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Chapitre 2 Revue de litt´ erature

2.1 Polym` eres semiconducteurs

2.1.3 Propri´ et´ es optiques

A leitura dos 13.460 artigos foi o ponto de partida para este primeiro levantamento, cujo objetivo era identificar os principais eixos estruturais em que as notícias se apoiavam. Sendo o procedimento de matriz interpretativa, houve necessidade de vários começos e recomeços, até que se firmou um eixo comum, que pudesse ser aplicado uniformemente aos artigos. Percebeu-se que os tópicos principais de cada notícia poderiam servir de guia para a primeira classificação. Chegou-se a um total de 15 classificações, sendo uma delas o descarte, já apresentados na Tabela 10.

A seguir, uma avaliação de cada uma das classificações, exceto pelas Editoras, Lançamentos e Resenhas, que serão comentadas com mais profundidade nos tópicos seguintes.

◆ Agentes Literários: concentra-se basicamente nas notícias geradas pela agência literária mais conhecida do mercado nacional, a BMSR. Em termos de aprendizado, vê-se que a figura do agente cresce conforme o mercado se torna mais profissional, ou seja, as questões legais se   ɪ ɴ ɪɴʀɪ ʀɪɪ 

tornam mais complexas, a necessidade de triagem de um cenário de superoferta de originais se torna necessária, e as relações entre autor e editora se tornam mais distantes pela dinâmica de velocidade do mercado;

◆ Autor: Os artigos giram em torno de obituários, notícias de autores assinando contratos para lançamento de livros e entrevistas. Com raras exceções, a cobertura é sempre relacionada a autores prestigiados, não necessariamente best-sellers. Estes só são citados quando batem recordes de venda ou assinam contratos com adiantamentos fantásticos, tipo de notícia que a imprensa costuma gostar. O curioso é que muitos autores reclamam da falta de espaço à literatura, mas a cobertura é proporcionalmente muito favorável aos literatos; ◆ Cursos: Aqui se percebe um claro movimento de busca por aperfeiçoamento e

profissionalização do mercado, com a oferta cada vez mais alta de cursos, frequentemente oferecidos pelas próprias associações de classe. Mas há dois movimentos bastante distintos a serem registrados Um está no surgimento de cursos voltados aos diretores e gerentes, com currículos levemente inspirados nos cursos oferecidos em Stanford, Nova Iorque ou St. Gallen, o que parece indicar um processo gradual de profissionalização das editoras brasileiras, hoje ainda familiares em ampla maioria. Uma outra linha, porém, está voltada ao aperfeiçoamento da mão-de-obra das editoras e principalmente a curiosos interessados em entrar no mercado. É aqui que se percebe a baixíssima qualificação das editoras (no geral - é importante frisar isto), pois são cursos muito básicos, com conteúdo primário de marketing, de processo editorial e design.

◆ Feiras/Eventos: Novamente aqui é necessário dividir três grupos grandes de ”feiras". Há as bienais de livros, grandes eventos cada vez mais voltados ao mercado consumidor, público esse que, segundo consta em alguns artigos, não freqüenta livrarias. Pequenas editoras reclamam do custo de participar das bienais e, por esta razão, têm formado associações entre si para poderem participar. Na outra ponta, há as feiras de livro internacionais, voltadas para o contato da cadeia editorial, como é o caso da Feira de Frankfurt, onde ocorrem os grandes negócios, os leilões de compra de originais e as parcerias internacionais. E, finalmente, há as feiras literárias, onde o foco são os escritores mais prestigiosos, funcionando como contraponto às Bienais (mais comerciais), como é o caso da Festa Literária Internacional de Paraty, mas também muito importantes para o contato entre pares e autores, já que são eventos pequenos em termos de porte, facilitando a interação dos agentes. É notável,

também, que todos estes eventos trazem muita mídia para um universo de leitores muito pouco interessado em livros e/ou literatura.

◆ Governo: A primeira constatação a ser feita é quanto ao peso da categoria; ela representa quantitativamente metade do que representa o centro do estudo (a categoria "Editoras"). A importância do governo (federal, na grande maioria das matérias) para o mercado editorial é inegável. Grande parte das matérias trata das articulações do governo brasileiro para estruturar a cadeia editorial, objetivando uma futura Lei do Livro e uma política para o livro. É interessante notar que não se sabe o que essa lei significará, pois não são explicitados seus objetivos efetivos. Só este tópico já daria um bom estudo sobre políticas públicas, mas por hora fica registrada a importância do governo como agente da cadeia, o que será novamente destacado quando forem analisadas as editoras e suas orientações estratégicas.

◆ Gráficas/Papel: O setor de papel passa por forte movimento internacional de concentração, mas sem efeitos graves na indústria nacional ou, pelo menos, sem a cobertura deste problema nos textos. Há, pelo contrário, maior oferta de tipos de papel e aumento na qualidade. A indústria gráfica, por sua vez, reverteu uma crise que levou à quebra de muitas empresas no início da década de 1980. Além da entrada das grandes empresas internacionais, especializadas na área de livros, como a "R. R. Donnelley" e a "Quebecor", houve um investimento muito forte em tecnologia, o que reverteu uma balança comercial deficitária em superavitária. O principal efeito destas mudanças foi a sensível melhoria na qualidade dos livros nacionais. Há, inclusive, algumas ousadias gráficas nunca antes presentes nos títulos nacionais.

◆ Imprensa: A categoria não possui grandes ligações temáticas. O que parece se destacar é a eterna cobrança da imprensa por maior espaço à poesia, o crescimento dos portais e revistas sobre literatura no Brasil e os efeitos crescentes da internet não só na divulgação da literatura, mas também sobre uma nova geração de leitores e escritores.

◆ Peers/Associações: Há quatro grandes associações que aparecem nos dados: a Câmera Brasileira dos Livros (CBL), que representa toda a cadeia editorial (editoras, distribuidoras e livrarias fundamentalmente); o Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL), entidade de classe que representa os editores e publishers - que se confundem no Brasil; a Academia Brasileira de Letras (ABL), que no Brasil é uma entidade menos literária e mais   ɪ ɴ ɪɴʀɪ ʀɪɪ 

política principalmente pelo prestígio que atrai; e finalmente, a Liga Brasileira das Editoras (LIBRE), uma associação de cerca de 50 pequenas e médias editoras que se sentiam mal- representadas tanto pela CBL quanto pelo SNEL, apesar de grande parte delas ainda pertencerem às duas últimas. A CBL fica em São Paulo e organiza a Bienal na cidade, que reveza, a cada ano, com o Rio de Janeiro, cuja Bienal é organizada pelo SNEL. A LIBRE também tem sua ”bienal anual”, a Primavera dos Livros. Além das bienais e de alguns eventos para os associados, o principal interesse das associações, demonstrado pelos artigos, é influenciar o governo federal em estimular o mercado, em especial, na formulação da nova Lei do Livro. O discurso fala que a “CBL deve ser um agente aglutinador e gerador de propostas para ampliar o mercado. Externamente, deve estimular a leitura e participar da vida cultural do País, assumindo a importância que o livro tem” (O Estado de S. Paulo, 26/ fev/2003). Na prática, buscaram influenciar na desoneração da cadeia do livro (que abaixaria os preços dos livros, mas que acabou não ocorrendo, como veremos) e pressionar o governo a comprar mais livros e financiar o setor (com resultados parcialmente alcançados, especialmente para as grandes editoras). A LIBRE, por sua vez, se institucionalizou como porta-voz das pequenas editoras voltadas à literatura. E, por fim, nota-se certa divisão entre o SNEL e a CBL em termos de posicionamento, com o SNEL representando mais as tradicionais editoras cariocas, com uma atuação mais discreta, e a CBL com representatividade mais ampla, representando mais a cadeia como um todo.

◆ Prêmios: Prêmios literários são grandes magnetos de mídia, em especial os mais cobiçados, como as premiações internacionais "Pulitzer", 'Man Booker", "Juan Rulfo", "Camões", "Nobel", ou as nacionais "Jabuti" e "Portugal Telecom". Com exceção do prêmio "Jabuti", que possui diversas categorias e é bancado pela CBL, todos os demais são voltados ao autor, e não à editora, e direcionados ao prestígio, diferentemente do Oscar, por exemplo, onde o sucesso em vendas pesa na decisão. Algumas editoras, contudo, se utilizam dos prêmios literários como forma de atração de novos autores, já aliada a uma rápida "consagração" - no sentido bourdiano do termo (Bourdieu, 2002). As editoras se beneficiam indiretamente dos prêmios, que valorizam os autores premiados ou mesmo os produtos (há prêmios às melhores capas, traduções e edições, no caso do "Jabuti'). É curioso notar que os prêmios literários no Brasil têm efeito marginal em vendas - diferentemente de outros países - e,

exceto pelo "Jabuti" e mais recentemente pelo 'Portugal Telecom", são virtualmente desconhecidos do público.

◆ Sociedade: Além dos pontuais trabalhos de ONGs, que distribuem livros entre crianças ou eventualmente coletam livros usados para comunidades desfavorecidas, a questão das bibliotecas é central na temática desta categoria. Os governos gastam muito pouco com bibliotecas, dependendo quase que exclusivamente de doações de empresas para ”equipá-las”, ou seja, dotá-las de livros. Na Alemanha, sabe-se que 30% da primeira tiragem de um livro normal (não um best-seller) são adquiridos pelas bibliotecas públicas. Os planos governamentais sempre incluem ”interesse em” melhorar as condições das bibliotecas nacionais, mas muito pouco acaba sendo feito. Para complicar, mudanças de governo significam paradas e alterações em projetos que necessitariam continuidade

◆ Varejo/Atacado: As principais tendências observadas são: expansão das redes de livrarias, crescimento das vendas virtuais e de livros usados e profissionalização do varejo e da distribuição. É interessante notar que, para um mercado em retração, como os números oficiais indicam, o varejo tem se expandido muito rapidamente, na contramão, portanto, do que os dados indicam. É igualmente notável que o modelo ”correto” de loja não está estabelecido: há grandes cadeias que vendem CDs e DVD's também (Cultura, Argumento e Travessa são exemplos), outras que também incluem papelaria (Saraiva, Nobel, Curitiba), as que vendem eletrônicos (FNAC) e outras que se tornaram exclusivamente livreiras (Siciliano, Martins Fontes). Não se percebeu diminuição do número de livrarias independentes, mas sim reposição e mudança: lojas de rua migraram para os shoppings e as sobreviventes passam por profissionalização (caso da Livraria da Vila, que foi vendida a um executivo). Houve também expansão do número de sebos nas cidades grandes, mas não é reportada, nesta base de dados, expansão do varejo para novos mercados, exceto para a Nobel que, por meio de franquias, já chegou a Macapá, Espanha e Portugal. É interessante notar que não houve ainda internacionalização da área de varejo, fenômeno que ocorre entre as editoras e praticamente em todos os outros setores do varejo nacional (como supermercados e materiais de construção). O atacado, entretanto, sofreu fortes alterações. Com o crescimento das redes, que compram diretamente das editoras, as distribuidoras acabaram reduzindo sua atuação à pequenas e mal-capitalizadas livrarias e às pontas de   ɪ ɴ ɪɴʀɪ ʀɪɪ 

estoque. Ao mesmo tempo, as empresas logísticas têm crescido na onda da terceirização dos serviços editoriais.

O principal aprendizado possibilitado por essa primeira leitura, mais geral, é que efetivamente há um momento de mudanças profundas no ambiente competitivo. Do lado do varejo, o crescimento das redes de livrarias enfraquece as editoras. Por exemplo, a FNAC unilateralmente definiu que livros com problemas gráficos ou estragados não serão mais devolvidos aos editores e que serão ”descontados” das faturas. Se ainda tiverem possibilidade de venda como promoção, serão pagos somente 50% do preço de custo (Publishnews, 5/jan/2005). Para editoras estreantes, chega a se exigir 60% de desconto do preço de capa (O Estado de S. Paulo, 12/jul/2003), valor que cai a 50% para as maiores. As distribuidoras, por sua vez, continuam quebrando por estarem muito frágeis de ambos os lados: atendem editoras pequenas e descapitalizadas, geralmente com produtos de ciclo longo de vida, em livrarias pequenas, descapitalizadas, com controles artesanais e alto índice de perda de produtos.

A demanda e a presença governamental ainda são enormes, não somente nos setores de sua responsabilidade (bibliotecas, livros didáticos e eventuais desonerações nos impostos sobre o papel e importação de livros). O governo é editora, pois transfere dinheiro dos contribuintes para obras privadas (por meio de renúncia fiscal e leis de incentivo que privilegiam obras, e não difusão ou a cadeia como um todo), financia pelos bancos oficiais a produção mas não a expansão de editoras ou livrarias (O Globo, 04/jan/2005), ao mesmo tempo em que não atua eficientemente onde sua presença é fundamental - as bibliotecas estão desatualizadas, o programa de compras de livros didáticos quebrou o pequeno varejo (Publishnews, 11/mai/2005), muito dependente das vendas de didáticos e as leis de incentivo não atendem o contribuinte, e sim o produtor - isso num cenário de superoferta.

Há demanda por profissionais e profissionalização das editoras, refletida no crescimento exponencial dos cursos para profissionais da área. É notável que estes estejam próximos tanto de um MBA especializado (O Globo, 4/jul/2003) como de cursos rápidos de profissionalização para o nível operacional das empresas (Publishnews, 22/jul/2005). Do lado dos serviços gráficos editoriais, parece igualmente ter havido um processo de melhora consistente, com a entrada de grandes gráficas estrangeiras e a consolidação das nacionais, aliada a uma política forte de investimento em bens de capital, que transformou uma balança estruturalmente deficitária em superavitária (Printcom

World, 20/jul/2004). A melhora no produto brasileiro é também visível graças a estes e outros investimentos (Valor Econômico, 16/out/2002).

Finalmente, nota-se que as associações têm lutado por alguns ganhos junto ao governo (desoneração fiscal e compras, principalmente), mas não tem se visto ações efetivas por parte delas em ampliação do mercado, exceto, pontualmente, as duas grandes Bienais. As Feiras do Livro em outras cidades costumam ser localmente geradas, ou seja, promovidas por agentes locais como livrarias ou prefeituras, e as ações mais ousadas partem de outros agentes da cadeia, como foi o caso da Festa Literária Internacional de Paraty (O Globo, 26/abr/2004), bancada por uma respeitada editora da Bloomsbury inglesa apaixonada pela cidade (Liz Calder) e a Companhia das Letras. Outro exemplo marcante é a Jornada Literária de Passo Fundo, criada por uma professora local. As campanhas publicitárias de incentivo à leitura, conjuntas entre governo e associações, não parecem surtir qualquer efeito - e se causam, não são mensuradas.