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5 Proof of the convergence result, Theorem 4

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“A semiose, a geração dos signos, é fenómeno, acção ou influência que implica uma cooperação de três sujeitos: o signo, o seu objecto e o seu interpretante. (…) Peirce define o signo como um lugar virtual de conhecimento (…) que é determinado por um lado por algo diferente de si mesmo, chamado o seu objecto, enquanto que de outro lado ele determina um certo espírito actual ou potencial, a essa determinação ele chama o interpretante criado pelo signo de modo que o espírito que interpreta é mediatamente determinado pelo objecto”

(MOURÃO E BABO, 2007:162).

Para Peirce “um signo, ou representamen, é uma coisa qualquer que está para alguém em lugar de outra coisa qualquer. Dirige-se a alguém, isto é, cria no espírito desta pessoa um signo equivalente ou talvez um signo mais desenvol- vido. A este signo que ele cria dou o nome de interpretante do primeiro signo. Este signo está em lugar de qualquer coisa: do seu objecto. Está em lugar deste objecto, não sob todos os aspectos, mas em referência a uma espécie de ideia que por vezes tenho dado o nome de fundamento do representamen” (citado por RODRIGUES, 1991:90).

A noção de interpretante é essencial para a fundamentação do que possa ser o

inovar semântico pela ilustração. O interpretante (que não deverá ser confun-

mentalmente produzido pelo signo e para o qual concorre também a experi- ência que tem dele a pessoa que interpreta.

Eco (2004:18) apresenta assim as várias formas que o interpretante pode assumir:

a) Pode ser um signo equivalente (ou aparentemente equivalente) num outro sistema comunicacional. Dá o exemplo da palavra cão, a que se faz correspon- der o desenho de um cão;

b) Pode ser a indicação de um objecto isolado que subentende uma normali- zação ou generalização (”todos os objectos como este”);

c) Pode ser a designação científica no contexto do sistema em que é comuni- cado . Por exemplo: “sal” e “cloreto de sódio”;

d) Pode ser uma associação emotiva que assume o valor de uma conotação fixa. O “cão”, por exemplo, pode significar “fidelidade” (e vice-versa);

e) Pode ser a mera tradução desse termo noutra língua.

Daqui Eco conclui que dependendo do contexto, qualquer entidade se pode tornar significante e significado. Adriano Duarte Rodrigues encontra nos textos de Peirce a distinção entre três tipos de interpretantes, que pode con- tribuir para o esclarecimento deste conceito: “interpretantes afectivos ou emo-

cionais, interpretantes energéticos e interpretantes lógicos”. Assim, o interpretante afectivo diz respeito ao sentimento que o signo produz, pouco ou nada funda-

mentado na sua veracidade, mas ainda assim, é causa suficiente para legitimar a produção de um signo. Peirce viria a designá-lo mais tarde por emotive me-

aning ou expressive meaning (1991:97). O interpretante energético corresponde

ao esforço mental que se exerce sobre o exterior no sentido da produção de um outro signo; realizado na repetição dos procedimentos gerais de acção, o

interpretante lógico.

Transpondo a questão da semiose em geral para o processo de produção de signos em ilustração, temos que o objecto é o texto de origem6, o interpretante7 será a imagem produzida na mente do ilustrador e o signo, a configuração desse interpretante.

6 O texto de origem poderá ser considerado um signo em si mesmo, mas entende-se como sendo um signo decorrente

de um processo de semiose anterior relativo à sua criação.

7 Cumulando os três tipos de interpretantes: emocional – o sentimento produzido, energético – realizado no con-umulando os três tipos de interpretantes: emocional – o sentimento produzido, energético – realizado no con- os três tipos de interpretantes: emocional – o sentimento produzido, energético – realizado no con-

fronto com os constrangimentos inerentes ao programa, e lógico – no sentido da realização, pela adequação tec- nológica e cultural.

Bernardo Espíndola considera haver três operações no processo de tradução intersemiótica: uma operação especular, em que se procura reflectir de algum modo a obra de origem; uma operação poética, que considera a dimensão es- tética da transmutação e que envolve uma recriação; uma operação dialógica, que diz respeito à relação intertextual, à forma como a tradução coloca a obra em diálogo com outros textos (ESPÍNDOLA, 2008). Assim, vêem-se impli- cados processos de transposição, de espelhamento, de criação, de intertextua- lidade e dialogismo.

Cruzando a perspectiva de Peirce com a de Espíndola, dir-se-ia que a operação especular se relaciona com o interpretante energético; a operação poética com o interpretante emocional e a operação dialógica, com o interpretante lógico.

Destes pressupostos conclui-se o seguinte: da leitura do texto de origem pelo ilustrador, decorre um processo de interpretação (hermenêutica) do qual re- sulta um interpretante (a imagem mental nele suscitada, fruto da experiência, do conhecimento e da emoção); mediado por uma operação especular em que atende aos sentidos presentes no texto, por uma operação dialógica, em que confronta o texto com um outro texto (o do programa) e com as suas con- tingências, e por uma operação poética em que recria os sentidos presentes ou ausentes à luz do interpretante, o ilustrador usa o corpo e recorrendo à tecno- logia, configura o signo – o desenho da ilustração.

Por isso, a semiose corresponde, usando as palavras de Fernando Lisboa (2001), à “representação de um conhecimento inferido da experiência”. Admitindo ser este o modelo que fundamenta a semiose da ilustração ficcio- nal, o signo produzido não resulta de uma exegese, mas do sentido em que Paul Ricoeur entende a hermenêutica8, como abertura à inovação semântica,

em que “(…) a condição de um signo não é só a da substituição (…), ou da substituição do idêntico pelo idêntico, mas a de que haja uma possível in- terpretação. O signo é sempre o que me abre para algo mais” (MOURÃO E BABO, 2007:165).

4.4. Eu não sou eu nem sou o outro. A ilustração como espaço de fluxos

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