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Préoccupations stylistiques

Dans le document PSYCHOLOGY - PEDAGOGY (Page 173-177)

THE STUDY OF VARIANTS IN CORNEILLE’S COMIC ILLUSION Abstract

4. Préoccupations stylistiques

Dos anos 30 aos anos 50, o WM dominou e era considerado quase perfeito, em que a visão táctica do jogo continuava demasiado rígida ao nível posicional (Lobo, 2008). Gustav Sebes e a selecção húngara mudaram esse curso dos acontecimentos.

Em 1953, a Hungria foi jogar a Inglaterra e os oitenta e um anos de invencibilidade da Inglaterra em casa perante equipas estrangeiras chegou ao fim, com uma vitória por 6-3 para a Hungria. Um mês depois, desta vez na Hungria, nova vitória por uns contundentes 7-1 (História do Futebol, 2003).

Sebes operou uma mudança profunda na concepção táctica da época, sendo dada aos jogadores liberdade para experimentarem, impondo uma dinâmica (mobilidade) dos jogadores e da equipa até então inexistente nas equipas da época, de tal maneira que a sua estrutura assumia contornos distintos aquando do momento ofensivo e do momento defensivo.

Em retrospectiva, o treinador da selecção húngara conhecedor da rigidez posicional do WM assente em fortes «marcações individuais», potenciou na sua equipa a capacidade de criação de espaços no momento de ataque percebendo a necessidade da equipa estar bem posicionada para defender quando não tinha a bola.

Lobo (2008) refere que o falso ponta de lança recuava no terreno, dando passos atrás no campo para ser acompanhado pelo seu marcador directo e era nesse momento que a bola entrava nos espaços vazios, nas costas da defesa inglesa, convertendo o WM em um MM. Já em posições defensivas, os húngaros adoptavam o UM, com a subida dos extremos e o recuo dos interiores e do avançado centro (Jónatas et al., 2006) (ver Figura 8).

Imbuída por ideias que manifestamente exaltavam um jogo de ataque, a equipa húngara de Sebes chegava a movimentar-se no campo de maneira a que, aquando do recuo do ponta de lança, os dois interiores avançavam no terreno para formar uma dupla de avançados centro e que juntamente com os dois extremos indiciavam, segundo Castro et al. (2006) e Lobo (2008), uma transição do WM para uma estrutura que viria a surgir poucos anos mais tarde: o 1-4-2-4 (um guarda-redes, quatro defesas, dois médios e quatro atacantes).

Com um jogar assente em constantes alterações posicionais, a par de outras tantas qualidades dos seus jogadores, a equipa húngara e o seu treinador Gustav Sebes revolucionaram um período de «antítese» ao seu futebol praticado. Juntos opuseram-se ao estaticismo posicional que até então vigorava com a dinâmica (entenda-se, mobilidade) da equipa e dos jogadores, dinâmica essa que passou a ser um aspecto fundamental do Jogo.

Figura 8. Representação das Estruturas MM e UM da Hungria de Gustav Sebes.

No Continente Americano também se foram processando modificações no Jogo, fruto de anos e anos de Futebol (já) vivido, pensado e praticado. De destacar a selecção brasileira nos Mundiais de 1958 e 1962 com as suas

Equipa a atacar - MM

Gr

Equipa a defender - UM

conjugar as características e capacidades dos jogadores ao posicionamento por eles apresentado durante o jogo (Guilherme Oliveira, 2004), cujas estruturas de jogo se encontram representadas na Figura 9.

Foi no Mundial de 58 que o campeão Brasil se apresentou com a já mencionada inovação posicional representada pelo 1-4-2-4. Comparativamente à estrutura magiar (húngara) esta estrutura promove a descida de um dos interiores para a posição de médio e um dos médios centro para o lado do stopper e assim criar uma linha de quatro defesas, com dois centrais (Jónatas et al., 2006).

Para Castelo (2004), com este «sistema de jogo» o Brasil demonstrou uma vantagem: rapidez de transformar uma forte defesa num forte ataque, aliado à mobilidade dos jogadores para desta forma criar situações de superioridade numérica. O mesmo autor acrescenta que, pela primeira vez na história do Futebol o número de jogadores a constituírem o sector defensivo superava o número de jogadores do sector avançado.

Quatro anos mais tarde, no Mundial de 62, o Brasil sagrava-se novamente campeão com um 1-4-3-3 em que a linha média passava a ser constituída por três jogadores e a linha avançada somente com três. Esta estrutura derivava da utilizada no mundial anterior, com a adaptação do falso extremo (esquerdo) a um constante auxílio na zona intermediária (Jónatas et al., 2006).

Figura 9. Representação das Estruturas 1-4-2-4 (Brasil de 1958) e 1-4-3-3 (Brasil de 1962).

Os inícios da segunda metade do século XX parecem indiciar uma revolução ao nível das manifestações do jogar em que as ideias que o

Gr Gr

treinador tinha sobre o jogo que pretendia para a sua equipa se conjugam cada vez mais e melhor às características e capacidades dos seus jogadores. Por outro lado, parecem igualmente rumar na prossecução dos objectivos preconizados pelo próprio Jogo, ou seja, a procura do golo e da vitória.

Puskas, um dos melhores jogadores da história do Futebol e o mais famoso do Futebol húngaro recorda que “éramos os melhores do nosso tempo, o que nos permitia fazer muitas mudanças durante o jogo, mover-nos por todos os lados, e ficar com a bola a maior parte do tempo. Simplesmente, um goleiro, três defensores, dois meio campistas e cinco atacantes” (in Castro et al., 2006: 51).

Todavia, à semelhança da evolução (ou involução) verificada até então, outros treinadores e equipas procuraram outros «caminhos», sustentados em estruturas cuja dinâmica privilegiava primeiramente um maior rigor defensivo em detrimento de um maior pendor ofensivo. Um exemplo empírico desta tendência pode ser dado com o Campeonato do Mundo de Inglaterra, em 1966, em que todas as equipas reforçaram o seu sector defensivo ao apresentarem superioridade numérica dos defesas face aos avançados utilizados (Godik & Popov, 1993).

Os mesmos autores sublinham também que as equipas e os jogadores se distinguiam pelas suas valências físicas, agudizando a luta pelo domínio do meio campo. Por isto, não surpreende o Futebol exibido pela campeã, Inglaterra, ter sido apelidado de «futebol industrial» onde todos os jogadores trabalhavam muito…em que o trabalho dominava sobre o jogo a produzir.

Assente nesta filosofia de jogo de grandes cautelas defensivas, novas estruturas de jogo passaram a desenhar-se em campo como foram os casos do 1-5-3-2 (1 guarda-redes, 5 defesas, 3 médios, 2 avançados) ou o 1-5-4-1 (1 guarda-redes, 5 defesas, 4 médios, 1 avançado), em que se tornava evidente a superioridade do número de jogadores do sector defensivo em relação ao dos sectores intermédio e avançado. O «libero» passava a assumir um papel determinante na equipa ao jogar nas costas dos 2 defesas centrais e desempenhar funções de cobertura aos seus companheiros (Castelo, 2004;

Assim reinou Helenio Herrera, reconhecido mundialmente por ter introduzido a palavra «catenaccio» no léxico do futebol (ver Figura 10). Por detrás de uma estratégia de «não arriscar» estava a pressão para obter resultados. Em 1964 e 1965 consagrou-se campeão europeu com o Inter de Milão e tornou a equipa num símbolo do princípio de que o «1-0», com o golo marcado no contra-ataque era o resultado ideal (História do Futebol, 2003).

Figura 10. Representação das Estruturas 1-5-3-2 (1-1-4-3-2) e 1-5-4-1 (1-1-4-4-1) (Catenaccio) de Helenio Herrera.

Os finais da década de 50 e a década de 60 revelaram-se determinantes para a evolução do Jogo com o aparecimento de novas ideias que evolucionaram a componente táctica e o aparecimento de jogadores muito dotados tecnicamente (Guilherme Oliveira, 2004).

Com os jogadores a abandonarem a noção estática de posição para adquirirem uma noção que engloba uma maior abrangência e exigência de funções, via-se incrementado o dinamismo dos jogadores e do próprio jogo, sendo dada maior liberdade à criatividade desses jogadores para ser manifestada em jogo, algo que até então não acontecia.

Chegámos a uma fase da história do Futebol em que o jogar em 1-4-2-4 ou em 1-4-3-3 (etc.) parece carecer de um enquadramento conceptual e operacional da organização do jogo das equipas como estruturas do jogo (entenda-se, organização estrutural) das equipas. Quando outrora, p.e., jogar em 1-4-3-3 implicava uma elevada correlação entre a estrutura (de jogo) e as funções a cumprir pelos jogadores e pela equipa assim como as características específicas resultantes desse jogar («sistema estático», pobre em interacções

Gr Gr

ou funcionalidade colectiva), marcando a diferença a capacidade individual dos jogadores; com a evolução ocorrida neste período, estes «sistemas» passaram a estar sujeitos a uma grande dinâmica funcional, colectiva e individual, de forma a (até) se poderem converter em outras estruturas (Guilherme Oliveira, 2004).

Aliás, “uma mesma estrutura gera dinâmicas diferentes e por isso, um «jogar» diferente. A evidenciar esse facto, percebemos que existem inúmeras equipas que partem de uma mesma estrutura mas a organização das relações dos jogadores nos vários momentos são díspares” (Silva, 2008: 28).

Partindo da lógica que tem vindo a ser apresentada, surge a explicação do termos distinguido o conceito de estrutura e de sistema10

(de jogo). Pertinentemente, Guilherme Oliveira (2004: 26) justifica o denominar-se “organização estrutural à disposição inicial dos jogadores em campo (1-4-2-4, 1-4-4-2, 1-4-3-3…) e sistema (táctico) de jogo ao conjunto da organização estrutural, da organização funcional, da dinâmica, que a equipa consegue ter em jogo, e das respectivas características específicas que lhe dão sentido, evidenciando uma determinada forma de jogar”.

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