achar uma saída ajustada e-pacifica ao conflito centro-america- no. A prioridade política outorgada pelo México a seus vizi nhos da América Central é algo recente, como também o é sua política exterior mais ativa.
A mudança de atitude da política exterior do México face ã América Central foi o produto de uma troca de estratégia para a região que respondeu a uma avaliação cuidadosa e rea lista dos interesses que estavam em jogo e da melhor forma de preveni-los. 0 primeiro elemento desta mudança foi a priorida de dada ao problema da crise centro-americana, o que levou a um processo de tomada de consciência sobre a importância polí tica e estratégica da região para seus interesses nacionais, através dos novos recursos petroleiros do pais,-que deram ao mesmo uma importância internacional sem precedentes que lhe permitiu ampliar suas margens de manobra; da vontade política do governo de López Portillo (1976-1982), prosseguida na admi nistração seguinte de Miguel de la Madrid, de desempenhar um papel mais ativo na área; e do perfil mais agressivo e duro da
2 politica norte-americana face a America Central.
Em 28 de agosto de 1981, o governo do México emite um Co municado conjunto com o governo da França. O Comunicado, que
foi apresentado perante as Nações Unidas, solicitava que rele vassem a representatividade que tinham, como força política pa
ra negociar, as organizações salvadorenhas. 0 documento fran- co-mexicano procurava introduzir uma saída intermediária entre o posicionamento guerrilheiro e o da Junta cívico-militar - que adotava a mesma posição de Washington. Através desta ação, tentou-se chegar ãs eleições para uma Assembléia Constituin te salvadorenha, convocada para março de 1982, com a participa
ção de setores de ampla aliança, ligados ãs frentes guerri lheiras.^
As tendências em face à regionalização do conflito foram se tornando mais agudas com as acusações do governo da Nica rágua ao de Honduras e ao dos Estados Unidos de estarem fomen tando grupos contra-revolucionários que adentravam as frontei ras daquele pais. Por outro lado, as acusações de Washington no sentido de responsabilizar Cuba e Nicarágua pelo patrocínio do tráfico de armas para as guerrilhas de El Salvador, também ser viram como fator determinante para intensificação dos confli tos. Diante desta situação, a diplomacia mexicana realizou um chamado a todas as partes envolvidas no conflito, para um pla no regional de distenção. A proposta foi feita pelo próprio presidente López Portillo, em 21 de fevereiro de 1982, pouco antes das eleições em El Salvador, por ocasião de sua viagem ã
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cidade de Manágua. 0 plano sugeria tres canais de açao: pri meiro, a continuação do diálogo entre Cuba e os Estados Uni dos; segundo, uma solução negociada para El Salvador, na qual o México e outros paises garantiriam a paz negociada e, ter ceiro, uma série de pactos de não agressão entre Nicarágua e Estados Unidos, por uma parte, e entre Nicarágua e seus paises vizinhos, por outra. Finalmente, e para colocar em prática es te mecanismo, õ México se ofereceu como mediador.^ As rea ções ao plano mexicano de distenção foram variadas: Nicarágua e Cuba reagiram favoravelmente, ainda que Cuba tenha feito al gumas reservas. Já o presidente de El Salvador, José Napoleón Duarte lamentou a proposta mexicana qualificando-a de um ato de intromissão, enquanto a oposição salvadorenha declarou apoio ao plano. Os Estados Unidos reagiram friamente ao plano. Aguar daram o resultado das eleições em El Salvador, para, então.
6 emitirem um posicionamento acerca da proposta mexicana.
Em 16 de setembro de 1982, diante das notícias reiteradas de que havia indícios sérios de uma eminente conflagração ar mada entre Honduras e Nicarágua, os mandatários mexicano e venezuelano decidiram enviar cartas separadas, mas de conteú do idêntico, aos presidentes dos Estados Unidos e de Honduras, e ao então Coordenador da Junta de Reconstrução Nacional da N i
carágua, Daniel Ortega. Nestas missivas, os dois presidentes faziam um chamado urgente no sentido de frear a "atual e preo cupante" escalada bélica na América Central e de não desperdi çar as vias que ainda estavam abertas para a solução pacífica da crise na região.^
Diante da crise centro-americana, o México começou a bus car aliados para não atuar isoladamente em sua política exte rior de busca de pacificação regional. A conciliação regional representada pelo esquema de Contadora, permitiu ao país supe rar seu relativo isolamento e unir seus esforços a outros Es tados que, como a Colômbia e Venezuela, não haviam ocultado
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suas discrepâncias a respeito da posição mexicana.
A administração de Miguel de la Madrid continuou com o 9
ativismo diplomático da administração anterior. Neste senti do, de la Madrid, havia declarado que a política centro-ameri cana de seu governo teria duas vertentes: de um lado, a ação do Grupo de Contadora e de outro, o desenvolvimento e fortale cimento das relações bilaterais do México com cada um dos cin-
, ' 10 CO paises da area.
A formação do Grupo de Contadora não teria sido possí vel sem a boa relação preexistente entre México e Venezuela e
teve, antes de tomar posse de seu cargo, com os presidentes de la Espriella, do Panamá e Belisario Betancur, da Colômbia.