2. Les principales politiques de l’État à intégrer dans le PLU
2.7. La protection et la gestion de la ressource en eau
Em entrevista com um dos emigrantes esperancense, quando lhe questionei sobre os motivos que tantos deles retornavam durante as festividades de final e meio do ano, ou em
ocasiões outras como as eleições ou a Fercomércio3, que em setembro de 2011 atraiu muitas pessoas de Vila São Luís. Ele apontou uma importante reflexão sobre estes retornos, um sobressalto analítico quando me comunicou:
Você já fez entrevista com tudinho (sorrio), tudinho vai? Aqui o pessoal vai mais (em Vila São Luís), mas os que nunca foram, tu não fez entrevista ainda não, mora lá na Vila Ideal (bairro de Duque de Caxias - RJ), outros moram lá na Pavuna (bairro do Rio de Janeiro - RJ), que veio e não foi mais. Eles se acomodaram dos dois tipos, financeiro e falta de interesse. Quando o cara se anula, entende, ele não vai mais. Eu tenho um primo em São Paulo que faz uns vinte anos que ele foi e não voltou mais, casou com uma mulher de lá, arrumou uma porrada de filhos, o que ganha só dá pra despesas e só vivi a vida assim. (Givanildo, 31anos).
O emigrante de Esperança apontou algumas questões que envolvem as
particularidades de morar em Vila São Luís. O que há de singular entre estes migrantes no bairro, que geralmente retornam e outros bairros que não há uma maior freqüência de retorno. A partir de sua fala, e outras constatações no campo, observo que há implicações deste
retorno na condição destes, como imigrantes no Estado do Rio de Janeiro e em particular no bairro de Vila São Luís. O migrante aponta que a incidência de emigrantes esperancenses, que retornam durante as festividades, são geralmente aqueles que moram em Vila São Luís, diferentes dos outros que se encontram em outras localidades, onde provavelmente este retorno não deve ser tão comum.
A sua constatação é que as motivações para retornar as festividades são possíveis mediante o interesse, primeiramente, e as condições práticas para que este retorno ocorra (ter uma economia). Portanto, o interesse de retornar as festividades esta ligado a um interesse maior, que movem muitas das expectativas do imigrante e como mencionou: quando o cara se anula, entende, ele não vai mais. Deste modo, o retorno às festividades na cidade de origem, internamente, promove um postura do imigrante frente à sociedade que o recepciona e aos seus conterrâneos imigrantes. E, a forma de manter os vínculos com a localidade de origem (o retorno temporário) também é um meio que promove a visibilidade interna ao grupo. Uma vez que, se anular enquanto pessoa no interior deste advém do seu
desprendimento para com a sociedade de origem, que se expressa quando este não retorna as festividades.
3 A Fercomércio é uma feira de comércio, indústria, serviços e artesanato. Em 2011, ocorreu nos dias 16, 17 e 18 a segunda Fercomércio. O evento que é uma realização da Prefeitura de Esperança com o patrocínio do Ministério do Turismo, que procuram por meio da feira, movimentar o comércio do município, montou “stands” com exposição de artesanato e produtos e serviços do comércio, e promoveu shows de bandas de forró e de pagode, o que em particular atraiu os emigrantes da cidade em Vila São Luís.
Quanto também à fala do emigrante, ele aponta o caso do seu primo, também de Esperança que mora em São Paulo, ele inicialmente teve uma atitude não muito bem vista pelos emigrantes esperancenses em Vila São Luís, casou-se com uma mulher não
esperancense, que não é da sua localidade de origem. Além disso, teve vários filhos com ela, todos estes fatores, apontam a impossibilidade do retorno definitivo e o desinteresse dos retornos temporários. O que acarreta, segundo os migrantes, numa anulação, e esta perpassa por um sentimento de auto-estima, de perseverar economicamente o que recai sobre o status do indivíduo. Como coloca Sayad (1998), a condição de imigrante apenas é admitida
enquanto provisória e vou apontar como este provisório se manifesta, antropologicamente, no grupo estudado.
Em Vila São Luís, observei que o fato de não ter uma relação estável, ser casado, foge a dinâmica mais geral dos emigrantes esperancenses no bairro. Mesmo os emigrantes de Esperança mais jovens em Vila São Luiz do sexo masculino, que vêm para trabalhar no Sacolão ou Ferro Velho, não passam muito tempo solteiro. O casamento, ou a constituição de uma família entre eles, é fundamental no novo contexto, para muitas vezes sair da casa de um parente e montar sua própria residência e ter o apoio de uma companheira no contexto, quando estão distantes do núcleo familiar mais amplo e, também, por não haver um grupo de solteiros, não ter espaço de sociabilidade para estes no interior dos casados. Ser casado está, também, relacionado à credibilidade e status dos homens no grupo e não há mulheres solteiras que emigraram, apenas as filhas dos migrantes. Já que a migração para Vila São Luís se encontra relacionada às atividades de Sacolão e Ferro Velho, basicamente masculinas.
Em uma das festas que estavam organizando, um aniversário, eu perguntei quanto poderia contribuir (financeiramente), e um dos migrantes que tava organizando, me falou que a divisão era entre os casados, por família, e neste caso eu fui visto como alguém da família da casa das pessoas onde estava hospedado. Nesta ocasião, minha condição de adulto parecia incompleta ou deficiente, esta apenas se tornaria plena, com o casamento. Observei que o homem solteiro tem uma participação e um status menor no interior do grupo. Quando este é jovem ele se estabelece junto a outros grupos familiares, por ter um parentesco ou uma relação de trabalho com a pessoa que o hospeda. E, quando continuam solteiros, com uma idade a cima do que se espera um homem casar, atribuições negativas são a estes relacionadas como, irresponsável e desorganizado. Observei dois casos entre os migrantes que
correspondem ao que mencionei, são solteiros com mais de quarenta anos. O que estes tinham em comum era o fato de não terem retornado há muitos anos, nos período das festividades à
Esperança. E, o não retorno se relaciona com o status do indivíduo no grupo, que corresponde àquelas pessoas que se “anulam”. Na medida em que este “se anula”, para cidade de origem, também “se anula” em parte para o grupo de migrantes. Se anular está relacionado a não construir um patrimônio, ou bens, que lhe possibilite retornar para as festividades. Marcar para os conterrâneos, que sua atitude de emigrar correspondeu ao que se espera na cidade, daqueles que regressam, um patrimônio, uma trajetória bem sucedida e isto inclui também a família.
Em conversa com um destes emigrantes mencionados, ele me falou que anteriormente retornava à Esperança durante as festividades e numa destas ocasiões casou, mas o casamento não foi bem sucedido. Ele chegou a dizer que esta mulher com quem teve filhos “arruinou sua vida”. Quando questionei o porquê há tantos anos não retorna para Esperança, ele me falou que só voltaria quando tivesse juntado uma economia. Pois, para voltar sem esta economia ele não voltaria, nem a passeio. Este migrante em particular, pelo que pude observar, tem uma renda até mesmo superior a outros migrantes, que retornam às festividades, mas a prática dos jogos de azar e o consumo de bebida alcoólica os impedem de montar uma economia. E, isto provavelmente se encontra relacionado à sua baixa auto-estima. Deste modo, constato que o retorno, também, é uma ocasião que funciona como motivador, na condição de imigrante. A medida que o migrante prospera na localidade de destino, na sua condição de imigrante, mais ele tem o interesse de voltar e o retorno também funciona como motivador de uma postura financeira mais destemida, empreendedora e de sua auto-estima diante dos comuns e da vida.
Em conversas com uma senhora em Esperança, ela me contou um caso que ocorreu com seu sobrinho, que havia emigrado de Esperança. Numa ocasião, uma pessoa também da sua família havia o encontrado num bar no Rio de Janeiro, consumindo bebida alcoólica, na sua expressão, “tomando uma”. Segundo o que lhe comunicou esta pessoa, ele aparentava muito triste e cabisbaixo, lhe foi questionado sobre os motivos, ele respondeu que era saudade da família e vontade de retornar. No entanto, não ia decepcionar a família, pois não havia feito economia durante o tempo que lá se encontrava e não iria voltar sem nada (sem nenhum valor financeiro). Muitos dos emigrantes, em Vila São Luís, têm uma preocupação com a forma como as pessoas os percebem durante o seu retorno. Segundo eles, ao retornar estes esperam que o migrante tenha agregado a si, seja um valor econômico visível no que este pode demonstrar nas roupas que veste, automóveis ou outras elementos menos tangíveis, como as experiências narradas, algumas habilidades ou até mesmo sua performance que envolve uma forma de falar “carioca” e da expressividade corporal. Muitos dos imigrantes
buscam corresponder a estas expectativas. Vejamos o que mencionou alguns emigrantes de Esperança, que moram em Vila São Luís, sobre as expectativas que segundo eles os seus conterrâneos, em Esperança, esperam destes:
Os cariocas que chegarem lá têm que provar que tem muita linha na agulha, o povo vive bem lá. Sei que quando parava aquele ônibus da Itapemirim diziam Virgem Maria, chegou um monte de carioca, o povo fazia festa. (Nivaldo, 46).
Quando fui passeia lá, fui sair para o mercado, do jeito que tava em casa, aí minha mãe falou, vai se arrumar, se não o pessoal vai pensar que você tá na miséria lá no Rio de janeiro. (Dalva, 45).
As expectativas forjadas na localidade de origem dos emigrantes são, também, mantidas pelos mesmos emigrantes esperancenses ao retornar para as festas. Estes mantêm preocupações sobre a forma que seus conterrâneos vão lhes classificar, como aquele que é um mal sucedido ou um bem sucedido. E, esta preocupação demonstra os vínculos afetivos do migrante com a localidade de origem e funcionam como um mecanismo que promove a motivação para o trabalho e a estabilidade financeira. O emigrante em Vila São Luís que se “anula”, é aquele que evita retornar e não corresponde o que a sociedade de origem deles espera, ou o que ele objetivava transparecer que pode fugir as suas condições reais. Desta forma, o retorno temporário está relacionado com o status do interior do grupo, a medida que ele pode prosperar economicamente pode mais vezes retornar. E, anula-se, é se tornar menos voltado as obrigações e ao trabalho. Quanto mais o migrante está voltado aos vícios, e menos a família e ao trabalho, mais dificuldades ele terá em se deparar com a sociedade de origem, que parece lhe cobra uma postura de bem sucedido.