8. Les annexes
8.5 Questionnaire de l’enseignante E
Com a categoria de análise das relações interpessoais, interessa-nos compreender, segundo testemunho dos empregadores entrevistados, como se estabelecem as relações das pessoas com PDI no local de trabalho, em particular as relações com colegas de profissão e com os próprios
supervisores/empregadores (Quadro 7).
Quadro 7 - Categoria analítica: relações interpessoais
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Relações das pessoas com PDI no contexto de
trabalho
Relação com o supervisor Relação com os colegas de
trabalho
Sónia Marina Martins Dias Página 80 de 184 Pretendemos auscultar as opiniões dos entrevistados relativamente à interações dos jovens com o seu supervisor, com os colegas e com a restante comunidade envolvida no desempenho das suas tarefas.
Cruzando as diversas perspetivas dos sujeitos entrevistados, podemos concluir que, por um lado, a relação do funcionário com PDI e seu supervisor é entendida como inclusiva. Por outro, a relação com os colegas de trabalho é positiva, embora por vezes dependa, na opinião dos entrevistados, da imagem pré-concebida que estes têm relativamente à PDI.
O E1 avalia favoravelmente a sua relação com as jovens profissionais
com PDI: “É boa. É muito boa.”. No entanto, conforme este empregador nos
refere, na interação destas com os colegas de trabalho distinguem-se, por um lado, aqueles que aceitam a deficiência, percebem as necessidades e apoiam e, por outro, os que mantêm o preconceito e as tratam de forma diferente:
“Há colegas que compreendem e ajudam, sim senhor, e que percebem a limitação. Há outros que têm alguma dificuldade em aceitar. São os que pensam sempre que estão em pé de igualdade. E porque é que eu hei-de estar a ajudar, se ela até ganha o mesmo?”.
A respeito da sua relação com os trabalhadores com PDI, o E3 e o E4 admitem a existência de alguma proteção na interação com estes jovens: “…
também olho para eles um bocado com se fossem meus filhos… nós também podemos… vir a ter um filho com um problema como o deles e gostaria também que fossem carinhosos, atenciosos e que lhe dessem uma oportunidade.” (E3); “…sei que a forma melhor dele ouvir e de ele reagir é como eu falo com ele. (…) É mostrar confiança, é dar-lhe carinho…” (E4); “… a minha relação com ele é de mãe para filho…” (E4).
Com os colegas de trabalho, por seu turno, o E3 classifica positivamente a relação dos seus funcionários com PDI: “É uma boa relação, uma relação de empatia, de respeito.”. Na generalidade e conforme o E3 nos continua a
descrever, do mesmo modo que a interação entre estes trabalhadores e o seu supervisor se processa de forma mais afetuosa, como uma relação de mãe para filho, o mesmo acontece também na interação com a maioria dos colegas de trabalho: “… as nossas trabalhadoras, o nosso trabalho aqui maioritariamente é
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feito por mulheres… e 99% delas são mães. Portanto, elas encaram estes jovens se calhar como os filhos… e tratam-nos como gostariam que tratassem os filhos delas.”; “E depois mesmo, elas têm, têm uma certa atenção, mesmo ao chamar à atenção, chamam com outro carinho, como não chamariam a uma colega igual.”.
Na empresa do ramo automóvel, a relação do “Tiago”, o profissional
com PDI, com os colegas de trabalho é caracterizada pelo E4 como inclusiva: “É tudo normal.”.
Em relação aos colegas, o E4 reconhece, contudo, que, por vezes, em consequência do temperamento do “Tiago”, não é fácil lidarem com ele: “não
deve haver uma pessoa aqui dentro com quem ele já não tenha… já não tenha tido algum atrito.”; “… não tem noção muitas vezes da forma como fala…”; “…se alguém falar com ele, ele é o primeiro a responder naquele tom de voz dele agressivo, mas não sabe porque é que estão a levar a mal, mas quando lhe respondem nesse tom, ele leva muito a mal.”.
Ainda que na sua opinião tal não corresponda à realidade, o E4 acredita que todos os outros empregados estão convictos de que o “Tiago” é favorecido relativamente a eles: “… toda a gente acha que ele é um privilegiado cá dentro
em relação… em relação à relação que tem comigo… Toda a gente tem essa certeza… O “Tiago” é um privilegiado… faz o que quer, entre aspas, porque ele não faz o que quer, mas se tiver que responder mais torto, se tiver que… pronto, faz e diz… e sabe sempre que tem a proteção da patroa.”.
Esclarece igualmente que, apesar dos 30 anos de idade deste jovem, os seus companheiros, bastante mais velhos, em determinados momentos o veem como um miúdo e não como um trabalhador igual a eles: “Tem aqui pessoas que
têm idade para ser pai dele… esses também às vezes olham para ele como um miúdo e acham… também não podem… tem que ser tudo igual, é isso que eu também estou sempre a dizer.”; “… a razão dos colegas está toda lá, ele não tem que falar… Tem que ter imenso respeito como têm com ele, mas também… têm que olhar para ele como um colega, não é como o “Tiago”… têm que olhar para ele como um colega, que também trabalha, que tem o ordenado como eles, faz os descontos como eles, tem as funções deles, tudo igual.”.
Sónia Marina Martins Dias Página 82 de 184 Com efeito, quer algumas das trabalhadoras da empresa do E1, quer estes mesmos funcionários que trabalham com o “Tiago” têm dificuldades em adaptar-se e em aceitar estes jovens com PDI como pessoas como eles, com limitações, mas também com competências, e a laborar nas mesmas circunstâncias.
O E4, quando questionado acerca da sua relação com ele, é perentório, assegurando que, do seu ponto de vista, ele é exemplar: “… comigo é
irrepreensível…”; “… é o mais irrepreensível de todos os que estão aqui e de todos os que eu conheci. Todos, os funcionários.”. Reforça ainda: “… em 12 anos que trabalha comigo, nunca me falou de forma grosseira, nunca amuou comigo, nunca nada, quer que eu lhe diga, é irrepreensível comigo, nunca teve um único problema, nunca o apanhei em falso, é irrepreensível.”.
Em termos relacionais, o E4 salienta que a relação com este seu jovem com PDI foi sendo contruída com base na reciprocidade de comportamentos comunicacionais e relacionais: “Se a relação que tem comigo é irrepreensível,
irrepreensível, nestes anos todos, eu tenho que ter uma relação irrepreensível com ele também, por isso tenho que lhe dar tanto como ele me dá a mim. E este miúdo dá-me tudo o que eu precisar.”.
Para este empregador, o “Tiago” merece inclusivamente a sua total confiança: “Eu tenho certeza absoluta que posso contar com ele a 100%...”.
Auscultada a perspetiva do E5 e E6, no que concerne à interação dos
seus funcionários com PDI com os colegas, pudemos constatar que o
contexto de trabalho foi fulcral no estabelecimento destas e outras relações. O E5, cuja relação com estes trabalhadores avalia como boa, sublinha isso mesmo, justificando-o pelo facto de ser um meio tolerante e não preconceituoso:
“… há uma predisposição para a tolerância, para a compreensão do outro.”.
O próprio ambiente favorece, portanto, a inclusão, nomeadamente a inclusão destes profissionais com PDI. A título de exemplo, o E5 salienta a importância de existir nesta Instituição amizade e empatia para o equilíbrio de um deles: “… nota-se que é uma dimensão muito importante para o equilíbrio
dele… a ideia de haver amizades e empatias que ele cria no local de trabalho.”.
Sónia Marina Martins Dias Página 83 de 184 determinante para ambos os trabalhadores, em particular, no desenvolvimento de relações extralaborais: “… o facto de isto ser um teatro e uma casa de
espetáculos, espetáculos dos alunos, espetáculos da companhia, etc, também propicia muito… um convívio extra-laboral… quer com os alunos, quer com os professores, quer com os colegas.”.
Na mesma linha se encontra a exposição do E7 que nos descreve como normal a sua relação com os seus funcionários com PDI, “… igual aos
outros…”.
Ao mesmo tempo, garante-nos que se sentem integrados e valorizados:
“Almoçam todos em conjunto aqui… Nós temos pessoas de várias zonas. Eles integram-se perfeitamente uns com os outros… Ninguém trata ninguém de forma diferente. No intervalo estão juntos, estão juntos com os outros, conversam, vão ao café.”.