O número e a diversidade de fontes iconográficas que permitem documentar a história urbana de Barcelos é bastante reduzido.
A fonte deste tipo mais antiga consiste no desenho da vila de Barcelos da autoria de Duarte d’Armas que, incumbindo pelo rei português D. Manuel I em registar todas as fortalezas
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fronteiriças portuguesas, procedeu ao registo de duas vilas não fronteiriças, Sintra e Barcelos (Figura 9).
Figura 9 - Barcelos no início do século XVI representada por Duarte d'Armas no Livro das Fortalezas.
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Não obstante, esta representação constitui uma fonte essencial para a compreensão de Barcelos no séc. XV, uma vez que, apresentava uma vista sobre a vila, onde podemos identificar diversos elementos topográficos como, o paço condal, em grande destaque, o Solar dos Pinheiros, mas também vários aspetos do sistema defensivo, tais como as Torres da Porta da Ponte, do Vale de Cimo de Vila, parte dos panos, a barbacã, o cubelo do Postigo do Pessegal. Percetíveis são também os vários aglomerados de habitação corrente, no quarteirões contíguos ao paço condal e ao Solar dos Pinheiros, na zona da antiga Rua das Flores e ainda na zona de Cimo de Vila, junto da Torre da muralha, no local da antiga Rua Direita.
De cronologia mais avançada consideramos ainda uma série de pinturas, serigrafias e postais que forneceram dados importantes. Neste caso destacamos os desenhos existentes no arquivo da casa de Bragança, datados do século XIX, onde foram registados alguns detalhes da Torre da Porta da Ponte e várias perspetivas da Torre da Porta de Cimo de Vila. Quanto aos postais e serigrafias, de forma não intencional ficaram registados diversos aspetos relacionados com o sistema defensivo, como vestígios dos panos de muralha e das torres.
Ao nível de material cartográfico, destacamos a existência de uma planta do Séc. XIX realizada por Custódio Vilas Boas, que constituiu a primeira representação com cariz cartográfico e precisão a vila, nos inícios do século XIX (1806), que por sua vez possuía ainda uma morfologia muito semelhante à da época moderna (Figura 10).
Figura 11 - Planta de Barcelos centrada na Torre da Porta de Cimo de Vila proveniente das
intervenções da DGEM
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Ainda que produzidas já no séc. XX, a produção cartográfica e os levantamentos realizados pelo organismo da DGMEN, foram de grande importância. Uma vez que este organismo operou sobre o tecido histórico, os levantamentos elaborados constituíram uma fonte de informação bastante relevante. Em algumas das plantas produzidas foram assinalados algumas localizações de vestígios do sistema defensivo, como por exemplo parte do Pano que corria ao longo da Travessa do Pessegal e o cubelo do Postigo do Pessegal. Ainda que tenha sido um levantamento parcial e não sistemático, a pertinência destes registos é ainda mais elevada por ser anterior ao surto de edificações de grande impacto que se verificaram posteriormente a meados do século XX. Assim, constituem também uma fonte essencial para uma perceção progressiva da paisagem urbana registada nas fontes cartográficas do século XIX para a atualidade (Figuras 11 e 12).
Figura 12 - Planta de Barcelos proveniente das intervenções da DGEMN. Fonte:http://www.monumentos.pt/Site/DATA_SYS/FONTES_DOC/THUMBS/00000038/00185400.JPG
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2.3.3. Fontes Histórico-documentais
A história urbana de Barcelos encontra-se documentada em vários documentos avulsos produzidos desde o século XIII, tais como as inquirições de 1220 e 1258. Na continuidade, o Tombo do Hospital, de 1498, tem sido considerado como uma fonte essencial, presente em vários estudos (Almeida, 1990; Ferreira, 1992). Para os períodos posteriores à Idade Média, a mesma relevância pode ser observada em obras como o “Tractado Panegyrico em Louvor da Villa de Barcellos, por rezam do Apparecimento de cruzes que nella apparecem” do Frei Pedro Poiares (1672), ou a “Memória Histórica da Villa de Barcellos, Barcellinhos e Villa Nova de Famelicão” do Abade do Louro (1867).
O uso de fontes histórico-documentais no estudo do passado de Barcelos traduziu uma prática já existente nos inícios do séc. XX. Logo na primeira década, é visível na contribuição de António Ferraz para a história de Barcelos, registada em diversas publicações locais. O seu trabalho sobre a muralha veio a ser recuperado posteriormente por Carlos Basto (1982). Sensivelmente duas décadas depois, a mesma prática é visível, sob a forma de monografia, no trabalho de Teotónio da Fonseca, um historiador local cujo contributo mais significativo se traduziu pela obra Barcelos Aquém e Além Cávado (1938).
No entanto, para o estudo realizado neste trabalho acerca da muralha de Barcelos recorremos a várias fontes deste tipo, entre as quais o Tractado panegyrico em louvor da villa de Barcellos Trata-se de uma obra datada do século XVII, da autoria do Frei Pedro Poyares (1672). Esta publicação, motivada pelo episódio do Milagre das Cruzes, constituiu um dos primeiros compêndios de âmbito historiográfico sobre o passado de Barcelos, onde constavam referências à muralha. Outra importante fonte, ainda que de carácter mais abrangente, continha no entanto
referências mais específicas sobre as portas da muralha. Referimo-nos à Corografia
Portuguesa… do P. António Carvalho da Costa (1706).
Uma fonte de consulta obrigatória foi o inquérito contido nas Memórias Paroquiais de 1758 (Capela e Borralheiro, 1998). Em resposta a uma questão sobre os muros existentes, a descrição providenciada proporcionou bastante informação sobre a muralha. Desde referências a portas, traçado e a características arquitetónicas, a descrição primou ainda por informações com precisão métrica e cronológica.
Já no decorrer do século XIX, a Memória historica da villa de Barcellos obra do Abade do
Louro, primou por reunir importantes informações sobre o estado da muralha no Século XIX e também sobre acontecimentos dos séculos anteriores. Constituiu assim uma fonte de grande relevância e apurado sentido historiográfico.
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Motivados pelas datas e apontamentos específicos que recuperamos na bibliografia consultada, onde destacamos o trabalho de Teotónio da Fonseca (1938) e Carlos Basto (1982),
procedemos ao levantamento e estudo das Actas de Vereação da Câmara de Barcelos a partir
dos finais do século XVIII.
Este tipo de fonte, de carácter de recorrente na sua utilização em estudos centrados na época medieval, demonstrou a sua validade enquanto fonte estende-se muito para além da história do municipalismo, sendo relevante para as mais diversas áreas, tais como, economia, sociedade, política e cultura, transmitindo uma diversidade e quantidade tal, que quase parece ser uma fonte inesgotável (Coelho, 2006). Sendo o Século XIX o grande período de destruição das muralhas, a informação contida nas atas foi imprescindível para estudarmos como se procederam muitos desses atos de demolição, bem como as suas causas e consequências. Da mesma forma, foi ainda essencial na comprovação do traçado em locais onde não pudemos observar vestígios conservados, como no caso da Torre da Porta do Vale, demolida em 1796 e do Pano Sudoeste no quarteirão C3, demolido em 1811.