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Cascaded attitude observer

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3.4 Attitude estimation based on GPS/INS fusion

3.4.3 Cascaded attitude observer

A repressão imposta aos redatores da imprensa libertária registra parte não rara da imprensa operária, a convivência com a repressão em todos os tempos e lugares que esta invocou criar estrada. Os impressos, as palavras da contestação editadas por todos os meios, sejam elas rapidamente produzidas nos jornais, que muitos chegaram, inclusive, a ser diários, ou no registro das edições mais elaboradas em opúsculos e livros de melhor acabamento, foram alvos certos dos olhos e braços dos Estados. Os registros despontam em todos os países que o movimento operário toma sentido e ação.

Os trabalhadores brasileiros e portugueses conviveram com iguais perseguições, muitas destas sendo orquestradas em operações de comum acordo e cooperação entre os países, em uníssono contra a difusão das lutas das causas operárias. Para termos uma ideia da articulação da repressão sobre a pena libertária em território brasileiro, façamos um recuo pontual e necessário ao ano de 1896.

Em um relatório de janeiro deste ano o então Chefe de Polícia, Bento Pereira Bueno, apresenta ao Secretário de Negócios da Justiça do Estado de São Paulo, em detalhes, relato parcial da perseguição, interrogatório, prisão e deportação de um grupo de maioria de italianos que desde 1894 se organizara naquele estado. No relatório, além da acusação lançada ao referido grupo – de terem lançado duas bombas de dinamite a dois palacetes da capital naquele período e serem por esta causa condenados a deportação e encaminhados ao Rio de Janeiro –, relatava que alguns deles retornaram e ao chegarem a São Paulo teriam constituído "novo grêmio de propagandistas, fundando jornais e publicações perigosas para a ordem pública e realizando reuniões secretas de intuito francamente anarquistas".

O texto é amplamente recheado de informações condenatórias e taxativas sobre a ideologia anarquista corroborando com a tese da planta exótica (descrita na seção2), colocando-a como pensamento incomum e hostil aos brasileiros e sempre enfático ao ressaltar

167 Trecho citado em: GONÇALVES, Adelaide. Em busca de conhecimento e liberdade: notas para a história da leitura no anarquismo.

os militantes como "elementos infensos e perigosos à ordem pública". Bento Pereira Bueno antes de revelar que durante os interrogatórios todos os membros teriam confirmado a sua qualidade de "propagandistas convencidos e ardentes do socialismo anarquista", registrou: "Das buscas efetuadas resultou a apreensão de numerosos livros e jornais de propaganda revolucionária, muitos exemplares dos manifestos acima referendados e correspondências reveladoras de planos criminosos"168.Posteriormente, serão criadas leis específicas de criminalização das lutas sociais e de repressão ao anarquismo, sendo as mais conhecidas a Lei

Adolfo Gordo169, que "Providencia sobre a expulsão de estrangeiros do território nacional" e

especificamente o Decreto de 17 de janeiro de 1921, que "Regula a Repressão ao Anarchismo"170.

Em Portugal a sanha repressiva estatal é semelhante à brasileira e a dos outros estados europeus. Desde os eventos da Comuna de Paris (1871), considerada como a primeira experiência de governo operário da história, e de alguns atentados contra representantes de Estado, a "ameaça anarquista" era vista como elemento a ser perseguido, gerando uma série de leis específicas contra o anarquismo em diversos países. Tanto no período da Monarquia, como na República instaurada a partir de 1910, a repressão e a perseguição aos anarquistas é regra da ação do estado português. Ainda sob o regime monárquico, ao primeiro dia de

setembro de 1898, saía nas ruas do Porto o periódico A Ideia: periodico scientifico171. Nas

quarenta páginas do jornal seguia o texto A Questão Anarchista, de Bernardo Lucas. As linhas correspondiam ao discurso, no tribunal da relação do Porto, que este advogado realizou em defesa de Cristiano de Carvalho, Serafim Cardoso Lucena, Francisco Vaz e outros anarquistas em abril do mesmo ano, contra a lei antianarquista de 13 de fevereiro de 1896.

É nesta conjuntura, de ampla perseguição e censura, portanto, que a imprensa operária e libertária se movimenta. Entendida, como dissemos acima, como instrumento pedagógico que visa ampliar a consciência e a ação dos trabalhadores, um conjunto de militantes protagonizou o surgimento de muitos jornais e de centenas de edições que vão circular nos dois países. Essas edições dinamizam uma rede de relações promotora da

168 PINHEIRO, P. Sérgio. HALL, Michael M. A Classe Operária no Brasil: condições de vida e de trabalho,

relações com os empresários e o Estado. São Paulo: Brasiliense. p. 241.

169 BRASIL. DECRETO Nº 1.641, de 7 de Janeiro de 1907.Providencia sobre a expulsão de estrangeiros do

território nacional. Disponível em:<https://www2.camara.leg.br/legin/fed/decret/1900-1909/decreto-1641-7- janeiro-1907-582166-publicacaooriginal-104906-pl.html>. Acesso em: 20 jul. 2019.

170 BRASIL. DECRETO Nº 4.269, de 17 de Janeiro de 1921. Regula a Repressão ao Anarchismo. Disponível em:<https://www2.camara.leg.br/legin/fed/decret/1920-1929/decreto-4269-17-janeiro-1921-776402-

publicacaooriginal-140313-pl.html>. Acesso em: 20 jul. 2019.

171 Tudo indica que o periódico A Ideia não tenha sido "periódico" e nem "scientifico" nesses exatos termos. Com apenas uma edição publicada, o subtítulo parece ter o cuidado de burlar a censura e divulgar um texto de enorme valia em defesa do anarquismo.

divulgação de jornais, livros e opúsculos entre muitos sujeitos e locais. Tanto em Portugal como no Brasil essa rede de relações entre os militantes e o circuito de propaganda em torno dos livros e dos periódicos foram amplamente capilarizadas em seus territórios.

Importa ressaltar que cada impresso possui suas especificidades. A impressão de um texto, em forma de livreto, por exemplo, anuncia ali, a intenção literária (expressa na escolha do título), demarcar as preocupações de um tempo (com a data desta publicação), o grau de importância dada a as ideias ali contidas (sendo que a publicação exige um custo), o alcance da publicação (quando é possível determinar a tiragem), se revela a intenção de um indivíduo ou de um grupo, se foi feito de um modo mais artesanal ou com maior qualidade gráfica.

A influência das ideias libertárias não estava apenas no âmbito do movimento operário. Eram comuns nos jornais de maior circulação e do que chamamos de grande imprensa, notas das atividades anarquistas e ou de autores e intelectuais libertários e de livre pensadores que possuíam ligações com o movimento anarquista.

Na imagem da página seguinte consta uma página exemplar d'A Sementeira, revista anarquista portuguesa, que nos permite compreender a riqueza documental desses projetos editoriais. A seção Leitura que recomendamos é um exemplar muito comum do que vemos na imprensa desse período. Essas redações de jornais e revistas funcionavam como verdadeiras livrarias, onde ao ler os títulos à disposição o leitor poderia se dirigir à redação para comprar diretamente ou encaminhar o pedido da obra (mesmo que fossem de outros países). Neste caso d'A Sementeira, essa seção estava sempre na última página do jornal, mesmo que tivéssemos outros anúncios e propagandas de livros nas páginas anteriores.

Figura 11: "Leitura que recomendamos

Fonte:

Leitura que recomendamos", extrato do periódico

onte: A Sementeira - 2ª série, N.º 39 - Junho de 1919.

Analisando os temas dos livros à disposição (preço baseados em centavos) podemos notar uma riqueza de pautas e sentidos diferentes da produção militante. Por exemplo, ao mesmo tempo em que estavam ali pautas do movimento operário, como os temas da questão social, do sindicalismo e da doutrina anarquista, figuravam também temas como o amor livre, a literatura social, o anticlericalismo e, mais próximo do nosso estudo, os textos sobre educação e ensino, sobre o teatro livre, o evolucionismo.

Nota-se também que A Sementeira é vendida em publicação em forma de fascículos, permitindo de modo mais fácil compilar as edições(no caso da nossa imagem cita, por exemplo: "do nº1 ao 38 da 2ª série, 608 p.). Coloca-se à venda também fotogravuras (em papel couché) de Bakunine, Berthelot, Cafiero, Darwin, Faure, Ferreira, Gori, Lorenzo, Moris, Paepe, Proudhon, Reclus, Sudermann, Stepniak e também em couché, a "Alegoria à obra de Ferrer". Recomenda-se ainda, a título de propaganda, a compra de “A Batalha (diário de manhã): porta voz da organização operária portuguesa”;principal jornal operário no período e com forte influência libertária, bem como a compra d'A Aurora: quinzenário anarquista: "À venda em todos os quiosques e tabacarias do país". E tem ao seu final de página um trecho extremamente significativo da produção visando a propaganda das ideias e ao conhecimento:

Depois de lêres A Sementeira, não a deves destruir. Se não a desejas colecionar, deve deixa-la nos comboios, nos carros, nos restaurantes, nos cafés, nos bancos dos jardins, em toda parte, enfim, onde possa ser lida por outros. Espalhar é semear, torná-la conhecida será arranjar novos adeptos para a nossa obra.172

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