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Proof of Proposition 12

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2.8 Analyses for Chapter 2

2.8.19 Proof of Proposition 12

A presença das palavras de Sebastien Faure é também fortemente sentida em Portugal e no Brasil. Na imprensa libertária é possível encontrar inúmeros artigos anunciando a vida e o projeto de La Ruche (A Colmeia). No Brasil, o alagoano Antônio Bernardo Canellas, após viagem a Europa e se encantar coma experiência pedagógica de Faure, traduz e edita a obra A Colmeia em 1919, compilando muitos textos e trazendo ao público uma edição "bem equipada", ao modo "de exemplo", tentando auxiliar as experiências das escolas libertárias no Brasil e criar novos projetos. O "Programa" d'A Colmeia era muito claro: “Não há qualificações: nem castigos, nem recompensas”:

SEU PROGRAMA

Mediante a vida ao ar livre, uma dieta regular, higiene, limpeza, passeios, esportes e atividades, formamos seres sãos, vigorosos e belos.

Mediante um ensino racional, pelo estudo atraente, pela observação, o debate e o espírito crítico, formamos inteligências cultivadas.

Pelo exemplo, a doçura, a persuasão e a ternura, formamos consciências retas, vontades firmes e corações afetuosos.

A escola cristã, é a de ontem; a escola laica, é a de hoje; A Colmeia, é, a partir de agora, a do amanhã.

A escola cristã, é a escola do passado, organizada pela igreja e para ela; a escola laica, é a escolado presente, organizada pelo Estado e para ele; A Colmeia é a escola do futuro, a escola em si, organizada para a criança, de tal maneira, de tal maneira que, deixando de ser um bem, um objeto, uma propriedade da Religião ou do Estado, seja dona de si mesma e encontre na escola o pão, o saber e a ternura, que necessitam seu corpo, seu cérebro e seu coração.137

Uma característica constante nas experiências escolares é a presença da imprensa como instrumento pedagógico. Desde a experiência de Cempuis, com Paul Robin, havia ali por parte dos estudantes um investimento intelectual tanto nas disciplinas escolares como

136 A Lanterna. 13 de outubro de 1911.

137 FAURE, Sébastien. A Colmeia: uma experiência pedagógica. Tradução de Antônio B. Canellas. São Paulo: Biblioteca Terra Livre. 2015.

também no fazer manual. Nesse sentido, aprender a fabricar o próprio jornal, era visto nesse sentido como algo que conectaria ao mesmo tempo as ideias e a mão, ou seja, o pensar e o fazer. Em Barcelona, durante a Escola Moderna de Ferrer, também foi publicado o Boletim da Escola Moderna, que foi largamente difundido na Europa e chegou ao Brasil tanto a sua versão original, como por meio de traduções de seus textos. A Colmeia também tinha O Boletim da Colmeia, abrindo subscrições tanto para o território francês (ao custo na época de 4 francos) quanto para o exterior (5 francos).

No Brasil, os estudantes da Escola Moderna de São Paulo eram os responsáveis pelo jornal O Início. Feito pelos estudantes, o jornal tinha como alvo os próprios estudantes, mas também noticiar aos pais e professores aspectos da formação atenta à escola. A leitura d’O Início permite entender como as escolas libertárias estavam fortemente ligadas ao mundo operário, notando pela fala dos estudantes argumentos sobre a exploração da classe trabalhadora, importância da razão e da consciência política, bem como críticas a Guerra (Primeira Guerra Mundial) e a dificuldades de manter o jornal e a Escola.

Figura 9: Frontispício do Jornal O Início: órgão dos alunos da Escola Moderna

Fonte: Acervo digitalizado do autor.

Muitas das datas comemorativas do movimento operário eram ali festejadas e se tornavam motes para atividades em sala. Datas como o 18 de maio (aniversário da Comuna de Paris), 1º de maio (execução dos mártires de Chicago), 14 de julho (queda da Bastilha) e 23 de agosto (morte de Sacco e Vanzetti) e 13 de outubro (fuzilamento de Ferrer y Guardia) eram anualmente comemoradas e festejadas como marcos do movimento operário, muito diferente, portanto, do civismo patriótico e, muitas vezes, ufanista, nas escolas estatais e do calendário eclesiástico festejado nas escolas clericais do período. Estas e outras atividades eram relatadas pelos estudantes nas páginas d’O Início. Abaixo, podemos notar o estilo e os tópicos registrados pelos estudantes.

UM PASSEIO Á MARGEM DO TIETÉ

No sábado, dia 6 de março, nós nos reunimos todosás 7 horas da manhã na nossa

Escola e cantámos os hinos “ A Mulher” e o “Primeiro de Maio”. Depois meira

hora saimos, e descemos a rua Catumbi[...] Ao chegarmos no rio Tieté vimos barcas dentro e fóra do rio. Um menino estava nadando vestido de calças no meio do rio.Vimos as barcas no meio do Tieté e tambêm uns meninos caçarem peixes. Depois brincámos de Caracol e Seranda-Serandinha. O João Bento, o Bruno, o Ernesto, o Carlos Chiesa e o Abilio Bento recitaram. Na ida vimos um cavalo morto e o Miniere botou flores em cima dêle. O professor disse que o Miniere fez bem de botar flores em cima do cavalo morto.138(grifos nossos)Relato do estudante Edmundo Mazzone.

Na sala de aula:

Estou vendo sobre uma caixa, uma tesoura, uma navalha, um livro chamado História do Brasil, um livro chamado Dicionário do Brasil, uma pedra, uma aritmética, uma faca, uma pedra mármore, uma tapa de tinteiro, uma garrafa, uma caixinha de pênas, um apagador, uma Geografia da Infância, um saca-rôlha, o jornal “A Voz do

Trabalhador”, duas folhinhas, um quadro terrestre, um quadro-negro, cinco mapas,

um globo terrestre, um quadro com o retrato de Francisco Ferrer, um armário, uma mala, dois papelões e uma lata vasía. (Relato do estudante Edmundo Scala, grifos nossos).139

Como podemos notar na primeira citação, eram feitos relatos das “aulas passeio” em que os estudantes descreviam com detalhes os locais e as reflexões e sensações obtidas durante o passeio. Por meio do jornal, como podemos notar na segunda citação acima, é possível ainda determinar a arquitetura escolar, o mobiliário, entrever práticas de ensino e as experiências destes estudantes com o mundo escolar protagonizado pelos libertários, como a vinculação com a imprensa sempre disponível (A Voz do Trabalhador) e ao contato com os mártires do pensamento libertário (no caso, o educador Ferrer y Guardia).

138 O Início, Nº 2. 04.09.1915, p. 2. 139 O Início, Nº 2. 04.09.1915, p. 3.

3.3 As práticas libertárias em Educação: Escolas, Centros de Cultura Social e

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