Probability and Distributions
6.1 Construction of a Probability Space
6.1.2 Probability and Random Variables
Pode-se dizer que uma “ação responsável” tem um caráter pessoal, pois sua realização está vinculada a um agente, e seu efeito permanecerá no mundo compartilhado com os outros, é uma atitude que estará aparente a todos e que vai compor a História da Humanidade. Nesse sentido, conforme Hannah Arendt (2004b), “O julgamento é uma, senão a mais importante, atividade em que ocorre esse compartilhar-o-mundo”, ou seja, ter responsabilidade, para a autora, é prever os efeitos dos possíveis comportamentos, e diante dessa previsão, decidir, julgar qual atitude tomar. Ela descarta a prerrogativa de uma responsabilidade coletiva, ou seja, onde todos são responsáveis e não se identifica quem tomou uma atitude, não há como imputar a ação a uma pessoa. Ser responsável está em relação com algo possível de acontecer, com o futuro. Diferentemente da imputabilidade, que atribui uma ação a um agente, considerando seu causador, ou seja, o olhar está para uma ação que já aconteceu, que faz parte do passado.
Diante disso, como decidir, sem critérios e regras, qual a atitude para compartilhar o mundo com outros homens? Qual será o elemento que possibilita prever os efeitos de seus atos? Arendt, sob este aspecto, suspende por um momento, a teoria da perspectiva lógico-argumentativa que trata das essências e do universal, de que a partir da essência primordial temos o modelo universal humano, como se eles fossem repetições intermináveis de um modelo, todos com a mesma natureza, e, portanto, tudo seria previsível2, tudo estaria determinado, em favor da teoria da perspectiva da aparência e da permanência3, tal tese, vem analisar o domínio dos assuntos humanos,
expondo a natalidade como perspectiva deste novo domínio em que a
1 Professora.
2 ARENDT, 2004, p.16.
pluralidade é aparente na história da humanidade. Assim, ao considerar que um novo homem surge a cada nascimento, e com isso, nascem novas situações e novos desafios, faz-se necessário situar como este novo homem ou “ser-real” estabelece seu critério ou seu princípio e como este julgará o modo de se relacionar com os outros e consigo mesmo ao compartilhar o mundo.
Deste modo, tal tese defendida pela autora muda a perspectiva sobre o homem e sobre olhar do mundo, a fim de refletir sobre os assuntos humanos, atentando ainda para as questões que envolvem as relações entre os homens como: a justiça, a felicidade, a liberdade, e outras mais. Avalia também, a alteração, quais interferências à mudança podem causar sobre as condições dos homens, e como resguardar o que é próprio aos humanos.
A perspectiva da aparência e permanência propõe que o homem aparece no mundo e é pelos sentidos físicos que apreende o mundo. O aparecimento físico original do homem, ao nascer, garante uma identidade física sem qualquer atividade própria. A expressão “aparecimento físico original” implica a origem do homem e ao se revelar aos outros, fato que confirma a sua existência. Portanto, se conclui que a existência de um homem estará sempre vinculada à existência de outros homens.
Destaca-se, então, que essa relação do homem com o homem acontece em um espaço de aparência, num mundo permanente e que compõe a história da humanidade. E com isso, o que é permanente é o planeta que sempre existiu e existirá, enquanto os homens surgem e dele desaparecem. Como diz Arendt sobre o assunto: "em um mundo que precede a nossa própria chegada e que sobreviverá à nossa partida”4. Deste modo, se estabelece a natureza fenomênica do mundo
tendo como a sua principal característica –
a permanência
. Então, é através do mundo perceptível a todos que se dá início as ações humanas, pois o mundo contém muitas coisas a serem vistas, ouvidas, tocadas, cheiradas, enfim, a serem percebidas. Assim, com relação à existência do homem, é admissível parafrasear Arendt: “[...] não é o4 ARENDT, 2000, p.31.
Homem, mas os homens quem habita o planeta. A pluralidade é a lei da terra”5. A dimensão da aparência é o que apresenta o ser vivo, isto
é, somos seres que, para existir, pressupomos um espectador. Isto quer dizer que, todos têm receptores das aparências: olhos, ouvidos, olfato, tato, paladar, logo, o que é visível é para ser percebido e nada existe no singular. É na pluralidade que tudo aparece no planeta, portanto, o que existe no mundo está destinado a ser percebido por alguém.
O que permanece, entre os homens e fora dos homens, é a História da Humanidade. Dizemos e
ntre
os homens porque cada recém-chegado incide sobre teias de relações humanas com suaHistória
. Dizemosfora
dos homens porque é o mundo humano com suas obras e o mundo das coisas que os relacionam e os interligam. Ambas as condições ocorrem no mundo que sempre existiu e existirá. O mundo não tem princípio nem fim, como a História da Humanidade produzida pela ação dos homens. Portanto, o que permanece é a natureza fenomênica6 do mundo e a História daHumanidade, as quais estão em estreitíssima conexão. Ao homem é inerente a mundaneidade:
Somos do mundo e não estamos meramente nele, também somos aparências, em virtude de chegarmos e partirmos, de aparecermos e desaparecermos, embora venhamos de parte nenhuma, chegamos bem equipados para lidar com seja o que for que nos aparece e para tomar parte no jogo do mundo7. Esse novo homem, ser-real, tem a característica de sujeito e objeto. "A mundaneidade das coisas vivas significa que não existe nenhum sujeito que não seja também um objeto e não apareça como tal a outra criatura, que garante a sua realidade objetiva”8.
Estar vivo
significa: primeiro, que vivemos em um mundo que precedeu a nossa própria chegada e que sobreviverá a nossa própria partida; segundo, que estamos possuídos de um impulso de5 ARENDT, 2000, p.29.
6 Arendt comenta na obra “Entre o passado e o futuro” (ARENDT, 2005). 7 ARENDT, 2000, p.33.
automostração que corresponde ao fato de nossa dimensão de aparência. Se aparece, aparece a alguém: ao expectador, porque “tudo o que pode ver deseja ser visto, tudo que pode ouvir pede para ser ouvido, tudo que pode tocar, pede para ser tocado”9. Este impulso de “automostração” mostrado por Arendt é diferente do instinto de preservação da vida, e transcende o que é necessário à atração sexual (permanência da espécie).
Este impulso de se mostrar ao outro, ver e ser visto pelo outro, tocar e ser tocado por outro, é um indicativo de como a aparência interfere no desenvolvimento das capacidades exclusivamente humanas. A receptividade dos nossos sentidos, com a predominância das aparências, é uma atividade espontânea, e o impulso para aparecer atinge, no homem, seu ponto mais elevado em relação às formas de vida animal.
Entretanto, responder a pergunta como julgar sem critérios e regras gerais, é estar disposto a enfrentar a realidade, os acontecimentos reais, por isso, a dificuldade em decidir surge, porque as pessoas perdem com facilidade o sentimento de “ser-real”, sendo uma aparência no meio de aparências. E o não pensar, é decorrente desta perda. Mediante isso, percebe-se que as pessoas se acostumam a não tomar decisões apegando-se a qualquer regra de conduta, sem prever os efeitos possíveis de seu comportamento, ou seja, o que irá aparecer e continuar no mundo compartilhado pelos homens10.
O “ser-real”, é estar entre homens, é saber que se aparece de lugar algum e se desaparece para lugar nenhum em um mundo que é perene e durável, logo, “ser-real” é a experiência do eu consigo mesmo. Arendt menciona que o sentimento de “ser-real”, uma aparência no meio das aparências, equipada com um senso comum, proporcionando a sensação de realidade:
O sentimento de ser real acompanha efetivamente todas as sensações dos meus sentidos, as quais sem ele não fariam sentido. [...] nosso mundo é visível porque temos visão, é
9 ARENDT, 2000, p.30.
audível por que temos audição, pode-se ser tocado, e está cheio de cheiros e sabores, por que temos tato, olfato e gosto11. Pensar é estar equipado de um senso comum, que prepara as coisas que estão presentes aos sentidos, tornando-os não sensíveis, invisíveis. Assim, para confirmar tal posicionamento, Arendt expõe: "Todo o ato do espírito assenta na faculdade do espírito de ter presente diante de si o que está ausente o sentido”12. Para a autora são
três as atividades mentais basilares - o pensar, o julgar e o querer, sendo a característica principal das atividades mentais a sua invisibilidade, com isso, a imaginação torna o objeto sensível, visível em uma imagem não sensível, onde tal faculdade torna possível o pensamento. Essas atividades humanas, do ser-real, têm apetite, necessitam de uma razão, o sentido de ‘ser-real’.
Prever é imaginar, a partir das experiências mundanas poder suscitar questões como: O que é a liberdade?, O que é a justiça?, O que é a dignidade humana? e assim por diante, contribuindo para a grandeza da humanidade e sua permanência no mundo ao compartilhá-lo com outros indivíduos. Relacionado a este pensamento, Hannah Arendt menciona:
[...] temos de ter visto pessoas felizes e infelizes, ou testemunhado atos justos e injustos, experimentado o desejo de saber e conhecido a satisfação ou a frustração deste. Mais ainda, temos que repetir a experiência direta no nosso espírito depois de deixarmos a cena onde ela ocorreu. Dizendo-o mais uma vez, todo o pensamento é uma reflexão. Repetindo na imaginação tornamos não sensível seja o que for que tenha sido dado aos nossos sentidos. É só nesta forma imaterial que pode a nossa faculdade de pensar começar agora a ocupar-se destes dados. Esta operação precede todo o processo de pensamento, tanto pensamento cognitivo como o pensamento acerca do sentido [...] todo o pensamento surge da experiência,
11 ARENDT, 1999b, p.61.
mas nenhuma experiência produz qualquer sentido ou mesmo coerência sem passar pelas operações de imaginar e pensar13. É deste modo, que surge o
princípio próprio
de cada um, de “ser- real”, o de ter disposição no enfrentamento da realidade, logo, não vivendo uma vida de ilusões. Com isso, pode-se compreender que as ilusões condicionariam a conduta humana, tornando o homem um ser não pensante, ou seja, obediente àquilo que estratifica tal ilusão, como mostra a colocação de Arendt: “Foi o pensar que deu ao homem a capacidade de penetrar nas aparências e desmascará-las como ilusão”14. Portanto, ainda sobre esse aspecto, Arendt prossegue:"Não existe obediência em questões políticas e morais”15. Assim, pode-
se concluir que enfrentar a realidade, os acontecimentos reais, é duvidar, é examinar as circunstâncias com o objetivo de tomar decisões, é julgar a partir da realidade que se antecipa ao pensar e o que se quer como realidade.
É na atividade de julgar que a relação do eu consigo mesmo mostra a alteridade humana, por conseguinte, o juízo é uma atividade do espírito que está diretamente ligada aos acontecimentos reais, que enfrenta a realidade. Arendt observa este aspecto da relação do eu consigo mesmo da seguinte forma:
[...] sem subsumi-lo naquelas regras gerais que podem ser condicionadas, e substituídas por outros condicionamentos16. [...] E parece ser muito mais fácil condicionar o comportamento humano e fazer as pessoas se portarem, mais inesperadamente e abominável, do que convencer alguém a aprender com a experiência17.
Para Arendt, o pensar dispõe de faculdades como o intelecto, a razão e a cognição. O intelecto quer aprender o que é dado aos sentidos. A razão quer compreender seu sentido, a cognição quer a verdade, e a verdade está localizada na evidência dos sentidos, porque
13 ARENDT, 1999b, p.99s. 14 ARENDT, 1999, p.64s. 15 ARENDT, 2004, p.108. 16 ARENDT, 2004b, p.257. 17 ARENDT, 2004b, p.100.
uma coisa é ou existe de todo, porque sua existência é certa. A razão é a condição
a priori
do intelecto e da cognição. “Os homens estabelecem-se a si mesmo como seres que põem perguntas.” Há um apetite de sentido, isto é o que chama de pensar18.O pensar e o julgar são atividades que ocorrem no mundo dos homens, estas aniquilam as distâncias temporais e espaciais por meio da imaginação (memória dos sentidos), decorrentes das experiências vividas do “ser-real”, também possibilitam prever os efeitos de seus possíveis atos e de julgar aquilo que deve permanecer no planeta Terra, ao compartilhar a história da humanidade com outros seres humanos.
O juízo é o misterioso dom pelo qual o geral, que é sempre uma construção mental, e o particular, que é dado aos sentidos, são reunidos [...] natureza autônoma do juízo, o qual não desce do geral para o particular, mas ascende do particular ao universal, decidindo sem regras gerais [...] O princípio orientador, o julgar, só pode se dar como uma lei de e para si mesmo19.
Uma das características do homem é sua impermanência, isto é, o de não ser eterno, pois surge de lugar algum no mundo e desaparece para lugar nenhum. Decorre, então, desta característica a condição de interdependência entre indivíduos, pois a ação dos homens revela a expressão narrativa da história da humanidade, possibilitando o encontro do novo e do velho, favorecendo, deste modo na permanência do ser humano no planeta. No entanto, Arendt e René Char exploram a temática da seguinte forma: "a nossa herança não é precedida por nenhum testamento"20; isto pode ser considerado um
tesouro, um patrimônio da humanidade tanto quanto partilhar palavras e atos como revelar-se a outrem, logo, mantém-se a existência de humanos no mundo. Por isso, quando se decide por uma ação ou outra, prevendo seus efeitos, é, na verdade, a decisão humana de envolver-se com a estabilidade e durabilidade do mundo diante do
18 ARENDT, 1999b, p.72.
19 ARENDT, 1999b, p.81s.
espírito da novidade e do entusiasmo humano na perspectiva da aparência e permanência, caso contrário, ter-se-ia uma retroversão da história da humanidade, ou seja, seu fim, em que o único domicílio fixo é o corpo vivido como se fosse uma maldição.
Todavia, a política versa sobre os assuntos relacionados ao homem, sendo a liberdade das futuras gerações um de seus temas, o qual depende da responsabilidade pessoal para decidir o que se deseja deixar às gerações vindouras. Porém, percebe-se de fato, uma despersonalização como consequência da fuga da responsabilidade pessoal, e, observa-se uma irresponsabilidade mundial bem organizada - o governo de ninguém, onde todos são responsáveis e ninguém é. Entretanto, há um vácuo ético decorrente de novas situações, de novos desafios, de uma ruptura com a tradição, com o passado, situação que acarretará um perigoso buraco negro da memória como se fosse um sumidouro. Portanto, este vazio que é proveniente do não sentir e não viver, da renúncia à vida, da perda total do estímulo de referência do homem, da integridade, da dignidade e da liberdade não condiz, de forma absoluta, com a atitude de “compartilhar-o-mundo”.
O “compartilhar-o-mundo” não pode ser confundido com o “bem comum”. Este, por sua vez, institui a existência de um bem, o qual é possuidor de valor comum essencial a todos na sua individualidade, assim a característica de portabilidade do bem é que possui seu verdadeiro valor. O princípio que rege o bem comum está subordinado à comunidade. As atitudes estão vinculadas ao bem da comunidade. Contudo, neste momento, valem as perguntas: Quem é portador e interprete do que é o “bem comum”? Quais são os últimos valores da sociedade e das regras de coexistência? Como utilizar das coisas deste mundo, proporcionando o bem comum a todos, sem correr o risco de desintegrar a sociedade, e somente encontrar a integração mediante o uso da força e da violência? A partir de tais questionamentos, conclui-se que o que sustenta e edifica a concepção de “bem comum” é um sentimento egoísta, da portabilidade de riqueza, pois há o incentivo ao individualismo, o que se resume a cada um “viver no seu quadrado”, isolado, na solidão, não havendo o outro nem o mundo. Alguém decidiu o que é bom para cada indivíduo, dentro do seu quadrado, e, se houver alguma decisão, terá
como base a necessidade do indivíduo, "dentro do seu quadrado", porque não há o que ele pensar e julgar, ele está condicionado em seu quadrado, para somente metabolizar o que há no mundo.
Por isso, compartilhar implica dizer que quem faz parte do mundo não está só nele, e sim, compartilha algo com alguém em algum lugar, isto é, compartir não tem implicação alguma com propriedade, pois o mundo não é propriedade de ninguém. Por outro lado, sem propriedade não há uso do mundo, é completamente à parte de seu uso e dessa carência sem fim do consumismo moderno. O que existe é o beneficio para as pessoas em compartilhar-o-mundo. Beneficio é melhorar o que aparece, é se ajustar ao que favorece o “compartilhar-o-mundo”, é ter o discernimento para encontrar o que propicia a alegria de estar com os outros e no mundo, e romper com o que a impede de aparecer. Isso é possível porque os homens tem uma curiosidade acerca das coisas do mundo, das coisas reais. Nesse sentido, Arendt nos lembra de “[...] nossa curiosidade acerca do mundo, do nosso desejo de investigar tudo o que é dado ao nosso aparelho sensorial”21. E, é com base na sensação de realidade - a
experimentação do mundo e da experiência do "ser-real" dentro de si, que o homem se apropria da história da humanidade ao estar em contato com outros indivíduos e com o planeta, o qual continuará oferecendo um constante fluxo de homens – que é possível imaginar quais seriam as admissíveis ações e seus efeitos, e com isso julgar o que seria benéfico para se “compartilhar-o-mundo”.
Conclui-se que é a atitude de cada “ser-real” que deseja estar consigo mesmo, com o outro e no mundo, demonstrando a responsabilidade pessoal para compartilhar o mundo. O seu próprio e único princípio moral que não se ensina, mas é o que decorre da experiência e experimentação do mundo que se ajusta favoravelmente ao compartilhamento do planeta. Consequentemente, a invisibilidade do pensar tem a memória, a recordação e a imaginação que permitem a reflexão, porém a imaginação é que permite prever os possíveis efeitos das possíveis atitudes, julgando com convicção a existência da humanidade, ou seja, estar imbuído do desejo de estar junto a outrem
21 ARENDT, 1999b, p.69.
no mundo. Assim, a responsabilidade pessoal em compartilhar o mundo é decidir, é julgar a partir de si o que se quer para si mesmo, para com os outros, para com quem se escolhe conviver e para com o mundo que permanecerá.
Referências:
ARENDT, Hannah. A condição humana. Trad. de Roberto Raposo; Posfácio de Celso Lafer. 10. ed. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2004a.
______. Entre o passado e o futuro. Trad. Mauro W. Barbosa. São Paulo: Perspectiva, 2005 [Debates; 64 / Dirigida por J. Guinsburg]. ______. Lições sobre a filosofia política de Kant. Trad. João C. S. Duarte. Lisboa: Instituto Piaget, 1999a.
______. Responsabilidade e julgamento. Edição de Jerome Kohn; Trad. técnica Bethânia Assy e André Duarte. São Paulo: Companhia das Letras, 2004b.
______. Sobre a Revolução. Trad. I. Morais. Lisboa: Relógio D’água, 2001.
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