CHAPITRE IV. Méthodologie et modélisation hydrologique
1. Protocole d’analyse de sensibilité au forçage pluviométrique
5.1. Mobilizar Competências… Contributos de Leininger e Meleis
A intervenção comunitária é, para diversos autores, um trabalho a desenvolver com os grupos comunitários. Para Matos (2007: 39) “é um trabalho que deve partir daspessoas (necessidades e expectativas, saberes e opiniões), aceitar que as pessoas conhecem melhor a sua situação que os técnicos; valorizar raízes culturais; trabalhar com as pessoas como iguais, validar a experiência das pessoas e a partilha como forma de aprendizagem; partilhar conhecimentos, explorar atitudes e treinar competências; aceitar e reconhecer as implicações da diversidade; reconhecer as influências políticas e sociais na mudança de comportamentos e estilos de vida; identificar o que as pessoas podem fazer para se proteger e desenvolver.” Perkins e Zimmerman (1995) com base
na filosofia do emporwerment sublinham a importância dos profissionais trabalharem com as comunidades, como colaboradores ou facilitadores, “num processo de
aprendizagem mútua que promove o desenvolvimento de conhecimentos e o fortalecimento das competências dos cidadãos no sentido da sua autonomização”(cit in
ORNELAS, 2008: 55). Promover o empowerment das populações, desenha um fio condutor ao encontro das sugestões da Carta de Ottawa (1986), Declaração de Jacarta (1997) e Carta de Bangkok (2005), face á Promoção de Saúde.
Efectivamente, a Promoção de Saúde como instrumento de capacitação das pessoas e comunidades para modificar determinantes de saúde em benefício da qualidade de vida, requer o desenvolvimento de competências dos profissionais.
O enfermeiro especialista em enfermagem comunitária e saúde pública é um elemento chave na aproximação à comunidade e na identificação de diagnósticos de saúde. De facto o exercício dos cuidados de enfermagem, têm como âmago a relação interpessoal entre o enfermeiro e a pessoas, ou um grupo de pessoas (família ou comunidade). Através da relação interpessoal os enfermeiros promovem projectos de saúde, “a
aprendizagem de forma a aumentar os recursos, pessoais, familiares e da comunidade para lidar com os desafios relacionados com a saúde” (NABAIS, 2011:48).
Segundo disposto no artigo 4º do regulamento nº 1281, publicado no Diário da República 2ª Série nº 35, de 18 de Fevereiro de 2011, relativo ao Regulamento das Competências Específicas do Enfermeiro Especialista em Enfermagem Comunitária e de Saúde Pública, são competências específicas “estabelecer, com base na metodologia
do planeamento em saúde, a avaliação do estado de saúde de uma comunidade; contribui para o processo de capacitação de grupos e comunidades; integrar a coordenação dos Programas de Saúde de âmbito comunitário na consecução dos objectivos do Plano Nacional de Saúde e realizar e cooperar na vigilância epidemiológica de âmbito geodemográfico.”
A mobilização das competências a cima descritas permite a aproximação efectiva aos grupos e à comunidade, o entendimento profundo do diagnóstico centrado nas necessidades de saúde identificadas, o encontro de respostas adequadas, num exercício contínuo de capacitação de processos de tomada de decisão das populações face à sua saúde.
A proximidade à população corresponde a uma preocupação efectiva e sentida, estar com as pessoas em diversos contextos, associações ou organizações comunitárias, cafés e ou outros espaços de encontro. Este envolvimento torna o enfermeiro a par das pessoas, tornando-o parte integrante da comunidade, estando numa posição estratégica de acompanhar a construção do projecto de saúde individual e ou comunitário. O sentimento de que o enfermeiro faz parte do grupo aproxima as pessoas que informalmente requerem apoio/mediação nas escolhas de saúde.
MATTOS (2001) define vulnerabilidade social, relacionando vulnerabilidade com
“processos de exclusão, descriminação e enfraquecimento de grupos sociais ou comunidades” (cit in SANCHEZ, 2007: 5).
Neste sentido, o investimento no diagnóstico de saúde com vista a minimizar aos factores de vulnerabilidade das comunidades, potencia uma intervenção concertada e centrada nas necessidades. O investimento no emporwerment comunitário, potencia mudanças reais no bem-estar das populações, implicando no seu desempenho económico e social, com impacto a longo prazo no desenvolvimento humano, em sociedades prósperas na acessibilidade e igualdade de oportunidades.
Efectivamente, ao nível da gestão operacional, no planeamento e construção de projectos de intervenção, em contextos de vulnerabilidade o desafio à enfermagem, prende-se na gestão da diversidade multicausal, no encontro de reais motivações face à saúde. O enfermeiro pelo facto de acompanhar o decorrer do projecto de saúde de cada indivíduo/grupo ou comunidade é um elemento por excelência para mediar escolhas de saúde. O enfermeiro é quem, por eleição, caminha com as pessoas, partilha necessidades, desvenda motivações e participa na tomada de decisão, do projecto de saúde a definir, a construir.
Na intervenção de enfermagem em contextos de vulnerabilidade e de multiculturalidade é indispensável referir LEININGER e o seu Modelo Sunrise, enquanto guia orientador na prestação de cuidados culturalmente adaptados. O modelo, surge como “mapa
cognitivo, que explica a interacção entre as estruturas culturais e sociais, o meio ambiente, a linguagem e a etnicidade”(ABREU, 2008: 75). Os contributos de
LEININGER no planeamento de intervenções de promoção de saúde em contextos multiculturais são fundamentais, nomeadamente na percepção das interacções das estruturas que caracterizam as comunidades. Estas interacções, que resultam muitas vezes em processos de vulnerabilidade social, implicam na visão da promoção de saúde. Efectivamente, o empowerment das comunidades é na generalidade a aposta adaptada que conduz à mudança, a processos de transição. Esta perspectiva intersecta contributos do Modelo de LEININGER e de MELEIS. De facto, trabalhar a vulnerabilidade social é trabalhar/negociar a mudança/ a transição, é uma vasta área de intervenção para a enfermagem, porque assistir a processos de transição é participar no projecto de saúde.
“Nurses deal with people who are experiencing transition, anticipating transition, or completing the acto f transition (…)Transition requires the person to incorporate new knowledge, to alter behavior, and therfore to change the definition of self in social context” (MELEIS, 2005: 108). Em cenários de vulnerabilidae, a Promoção de Saúde
como instrumento de capacitação das pessoas e comunidades para modificar determinantes de saúde em benefício da qualidade de vida, implica não só a parceria das
ciências e dos profissionais das áreas humanas e da saúde na prática diária, mas também na aposta e investimento na educação e desenvolvimento de competências culturais dos profissionais e estudantes. Ser culturalmente competente, permite uma prestação de cuidados adaptada, permite uma resposta efectiva às necessidades reais das comunidade.