PANORAMA DES UTILISATEURS DES FORUMS D’ÉCRITURE
6. PROFIL ET POSTURE DES MEMBRES
Olha, tem uma coisa que eu repito muito, que é.. tem dois tipos de atividades que eu sempre... de pergunta e resposta, esse tipo de atividade sempre tem e de completar lacunas nunca falta (risos) e de ordenar frases. Uma coisa também são atividades que eu sempre apresento nas atividades, assim... nos exercícios de resolução: ordenar frases, completar lacunas, perguntas e respostas e fazer a correção.
(ER - Denise)
Muitas vezes eu parto de textos, dos textos você vai desenvolvendo temas, aquele assunto, abordando vários tópicos. Até esses dias aconteceu uma coisa interessante que eu achava que era mais fácil falar sobre um assunto, por exemplo, se você fosse falar do presente contínuo, você ficar falando só dele
durante todo aquele mês que você fosse desenvolver o conteúdo e aí eu fiz uma outra experiência, que foi falar de vários assuntos ao mesmo tempo. Falando de uma preposição, de um advérbio.. e eles não acharam difícil, a partir de um texto você começar a falar de tudo isso.. então, eles acharam até melhor. E isso foi assim, conversando com minha colega Roberta, lendo o texto do Almeida Filho.... foi interessante.
Ao mencionar os exercícios de completar lacunas e alguns outros exercícios, Denise ri porque, de acordo com alguns artigos lidos durante a realização deste trabalho, ela tomou consciência de que esse tipo de exercícios não leva ao aprendizado significativo da língua. No entanto, podemos afirmar que foi a partir do momento em que a professora passou a refletir a respeito de seu trabalho mais sistematicamente, que ela tomou consciência de algumas de suas crenças e começou a buscar caminhos alternativos.
Com a leitura de Almeida Filho (1993), como a própria professora cita no excerto, ela pôde ter contato com a abordagem comunicativa e, assim, repensar seu trabalho. Contudo, as modificações realizadas ainda não configuram uma abordagem comunicativa, de fato. Vieira- Abrahão (2002) explica que a interpretação do professor a respeito da abordagem comunicativa é um dos fatores contextuais que interferem na prática dos professores. Nesse trecho, a professora, que acreditava em uma abordagem mais tradicional, experimentou outro tipo de atividade e passou a acreditar em uma abordagem mais comunicativa, da forma como ela entende e interpreta tal abordagem. Não defendo aqui que a abordagem comunicativa configura-se como a ideal, pois acredito que o professor deva buscar qual a abordagem ou abordagens mais adequadas à sua realidade em sala de aula. No entanto, ao mencionar a abordagem comunicativa, Denise não a compreende da mesma forma como Almeida Filho (1993) a propõe, já que, no excerto acima, ela ainda aponta muitos aspectos gramaticais os quais não corroboram a abordagem comunicativa em si.
Para Rokeach (apud PAJARES, 1992), essa resistência em relação à transformação das crenças tem a ver com a intensidade e o poder que elas imprimem nos indivíduos. Como as crenças variam em uma dimensão centro-periférica, quanto mais central a crença, mais resistente à mudança e mais importante para o indivíduo. Nesse sentido, a centralidade das crenças é definida em termos de conexão com outras crenças, pois quanto mais conectada, mais implicações e conseqüências têm para outras crenças. De acordo com Nisbet e Ross (apud PAJARES, 1992) existem evidências que sugerem que as crenças persistem mesmo quando não são mais representações da realidade ou mesmo quando a mudança se faz necessária. No entanto, consideram que “experiências recentes influenciam fortemente os
julgamentos finais, que se tornam teorias (crenças) altamente resistentes a mudanças.” (p. 317).
Por meio da análise realizada nesse eixo temático, com foco nos aspectos didáticos e pedagógicos, apresento as crenças e práticas pedagógicas de Denise e a interlocução entre nosso pensar e fazer pedagógico:
1- O livro didático como material relevante: Denise acredita que o livro didático tem o
papel de colaborar no processo de ensino-aprendizagem. Ela busca utilizá-lo de forma crítica, como meio para preparar atividades diversificadas e que atendam às necessidades dos alunos.
2- Aprender inglês é entrar na cultura do outro: Denise e eu acreditamos que
aprender inglês não é somente construir conhecimentos acerca de seu sistema e de seu léxico, mas também da cultura e dos modos de vida onde essa língua é falada. Buscamos colocar nossa crença em prática quando escolhemos atividades que proporcionem aos alunos a construção de conhecimentos acerca da cultura desses povos.
3- A maneira ideal de aprender inglês é a “fala” (interação verbal): Denise acredita
que o aprendizado da língua deva ocorrer por meio da interação verbal. No entanto, o foco principal de suas aulas é nas formas da língua, ou seja, nas atividades de metalinguagem (gramática). Ela justifica suas ações apontando as dificuldades que enfrenta na sala de aula, principalmente, no que diz respeito à quantidade de alunos e à indisciplina.
4- A avaliação é um processo: Denise e eu acreditamos que a avaliação seja um
processo. No entanto, mesmo quando Denise atende as especificidades de cada grupo durante as atividades em sala de aula (Ensino Fundamental: atividades lúdicas e prazerosas; Ensino Médio: leitura de textos e gramática) o aspecto de maior valoração na hora de avaliar o aluno é a prova estruturada com ênfase na gramática. No que diz respeito a minha prática, a prova escrita e individual é o aspecto mais valorizado ao avaliar os alunos.
5- Tarefa de casa como aliada para a aprendizagem: Denise e eu temos a crença de
que a tarefa de casa seja uma poderosa aliada para a aprendizagem e de que a repetição leva ao aprendizado. Colocamos nossa crença em prática quando pedimos para que os alunos refaçam as atividades ou realizem tarefas a respeito daquilo que foi
visto em sala de aula, bem como, procurem outro tipo de atividades em que a língua inglesa seja utilizada.