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Quantification of si/miRNA by real time PCR

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CHAPTER 5 MATERIALS AND METHODS

5. Quantification of si/miRNA by real time PCR

Na experiência de hospitalidade, aquele que acolhe é também acolhido, porque, na verdade, acaba por receber a hospitalidade que ele próprio oferece (Isabel Baptista, 2005b, p.17).

A construção de uma síntese interpretativa após o exercício hermenêutico realizado sobre o discurso dos sujeitos participantes dos grupos operativos e da trilha a cavalo reporta naturalmente, e numa primeira instância, ao problema, aos objetivos traçados e ao conceito de acolhimento operacionalmente adotado como de referência para o presente trabalho.

No problema desencadeador da investigação, em sua primeira questão, duas variáveis estão postas em relação: o desenvolvimento de grupos operativos e redimensionamentos no processo de “re”construção/ “re”ssignificação do conceito de hospitalidade, no contexto de um empreendimento turístico, no qual vão sendo estabelecidas relações com a prática profisional em turismo e com a prática turística. Ainda no que diz respeito a esse contexto, são pontuadas a importância de desenvolver permanente formação para a hospitalidade, considerada a rotatividade de colaboradores, bem como de dispor de ferramenta pedagógica para a consecução desse fim.

A implementação/condução do grupo operativo, proposto como essa ferra- menta, pautou-se pelo conceito de hospitalidade/acolhimento concebido como fenô- meno e não como comportamento humano específico, ou como ato de vontade de um único sujeito – fenômeno esse que se instala mediante percepção mútua, no qual “[...] os elementos do discurso, matizados pelos desejos de um e outro sujeito, são acolhidos, traduzidos, compreendidos e transformados em nova comunicação, em cujo conteúdo se encontram novos significados” (PERAZZOLO; SANTOS; PE- REIRA, 2011b, s.p.). E é nesse ciclo interativo, reafirmando a concepção das auto- ras, que a hospitalidade se instaura, com acolhedor e acolhido distanciando-se pro- gressivamente de demandas autocentradas e de verdades a priori, ou seja, de seus desejos e convicções prévias, voltando-se um para o outro, “[...] qualquer outro, pois todos os outros são estrangeiros ao eu” (PERAZZOLO; SANTOS; PEREIRA, 2011b, s.p.).

Em assim posto, tendo por horizonte tal entendimento de hospitalidade/aco- lhimento e o processo discursivo verificado/inferido nas manifestações verbais dos

sujeitos nos grupos operativos (conforme análise realizada), identificam-se os redi- mensionamentos qualitativos objetivados e os vínculos destes com essa prática pe- dagógica. Numa abordagem sintética, esses redimensionamentos ganham forma, entre outros processos/mecanismos relacionais, em analogias, reiterações, retoma- das, extensões por exemplificação, em elos estabelecidos com predicações referi- das no GO1 pelos mesmos sujeitos ou por sujeitos diferentes, em irradiações de ideias/fatos entre setores, sempre tendo presente, de um lado, a constituição de no- vos contextos discursivos marcados pela diversidade de tópicos trazidos à reflexão, de sequenciação das intervenções ou respectivos fluxos; de outro, a participação de novos sujeitos que vieram a integrar o GO2.

Nesse sentido, como afirmam Santos et al. (2009, p.17), o Grupo Operativo se reafirma como uma pedagogia da hospitalidade, de natureza construtivista que, “[...] ao mesmo tempo em que se assenta no presente, no concreto, no sensível, por- que no vivido, dirige-se ao possível, ao futuro, ao que está por construir, ao inventá- vel por parte de cada um e de todos”. E o fenômeno do acolhimento, inserido nessa prática pedagógica, concebido como intersecção, reafirma-se igualmente como

aquele “lugar” onde se mesclam a cultura, a realidade, o objeto a ser mos- trado/apreendido; um ponto em que se realiza um interjogo de posições que pendem para lá e para cá e no qual, a cada movimento do pêndulo, se mo- dificam as realidades objetiva e subjetiva: a cada momento e a cada movi- mento, aquele que foi já não é mais aquele que retorna, pois que, a cada movimento em direção ao exterior, ele próprio altera a sua estrutura e trans- forma o seu olhar acerca da realidade, que então já não se constitui mais na mesma (SANTOS et al, 2009, p 17).

Acresçam-se a isso as predicações “negociar demandas (desejos)” e “bus- car constante melhoria (para melhor acolher)”, originadas no GO2, as quais desve- lam a proposição/expectativa, por ambos os polos de interação, de um novo lugar para o Outro, “[...] lugar em que seu discurso é ouvido, suas demandas considera- das, suas perspectivas refletidas, integrando o fenômeno do acolhimento” (PERAZ- ZOLO; SANTOS; PEREIRA, 2010, s.p).

Outro elemento sinalizador de redimensionamentos do processo de repensar o conceito de hospitalidade/acolhimento pode ser depreendido de contornos que, no GO2, assumem as intervenções da coordenadora (copensora), quando contrapos- tas às do GO1. Neste, como já comentado, suas manifestações têm prioritariamente uma função fática, o que é percebido em suas retomadas, repetições, ênfases,

questões, redirecionamentos, na sua maioria convergindo para os fatos apresenta- dos, na direção de deixar aflorar o entendimento prévio de cada um sobre o receber, o acolher pessoas (estado de desejo inicial). No GO2, que parte de síntese das falas do GO1, a função fática e os mecanismos comunicativos permanecem, porém, enfa- tizando, de forma recorrente, pontos centrais do conceito de referência inscritos em sínteses que formula a partir das intervenções dos sujeitos. E, ressalte-se, ela o faz de tal modo que parecem ser de autoria dos próprios sujeitos (“Nossa, tá vendo? Olha, que interessante. Isso quer dizer o quê, que isso é um exercício de todos vo - cês, seja no restaurante, seja na recepção, seja lá com as camareiras, qualquer coi- sa, o exercício é sempre escutar o outro. Escutar o desejo do outro, a expectativa desse outro quando eles chegam aqui, como tu dizia [...]”; “[...] Quer dizer, é compli- cado, porque às vezes o que falhou pode não ser a pessoa em si, mas o que se es- tabeleceu na relação. Cada um de vocês é um polo da relação , cada um de vocês gostou de ser acolhido, pra gente ver como é bem acolher, porque é uma troca per- manente. É um vai-e-vem que está acontecendo ali”).

Não se poderia dar por concluída esta síntese interpretativa sem aqui tam- bém fazer menção, primeiramente, a um dos argumentos justificadores da pesquisa, o qual, à luz do conceito de hospitalidade/acolhimento tomado como de referência, sublinhava a relevância de implementar, no contexto turístico, uma prática pedagógi- ca de formação para a hospitalidade que transcendesse o caráter meramente infor- mativo ou a realização fortuita de atividades de treinamento, por estar em jogo pro- cesso relacional a ser “com”preendido e “a”preendido. Almejava-se que, pela vivên- cia de um processo formativo com essa concepção, esse entendimento viesse a ser percebido e compartilhado por aqueles dele eventualmente responsáveis em em- preendimentos turísticos.

O Grupo Operativo, selecionado e analisado, mostrou-se como uma prática pedagógica nessa direção, a considerar intervenções do Sujeito 2 GERÊNCIA (que não participara do GO1), que caberia aqui transcrever:

O difícil, às vezes, é passar pra equipe a filosofia da empresa. Porque isso são sentimentos, está entendendo? Não é uma coisa concreta, que a gente chega e fala: - Você vai fazer assim! É assim que se faz! É de feeling. A pessoa tem que ir pegando a filosofia da empresa. Tem uns que pegam mais fácil, outros que é mais difícil.

É. Essa a nossa idéia principal, e mesmo que mudem as pessoas, entrem novas e saem outras, nós queremos sempre trabalhar esse espírito. E tem

que fluir. A partir do momento que começar a vir de dentro, naturalmente, essas idéias, tudo que falamos e está no cartaz, é porque estamos no cami- nho certo. A gente teria que fazer esse trabalho todo mês.

Na fala do Sujeito, fica implícito que o acolhimento extrapola a transmissão e a mera adesão a discursos ou hábitos standartizados, em sendo ele marcado por “tons de verdade afetiva” e, por consequência, não podendo o profissionalismo neste e em outros segmentos “[...] ser confundido com afastamento da condição de humano, com frieza relacional, com surdez afetiva, aproximando a prática do modelo funcionário-máquina” (PERAZZOLO; SANTOS; PEREIRA , 2010, s.p.).

Essas mesmas intervenções parecem encerrar o intuito de edificar o empreendimento como corpo coletivo acolhedor13. Expressões como “identidade”,

“harmonia”, “filosofia” , “espírito,” “clima”, “equipe”, emergem como indiciadores de uma cultura dessa “comunidade” que se vem buscando permanentemente construir/consolidar, ensejando o desenvolvimento/fortalecimento do sentimento de pertença de seus membros (“A gente tá tentando formar uma harmonia, [...] É uma troca de identidades, de sentimentos, porque se não tiver esse clima...”; “E nós estamos trabalhando para que isso flua naturalmente. E isso tem que ser alimentado diariamente”). Nesse processo de construção/consolidação da cultura do empreendimento reside a cultura da hospitalidade que dialoga com o turista, transformando e transformando-se.

13 Conceito proposto por Perazzolo, Santos e Pereira (2011, s.p.), “ o corpo coletivo acolhedor que se personifica na representação evocada por seu nome e que dá forma e identidade às comunidades, repousa sobre o entendimento de que o corpo social de um grupo/comunidade se estrutura a partir da interligação de, pelo menos, três vértices: a) trocas/serviços; b) conhecimento/cultura; c) organismo gestor. O traçado dessa triangulação delimita o espaço em que o fenômeno do acolhimento e as práticas de hospitalidade se organizam e se desenvolvem. Conceitualmente, os vértices aglutinariam as dimensões fundamentais do tecido social, concebido como um sistema, envolvendo: a) o conjunto dos serviços disponibilizados no âmbito das relações internas/externas; b) o organismo gestor, de natureza operacional, pública e privada; c) o capital cultural, o conhecimento gerado, compartilhado e transmitido pelo grupo/comunidade. É a interdependência dos três vetores que assegura a constituição morfológica do soma social, que, se acolhedor, transforma-se na relação com o visitante, o estrangeiro, o turista, o outro. Na direção inversa, um visitante dialoga com a comunidade para onde se deslocou, por meio das tantas vozes que ecoam dos três vértices constitutivos. Esse conceito estaria sendo transposto ao âmbito do empreendimento em estudo.

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