Tianmin Zheng 1 and Mitsuo Yamashiro 2
4. Proposed QDEA for permutative scheduling problem
Atualmente podemos observar uma procura crescente por parte da população pela prática da corrida e pela participação em Provas de Estrada oficiais. Este fenómeno leva-nos a uma questão: O que estará a incitar esta participação massiva em eventos deste género e a procura por este tipo de serviço especializado?
Este levantamento e análise inicial permite-nos inferir ser muito expressivo o fenómeno de crescimento do número de provas e de praticantes de corrida, situação cujas explicações e implicações precisam de ser mais bem exploradas e relacionadas à prática de atividade física da população em geral (Salgado & Chacon-Mikahil, 2006).
O aumento observado em provas de estrada caracteriza-se por uma busca pela melhoria na qualidade de vida, integração social, promocional, negócios e responsabilidade social, além de para alguns apresentar-se como profissão (Hayek, 2014).
A princípio, a procura pela prática da corrida ocorre por diversos interesses, que envolvem desde a promoção de saúde, a estética, a integração social, a fuga do stresse da vida moderna, a busca de atividades prazerosas ou competitivas. Referindo-nos a última perspetiva, ser competitivamente bem classificado tornou-se um atrativo, visto que isso se associa ao grande número de provas com premiações, dos mais variados valores, em dinheiro ou em bens, patrocínios, prestígio social, ou ainda, o estar em evidência (Salgado & Chacon- Mikahil, 2006).
A corrida apresenta-se como uma prática desportiva acessível para grande parte da população, uma vez que nem todos dispõem de profissionais para orientação, não sendo condição básica para a prática do desporto, e acima de tudo, proporciona bem-estar e melhora a qualidade de vida. (Hayek, 2014).
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Para além destes fatores podemos acrescentar que este aumento exponencial de praticantes e participantes nas Provas de Estrada advém de um contágio pelos resultados e medalhas recebidas, apresentando-se como uma conquista pessoal, profissional e desportiva.
O ato de comparar o rendimento com outras pessoas, ou consigo mesmo, pode levar os indivíduos a manterem-se na atividade (Balbinotti et al., 2015)
De acordo com Oliveira (2010), as Provas de Estrada têm vindo a sofrer algumas alterações, sendo que as principais expõem a articulação de três fenômenos que tem ocorrido:
1) a transição de perfil do participante das Provas de Estrada, alterando as relações percentuais de género, faixa etária, classe social e nível de performance;
2) o surgimento de novos modelos de eventos de corridas, que podem ser divididos em duas classes principais, as corridas convencionais e as
corridas fashion;
3) o surgimento dos grupos de corrida, que pretende agregar os novos perfis de corredores, colocar-se como alternativa de emprego para ex-atletas e sofre influências pedagógicas baseadas em valores carregados por esses novos profissionais.
A partir da leitura e análise dos estudos de Rojo (2014), chegamos à conclusão que as transformações ocorridas nas provas de estrada são muitas. A princípio a modalidade, que apenas contemplavam os atletas chamados “profissionais”, pertencentes à elite do desporto, após a década de 1970 passa a contemplar também todos os demais cidadãos, habitualmente chamados atletas “amadores”. Com o aumento de pessoas que praticam corrida houve também o aumento no número de provas.
Curiosamente, se analisarmos os dados estatísticos disponíveis, notamos que, tanto o número de corredores que concluem as maratonas, quanto o tempo de conclusão da prova para a maioria destes participantes, tem vindo a aumentar nos últimos anos. Contudo, esta relação é inversa para os corredores de elite,
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cujos tempos têm diminuído. Isso deve-se possivelmente a uma maior tolerância de tempo para a conclusão ou com a presença de um número cada vez maior de participantes não atletas com interesses particulares diversos (Salgado & Chacon-Mikahil, 2006).
Associado ao aumento do cronograma desportivo desta modalidade, constata-se que o expressivo aumento do número de participantes tem impacto diretamente na logística do evento, compreendendo a mobilização das equipas de apoio, equipas de treinadores e no acesso dos participantes ao local do evento (Hayek, 2014). Estes fatores tornam este setor do mercado cada vez mais atrativo para novos investidores.
Acredita-se que este crescimento se deva a algumas peculiaridades do desporto supracitado, como: fácil acesso da população apta, baixo custo para organizadores, assim como para o treino e participação, caracterizando-se por ser uma atividade física popular ou de massa e inclusive, por ser considerada uma atividade relevante na perspetiva do lazer (Rojo, 2014).
Salgado & Chacon-Mikahil (2006), defendem que têm ocorrido mudanças no número de atletas de elite, que está cada vez menor em relação ao número de atletas amadores, sendo que os resultados apontam que essa percentagem de atletas de elite não chega a 1% dos corredores inscritos nas provas.
Um dos fatores que também contribuem para este boom na prática e participação em Provas de Estrada são os grupos de corrida.
Os agrupamentos conhecidos anteriormente eram chamados de equipas de corridas, e possuíam características diferentes dos novos grupos de corridas. As equipas de corridas eram formadas por atletas que compunham a elite das corridas e procuravam sempre a alta performance. Atualmente, os grupos de corrida surgem principalmente da relação entre amigos que se juntam para participar nas corridas. (Rojo, 2014)
A sociabilidade parece ser um fator que, com o tempo, se torna cada vez mais relevante para a manutenção da prática da corrida (Balbinotti et al., 2015).
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