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Genome and gene content

Dans le document The DART-Europe E-theses Portal (Page 58-63)

B. The second model for siRNA mediated TGS in Human Cells

2. Molecular biology of PRV

2.1. Genome and gene content

Ao serem descritos os procedimentos metodológicos, mencionou-se a realização de uma prática turística (trilha a cavalo/cavalgada) que sucedeu ao primeiro Grupo Operativo (GO1), a qual foi acompanhada pela pesquisadora. Também como ali referido, os hóspedes responderam às questões que lhes foram formuladas, as quais, de modo global, tinham por foco suas expectativas antes e no retorno da trilha. O intuito da proposição da realização da atividade empírica após o GO1 era de que esta poderia, posteriormente, vir a oferecer mais outros elementos a serem postos como objeto de reflexão no GO2 (previsto para a sequência), ensejando aos participantes, entre outros aspectos, voltar a atenção para as relações de acolhimento manifestas naquela prática turística propriamente dita ou a ela subjacentes e, por extensão, na prática turística.

Sob um outro prisma, para os objetivos da pesquisa, tratava-se de uma situação empírica cuja análise, eventualmente, pudesse sinalizar alguns vínculos entre as reflexões no GO1 (pautadas pelo conceito de acolhimento de referência) e sua extensão à prática turística, mediante inferências, por exemplo, de aproximações ou distanciamentos.

Na medida em que se buscou coerência entre o conceito de referência de acolhimento e a proposta metodológica, haveria que se ouvir o outro polo da relação, o acolhedor (Sujeito 1 guia da cavalgada). Pelas circunstâncias ali

apontadas, houve uma única entrevista com o guia, sobre a qual versam estas considerações analíticas.

Inicialmente parece interessante sublinhar algumas aproximações identificadas entre manifestações do Sujeito ao longo do GO1 e da entrevista, particularmente no que tange à disposição para acolher (“preocupação” em relação à segurança do participante da trilha, em atender às suas expectativas deixando-o satisfeito), ao lado do compromisso de cumprir seu papel na qualidade de guia, prestando informações sobre o local). Encontram-se mesmo falas do GO1 estendidas à entrevista. Vejam-se alguns exemplos:

GO1: É porque o passeio a cavalo é uma coisa assim bem delicada. [...] A cada dez passeio que eu faço, nove são de pessoas que não conhecem cavalo, que nunca andaram a cavalo. [...] É, a gente tem que passar muita

confiança, segurança. [...] Ah! Então a gente faz essa trilha, a gente passa por mata nativa [...] a gente vai contando as histórias das antigas taperas...

ENTREVISTA: [...] a minha preocupação é dobrada, de querer satisfazer ela, tirar um pouco o medo dela, fazer ela se sentir segura.[...] Eu perguntei pra elas na hora assim, se elas observaram com atenção, procuraram entender, acharam legais as histórias que eu contei lá

embaixo.

De acordo com o relato do Sujeito, nessa relação com o turista que opta pela prática da cavalgada, emergem duas situações distintas correspondentes às que seriam suas expectativas: (a) andar a cavalo fazendo uma trilha, (b) fazer uma trilha andando a cavalo ou fazer uma trilha e andar a cavalo. De certa forma associados a essas perspectivas, são apontados e caracterizados diferentes perfis de turistas que realizam a prática: (a) o que nunca andou a cavalo e tem medo; (b) o que já andou, se sente seguro, “vem contente e ainda pela trilha”; (c) o que nunca andou ou já andou e que é reservado, pouco afeito a conversa; (d) o que sabe andar, quer correr, é difícil de controlar, “não querem saber de causos, não querem saber de trilha” (O turista com este último perfil seria aquele cujo foco é andar a cavalo fazendo uma trilha: “[...] elas querem fazer a trilha correndo e voltar correndo, ir e voltar correndo”); (e) andou poucas vezes, ou nunca andou e já quer correr (referindo-se particularmente a crianças); e (f) aquele cujo foco é o cavalo (muito comum entre as crianças).

Ora, se acolhimento, como aqui entendido, resulta do encontro dinâmico de demandas distintas, com origem, necessariamente, numa perspectiva subjetiva do

desejo, sendo requerido que ambos os sujeitos, num exercício de compreensão empática, se ajustem mutuamente às necessidades do outro, faz-se pertinente atentar para movimentos de ajustamento de ambos os polos, os quais se depreendem do discurso do Sujeito 1 guia da cavalgada. Nesse sentido, poderiam ser pontuadas algumas situações típicas em seus relatos, complementados, quando for o caso, por intervenções no GO1 aplicáveis à situação:

Perfil (a): o que nunca andou a cavalo e tem medo e Perfil (b): o que já andou, sente-se seguro, “vem contente e ainda pela trilha”

• Sujeito acolhedor:

[...] tudo vai dar certo, não vai acontecer nada de errado, a gente vai numa trilha que é de muito fácil acesso. Não vai ter problema algum, os cavalos são mansos (Destacam-se as asserções de positividade);

[...] a gente vai contando as histórias das antigas taperas [...] a gente vai explicando cada pedaço [...] a gente vai passando isso pras pessoas

(Observem-se as formas verbais no gerúndio, as quais indicam processualidade, podendo também conotar a ocorrência de interrupções para escuta).

[...] eu passei as orientações para eles [...] O foco era montar num cavalo e observar a paisagem e o que eu tinha para dizer; eles queriam ver os pontos, as histórias e andar a cavalo.

• Sujeito acolhido:

[...] é ali que a pessoa vai começando a se identificar com o animal, vai se soltando.

[...] e ficaram atenciosos [...] tudo o que o cavalo fazia, tudo o que eu dizia, eles prestaram atenção, era uma coisa nova.

• Sujeito acolhedor:

[...] então, a gente também vai se identificando com as pessoas (Note-se

que a relação provoca mudanças nos dois polos: o acolhimento genuíno é pedagógico).

Perfil (c): o que nunca andou ou já andou e que é reservado, pouco afeito a conversa

• Sujeito acolhedor:

[...] a gente tem que se esforçar um pouco mais, puxar assunto, mas às vezes não sai muito assunto [...] no final eu sempre pergunto: - E aí, gostaram do passeio?

Cada passeio eu puxava alguma coisa. E ele respondia, que seja, uma ou duas palavras e aí a gente conversava. Eu dava alguma chance e buscava alguma coisa. E ficava ali, sempre na medida do possível, na ocasião certa. [...] Dava uma abertura e eu chegava e aí falava alguma coisa.

• Sujeito acolhido:

Foi maravilhoso, gostei [...] tem que melhorar isso, fazer aquilo. É, dão sugestão, sim.

Ele ia indo embora, e ele viu o guia nos cavalos, que ele fez dois, três passeios, ele parou o carro, saiu, desceu e deu um alô pra ele e deixou também alguma coisa na recepção (Relato do Sujeito 1 Gestor, no GO1, referindo-se à mesma pessoa).

Quando ele foi embora, quando ele foi acertar, foi aí que ele me cumprimentou e tudo o mais.

Perfil (d): o que sabe andar, quer correr, é difícil de controlar, “não querem saber de causos, não querem saber de trilha”

• Sujeito acolhedor:

Primeiramente eu falo: - ó, você não pode correr assim.

Bah, pessoal, não dá, por favor! [...] Daí, a partir da hora que eu tomo uma providência, que eu sou mais rude e falo um pouco mais sério, [...] mas no final da frase eu sempre dou uma risada, um sorriso (Veja-se energia

combinada com afetividade)

Aí eu vejo que aquele ali sabe andar a cavalo. Tem aquele cavalo que anda, se você bater nele, ele vai mesmo. Eu já conheço o cavalo [...] aí eu vou escolher um mais devagar para ele, [...] senão [...] vai querer deixar o grupo para trás, vai gerar algum conflito, algum probleminha assim. Então eu já pego: - Ó, você vem nesse, esse é melhor.

• Sujeito acolhido:

Tá, tá, tá. E aí no decorrer da trilha eles começam a correr assim.

Eles ficam me olhando [...] Aí eles entende que não tô xingando e só chamando atenção, que não pode mesmo.

Aí elas começam a entender e cai a ficha no fim, né? Ah, então tá, esse é bom, né? Esse é maravilhoso.

Perfil (e): andou poucas vezes, ou nunca andou e já querem correr

• Sujeito acolhedor:

Olha, vocês podem correr, só um pouquinho, daqui até ali, daqui a 20, 30 metros.

Perfil (f): aquele cujo foco é o cavalo

Para melhor exemplificar a relação entre sujeito acolhedor e acolhido, neste caso, transcrevem-se alguns fragmentos da entrevista, elucidativos do processo pedagógico que o acolhimento propicia.

[...] eles ficam assim olhando pro cavalo e digo: - Ah! Passa a mão no pescoço dele, ele também gosta de carinho. [...] aí eu explico algumas coisas em si do animal mesmo ... procurar passar conhecimento pra eles. [...] – Ah! Olha o cabelo do cavalo! Eu não vou dizer: - Ah, isso aí não é cabelo. É a crina do cavalo, você gostou? [...] Eu não vou corrigir, mas eu vou falar o outro nome.[...] Eles perguntam: - Ah, vocês dão maçã pra eles? Vocês tratam eles? Eu digo: - Olha, maçã a gente não dá. O alimento deles é o pasto.[...] Sim, a gente dá ração, dá milho, próprio para o cavalo, mas maçã, cenoura, a gente não dá. Isso é coisa de desenho animado. Coisas assim que as pessoas ligam a filmes, desenhos. Tem muitas pessoas que vão fazer o passeio a cavalo e se ligam muito a filmes. A pessoa bota o pé em cima do animal e vai montar e o cavalo já sai. [...] Não, vocês tão confundindo uma coisa e outra: duas realidades diferentes, a fantasia e o mundo real. [...] Elas já tiram aquela fantasia do filme, veem que a realidade é muito diferente.

Chama a atenção, no processo de interação, a escuta do outro, de respeito a ele, a construção de pontes relacionais, configurando-se assim uma “pedagogia da hospitalidade” e, por consequência, abrindo-se os caminhos para o retorno (PERAZZOLO; SANTOS; PEREIRA, 2010, s.p.).

Uma outra forma de examinar essas pontes seria contrapondo respostas de turistas antes e depois da cavalgada: O que espera/deseja da cavalgada? / Como foi? Entretanto, antes de passar a examiná-las, cumpre ressaltar a brevidade das respostas obtidas, o que estaria atrelado à propria situação enunciativa: o foco na

cavalgada, a ansiedade de realizá-la, na saída; a satisfação de desejos, na volta – ambos os casos não fomentadores de conversações com a pesquisadora, as quais, ao que parece, viriam romper esse clima.

São aqui trazidas, no entanto, cinco exemplificações, as quais, comporão a Figura 14, sob a forma de um quadro. A indicação dos entrevistados é feita por meio da sigla STE (Sujeito turista entrevistado) seguida de um algarismo identificador dos indivíduos componentes do grupo.

Independentemente de ângulos diversos sob os quais se poderia examinar as manifestações dos Sujeitos, a atenção estará voltada especialmente para o foco destes em relação à cavalgada, nos dois momentos, tendo presentes ações, de parte do acolhedor, no sentido de ajustar-se às demandas dos turistas (o que não significa sempre concordância com elas) ao lado da observação de seu papel de, ao longo da trilha, prestar informações sobre a localidade.

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