As análises de rendimento do extrato de folhas de eucalipto obtido pelos diferentes métodos de extração empregados têm seus valores mostrados nesta seção.
5.2.1 Hidrodestilação
Foram realizados experimentos em duplicata para obtenção do óleo essencial das folhas de eucalipto através da hidrodestilação, a fim de avaliar o rendimento e também a diferença de rendimento entre partículas de diferentes tamanhos. Os resultados encontram-se na Tabela 5.
Tabela 5 Rendimento para extrato das folhas de eucalipto obtido por hidrodestilação Hidrodestilação Partícula (mm/µm) X0(%) (1) Folhas de eucalipto 500 2,6a ± 0,4 300 2a ± 0,0 212 2,4 a ± 0,4 180 2,6a ± 0,4 all 2,1a ± 0,1
(1) Letras iguais não diferem significativamente (p > 0,05).
Não foram encontradas diferenças significativas entre os rendimentos dos extratos obtidos de folhas de eucalipto com diferentes tamanhos de partículas, sendo o valor encontrado para p na análise de variância de 0,7856. Assim, pode-se afirmar que a obtenção do óleo essencial de folhas de eucalipto não é influenciada pelo tamanho da partícula de matéria-prima, sendo estas menores do que 500 mm/µm.
Isso foi levado em conta para a realização dos demais experimentos do presente trabalho. Nas extrações com solventes orgânicos (Soxhlet) e na ESC foram utilizadas amostras “all”, ou seja, com todos os tamanhos de partículas misturados em proporções iguais para cada procedimento.
Pereira; Gherini; Sholl (2007) encontraram rendimento de 0,3% para extrato obtido de folhas de E. grandis através de hidrodestilação e rendimento de 1,0% para extrato obtido de folhas de E.citriodora por
hidrodestilação. Canzi et al. (2009) obtiveram rendimento de extrato de folhas de E. grandis e de E. citriodora por hidrodestilação de 0,13% e de 0,11%, respectivamente. Franco et al. (2005) encontraram rendimento de 6,1% para extrato de folhas de E. cinerea através de hidrodestilação.
Apesar de variados, os rendimentos de extratos obtidos através de hidrodestilação são considerados muito baixos quando comparados com outras técnicas. Isso acontece devido ao processo ser submetido a altas temperaturas, onde ocorrem perdas consideráveis de compostos voláteis presentes nas amostras, a utilização de vapor d’água como um solvente de baixa seletividade, não carregando consigo compostos que são retidos à matriz sólida da amostra e também devido ao processo de separação do óleo e da água no final do processo acontecer através da diferença de densidade de ambos, onde o erro amostral é muito grande se comparado ao volume de extrato obtido.
5.2.2 Extração com solventes orgânicos
A avaliação do rendimento do extrato de eucalipto através do processo de extração com solventes orgânicos – Soxhlet deu-se em duplicata através da utilização de solventes com diferentes níveis de polaridade. Os solventes utilizados foram hexano, diclorometano, acetato de etila, etanol e água sendo que os índices de polaridade dos mesmos são 0; 3,1; 4,4; 5,2 e 9,0; respectivamente.
A polaridade definida como a habilidade da molécula em participar de interações de todas as espécies com outras moléculas de polaridade similar (BARWICK, 1997).
A Tabela 6 apresenta os valores para rendimento global de extrato de folhas de eucalipto obtido através do processo de extração com solventes orgânicos pelo método de Soxhlet, sendo que a Figura 17 apresenta uma comparação dos mesmos com o rendimento global obtido através da hidrodestilação.
Os resultados apresentados nas Tabelas 5 e 6 e na Figura 13 mostram que o rendimento mais elevado obtido através das extrações com solventes orgânicos por Soxhlet foi com o solvente etanol (27,0 ± 0,4%) e o mais baixo com o solvente hexano (14,1 ± 0,2%), além do valor mais baixo encontrado para hidrodestilação (2,1 ± 0,1%). Na comparação entre o rendimento global obtido com a polaridade de cada solvente utilizado não pode se estabelecer uma regra, pois os resultados oscilaram de forma irregular em comparação à ordem de polaridade dos solventes.
Segundo a ANOVA houve diferença significativa no rendimento global de extração de acordo com o solvente empregado (p = 0,0346), ou seja, de acordo com o solvente utilizado na técnica de extração Soxhlet há diferença significativa no rendimento de óleo essencial de folhas de eucalipto a ser obtido.
Tabela 6 Rendimento para extrato de folhas de eucalipto obtido através de Soxhlet com diferentes solventes orgânicos
Soxhlet Solventes(1) Polaridade Rendimento médio (%) (2)
Folhas de eucalipto C6H14 0 14,1b ± 0,2 CH2Cl2 3,1 21ab ± 1,0 C4H8O2 4,4 21,5ab ± 1,7 C2H6O 5,2 27,0a ± 0,4 H2O 9,0 26 ± 4,0 (1) C
6H14 = Hexano; CH2Cl2 = Diclorometano; C4H8O2 = Acetato de etila; C2H6O
= Etanol; H2O = Água. (2) Letras iguais não diferem significativamente (p >
0,05). 25,92 21,76 27,04 14,11 21,50 2,12 0,00 15,00 30,00
H2O CH2Cl2 C2H6O C6H14 C4H8O2 Hi drodest.
Solventes R e n d im e n tos ( % )
Figura 17 Gráfico de rendimentos globais para extrato de folhas de eucalipto obtidos através de Soxhlet com diferentes solventes orgânicos
Aplicando-se o Teste de Tukey para a verificação de onde estão as diferenças significativas, observou-se que os solventes etanol e água, que obtiveram os maiores rendimentos nas extrações, diferiram significativamente do solvente hexano, que obteve o menor rendimento.
Na avaliação dos rendimentos globais através da extração Soxhlet, os mais altos rendimentos obtidos foram com os solventes C2H6O, CH2Cl2, C4H8O2 e H2O o que indica que as folhas de eucalipto possuem grande quantidade de compostos com polaridade intermediária e alta (3,1 a 9,0), devido ao maior rendimento e, consequentemente, maior afinidade entre os mesmos. A Figura 18 mostra o rendimento global obtido em função da polaridade dos solventes empregados.
Quando é comparado o rendimento global obtido por hidrodestilação com o rendimento global obtido através de Soxhlet utilizando água como solvente, há uma grande diferença nos resultados. Isso se deve a utilização do solvente em seu ponto de ebulição com refluxo periódico na extração Soxhlet. Além disso, a matriz sólida fica aprisionada em um espaço menor podendo o solvente alcançar espaços da matriz com maior facilidade e envolta por uma proteção sólida garantindo, nesta condição, menor tensão superficial do solvente do que na hidrodestilação. O refluxo constante facilita maior apreensão de compostos voláteis, o que não ocorre na hidrodestilação.
0,0 5,0 10,0 15,0 20,0 25,0 30,0 35,0 água diclorometano etanol hexano acetato de etila Polaridade Rendimento (%)
Figura 18 Gráfico de médias e desvios padrões de rendimento global para os solventes orgânicos utilizados nas extrações Soxhlet
Silva; Brito; Junior (2006) realizaram extrações com diferentes espécies de folhas de eucalipto utilizando hexano e água como solventes avaliando o desempenho do rendimento de acordo com a época do ano
em que as amostras fossem coletadas. Os maiores rendimentos foram obtidos para amostras das espécies de E. camaldulensis e E. citriodora coletadas no verão e que utilizaram água como solvente com 12 e 25% de rendimento, respectivamente. Para os extratos obtidos utilizando hexano como solvente, os valores de rendimento foram baixos, independente da época de coleta das amostras: os valores variaram de 0,6-2,5%.
Morrow; Fox (1980) avaliaram o rendimento de extrato de folhas de eucalipto afetadas por pragas em diversos estágios de crescimento utilizando Soxhlet como técnica de extração. Amostras de E. viminalis, E. stellulata e E. pauciflora obtiveram rendimentos, na sua melhor forma, de 6,42 ± 1,06%; 6,05 ± 0,20% e 8,46 ± 1,04%, respectivamente, utilizando etanol como solvente.
5.2.3 Extração supercrítica
A avaliação de rendimento global para o extrato de folhas de eucalipto obtido através de ESC foi realizada levando em conta o planejamento experimental e as condições experimentais propostas na metodologia, bem como o tempo de extração ótimo encontrado no teste prévio.
A solubilidade, a seletividade e o rendimento do processo são funções das condições de operação (pressão e temperatura) e, como consequência, da densidade do solvente. A Tabela 7 apresenta as médias, desvios padrões e resultados do teste de Tukey do rendimento global (X0) da ESC em função das diferentes condições de pressão (P) e temperatura (T) empregadas com as respectivas massas específicas do CO2 (ρ) obtidas a partir da equação de Angus; Armstrong; de Reuck, (1976), característicos para as condições de temperatura e pressão empregadas na extração do OE de folhas de eucalipto calculada conforme a seção 4.2.3.1.3.
O maior rendimento encontrado através da ESC foi de 27 ± 4% para a condição de 250 bar e 30oC e o menor foi de 9,9 ± 0,6% para a condição de 250 bar e 50oC. A Figura 19 demonstra o rendimento global da extração do extrato das folhas de eucalipto para cada condição testada no planejamento experimental. Na análise de variância, os fatores pressão x rendimento (p = 0,0119) e temperatura x rendimento (p = 0,03193) apresentaram diferença significativa nos rendimentos globais obtidos.
Tabela 7 Rendimentos globais de ESC nas condições experimentais testadas
ESC P (bar) T (oC) ρ_CO
2 (kg/m3) (1) X0 (%) (2) Condição experimental 150 30 847,8 14b ± 1,0 250 30 919,0 27d ± 4,0 200 40 841,5 16abe ± 8,0 150 50 584,5 12b ± 1,0 250 50 827,5 9,9be ± 0,6 (1)
ANGUS; ARMSTRONG; DE REUCK, (1976); (2) Letras iguais não diferem significativamente (p > 0,05).
Quando o fator pressão x rendimento é analisado, os extratos obtidos na condição de 150 bar não apresentaram diferença significativa. Os extratos obtidos nas condições de 250 bar apresentaram diferença significativa, sendo que o maior rendimento em todas as condições experimentais testadas foi obtido utilizando 250 bar e 30oC. Quando o fator temperatura x rendimento é analisado, os extratos obtidos nas condições de 30oC apresentaram diferença significativa e os extratos obtidos na condição de 50oC não apresentaram diferença significativa. O extrato obtido na condição de 200 bar e 40oC apresentou diferença significativa apenas em relação ao extrato obtido na condição de 250 bar e 30oC.
Porta et al. (1999) encontraram melhores valores de rendimento para óleo essencial de eucalipto obtido através de ESC na condição de 90 bar e 50oC, com posterior fracionamento do óleo, de 28,5%.
De acordo com os dados obtidos por Rodrigues et al. (2003) para rendimento de óleo essencial de erva-doce, o aumento isotérmico da pressão resultou no significativo aumento do rendimento global de óleo essencial. Mantida a condição de temperatura de 30oC, obteve-se um aumento no rendimento de 3,13x10-2 (kg soluto / kg CO2) na pressão de 80 bar para 10,67x10-2 (kg soluto / kg CO
0 5 10 15 20 25 30 35 150/30 250/30 200/40 150/50 250/50 P(bar)/T(C) X 0 (% )
Figura 19 Gráfico de rendimentos globais de ESC nas condições experimentais testadas
De acordo com a Figura 19 para a condição de pressão de 150 bar, o valor para o rendimento diminui de 14 ± 1% para 12 ± 1% de acordo com a elevação da temperatura de 30oC para 50oC. O mesmo ocorre quando é avaliada a condição de 250 bar, onde o valor para rendimento diminui de 27 ± 4% para 9,9 ± 0,6%. Isso acontece devido ao poder de solvatação do solvente supercrítico aumentar com a diminuição da temperatura, enquanto que a pressão de vapor do soluto aumenta com a temperatura aumentando a sua solubilização. De acordo com a Tabela 7, a diminuição do rendimento com o aumento da temperatura de 30oC para 50oC pode ser explicado pela diminuição da densidade do solvente de 847,8 kg/m3 para 584,5 kg/m3 na condição de 150 bar e de 919,0 kg/m3 para 827,5 kg/m3 na condição de 250 bar.
A Figura 20 analisa a influência que a pressão e a temperatura exercem sobre o rendimento global dos extratos. A superfície indica que os maiores rendimentos tendem a ser obtidos com pressões acima de 200 bar. Porém, quando o fator analisado é a temperatura, os maiores valores encontrados para rendimento estão em faixas de temperatura acima de 40oC. Assim, os valores encontrados demonstram que nem sempre as maiores pressões e menores temperaturas obtêm maiores rendimentos de extração.
30 25 20 15 10 5 0
Figura 20 Superfície de resposta da influência da temperatura e da pressão no rendimento global da extração supercrítica do extrato de
folhas de eucalipto
A linearidade do modelo que expressa a dependência do rendimento do processo com a temperatura (T) e a pressão (P) é representada pela equação 5.1.
X0 (g) = - 40,0254 + 0,1098T + 0,8271P Eq 5.1
As Figuras 21, 22, 23 e 24 mostram curvas de extração onde são observados os efeitos da pressão e temperatura sobre o rendimento da extração.
As Figuras 25 e 26 apresentam a influência que a densidade do CO2 exerce mediante as pressões e temperaturas empregadas no processo sobre o rendimento global de extração.
0 0,5 1 1,5 2 0 60 120 180 240 300 tempo (min) X 0 (g ) 150bar-30C 150bar-50C
Figura 21 Curvas de extração obtidas a 150 bar nas temperaturas de 30oC e 50oC 0 0,5 1 1,5 2 0 60 120 180 240 300 tempo (min) X 0 (g ) 250bar-30C 250bar-50C
Figura 22 Curvas de extração obtidas a 250 bar nas temperaturas de 30oC e 50oC
De acordo com as Figuras 21 e 22 o poder de solvatação do solvente sofre influência da temperatura mediante dois mecanismos: densidade do solvente e pressão de vapor do soluto. Com o aumento isobárico da temperatura ocorre a redução da densidade do solvente, porém também o aumento da pressão de vapor do soluto. Na pressão de
250 bar a variação da densidade com a temperatura é mais moderada, e a pressão de vapor do soluto passa a ser o fator dominante (Brunner, 1994). Como esses efeitos são contrários a influência da temperatura na curva de extração é ditada pelo efeito dominante sobre o poder de solvatação do solvente. 0 0,5 1 1,5 2 0 60 120 180 240 300 tempo (min) X 0 (g ) 250bar-30C 150bar-30C
Figura 23 Curvas de extração obtidas a 30oC nas pressões de 150 bar e 250 bar 0 0,5 1 1,5 2 0 60 120 180 240 300 tempo (min) X 0 (g ) 250bar-50C 150bar-50C
Figura 24 Curvas de extração obtidas a 50oC nas pressões de 150 bar e 250 bar
De acordo com a Figura 23, o aumento da pressão ocasionou aumento no rendimento da extração. Isso se dá devido ao aumento da massa específica do solvente supercrítico, aumentando o poder de solvatação deste nos compostos extraíveis do óleo. Porém, um comportamento contrário é mostrado na Figura 24. O aumento da pressão de 150 bar para 250 bar ocasiona uma diminuição, embora pequena, de rendimento.
5.3 Estudo das cinéticas de extração e viabilidade econômica do processo
5.3.1 Estudo das cinéticas de extração
Os modelos matemáticos empregados para a descrição das curvas de extração obtidas nas diferentes condições empregadas foram os Modelos de Sovová (1994), Martínez et al (2003) e da Segunda Lei de Fick adaptado por Crank (1975) adaptado por Reverchon (1997).
Para a modelagem do processo de extração é necessário o conhecimento das variáveis do processo. Na Tabela 8 são apresentadas as variáveis das condições operacionais empregadas nos experimentos realizados obtidas experimentalmente ou estimadas de acordo com a literatura, de acordo com a metodologia apresentada.
As Figuras 27, 28, 29, 30 e 31 apresentam os dados experimentais e modelados obtidos para a ESC de óleo essencial de folhas de eucalipto de acordo com as variáveis de processo apresentadas na Tabela 8.
Tabela 8 Variáveis das condições operacionais testadas empregadas no processo de ESC T (oC ) (bar) ρ_pP (1) q_CO 2(2) Hb(3) Db(4) Dp(5) m0(6) y*(8) X0(9) ρ_CO2 30 150 0,25 8,33 8,65 2,01 0,003 11,97 0,0018 14 0,848 50 150 0,25 8,33 8,15 2,01 0,003 10,09 0,0018 12 0,584 40 200 0,25 8,33 4,9 2,01 0,003 5,07 0,0016 16 0,842 30 250 0,25 8,33 4,95 2,01 0,003 5,02 0,0028 27 0,919 50 250 0,25 8,33 5,05 2,01 0,003 5,71 0,0015 9,9 0,828
(1) ρ_p: densidade da matriz sólida a ser extraída (g/cm3) determinada de acordo com
a seção 4.2.3.1.2;
(2) q_CO
2: vazão do solvente supercrítico (g/min) de acordo com a seção 4.2.3.3; (3) Hb: altura do leito de extração preenchido com a matriz sólida para cada
experimento realizado (cm);
(4) Db: diâmetro do leito de extração (cm);
(5) Dp: diâmetro médio da partícula de matéria-prima (cm) de acordo com o
Apêndice A;
(6) m
0: massa total de matéria-prima utilizada no leito de extração para cada
experimento (g);
(8) y*: solubilidade da matriz sólida no solvente supercrítico de acordo com o
Apêndice F;
(9) X
0: rendimento global de extração;
(10) ρ_CO2: densidade do solvente supercrítico (g/m3).
0 0,02 0,04 0,06 0,08 0,1 0,12 0,14 0 60 120 180 240 tempo (min) m a s s a d e e x tr a to ( g ) Experimental Modelo de Crank Modelo de Sovová Modelo de Martínez
Figura 25 Curvas de ESC de extrato de folhas de eucalipto experimental e modeladas para a condição de pressão de 150 bar e de
0 0,02 0,04 0,06 0,08 0,1 0,12 0,14 0,16 0,18 0 60 120 180 240 300 tempo (min) m a s s a d e e x tr a to ( g ) Experimental Modelo de Crank Modelo de Sovová Modelo de Martínez
Figura 26 Curvas de ESC de extrato de folhas de eucalipto experimental e modeladas para a condição de pressão de 250 bar e de
temperatura de 30oC 0 0,005 0,01 0,015 0,02 0,025 0,03 0,035 0,04 0,045 0,05 0 60 120 180 240 tempo (min) m a s s a d e e x tr a to ( g ) Experimental Modelo de Crank Modelo de Sovová Modelo de Martínez
Figura 27 Curvas de ESC de extrato de folhas de eucalipto experimental e modeladas para a condição de pressão de 200 bar e de
0 0,02 0,04 0,06 0,08 0,1 0,12 0 60 120 180 240 300 tempo (min) m a s s a d e e x tr a to ( g ) Experimental Modelo de Crank Modelo de Sovová Modelo de Martínez
Figura 28 Curvas de ESC de extrato de folhas de eucalipto experimental e modeladas para a condição de pressão de 150 bar e de
temperatura de 50oC 0 0,02 0,04 0,06 0,08 0,1 0,12 0,14 0 60 120 180 240 300 tempo (min) m a s s a d e e x tr a to ( g ) Experimental Modelo de Crank Modelo de Sovová Modelo de Martínez
Figura 29 Curvas de ESC de extrato de folhas de eucalipto experimental e modeladas para a condição de pressão de 250 bar e de
As Figuras 27, 28, 29, 30 e 31 apresentam as curvas de extração dos experimentos 7, 8, 9, 10 e 11 e as curvas resultantes dos modelos empregados: Sovová (1994), Martínez et al (2003) e da Segunda Lei de Fick adaptado por Crank (1975) adaptado por Reverchon (1997). As curvas são expostas em função da massa acumulada de óleo essencial de folhas de eucalipto versus o tempo de extração. As condições de operação foram apresentadas na Tabela 3 e os parâmetros cinéticos na Tabela 8.
A Tabela 9 apresenta os coeficientes, parâmetros ajustáveis e Erros Médios Quadráticos (EMQ) dos modelos aplicados nas curvas de ESC de óleo essencial de folhas de eucalipto.
Todas as condições testadas apresentaram curvas de extração com um comportamento característico. A etapa de taxa de extração constante (CER) pode ser identificada em todas as condições que corresponde, de um modo geral, do período inicial até 60 minutos, com exceção da condição de 150 bar e 30oC que apresentou um tempo maior. De acordo com Sovová (1994), esta etapa, o processo é controlado pela convecção na fase fluída (solvente + extrato), e a distância em relação ao equilíbrio é a força motriz para a transferência de massa.
Através da visualização das curvas modeladas obtidas e dos EMQ apresentados, pode-se dizer que o modelo que obteve melhor ajuste às curvas de ESC foi o Modelo de Martínez et al (2003), que obteve os menores valores para EMQ em todas as curvas de ESC testadas.
O parâmetro ajustável do modelo da Segunda Lei de Fick adaptado por Crank (1975) é baseado no coeficiente de difusão do soluto na matriz sólida. Porém, como o processo de transferência de massa não é apenas difusivo, o valor, embora representativo e com o mesmo significado físico, não é real.
No modelo de Martínez et al (2003) o parâmetro tm corresponde ao momento no qual a taxa de extração alcança o seu maior valor. Porém, quando o valor para este parâmetro é negativo o mesmo passa a não ter mais significado físico. Assim, a taxa de extração passa a ter o seu valor máximo no momento inicial da extração. O modelo é baseado no balanço diferencial de massa dentro do leito de extração, sendo considerados os fenômenos de transferência de massa nas fases sólida e fluída.
Para se fazer o balanço de massa durante o processo de SFE, o sistema é considerado como um leito cilíndrico formado por partículas da matéria-prima dispostas de forma homogênea. Através do leito o solvente escoa axialmente, retirando da matéria-prima o extrato (MARTÍNEZ, 2005).
O conhecimento da maioria das variáveis determinadas na Tabela 8 foi necessário especificamente para a aplicação do modelo de Sovová (1994). A solubilidade, densidade do solvente, dados específicos da matéria-prima no leito da partícula e alguns dados específicos da curva de extração a ser modelada são dados necessários para a aplicação do modelo, calculado a partir da matéria-prima inerte.
Tabela 9 Parâmetros ajustáveis e erros médios quadráticos obtidos através de modelagem matemática das curvas de ESC de óleo essencial
de folhas de eucalipto
Modelagem Condições experimentais [P (bar) / T (oC)]
Modelos Parâmetros 150/30 250/30 200/40 150/50 250/50 2a Lei Fick adap. Crank (1975) D (m2/min) 7,65x10-11 4,65x10-10 4,98x10-11 2,94x10-11 3,12x10-11 EMQ 0,070 0,230 0,190 0,076 0,033 Martínez et al (2003) b (min -1) 0,0981 0,1211 0,0743 0,0087 0,0093 tm (min) - 432,02 - 1.118,9 - 387,14 - 113,10 - 123,89 EMQ 0,019 0,087 0,055 0,006 0,008 Sovová (1994) Xk 0,065 0,146 0,113 0,054 0,096 kYA (min-1) 0,064 3,551 0,476 0,064 0,160 kXA (min-1) 0,004 0,012 0,010 0,003 0,004 EMQ 0,047 0,144 0,097 0,013 0,014
De acordo com os gráficos apresentados os modelos de Sovová (1994) e de Martínez et al (2003) apresentaram maior proximidade com os dados experimentais na etapa CER. O Modelo da Segunda Lei de Fick adaptado por Crank (1975) apresentou variações no ajuste dos dados experimentais, sendo mais próximo o seu ajuste nos pontos das curvas presentes na etapa difusional. Já o modelo de Martínez et al (2003) também apresentou maior proximidade com os dados experimentais em ambas as etapas. O modelo apresentou os menores valores de EMQ em todas as condições experimentais testadas, sendo o modelo mais indicado para ajuste dos dados em uma possível ampliação de escala do processo.
Os valores obtidos para o parâmetro ajustável do Modelo da Segunda Lei de Fick adaptado por Crank (1975) apresentaram desordem quanto à condição experimental empregada. O maior valor obtido foi na
condição de 250 bar e 30oC. O modelo baseia-se na transferência de massa por difusão, sendo os valores obtidos para esses parâmetros, apesar de possuírem o mesmo significado físico da difusão na ESC, incompletos, pois o processo de ESC não é exclusivamente difusivo.
Através da análise dos parâmetros obtidos pelo Modelo de Sovová (1994), o teor de óleo de difícil acesso (Xk) apresenta maiores valores nas condições de maiores pressões aplicadas, o que confirma que o fator pressão é determinante para a obtenção deste óleo a partir da etapa difusional. O maior valor foi obtido na condição de maior pressão e de menor temperatura. O coeficiente de transferência de massa na fase fluída (kYA) apresentou o maior valor na mesma condição operacional, sendo o mesmo distante dos demais. Esta constante é afetada, principalmente, pela velocidade de escoamento do fluído. Para o parâmetro do coeficiente de transferência de massa na fase sólida (kXA), a principal influência é a transferência de massa intraparticular, sendo o diâmetro da partícula sua principal referência. Os valores de kXA foram inferiores aos valores de kYA em todas as condições experimentais testadas.
Segundo Weinhold et al. (2008), o soluto localizado internamente nas partículas tem mais dificuldade de ser dissolvido e, desta forma, leva mais tempo para atravessar a interface entre o sólido e fluído que o soluto localizado na superfície das partículas. Sendo assim, os valores menores de kXA obtidos indicam que a convecção é o fenômeno mais representativo do que a difusão no processo de ESC.
O bom ajuste do Modelo pode ser observado em todas as condições testadas provavelmente aos dois únicos parâmetros e por levar em conta o balanço diferencial de massa dentro do leito considerando os fenômenos de transferência de massa que ocorrem tanto na fase sólida quanto na fase fluída.