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2.3 M´ecanismes attentionnels

2.3.2 Psycho-physiologie de l’attention visuelle

Ao definir sociedade em rede, Castells (2006, p. 20) diz que essa se configura como uma estrutura operada pelas tecnologias de comunicação e informação, sempre atualizadas. Essa sociedade em rede abrange várias linhas, sobretudo na área econômica, na qual influi grande impacto nas relações de seus consumidores e ao mesmo tempo é influenciada pelas práticas dessa sociedade. Em suas palavras:

A sociedade em rede, em termos simples, é uma estrutura social baseada em redes operadas por tecnologias de comunicação e informação fundamentadas na microelectrônica e em redes digitais de computadores que geram, processam e distribuem informação a partir de conhecimento acumulado nos nós dessas redes.

Sendo assim, quando a revolução da tecnologia da informação atingiu o mundo por volta dos anos de 1980, engatilhou uma reestruturação do sistema capitalista. Esse sistema, ao mesmo tempo que impulsionou o desenvolvimento de novas tecnologias digitais, se portou como usuário e difusor destas, incorporando os princípios do informacionalismo em suas práticas. Esses princípios valorizam o desenvolvimento tecnológico, o acumulo de capital de dados e informações e a rapidez nos processos, que se tornaram itens valiosos no ponto de vista operacional. Nesse panorama, a área econômica se tornou uma das grandes produtoras de cultura das massas, sobretudo vinculada às redes sociais em fixação de marcas e propagandas, já que “a economia baseada na Internet permite que o espetáculo seja um meio de divulgação, reprodução, circulação e vendas de mercadorias” (KELLNER, 2004, p. 5).

Nessa visão então, Castells (2006) define economia em rede como “uma nova e eficiente forma de organização da produção, distribuição e gestão, que está na base do aumento substancial da taxa de crescimento da produtividade […]”. Nessa ideia, acredita-se que tanto nos períodos de crescimento e difusão das redes de comunicação, quanto na propagação das tecnologias digitais de comunicação e informação, desde as primeiras apresentações dessas tecnologias até os dias de hoje, o mercado assumiu uma busca crescente de pessoal qualificado e disposto a encarar as rápidas mudanças. Houve a grande renovação por parte das propagandas cada vez mais focadas nas necessidades individuais, assim como uma organização baseada nas redes, que tem tornado possível a configuração de mercado demonstrada hoje. Nesse mercado, a informação tem valor tanto na gestão das empresas, quanto externamente, no relacionamento e na interação com os clientes, fornecedores e parceiros comerciais.

Partindo então desse ângulo, as inovações tecnológicas permeadas pelos estudos científicos nas universidades apresentam tecnologias tanto para produção, quanto para distribuição, comunicação e tudo mais necessário para transformar uma empresa local em uma organização competitiva em níveis globais. Essas renovações fomentaram a necessidade de pessoal qualificado para operar e manter as novas tecnologias. Pessoal este dotado de uma capacidade de adaptação aos diferentes meios tecnológicos que são modificadas com enorme velocidade e tudo isso assomado aos processos e projetos condizentes com a nova forma de organização baseada nas redes (CASTELLS, 2006, p. 20). Interessante salientar também que nesse cenário dos computadores na vida organizacional, as instituições de ensino começaram a ampliar a formação na área de informática, focando em operação e desenvolvimento.

Por outro lado, considerando as empresas e organizações que utilizam a Internet como ferramenta de vinculação e expansão das marcas, serviços e produtos, em uma questão ligada a propaganda e criação de material de divulgação das organizações em redes sociais, observando as organizações que mais se destacam no cenário mundial hoje, nota-se que essas fixam seus logotipos, produtos e promoções aos canais mais importantes, sobretudo utilizando o potencial de circulação de informação das redes sociais virtuais para gerir suas estratégias de venda e lucros. Como observado por Kelnner (2004, p. 6), essas empresas utilizam estratégias “para ser bem-sucedidas no ultracompetitivo mercado global, as corporações precisam fazer circular suas imagens e marcas para que os negócios e a publicidade se combinem nos mecanismos de divulgação […]”.

Nessa perspectiva então, o mercado tem se modificado para atender as exigências das comunidades online. Pequenas empresas acabam se unindo para ganhar alcance e significância a fim de se destacar no mercado, sendo possível compartilhar dos mesmos recursos tecnológicos em cooperação. Podem ainda ganhar mais espaço quando vinculam suas marcas na Internet, sobretudo nas redes sociais virtuais, como o Facebook, que dispõe de uma plataforma de divulgação voltada para empresas de pequeno e grande porte. Essas bases incorporam propagandas predefinidas que podem ser por imagens, texto e vídeos aos perfis dos usuários selecionados.

Nessa ideia, as grandes empresas, que também utilizam recursos de propagação e vinculação de suas marcas nas mídias, acabam se descentralizando dos grandes centros físicos de mercado. Essas empresas podem alcançar variadas localidades, tornando cada fragmento de si autônomo, porém ao mesmo tempo interligado, atuando e se propagando conforme o contexto, a localidade e as necessidades do seu público-alvo. Público esse que está sempre

atento aos projetos, serviços e produtos da empresa, levando a “transformar seus logotipos ou “trademarks” em pontos de referência conhecidos na cultura contemporânea” (KELLNER, 2004, p. 6), salientando que “o marketing de cada uma delas está sempre voltado à elaboração de um pacote de produtos capaz de induzir o consumidor a associar suas preferências às marcas por elas exploradas” (RÜDIGER, p. 24).

Vale ressaltar ainda que, nesses contextos citados acima, tanto as empresas grandes quanto pequenas organizações têm suas unidades físicas, cumprem suas obrigações legais e seus compromissos com as regularidades do estado na qual estão localizadas. Essas empresas mantêm suas propostas de acumulo de capital, operando em uma rede automatizada de negócios, buscando a automação de suas práticas e impulsionando os estudos e aplicações de novas ferramentas e tecnologias. Essas organizações procuram mão de obra qualificada de acordo com as exigências do trabalho, estudando novas fórmulas eficazes para divulgar, propagar e fixar suas marcas através de propagandas nas grandes mídias, especialmente nas redes sociais. Porém, toda essa autonomia não anula o papel do Estado que cria mecanismos de modo a gerar competitividade distribuída no campo econômico, já que, como salientado por Castells (1999, p. 203):

A nova economia afeta a tudo e a todos, mas é inclusiva e exclusiva ao mesmo tempo; os limites da inclusão variam em todas as sociedades, dependendo das instituições, das políticas e dos regulamentos. Por outro lado, a volatilidade financeira sistêmica traz consigo a possibilidade de repetidas crises financeiras com efeitos devastadores nas economias e nas sociedades.

Essa maneira com que sociedade em rede se relaciona com a economia em rede gera impactos não apenas no consumo e nos seus consumidores, mas no trabalho e nos trabalhadores, assim como nos processos de marketing, propagação das marcas e na produção cultural. Esses trabalhadores passam a ser cobrados tanto pelo conhecimento técnico de suas práticas, quanto pela capacidade de adaptação às novidades tecnológicas e, inclusive, pelas informações que possuem e passam a manipular no cotidiano. Colaborando com essa ideia, Lévy (1998, p. 21) diz que:

A empresa não é só consumidora e produtora de bens e de serviços, como quer o enfoque econômico clássico. Não se contenta em aplicar, elaborar, distribuir savoir- faire e conhecimento, como mostra a nova abordagem cognitiva das organizações. Deve-se reconhecer, além disso, que a empresa, com outras instituições, acolhe e constrói subjetividades.