• Aucun résultat trouvé

2.2 Approche de Marr

2.2.5 Notions compl´ementaires : reconnaissance des formes

Observando os históricos apontados nesse estudo, assim como a maneira de expectar o espaço da Internet é possível fazer uma conexão entre os fatos em si e os impactos que esses causaram na vida e relações humanas, sejam estas: sociais, políticas, econômicas, etc. Tanto os computadores quanto as redes de Internet se desenvolveram como promessas de melhoria e automação de diferentes processos, permeados pelo discurso de facilitação da vida cotidiana, simplificação e aproximação da comunicação, rapidez nos processos, liberdade de criação e adaptação programas e equipamentos, possibilitando expansão de práticas. Um exemplo disso está nos computadores que adentraram ao mercado pela perspectiva de realização de operações rápidas e com estimativas exatas, vendendo a ideia de que velocidade de processamento de dados ocasiona em maior produtividade, com maior confiabilidade dos dados nos resultados computados.

A produção desses computadores teve seu impulso tanto em desenvolvimento quanto em vendas motivadas pelas disputas das grandes e influentes empresas. Estas tinham como objetivo fomentar as inovações tecnológicas, já que passaram a investir no desenvolvimento tanto de tecnologias de novos hardwares quanto de potentes produtos de softwares focados em seus sistemas de negócios. Com essa prática ficou cada vez mais evidente que quanto mais eram apresentadas novas tecnologias acopladas ao computador ou aplicações em programas para solução de problemas específicos, mais mercado essas marcas conquistavam e mais inovações eram aguardadas. Esse costume é algo que figura ainda hoje, já que os usuários estão sempre à espreita de novas mudanças tecnológicas. Como visto por Castells (2003, p. 8), entende-se:

No final do século XX, três processos independentes se uniram, inaugurando uma nova estrutura social predominantemente baseada em redes: as exigências da economia por flexibilidade administrativa e por globalização do capital, da produção e do comércio; as demandas da sociedade, em que os valores da liberdade individual e da comunicação aberta tornando-se supremos; e os avanços extraordinários na computação e nas telecomunicações possibilitados pela revolução microeletrônica.

Dessa forma, como visto no breve histórico das primeiras redes físicas de computadores, a Internet surgiu de um apelo político americano por meio da necessidade militar de duplicar e distribuir dados que pudessem ficar geograficamente distantes e serem facilmente recuperados. Vale salientar também que as primeiras redes de computadores e manifestações

online da Internet, que ainda se denominava Arpanet, se moldavam através da colaboração de pesquisadores em laboratórios das universidades e departamentos militares de pesquisa, evidenciando a liberdade de criação entre os envolvidos. Como dito por Castells (2006, p. 17), “a história da Internet fornece-nos amplas evidências de que os utilizadores, particularmente os primeiros milhares, foram, em grande medida, os produtores dessa tecnologia”.

Nessa visão, a Internet se tornou popular ao usuário comum pela possibilidade de comunicação rápida com outros usuários a partir do envio de imagens, fotos, vídeos através dos e-mails, das mensagens instantâneas e outros softwares capazes de criar uma ponte de comunicação. Dessa forma, a organização de pessoas em redes sociais virtuais de diferentes contextos se tornou possível, onde essas “redes de tecnologias digitais permitem a existência de redes que ultrapassem os seus limites históricos” (CASTELLS, 2006, p.18). Esses limites históricos, como visto nas definições de redes sociais, eram particulares à vida privada das pessoas, comumente limitados a sua localização, poder de locomoção e influência social no grupo, já que as pessoas constituíam círculos de redes sociais com seus vizinhos, amigos do trabalho, da escola, da igreja ou de qualquer contexto no qual pertenciam. À vista disso, com a atualização do conceito de redes sociais passando a figurar na Internet através das redes sociais virtuais, entende-se que “sua lógica chega a países de todo o planeta e difunde-se através do poder integrado nas redes globais de capital, bens, serviços, comunicação, informação, ciência e tecnologia” (CASTELLS, 2006, p. 18).

Partindo então dessa ideia, em um ponto de vista social do uso das tecnologias, vale a pena ressaltar que as tecnologias digitais se tornam condicionantes e não determinantes nos processos humanos. Suas construções e aplicações não são neutras, levando a crer que as primeiras manifestações e anseios de uso delas figuram até hoje, condicionando usuários a criar métodos de uso, já que, como salientado por Lévy (1999, p. 26) “uma técnica não é nem boa, nem má (isso depende dos seus contextos, dos usos e dos pontos de vista), tampouco neutra […]”. Desse modo, compreende-se que as tecnologias digitais presentes no cotidiano, tanto das grandes organizações quanto de usuários autônomos, são permeadas pela ideia da liberdade e cooperação dos primeiros usuários e desenvolvedores. Estes são influenciados pelos processos econômicos, políticos e sociais, embora haja muito apelo da indústria midiática nesses contextos de uso das redes sociais.

Seguindo o que fora dito acima, essas tecnologias digitais são ainda popularizadas pela ideia da efetividade e rapidez das atividades desenvolvidas acarretando na confiabilidade dos dados resultantes, bem como na ideia da liberdade dos primeiros

desenvolvedores online. Essas práticas condicionam muitos usuários a acreditarem que as possibilidades da Internet e novas tecnologias digitais sempre serão renovadas através da aplicação de novas ferramentas e usos. Porém, esses usos não determinarão os impactos que as tecnologias causarão na vida e nas relações entre os usuários.

Levando essas informações em conta, o estudo das tecnologias como resultados da liberdade de desenvolvimento na cooperação de usuários e desenvolvedores e da aplicação de uma inteligência coletiva começam a figurar nesse contexto de criação. Tornou-se possível entender que o espaço virtual deu um novo suporte para o desenvolvimento de uma relação de cooperação entre estudos e pesquisas, já que a colaboração em comunidades de estudos se tornou viável. Esses desenvolvedores, pesquisadores e usuários passaram a trocar dados entre si e a cooperar em fóruns de discussões sobre novas práticas e técnicas, conduzindo o desenvolvimento de projetos e ferramentas de maneira cooperativa e colaborativa. Nessa perspectiva, como salientado por Lévy (1999, p. 24), a revolução tecnológica que a Internet e os computadores:

[…] encarna, por fim, o ideal de cientistas, de artistas, de gerentes ou de ativistas da rede que desejavam melhorar a colaboração entra as pessoas, que exploram e dão vida a diferentes formas de inteligência coletiva e distribuída.

Partindo dessa premissa é importante salientar que a maioria das transformações que a Internet sofreu ao longo dos anos são frutos de redes de colaboração de desenvolvimento. Essas redes são formadas por diferentes investidores, desenvolvedores, usuários de teste, usuários finais, sobretudo com as práticas de desenvolvimento baseados em Softwares Livres, com o intuito de cooperação entre todos os membros de diferentes formações em qualquer parte do mundo, que copiam, modificam, incrementam, testam e distribuem novas versões desses programas abertos. Então, como dito por Castells (2006, p.17), “a sociedade é que da forma à tecnologia de acordo com as suas necessidades, valores e interesses das pessoas que utilizam as tecnologias”. Portanto, se torna necessário conhecer e entender como se organiza essa sociedade em rede para então conhecer a cultura advinda dela, considerando os parâmetros econômicos, políticos e sociais que são propagados por usuários e organizações nas páginas e postagens das redes sociais virtuais.