é semelhante; de forma substancial se o aprendizado representa a abertura de novos caminhos funcionais dentro do cérebro. Em vista disso, se tira a seguinte conclusão; “que o traço de memória é ele próprio, o novo caminho; cada memória é codificada de alguma forma por um único caminho”. (ROSE, 1984, p. 259).

Para Luria (1981), esta abordagem dos processos de memória mostra, naturalmente, que o processo de recordação é de natureza complexa e ativa. Sobre isso, o autor ilustra da seguinte maneira: quando alguém necessita lembrar-se de alguma coisa, exibe uma estratégia de lembrança definida, selecionando os meios necessários, especificando os sinais importantes e inibindo os menos importantes, escolhendo, dependendo do objetivo, os componentes sensoriais ou lógicos do material estampado e os introduzindo em sistemas apropriados.

Esta abordagem aproxima o processo de lembrança de uma atividade investigadora complexa e ativa, permite ao indivíduo usar as atividades de linguagem [...] e, na opinião da maioria dos investigadores, constitui o elo essencial na transição da memória de curta duração para a de longa duração [...]. (LURIA, 1981, p. 249).

Essas pesquisas demonstram que grande parte das controvérsias e ansiedades em torno da estrutura psicológica dos processos mnemônicos humanos é de difícil solução. Todavia, graças a elas muita coisa foi esclarecida sobre os mecanismos cerebrais que se deve buscar quando se inicia a investigação neuropsicológica da memória.

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