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The Provincial Auditor Act

Dans le document Report of the Provincial Auditor (Page 175-193)

Uma característica interessante que se repetiu nas falas dos entrevistados é a questão comportamental, como os indivíduos são afetados positiva ou negativamente ao serem apresentados os resultados das escolas contempladas com o bônus. A questão da autoestima é reiterada pelos entrevistados, junte-se a isso, o sentimento de conquista ou derrota, e você vai ter, por um lado, escolas comemorando o sucesso de diversas formas, ou, por outro, amargando não terem conseguido alcançar as metas. Neste caso, ainda existe um desgaste “interminável”, onde se fica “remoendo” muitas vezes “o fracasso da escola” por um bom período de tempo, e se questionando: onde errou? O que houve durante o processo? Como se trabalhou tanto e exaustivamente e não se conseguiu o bônus?

Embora o discurso seja de que a escola não é só o bônus ou os resultados do IDEPE, as influências quase sempre são danosas. Porque, mesmo quando se ganha o bônus ou se atingem altos índices no IDEPE, o incentivo financeiro – a tal motivação – sempre reforça o modelo competitivo e de superação desses índices; não se olha outra coisa. Os descritores parecem orientar a dinâmica escolar: reprovação, desistência, presença dos pais, participação e empenho dos alunos na realização das avaliações externas são os principais desafios do gestor. Vale, desde um café da manhã, até uma versão compacta do bônus dentro da escola, com a distribuição de brindes para os alunos que se destacam com as melhores notas. Por outro lado, o que se tornou frequente nas falas dos gestores é o valor simbólico que a conquista do bônus e os resultados do IDEPE agregam, como: a valorização do ser humano (professores, gestores etc.), a escola referenciada a partir do sucesso de seu trabalho, dos seus métodos, apresentando para além de seus muros o quão significativo foram seus resultados naquela região, se qualificando, assim, para melhor educar a comunidade que está ali inserida. Nesse sentido, Freitas (2012, p. 1) nos remete à reflexão de que

Um dos grandes problemas das reformas educacionais contemporânea, em especial dessas baseadas em princípios empresariais, é a ausência de discussão e definição do que entendemos por uma “boa educação”. A questão está extremamente distorcida, sendo vista como sinônimo de notas altas em testes. Não existe nada no campo das ciências da educação que ampare tal crença. Do ponto de vista educativo, essa não pode ser a finalidade do ensino. Temos que ir mais além do que tirar notas boas nessa ou naquela disciplina. Também não podemos nos resumir apenas à elaboração de uma base nacional curricular especificando uma lista de conteúdos. Precisamos ter um projeto educativo para formação de nossa juventude como nação. A ênfase em provas cria concorrência e gera ganhadores e perdedores, o que não é compatível com os objetivos educacionais. Ao contrário do mercado, a educação só deve ter ganhadores. Por esse prisma, podemos observar que a proposta gerencial das bases dos princípios empresariais provoca o envolvimento da comunidade escolar a partir da perspectiva dos resultados, e que isso, nos mostra o autor, não pode ser o fim último da educação.

Já boa parte dos professores reitera que a rotina da escola se intensifica em torno do bônus; embora se reconheça que o IDEPE é importante, se enfatiza que a funcionalidade dele está comprometida em função do próprio bônus e o “mascaramento dos índices”, significando que o IDEPE não cumpre mais sua função pedagógica que seria orientar através dos indicadores as necessidades educacionais da escola.

G3ER: Primeiro a gente tem uma influência que a gente pode dizer,

positiva, no sentido de que alguns professores tem uma preocupação melhor em visualizar, no sentido de que como a nossa escola esta sendo vista né? Como o trabalho do professor cotidianamente tá sendo visto, e tem o aspecto que a gente pode considerar negativo, que é da competitividade que se gera, entre às vezes, o clima da escola, e entre outras escolas – “a tua escola zerou!” Será que aquela escola, ela não produziu nada durante o ano todo pedagógico? Seus projetos, suas vivencias, a presença da família na escola, seus projetos né? Pedagógicos, suas ações dia a dia, sua formação, isso não serviu pra nada?! Então, eu acho às vezes que a meta, ela fica um pouco injusta com ralação a isso aí. Por isso que eu coloquei que vejo com um olhar um pouco negativo nesse sentido.

P15EQ: As influências... Veja só: a gente trabalha hoje – como já foi

mencionado – a questão de sempre o atingir essas metas. Isso acaba influenciando nas nossas atividades né? Diárias. Sempre, sempre a gente diz: vamos trabalhar, porque a gente precisa alcançar o índice de desenvolvimento né? A gente precisa atingir aquela meta. Trabalhamos! Trabalhamos! Trabalhamos! Mas às vezes ocorre de não... Não dá certo, não atingir.

Ainda no que se refere às influências do Bônus e do IDEPE na rotina da escola, as respostas parecem bem conflitantes – acreditando-se que a postura da escola e dos profissionais (gestores e professores) que lá estão se balizam pela ética e pela funcionalidade desses instrumentos; se por um lado há certa congruência no que se fala da racionalidade e do diagnóstico que a escola se apropria e utiliza para mudança de estratégias e métodos de ensino aprendizagem para que o aluno “aprenda de forma integral”, por outro, o direcionamento dessas mesmas estratégias de ensino está voltado unicamente para o êxito das provas externas e consequentemente o ganho do bônus e a elevação do status da escola na comunidade escolar. Além disso, a desresponsabilização do Estado se retrata no chão da escola através da cobrança generalizada por resultados.

Isso significa maior segregação escolar e riscos a populações mais pobres e às que necessitam de cuidados especiais. Estamos nos aproximando de políticas que, em nome da valorização do professor, vão – de fato – desmoralizá-lo com base em avaliações, processos de certificações e pagamento de bônus, combinado com um intenso apostilamento da prática docente. Isso conduzirá a uma desqualificação do educador (FREITAS, 2012, p. 2).

Outra questão é que para se chegar ao resultado satisfatório e consequentemente ao bônus, se cogita a possibilidade de algumas escolas estarem maquiando resultados, aprovando alunos sem a mínima condição necessária de seguir em outro grau de ensino, para manter os índices e atestar cem por cento de bom resultado. Essas questões, para muitos, põem em

“xeque” as questões de qualidade e quantidade dos egressos do ensino público estadual, bem como a veracidade dos resultados obtidos pelas escolas. Esse quadro também já foi retratado em outras pesquisas11 sobre a atual política de educação do Estado de Pernambuco.

O sentido de modificar os resultados não se restringe às provas, mas aos dados do fluxo escolar, no sentido da aprovação dos alunos, nesse caso, a aprovação automática, para que as reprovações não repercutam nos índices e acabem por refletir no recebimento do bônus (MELO, 2015, p. 117).

Ainda no campo pedagógico, muitas atividades que antes eram realizadas pelas escolas, e que de certa forma contribuem para formação do educando, foram negligenciadas ou deixadas em segundo plano, além de prover um ambiente competitivo entre professores, muitas vezes execrando colegas de trabalho e culpabilizando de forma brutal os professores de português e matemática pelo fracasso da escola. Neste sentido, a formação continuada para esses professores acaba sendo estratégia de como “treinar” o aluno para as avaliações. Para Nascimento (2015, p. 85), é possível agrupar as concepções acima como de crítica à ideia de melhoria da educação pública via política de modernização implantada. Maquiagem, marketing, treino para elaboração da prova... Desta forma, mudam-se os fins e justificam-se os meios para se adequar às políticas “educacionais” estabelecidas pelo governo. [...] “avaliar é preciso! É preciso identificar até onde os objetivos de aprendizagem estão sendo alcançados. O problema é novamente de forma e não de conteúdo” (MELO, 2015, p. 117).

Assim, subjazem as formas autênticas e democráticas da escola pelas ações racionalizadas e de cunho corporativo fundadas no campo empresarial.

G3ER: [...] Eu vejo que existe um olhar, às vezes, muito para simplesmente

o resultado né? Por si só. [...] Então, eu acho que houve essa mudança nesse aspecto aí, então as pessoas estão muito mais preocupadas no resultado que vai ter do IDEPE e prepara o aluno simplesmente para aquela prova, e esquece que tem uma formação como um todo pra ser vivenciada.

P4EP: Há uma mudança né? Antes a gente se procurava mais em trabalhar

da seguinte forma... Deixa eu ver se me coloco melhor: a gestão hoje também ela é avaliada! né? E quando a escola vai bem; tá tudo bem! Bem da seguinte forma: por números! Então, tem que tá mostrando aquele resultado, como eu falei, eu tô me referindo à Escola de Referência, porque nós somos avaliados diuturnamente e onde eu tenho que tá mostrando e prestando números daquela situação. E eu vejo o seguinte: como alcançar “a situação”, hoje à maioria da gestão chega e diz: ó! Tem que melhorar! Tem que melhorar! De uma forma a outra, sendo mais claro, mais objetivo, é uma forma de você dizer assim: “eu quero que maquie; mesmo não sendo a

realidade!” E eu não vou querer cair nos índices, minha escola não vai querer tá aí, tá certo? Em números negativos, quando isso é uma realidade.

Como vimos, as influências que foram evidenciadas a partir da implantação do modelo de gestão gerencial trouxeram mudanças significativas na dinâmica escolar e rotina pedagógica da escola. Isso

Significa, por exemplo, imaginar que, se inserirmos a escola pública no mercado, a concorrência se instala e o “produto” melhora. Ou propor que o pagamento dos envolvidos passe a ser feito com base na produção. Isso não funcionou em nenhum lugar do mundo. Note: já foi experimentado a exaustão e não deu resultados significativos. Se você colocar um empresário para pensar a educação, é natural que ele responda com os recursos teóricos que tem. Mas o debate sobre esse assunto exige profissionais específicos (FREITAS, 2012, p. 1).

Percebe-se, assim, que a plataforma onde se assentam as proposições do trabalho fabril e a organização empresarial parece-nos estar em desacordo com um dos preceitos fundamentais dos processos democráticos que é a participação efetiva das pessoas, haja vista que os processos decisórios apregoados na administração das empresas estão orientados quase sempre pelas exigências do mercado e a eficácia na produção. Por esse prisma, torna-se incompatível com as ações pedagógicas fundadas no diálogo como objeto precípuo da educação e da gestão democrática.

Dans le document Report of the Provincial Auditor (Page 175-193)