SECTION II : Formulation et verification des hypotheses
B) Le Produit et le service
Enquanto as Ordens religiosas eram identificadas como única, com um governo centralizado, dotado de autonomia religiosa e política sobre seus domínios territoriais, quando esses ainda existiam, e voltadas predominantemente para a vida silenciosa e contemplativa no claustro, as congregações religiosas adotavam uma organização e um estilo de vida totalmente oposto e com características rizomáticas responsáveis por uma identidade singular. Através de uma rede de múltiplas células e/ou casas, mas com igual modo de ser e agir, cada uma dessas partes revelava o
todo da congregação, como uma espécie de filiais unificadas em torno de um(a) superior(a) geral e sua equipe de governo, que, via de regra, se concentravam na sede de governo, também chamada de “casa mãe” ou casa geral. Como na maioria das casas havia capelas, principalmente nos finais de semana eram realizados diversos serviços religiosos, dos quais a vizinhança participava. Esses momentos, quando as religiosas exerciam a função de pregação, através da catequese das crianças, de jovens e adultos, foram fundamentais para a ampliação das redes de contatos com a população. Essa realidade lhes permitia construir uma identidade social bastante próxima do comum das pessoas que compunham a sociedade, de forma que, sob muitos aspectos, as religiosas aparentemente não se diferenciavam do restante da população (LANGLOIS, 1984).
Junto a cada casa havia a obra e/ou “empreendimento” com a qual as religiosas exerciam práticas sociais educadoras e/ou caritativas, e, com as quais também sustentavam a comunidade religiosa. Langlois distingue as casas e obras “ocupadas e possuídas”, das casas e obras somente “ocupadas”, isto é, pertencentes a outrem e cedidas a organização feminina (LANGLOIS, 1984, 345). Na Congregação das Irmãs Franciscanas do Coração de Maria, verificamos que a maior parte dos documentos se refere às várias células como “casas” e/ou “comunidades” e a “obras” como instituições. Todavia, em dois relatórios de uma mesma superiora geral aparecem a sui generis distinção entre “filiais” as casas da organização, e “casas de administração”, àquelas cujas obras e as casas eram cedidas por terceiros para abrigar as religiosas, que lhes prestavam serviços (RELATÓRIO 1945-1951, ANEXO 8, 1951-1957, 27,28).
Entendemos que os termos usados pela superiora, e especialmente “filiais” causam certa confusão porque, ainda que se possa dizer que as “casas de administração” gerenciavam as estruturas pertencentes a outrem, a comunidade religiosa que a dirigia era também parte dela e, portanto, idêntica às outras comunidades, sendo, por isso, também uma filial. Entendemos, segundo Langlois, que o fato delas ocuparem mas não serem possuidoras das estruturas, não as tornavam casas e/ou comunidades inferiores e nem diferentes daquelas que ocupavam estruturas possuídas pela Congregação87. Na melhor das hipóteses, o termo filial poderia ser
entendido como referência a cada uma das casas, tal qual a utilizou a primeira superiora geral, quando se referiu as várias casas e/ou comunidades integrantes da Congregação, independente se estavam em obras possuídas ou simplesmente ocupadas, o que fazia de cada célula igual parte do todo (FONTES HISTÓRICAS, 1985, 56).
O patrimônio material das congregações se divide em bens imóveis, que são as casas com obras próprias, compradas ou doadas, e os recursos financeiros, como as doações em espécie por membros da elite católica e os repasses das reservas econômicas das várias casas. Esse dinheiro era usado para o custeio de despesas não pagas pelo contratante e as reservas econômicas acumuladas eram revertidas para um caixa central administrado pelo governo geral, e utilizadas para a manutenção das religiosas em funções de governo, das religiosas idosas e doentes, das casas de formação e para as novas casas subsidiadas. Justamente por isso, o número de casas com obras ocupadas e possuídas foi inferior ao das casas apenas ocupadas, pelo simples fato de que era preciso acumular posses para adquiri-las, ou contar com a benemerência de algum doador. Já as casas ocupadas, mas não possuídas, chamadas pela superiora geral de “conveniadas”, eram casas cedidas e regidas por um “contrato”, na maioria das vezes informal, firmado entre as partes, no qual se fixava o número de religiosas que assumiriam a responsabilidade pela execução dos trabalhos. Em contrapartida, como forma de retribuição, o contratante repassava à superiora local o valor pré-fixado correspondente ao trabalho de cada irmã e assumia o compromisso de lhes fornecer moradia, capela, alimentação e assistência médica.
Tal como uma rede de empreendimentos, as múltiplas células, ou casas, espalhadas pelas cidades reproduziam o mesmo estilo de vida, de modo a formar uma única organização, em que as religiosas se empenhavam na mesma causa: o desenvolvimento da organização em vista do reconhecimento pontifício. Via de regra, a multiplicação das casas congregacionais dependia basicamente de quatro fatores complementares: a emergência de uma demanda social, a capacidade para respondê-la com qualidade profissional, a existência de um excedente nos quadros de religiosas e a mediação de membros do clero e/ou da elite das cidades na articulação dos vários interesses e na construção de um consenso possível para ambas as partes. Os clérigos assumiam a função social de agenciadores, os quais,
através de sua rede de contatos, agiam como facilitadores segundo seus próprios interesses ou da instituição que representavam. Por outro lado, não se pode dizer que as congregações fossem ingênuas, mas, sim, sabedoras de sua condição na estrutura eclesial e social. Restava-lhes agir com prudência e adotar estratégias que lhe abririam perspectivas.
Quadro 1: Número de casas e de irmãs nos sucessivos governos88
Governos N.º de irmãs % de crescimento N.º de casas Média de irmãs /casas 1900-1906 7 75,0 % 1 7,0 1906-1909 16 128,6% 4 4,0 1909-1912 19 18,8% 5 3,8 1912-1915 33 73,7% 6 5,5 1915-1918 40 21,2% 7 5,7 1918-1921 54 35,0% 8 6,8 1921-1927 82 51,9% 14 5,9 1927-1933 111 35,4% 17 6,5 1933-1939 144 29,7% 19 7,6 1939-1945 187 29,9% 27 6,9 1945-1951 215 15,0% 28 7,7 1951-1956 264 22,8% 32 8,3 1956 -1963 302 14,4% 35 8,6 1963-1969 312 3,3% 34 9,2 1969-1973 254 -18,6% 37 6,9 1973-1979 246 -3,1% 37 6,6 1979-1985 213 -13,4% 32 6,7 1985-1991 202 -5,2% 30 6,7 1991-1997 188 -6,9% 31 6,1 1997-2003 177 -5,9% 31 5,7 2003-2009 158 -10,7% 31 5,1 2009-2014 136 -13,9% 25 5,4
(Quadro elaborado pelo autor com base no Banco de dados)
A partir da primeira casa, em Piracicaba, foram abertas aproximadamente 117 casas, em 63 cidades de 11 estados brasileiros e 2 em Moçambique, na África89. Neste estudo nos fixaremos apenas nas casas abertas até a década de 1960,
88 Este gráfico foi organizado a partir de informações de fontes complementares. As informações do
número de religiosas desde a fundação, isto é, de 1896 até 1920, foram extraídas do Livro de Registro de Admissão das Religiosas e do Livro denominado “Irmãs Franciscanas do Coração de Maria”, que traz um elenco das religiosas de cada governo até 1920. Para as informações posteriores a 1920, coletamos as informações nos relatórios alusivos a cada período. Como esses não seguem uma rígida padronização, consideramos a hipótese de possíveis erros, que em nada alteram o objeto de nossa análise.
89 Foi verificada certa imprecisão na contabilização das casas, pois, via de regra, até 1950 a
congregação contabilizava cada casa com sua respectiva obra própria como uma única casa. Depois da década de 1940, especialmente nas obras conveniadas, algumas casas passaram a ser separadas de suas obras, o que acabou causando certa confusão no lançamento de duas unidades.
quando predominaram 4 frentes missionárias, que foram assumidas pelas casas com obras próprias e através das casas com obras conveniadas:
Quadro 2: Distribuição das casas fundadas, por estado e país Localização por estado/país Total de casas abertas Total de casas fechadas São Paulo 79 49 Paraná 9 8 Goiás 2 1 Amazonas 4 2 Piauí 2 2 Rio de Janeiro 3 3 Bahia 3 2 Minas Gerais 7 7 Mato Grosso 1 1
Rio Grande do Sul 3 3
Santa Catarina 2 2
Moçambique/ África 2 0
Total 117 80
(Quadro elaborado pelo autor com base no Banco de dados)
Quadro 3: Distribuição das casas segundo as diferentes missões e os dois tipos de casas
Obras próprias Obras conveniadas Total
Instituições escolares 15 13 28 Hospitais 23 23 Asilos 11 11 Pensionato 1 1 Casas Pastorais 15 41 56 Total 31 88 119 % 26,5% 73,5% 100%
(Quadro elaborado pelo autor com base no Banco de dados)
Quadro 4: Estado atual das casas e obras da Congregação
Obras próprias Obras conveniadas Total Instituições escolares 9 1 10 Hospitais 0 0 0 Asilos 1 1 2 Pensionato 0 0 0 Casas Pastorais ou Fraternidades 10 14 24 Casa de Retiro 1 1 Total 21 16 37 % 55,26% 44,74% 100,00%
7. As diferentes frentes da missão
O projeto de expansão das congregações religiosas foi condicionado mais pelas necessidades sociais que pelo campo de ação, que cada qual elegera como carisma. Assim, ainda que grande parte das congregações imigrantes tenha declarado ao governo brasileiro seu interesse pelo trabalho escolar, nem todas puderam abrir escolas de imediato. Isso lhes exigiu dedicarem-se a outras funções que lhes garantissem o sustento até que pudessem alcançar o objetivo traçado, o que, por sua vez, lhes abria novos campos missionários (LEONARDI, 2011).
Na Congregação das Irmãs Franciscanas do Coração de Maria, quatro foram as frentes de ação: a educação, a saúde, o cuidado de idosos em asilos e a administração de um pensionato. Embora analisemos as quatro frentes, nos deteremos sobre as duas primeiras, por terem sido as mais duradouras e mais importantes na construção do patrimônio material e espiritual da organização, também porque indicam o seu grau de participação na organização do Estado Nacional.
Desde o início, a Congregação experimentou um extraordinário florescimento em forma de crescente espiral. À medida que o número de religiosas crescia, a superiora deveria arranjar destinação para elas; isso a impelia a abrir novas casas e novas obras em lugares ou cidades distintas, não só abrigando as religiosas, mas também construindo a visibilidade da organização, estabelecendo novas redes de contatos com a sociedade em geral, gerando novas doações e possibilidades de recrutamentos. Entre 1900 e 1912 houve uma grande expansão, triplicando o número de religiosas e quintuplicando o número de casas.
Por intermédio dos frades, a Congregação foi convidada pelo padre Manoel Rosa, responsável pela Santa Casa de Descalvado, em 1904, para assumir a primeira casa conveniada, onde três religiosas receberiam moradia, assistência religiosa e uma côngrua proporcional entregue mensalmente à superiora local90. O mesmo padre a convidou para a fundação da segunda casa e obra, o Lar Escola Imaculada
90 Optamos por nos referir a contribuição mensal utilizando a palavra “côngrua”, a qual expressa a
contribuição concedida aos ministros religiosos; por extensão, às religiosas. Ela não deve ser confundida com salário, pois, as freiras não eram empregadas. No capítulo III aprofundaremos a temática.
Conceição. Em 1906, por intermédio do diretor da Associação Vicentina Nossa Senhora do Desterro, de Jundiaí, três irmãs assumiram a direção do Hospital São Vicente daquela cidade. Igualmente, em 1910, Dom Nery sugeriu que a organização religiosa assumisse a direção da Creche Bento Quirino, em Campinas. Estas duas últimas se configuraram como a segunda e a terceira casas conveniadas (MARCON, 1992).
Nos dois governos de Irmã Ignez Meneghetti apenas três obras foram abertas, sendo duas por contrato: a Santa Casa de Misericórdia e o Lar dos Velhinhos, ambos abertos em 1917 em Piracicaba, e uma nova casa e obra, o Lar Escola Santa Verônica, em 1919, na cidade de Taubaté. Essa fora idealizada pelos membros da Ordem Terceira de Taubaté, os quais, convencidos pelos frades capuchinhos, convidaram a Congregação piracicabana para assumir a escola para meninas pobres, que eles haviam fundado e estava com dificuldades econômicas e pedagógicas para se manter (PEDROSO, 1996). Esta última obra possui um significado emblemático, pois foi a primeira obra aberta junto aos capuchinhos depois de quase 20 anos de fundação e, coincidentemente, um ano antes da morte de dom Nery. Este fato pode ser analisado sob duas perspectivas complementares: o fato de os frades terem preferido contar com religiosas, na direção do Lar Santa Verônica, demonstra a orientação eclesiástica, praticada desde a segunda metade do século XIX, de substituir as administrações leigas, ainda que formadas por membros da ordem terceira, por religiosas. As principais razões para isso foram os problemas econômicos ligados à manutenção da escola, dado que a ordem terceira cedia o prédio, mas não tinha como pagar os professores. As irmãs se constituíam em uma saída econômica, pois não lhes seria preciso pagar salários e, além disso, seriam mais submissas e obedientes que os leigos. De outro lado, na questão jurisdicional entre os religiosos e o bispo na ascendência e controle da congregação, já sinalizada por nós, ela acabou sendo beneficiada por aquele que gozava de maior poder, o bispo. Isto ficou claro, em função de seus múltiplos interesses.
Dom Barreto, por sua vez, investiu no crescimento da Congregação porque, de alguma forma, ela também contribuía para a consecução de seu projeto, fato que, por si só, demonstra a crescente importância social desse organismo feminino na diocese de Campinas. Já nos sete primeiros anos, o bispo criou meios para que ela assumisse cinco obras irrecusáveis: Vila São Vicente, em Campinas, em 1921;
Penido Burnier, em Campinas, em 1924; Pensionato Nossa Senhora de Lourdes, em Campinas, em 1924; Lar Escola Divina Providência, em Amparo, em 1924; Patronato São Francisco, em Campinas, em 1927, todas, obras conveniadas. Dessas, apenas a primeira lhe dava pouco retorno econômico, mas, ao mesmo tempo, era um importante espaço para construir o patrimônio simbólico e espiritual de religiosas pobres e devotadas aos necessitados, o que lhes renderia outros tipos de ganhos (BOURDIEU, 2007). Três delas se constituíram como obras próprias e foram fundamentais para fortalecer o patrimônio da organização: o Pensionato Nossa Senhora de Lourdes para moças, o Patronato São Francisco, ambos em Campinas, e o orfanato Lar da Divina Providência, em Amparo. Esta última fora idealizada e fundada por Ana Bernardino de Campos que, por indicação do clero, confiou-lhe a direção daquela obra e algum tempo depois, em 1924, lhe doou aquela obra (FONTES HISTÓRICAS, 1985).
Cremos que este fato demonstra que o aumento dos convites para assumir obras e receber doações não residia apenas na expertise que a Congregação conseguiu acumular, nos seus 25 anos de existência, mas no fato de ela ter sido incorporada à estrutura da Igreja, “como clero feminino”, tanto que, ao ser procurado pela doadora, o padre da cidade de Amparo logo lhe sugeriu a Congregação piracicabana. Aqui é possível verificar que a estrutura da diocese de Campinas e o seu clero contribuíram para a abertura de novas casas, e, delas obtiveram retornos religiosos, tal qual em uma espécie de patrimonialismo religioso91. Tal fato revela o peso de uma sociedade ancorada em uma cultura católica assistencialista e filantrópica, a qual relegava às mulheres funções subalternas na Igreja; todavia, como destacou Maria José Rosado-Nunes, isso não impediu que elas, ainda que controladas pelo clero, construíssem ali representações femininas (ROSADO-NUNES, 1996).
91 Pedroso alude à existência de um registro no Livro Tombo da Santa Casa de Descalvado, que
informa: “A superiora Geral [Irmã Cecília] tratou de adquirir casa e terreno para a instalação de uma obra dedicada às crianças pobres. O Sr. Vigário, Revmo Pe Rosa, que foi também o fautor dessa iniciativa, envidou todos esforços para conseguir a realização” (sic) (PEDROSO, 1986). Na confrontação das fontes, verificamos que Luiz C. A. Kastein indica que o fundador da obra foi o padre. Independentemente de quem tenha sido o fato é que a Congregação recebeu ajuda econômica para abrir o orfanato (KASTEIN, 2015).
7.1 A ação missionária na área educacional
A considerar pela intuição de frei Luiz, a inserção da organização feminina na área educacional se deu pela ausência de cuidados do poder público para construir uma presença social e religiosa, a qual, por ter sido reconhecida pela sociedade e pela Igreja, acabou se transformando em Congregação religiosa. Dessa primeira intuição nasceu o Asilo Maria Nossa Mãe, na cidade de Piracicaba, que logo depois passou a se chamar de Lar Escola para o cuidado de meninas órfãs. Ao verificarmos a existência de 20 obras voltadas para este tipo de cuidado, e apenas 7 colégios, fica claro que estes foram fundados para prover meios econômicos para a manutenção daqueles, que retorno econômico algum davam para a organização feminina. Com raras exceções, os espaços de cuidado infantil não foram pensados para gerar bens monetários, no entanto, também, não se configuraram como ônus para a organização, pois a própria sociedade acabava contribuindo para a manutenção deles. Além disso, eles foram responsáveis pela produção de bens altamente simbólicos e, justamente por isso, foram conservados ao longo da trajetória da organização como provas vivas da inspiração fundante de 1896. Especialmente o Asilo de Piracicaba, que, ao longo do tempo, assumiu novos nomes e sofreu reformas, ainda mantém a mesma arquitetura, tal como se o tempo, ali, tivesse parado.
É preciso considerar que no projeto ultramontano, se, por um lado, a Igreja desejou mostrar sua capacidade de educar e formar a elite brasileira, por outro, ela também oferecia seus préstimos para sanar as mazelas da sociedade, decorrentes dos maus costumes, dos problemas sociais provocados pelo capitalismo e também das catástrofes modernas, a exemplo das pandemias que quase destruíram cidades inteiras, dizimadas pela febre amarela, por exemplo, como foi o caso da região de Campinas. Fiéis às orientações do papado, muitas congregações viram no grande número de órfãos a possibilidade de dedicarem-se a eles, através de orfanatos e liceus profissionalizantes, e assim construírem o patrimônio cultural de suas organizações. Se tal trabalho não lhes gerava benefícios econômicos, lhes rendia prestígio social e reconhecimento pelos serviços beneméritos. Das instituições voltadas especificamente ao cuidado infantil, atualmente, a Congregação mantém apenas cinco unidades próprias e uma obra contratada. A maioria dessas instituições funciona como creches destinadas às crianças que ainda não
frequentam a escola, e, duas delas funcionam como contra turno, ofertando reforço escolar às crianças da periferia. Na trajetória da organização, aparecem seis identificações para expressar o cuidado com as crianças menores: asilo, lar escola, orfanato, educandário, creche, e casa da criança. Se as quatro primeiras expressavam a realidade de crianças órfãs, as duas últimas se referiam a problemas de ordem socioeconômica que atingem as famílias pobres, as quais recorrem a instituições de amparo e cuidado de seus filhos92.. Diante dos avanços das políticas públicas, hoje o número de órfãos é diminuto, mas é ainda alto o número de crianças que precisam de amparo e proteção social e outras de reforço escolar.
Quadro 5: Instituições educacionais93 Funda
ção Instituição Tipo obra de Cidade Situação Ano
1898 Asilo Nossa Mãe Própria Piracicaba/SP A
1909 Asilo e Externato Imaculada Conceição
Própria Descalvado/SP A 1910 Creche Bento Quirino Conveniada Campinas/SP F - 1993 1919 Lar Escola Santa Verônica Própria Taubaté/SP A 1921 Vila Vicentina (Escola/creche) Conveniada Campinas/SP F -1948 1924 Lar Escola Divina Providência Própria Amparo /SP A 1925 Colégio Franciscano Coração de Maria Própria Penápolis/SP A 1927 Patronato São Francisco Própria Campinas/SP F -1999 1930 Colégio Franciscano Ave Maria Própria Campinas/SP A 1940 Externato Nossa Senhora Aparecida -
Casa Coração de Jesus Própria São Paulo/SP F -1972 1941 Patronato da Cruzada Senhoras
Católicas Conveniada Santos/SP F -1967
1941 Patronato Cardoso Ribeiro (anexo
Orfanato Santa Verônica) Própria Taubaté/SP A 1949 Educandário São José Própria Herval
d'Oeste/SC F -1958 1951 Lar Escola Nossa Senhora Perpétuo
Socorro
Conveniada MontesClaros/ MG
F -1974 1952 Escola Sagrado Coração Própria Irati / PR F -1989 1953 Educandário Santa Maria Goreti Própria São Lourenço
d’Oeste/ SC F -1955 1953 Educandário Nossa Senhora
Aparecida (Divina Pastora) Própria Uraí/ PR F -2009 1953 Escola Franciscana Santa Isabel Própria Bandeirante/PR A 1955 Educandário Nossa Senhora das
Graças Própria Ibiaçá /RS F -1964
1956 Escola Normal Nossa Senhora de Fátima
Conveniada São José do Ouro/RS
F -1971
92 A luta pelo direito à creche foi reconhecido e garantido pela Constituição Cidadã, de 1988. Em 1996
a Diretrizes e Bases da Educação Nacional - LDB (Lei 9.394/96) estendeu o direito à educação as crianças de 0 à 5 anos, o que acabou desencadeando uma mudança na classificação da creche como entidade assistencial para educacional.
1957 Creche Irmã Maria Ângela Própria Campinas/SP A 1957 Casa da Criança Conveniada Rio de Janeiro/
RJ F -1957
1958 Educandário Santa Terezinha Conveniada Carapicuíba/SP F -1967 1962 Educandário Santa Rosa de Lima Conveniada Iturana /SP F -1987 1964 Creche Carolina Mota e Silva Conveniada Carapicuíba/SP F -1967 1976 Casa Anjo da Guarda Conveniada Penápolis/SP A 2008 Centro Educacional e Assistência
Social Coração de Maria
Própria Campinas/SP A (Quadro elaborado pelo autor com base no Banco de dados)
Legenda A: Aberta F: Fechada
As décadas de 1920 e 1930 representam um período fundamental para a Congregação das Irmãs Franciscanas do Coração de Maria. Foi quando ela se aventurou no campo educacional, abrindo duas importantes escolas, que, além de se converterem em importantes fontes de renda, promoveram a entrada do grupo religioso no seleto clube das congregações mantenedoras de colégios destinados às filhas das classes mais abastadas. As principais justificativas para a entrada de uma congregação no campo educacional podem ser explicadas pelo aumento da demanda causada pelo enriquecimento do interior paulista e que as congregações educadoras, anteriormente já instaladas, não davam contas de suprir. Eis que surgia um mercado educacional religioso atento aos diferentes níveis sociais, o que pode