ANNEXE VI PARTIE A
C. PROCÉDURES NÉGOCIÉES
Segundo DelMas (2002), não há uma hierarquia entre essas competências (literacia, raciocínio e pensamento estatístico), e sim uma relação mútua entre elas. Pode-se desenvolver cada competência independentemente num conteúdo específico, ao mesmo tempo que devem existir atividades que verifiquem as três competências simultaneamente.
DelMas (2002) relaciona essas competências mediante interseções, apresentando duas interpretações por meio de diagramas. A primeira apresenta as competências literacia, raciocínio e pensamento estatístico que possuem domínios independentes, porém com interseções.
Figura 1 – Domínios independentes com algumas interseções
Fonte: Delmas (2002, p. 4).
Com essa interpretação, podem existir várias combinações de competências: isoladamente, ao mesmo tempo ou duas a duas.
A segunda interpretação apresenta a literacia estatística como uma competência de abrangência geral, com o pensamento e o raciocínio incluídos em seus domínios.
Figura 2 – Raciocínio e pensamento contidos na literacia
Fonte: Delmas (2002, p. 4).
Pode-se afirmar que, se uma pessoa possui literacia estatística, ela pode ter o pensamento e o raciocínio desenvolvidos.
De qualquer maneira, pode-se notar, nas duas interpretações, que existe interseção entre as três competências, como também podem existir conteúdos em que um domínio seja mais predominante que o outro. Para DelMas (2002), num determinado conteúdo, pode-se tanto enfatizar as três capacidades independentes como desenvolver atividades que abordem as três simultaneamente. Para Campos (2007), essa segunda interpretação é mais difícil, pois requer do aluno uma grande vivência na disciplina, tanto dentro como fora da sala de aula.
DelMas (2002) ressalta que não é possível afirmar que essas competências vão surgir no aluno, se não forem tratadas explicitamente como objetivos dos professores e que a preparação de avaliações deve requerer dos alunos uma demonstração do desenvolvimento dessas competências. Para o autor, a distinção entre esses três domínios não depende do conteúdo atribuído a cada um deles. E, para facilitar a elaboração de atividades e de avaliações, DelMas (2002) apresenta uma tabela, a fim de diferenciá-las quanto aos objetivos dos exercícios. Assim, o professor pode distinguir com qual objetivo e competência ele está trabalhando.
Quadro 1 – Objetivos das atividades para distinguir as três competências
Fonte: Delmas (2002, p. 6).
Com esta tabela, é apontado por Cruz (2013) que, quando se objetiva desenvolver a literacia estatística, pede-se aos alunos que identifiquem exemplos ou conceitos, para descrever tabelas, gráficos e distribuições, interpretar os resultados estatísticos ou os resultados de um processo estatístico. Quando se objetiva desenvolver o raciocínio estatístico, é pedido aos alunos o “porquê” ou o “como” da produção dos resultados. E, quando se visa a desenvolver o pensamento estatístico, é solicitado aos alunos que justifiquem as suas conclusões, os quais são desafiados a aplicar a sua compreensão do mundo real, para criticar e avaliar as conclusões ou para generalizar conhecimentos obtidos, em sala de aula, de exemplos de situações novas.
Numa perspectiva semelhante e para melhor compreensão dessas três competências (literacia, raciocínio e pensamento estatístico), Sosa (2010) apresenta um quadro em que resume os três conceitos.
Quadro 2 – Distinção entre literacia estatística, raciocínio estatístico e pensamento estatístico Literacia estatística Raciocínio estatístico Pensamento estatístico Supõe:
conhecimento do uso da linguagem e de ferramentas estatística;
conhecimento do significado dos termos estatísticos;
reconhecimento do uso dos
É o processo pelo qual as pessoas raciocinam as ideias estatísticas e adquirem o sentido da informação estatística.
Supõe:
conexões de um conceito com
Supõe:
conhecimento do porquê e do como se realizam investigações estatísticas;
reconhecimento e compreensão dos processos completos da investigação estatística;
símbolos estatísticos;
reconhecimento e capacidade de interpretar representações de dados;
inclusão de técnicas básicas e importantes que podem ser usadas para compreender informação estatística ou resultados da investigação;
organização de dados, construção e apresentação de tabelas e trabalhar com diferentes representações de dados; inclusão da compreensão de conceitos, vocabulário e símbolos; inclusão da compreensão da probabilidade como uma medida de incerteza.
outro;
combinação de dados aleatórios;
compreensão e capacidade de explicar processos estatísticos;
interpretação da totalidade dos resultados estatísticos;
fazer interpretações baseadas num conjunto de dados ou resumir dados estatísticos.
compreensão de como se usam os modelos para simular fenômenos aleatórios e como se produzem os dados para estimar probabilidade;
reconhecimento do como, quando e porquê se usam ferramentas inferenciais;
compreender o porquê e o como as “grandes ideias” surgem na investigação estatística;
compreensão da natureza da variação e quando usar apropriadamente métodos de análise de dados;
compreensão da natureza da amostragem, como fazer inferências a partir da amostra e por que é que os desenhos experimentais são necessários para estabelecer causas. Fonte: Sosa (2010, p. 143).
Campos (2007) identifica algumas ações para auxiliar o professor, como tentar, sempre que possível, trabalhar com dados reais; relacionar os dados com o contexto em que estão inseridos; orientar os alunos para que eles interpretem seus resultados; trabalhar em grupos; promover julgamentos sobre a validade das conclusões; avaliar constantemente o desenvolvimento das três competências e para cada conteúdo; promover a triangulação objetivos, atividade e avaliação.
Uma forma de propiciar aos alunos o desenvolvimento das três competências relacionadas com as metas de ensino de estatística de Garfield e Gal (1999), que já foram mencionadas, é desenvolver projetos com os alunos, nos quais, segundo Campos (2007), no contexto da Modelagem Matemática, esse tipo de trabalho é eficiente e apresenta bons resultados quando é bem planejado.