IV.3 L’utilisation de lasers larges
IV.3.2 Procédé de fabrication
Às funções tradicionais de conservar, expor e investigar, centradas nas colecções, surgem outras dirigidas ao público que frequenta os museus. A comunicação, a difusão, o carácter educativo e o sentido lúdico, devem fazer parte da essência do museu. Sem elas, o museu deixa de cumprir a sua função primeira: o encontro directo com o público. O museu tem de ser um centro de inter-acção entre as colecções e o público. É preciso conhecer a realidade espácio-temporal do museu e acentuar as características específicas dele, que nos falem da sua localização, do tipo de colecções que alberga e do meio social em que se encontra. Mesmo agora, ainda encontramos dois tipos de museus:
1. Os que se agarram à sua tradição e com uma visão direccionada para o
passado;
2. Os que com uma perspectiva de futuro e sem renegar o melhor do seu
passado, procuram sempre evoluir e caminhar ao lado da sociedade em transformação, contribuindo para a sua mudança.
A dinâmica do museu estará, sempre, orientada em função de um programa museológico previamente elaborado e de uma equipa multidisciplinar que interaja formada por, entre outros, arquitectos, desenhadores e museólogos, procurando assim seduzir o público. A museologia não pode ser considerada como uma ciência exacta que impõe os seus critérios, mas ela tem de ser o próprio museu e a comunidade os quais, tendo em conta a sua situação pública, económica e cultural, vão eleger os objectivos e a política a seguir. “Não podemos esquecer que o museu tem que estar em função ao público, para educar e comunicar, sem relegar a missão de conservar os testemunhos
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culturais que há-de transmitir às gerações futuras”97. O museu é um lugar de
descontextualização, onde a colecção nos faz divagar nos nossos pensamentos, nos leva ao nosso imaginário. O MNF tem tudo para nos pôr a sonhar, com a riqueza das suas colecções que ao perderem as suas funções, se transformam num discurso museológico, transformar o olhar em ver, apoiado numa esteticidade sustentada numa cenografia que nos comunica sensações, permitindo a fruição do belo. As colecções do MNF (Fig. 41), levam-nos ao material circulante, aos equipamentos de via e catenária, de oficinas, de comunicação, informação e sinalização, de estação e de escritório, aos horários, aos tarifários e à bilhética, a equipamentos de protecção e segurança, de restauração, têxteis, de saúde e o espólio documental.
Fig. 41 – site FMNF
É por demais evidente, da dificuldade em mostrar tanta colecção. Qual a origem? Como se deu a sua evolução? Qual o seu papel perante a comunidade em que está inserida? Qual a relação das colecções com o meio envolvente dos edifícios? O MNF, o seu Director e a sua equipa não deixarão de obter respostas a estas questões.
3.6. a museografia
O MNF ajudará os portugueses a reconhecerem-se na história do caminho-de- ferro além de que, socialmente, irá ajudar a perpetuar a memória dos naturais do Entroncamento nomeadamente, sobre a educação, a vida, a alimentação, a família, a habitação, o trabalho e o transporte. Permitirá ainda à região conhecer, entre outros aspectos, como este meio de transporte trouxe novas profissões e, ao país, “interessará
89 como a especificidade do trabalho na ferrovia contribuiu para modificar as práticas e as
formas de trabalho”98.
Ao longo dos anos de Comissões Instaladoras, nunca foi uma prioridade museografar o espaço do MNF, no Entroncamento. Houve outras prioridades, outras metodologias, umas certas outras menos certas. Com estas premissas e a enorme e variada colecção existente, toda uma museografia terá de ser pensada numa perspectiva de contar várias estórias, numa história com 150 anos, ou seja, a história dos caminhos- de-ferro em Portugal. A colecção, não se esgota no material circulante, ainda que seja esta a mais atractiva a nível de representação e capaz de suscitar o maior interesse do público visitante. Mas a sua diversidade confirma-se pela origem do património, nos seus diferentes contextos, nos seus diferentes testemunhos, nos diferentes materiais que o constituem onde, além dos predominantes madeira e ferro, podemos encontrar o inox, o papel, a baquelite, a cerâmica, o plástico, o vidro e ainda os tecidos, com dimensões tão díspares onde, algumas delas, atingem expressões volumétricas consideráveis. O património que integra o património do MNF encontra-se em diversos estádios de conservação. Um melhor preservado, o que foi guardado durante anos nas Cocheiras de
Carruagens, nas ex-Secções Museológicas, agora Núcleos Museológicos e o que durante anos foi sujeito às intempéries onde algum material circulante é disso exemplo, ainda que fosse tentado alguma preservação com a cobertura de oleados, não tendo resultado (Fig. 42). Por isso, impõe-se uma ampla e variada programação museográfica, “uma responsável e ponderada abordagem sobre os espaços necessários de carácter definitivo, as suas tipologias e potencialidades para albergar, em condições diferenciadas, um acervo único, numeroso e de valia técnica e histórica que ultrapassa já
as fronteiras do País”99. A exposição é o principal factor de atracção de públicos, em
articulação com a política educativa, também a política editorial e, cada vez mais, as estratégias de marketing. A manutenção do acervo, a musealização dos espaços aliada a uma imagem de uma instituição que sabe defender o seu passado a pensar no futuro, deverão sempre ser garantidas pela equipa do museu, de acordo com as orientações da direcção. O MNF deverá articular as exposições permanentes com as temporárias, havendo a necessidade de rotatividade de peças na própria exposição permanente.
98 Ver, MUSEU NACIONAL FERROVIÁRIO. PROGRAMA MUSEOLÓGICO PRELIMINAR, Comissão
Instaladora do Museu Nacional Ferroviário, Setembro de 2004, p. 10.
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Fig. 42 – Coberturas de material circulante MNF (Foto Luís Filipe)
O espaço generoso de que o MNF é possuidor, permite obter uma museografia bem diversificada quer passando pelos edifícios já existentes, alguns deles já em obras de adaptação/requalificação, quer pelo seu espaço circundante, num compromisso
evidente entre a funcionalidade dos espaços – públicos, privados e de acesso
condicionado – e as necessidades do seu acervo de modo a conseguir-se uma gestão
equilibrada numa salvaguarda da qualidade científica de projecto. Com peças de enorme volumetria e correspondente peso a dificultar a sua manobra, o MNF apostará, certamente, nas exposições de longa duração de que serão “cabeças de cartaz” as composições históricas já aludidas anteriormente, não deixando de dar enfoque às diversas fases e tipos de energia de tracção – o vapor, o diesel e o eléctrico -, a sua cronologia, os construtores e as suas funções, entre outras valências científicas. A criação de circuitos, temáticos ou não, irá depender do conjunto de espaços existentes
ou a criar – cobertos, a cobrir ou ainda, protegidos – e da natural articulação da planta
de linhas disponíveis, para permitir a manobra de comboios num desenvolvimento lógico de percursos de exposição. Parte das vias a manter deve ser construída com os métodos e os materiais que expliquem e tornem perceptível o percurso evolutivo de assentamento da via, das travessas e até de alguma sinalização, incluindo a catenária. A musealização quer dos espaços, quer dos edifícios deve prever a utilização dos equipamentos existentes estáticos, uns e tornando automatizados, outros. As exposições abarcarão áreas complementares do caminho-de-ferro, com recriação de ambientes, como por exemplo, na temática da saúde, da formação, das comunicações, da via, da arquitectura e ainda, na sinalização, nos fardamentos, na técnica de construção de
91 veículos, obras de arte, urbanismo, no desenvolvimento e criação de núcleos urbanos através das migrações. Com o tratamento integrado da colecção nacional, todas estas manifestações culturais, alimentarão a dinâmica dos espaços museológicos não só em
termos de imagem e de qualidades técnica e científica – aumentando a sua atractividade
e potenciando a renovação de públicos -, como obedecendo a uma lógica de economia de recursos humanos, logísticos e técnicos. O espaço envolvente dos edifícios merecerá, também, a sua própria musealização numa valência de acesso e de circulação de visitantes, de veículos de serviço e ainda de socorro rodoviários, com a criação de zonas de protecção de intempéries e de descanso.
A análise do campo museológico vem demonstrar que o Museu se instalará num
complexo ferroviário industrial, assumindo esse complexo, nos seus limites legais100, no
ponto de vista museológico estabelecendo, assim, a ligação entre o contentor e os conteúdos, por via das colecções que dispõe, sobretudo material circulante que vai ser exposto sobre linhas ferroviárias nas oficinas industriais e na Rotunda de Locomotivas, arquitectonicamente recreada para o efeito. Entre o material circulante, constam conjuntos específicos que podem ser mostrados como composições especiais e próprias. Para além disso, o complexo industrial é, ainda, uma paisagem ferroviária, com todas as suas características, dada a dimensão da área envolvida.
O conjunto de objectos de transporte e industriais que estão em depósito constituem o acervo, por excelência, do património ferroviário com os quais se poderão estabelecer os conteúdos das exposições permanentes e temporárias.
Até que ponto, esta filosofia, é independente da museologia industrial?
100 Pela razão da continuação do funcionamento da Triagem (feixe de linhas para distribuição de vagões