2.3 Couplage entre la sonde d’injection EM et le circuit
2.3.2 Profils de distribution du champ EM et principe de superposition
Os questionamentos feitos no final do último capítulo nos remetem à tradução, através do olhar da linguística, uma vez que por muito tempo os estudiosos de tradução consideravam as variadas questões concernentes a ela, analisando-as à luz daquela área do conhecimento. Comecemos, porém, com as ideias de Roman Jakobson que em seu texto Aspectos lingüísticos da tradução
19 Para uma discussão sobre a noção de fidelidade na tradução ver ARROJO, Rosemary. Oficina de Tradução: a teoria na prática. São Paulo: Ed. Ática, 2000. Ver também AUBERT, Francis Henrik. As (in)fidelidades da tradução: servidões e autonomia do tradutor. Campinas: Ed. UNICAMP, 1994.
(1999) propõe três maneiras distintas de interpretar um signo verbal. Em sua classificação, ele sugere que a tradução seja compreendida como ‘tradução intralingual’, ou seja, a interpretação dos signos verbais por meio de outros signos da mesma língua; como ‘tradução interlingual’, mais conhecida como tradução propriamente dita, ou seja, interpretação dos signos verbais por meio de outros signos de alguma outra língua; e ‘tradução intersemiótica’, a que interpreta signos verbais por meio de sistemas de signos não-verbais.
Apesar de nosso estudo centrar também na tradução de itens de especificidades culturais, não podemos deixar de considerar que a tradução que enfocamos é, antes de tudo, um ato interlingual, uma vez que envolve um mesmo material textual, porém escrito em duas línguas distintas. Essa modalidade de tradução busca apresentar “duas mensagens equivalentes em dois códigos diferentes”, conforme atesta Jakobson (1959/1999, p. 65) o que o leva a afirmar que “a equivalência na diferença é o problema principal da linguagem e a principal preocupação da Lingüística.”
Em seu livro Tradução e diferença, Rodrigues (2000) assume que em linguística contrastiva ou comparativa, uma das noções centrais é a de equivalência ou, mais especificamente, a de ‘equivalência de tradução’. Contudo, esta questão envolve sérios pressupostos bem como posicionamentos sobre quando lançar mão de termos equivalentes na tradução. Consideremos aqui os postulados de diferentes autores como Eugene Nida (1964), estudioso e tradutor da Bíblia, e suas noções de equivalência formal e equivalência dinâmica em tradução e John Catford (1965), reconhecido linguista escocês, através de uma perspectiva tradicional de tradução. Tais teóricos concebem a tradução como responsável pelo transporte do sentido, e neste caso, o tradutor exerce o papel de mero instrumento condutor desse transporte. Ele não interfere no texto; não existe como sujeito produtor de sentido do texto da tradução. A tradução é concebida como transferência, como transposição, não se considerando os aspectos extralinguísticos do texto, por exemplo. Nesta perspectiva, muitas vezes impera a noção de que o tradutor sempre vai carregar consigo o estigma de traidor.
Segundo Rodrigues (2000, p. 37), Catford (1965/1980) em seu famoso texto Uma teoria lingüística da tradução, analisa e descreve “os processos da
tradução no quadro de uma teoria lingüística geral [...]” Catford faz uma análise sobre a natureza da tradução, mas não trata de problemas particulares da tradução. Ele se preocupa em discorrer sobre a diferença entre equivalência de tradução e correspondência formal durante o processo de se traduzir de uma língua fonte para uma língua alvo. Rodrigues (2000, p. 38) argumenta que o linguista “relaciona-se muito mais ao estudo de semelhanças e diferenças entre línguas do que ao estudo da tradução.” Catford aborda também neste mesmo livro as noções de equivalência textual, da correspondência formal e das mudanças formais, bem como a noção de significado na tradução. O que se pode concluir dos estudos de Rodrigues sobre a teoria de Catford é que ela é insuficiente; para a tradução literária, pelo menos, vê- se que ela não encontra espaço nos seus enfoques linguísticos, a partir dos exemplos por ele escolhidos para ilustrar sua equivalência de tradução.
Já Eugene Nida (1964) se utiliza da linguística como instrumento de análise para solucionar os problemas de tradução (Rodrigues, 2000, p.62). Seu objetivo é “descrever cientificamente o processo de transferência de uma mensagem de uma língua para outra” (idem, p. 63). Na verdade, em sua teoria, ele é mais prescritivo do que descritivo e nem mesmo define sua noção de equivalência. O que ele faz é relacionar a equivalência à estrutura formal e ao significado (ibid, p.65). Observamos a partir da argumentação de Rodrigues que Nida prioriza a língua fonte, desejando que o significado provoque efeito semelhante no receptor da língua de chegada, da mesma maneira que no receptor da língua ‘original’. Concluímos, então, que tanto Catford quanto Nida priorizam a língua ou a cultura de partida. “Para ambos, o ponto inicial do tradutor é a determinação do sentido do texto de partida, que deve substituir por sentido equivalente na língua da tradução” (RODRIGUES, 2000, p. 97).
Outra corrente teórica concebe a tradução (Cf. Bordenave, 1987/ Barbosa, 2004) como uma atividade humana realizada através de estratégias mentais empregadas na tarefa de transferir significados de um código linguístico para outro. Esta concepção evidencia a possibilidade de tensão, que fatalmente envolve a atividade tradutória, o que pode gerar diversas reflexões e que nos remete fatalmente à polaridade do “problema” da tradução: possibilidade x impossibilidade de tradução; tradução livre x tradução literal (conteúdo x forma); tradução técnica x
tradução literária (Barbosa, 2004), entre outras. Tais colocações atestam a abrangência de significado da palavra tradução: uma noção extremamente ampla que pode ser compreendida de maneiras diversas seja, por exemplo, como processo, ou seja, o ato tradutório per se, ou como produto, o texto traduzido (Hatim & Munday, 2004). Com respeito à corrente que se opõe à concepção formalista de tradução, percebemos que reconhecidos teóricos brasileiros, como Francis Aubert (1993), Rosemary Arrojo (1986), Bordenave (1988) e o estudioso norte-americano Lawrence Venuti (2002) concebem a tradução através de uma perspectiva que contesta a existência de um sentido único, aquele sentido que reflete as intenções do autor do texto original. Esta perspectiva reivindica para o tradutor um status de sujeito atuante, de produtor de sentido, desta forma, rejeitando a possibilidade de transporte fiel de um sentido estável de um texto para outro. Nessa perspectiva, o tradutor é concebido como aquele que interpreta o texto a partir de sua visão de mundo, sua ideologia, seus padrões estéticos. Muitos são hoje os que corroboram essa noção, principalmente os críticos e teóricos cuja visão se pauta na noção de
desconstrução, que tem Derrida como apoio teórico. Aqui, no Brasil, figuram entre
os estudiosos da tradução adeptos dessa noção os teóricos Francis Aubert e Rosemary Arrojo, já mencionados acima.
Várias são as questões que envolvem uma discussão sobre tradução de forma mais teórica. Muitas são as vertentes, os olhares, as concepções, os elementos e agentes envolvidos nesse universo infinito; por isso mesmo, percebe-se aí uma fonte inesgotável de debate. Citemos, como exemplo disso, o postulado dos teóricos franceses Vinay e Darbelnet. Esses apresentam em seu texto Stylistique
comparée du français et de l’anglais. Method de traduction (1958/1995) estratégias
de tradução que, uma vez empregadas na análise de um texto traduzido, evidenciam o grau de dificuldade desta, além de evidenciar o quanto o tradutor se afasta ou interfere no texto fonte. Deste modo, como as tais estratégias se tornam importantes aliadas no empreendimento de determinadas análises, as mesmas podem ser consideradas importantes procedimentos técnicos da tradução.
No texto de Vinay e Darbelnet mencionado acima, os teóricos sugerem modelos de tradução que, quando empregados numa análise estrutural da tradução, revelam as escolhas que o tradutor precisou fazer para que o texto escrito numa determinada língua fonte pudesse fluir ao ser reescrito na língua de chegada, ainda
que as línguas envolvidas pertencessem ao mesmo tronco linguístico, como, por exemplo, espanhol e português. Essa afirmação nos faz questionar tais postulados porque, na verdade, há mais coisas envolvidas no ato de traduzir do que as questões linguístico-textuais, principalmente se considerarmos que, ao enveredar por tais caminhos, o tradutor traduz não somente conteúdo e forma, mas, sobretudo, culturas, e estas se encontram revestidas de ideologias, entre outras questões que as compõem.
Embora haja controvérsias a respeito, a literatura que registra a história da tradução atesta que tal debate tem sido uma constante ao longo dos tempos. É a velha polêmica de que já tratava Schleiermacher (1768-1834), em seu texto On the
different methods of translation (1813): ‘levar o autor ao leitor’ ou ‘levar o leitor ao autor’, caminhos, que mais tarde, ficaram conhecidos pelas noções denominadas por Lawrence Venuti de domesticação e estrangeirização da tradução.