O papel do educador tem sido um tema muito discutido por educadores (COLOM, 2004; FREIRE, 1996; PACHECO,1996; PADILHA, 2004). Sobre isto, Moraes (2010a) discute a necessidade de superar a visão simplista do conhecimento voltada apenas para uma concepção de transmissão. A autora relata que é preciso ampliar o número de vozes que combatem a visão reducionista do conhecimento.
Quanto a isto, os participantes foram perguntados sobre qual deveria ser o papel do educador. As respostas diferentemente do primeiro aspecto, foram bastante harmônicas (mediador, instigador, provocador, entre outros.) com exceção de um dos participantes (P7),
P9 X
que atrelou ao papel do educador como sendo de disseminar informações. A seguir, a figura 10, mostra o mapa das falas dos professores quanto ao segundo aspecto “papel do educador”
Figura 10: Representação do aspecto- papel do educador /primeira categoria. Fonte: Pesquisa de campo.
Como mostra a figura 10, um grupo de cinco (50%) professores entende que o papel do educador deva ser o de mediador. Por exemplo, na visão do P5, percebeu-se em seu discurso forte convicção sobre sua concepção, “eu acredito que o educador é o mediador[...]”.
Outro elemento que também foi percebido por este grupo, foi a preocupação com o outro, com quem está sendo educado, observe: “aquele que vai trazer no olhar dele os
ensinamentos que vai alicerçar quem ouve, quem está sendo educado”. Esta concepção
confirma-se na concepção de Behrens (2009) quando diz que o aluno deve ser o protagonista do processo ensino-aprendizagem.
De igual modo, confirma-se a mesma concepção na fala do P3 “A função do
educador nesse aspecto é de mediador [...]”. Nota-se ainda no discurso deste participante,
“O educador é a pessoa responsável por organizar essa educação [...[Para que essa educação possa fluir tanto do educador para os educandos, como dos educandos para o educador.” (P1)
“O educador tem o papel de conduzir os alunos [...], mostrando os caminhos para se atingir a educação, para que esses alunos vivam em sociedade e tenham uma vida profissional ativa, sendo o educador um mediador”. (P2)
“A função do educador nesse aspecto é de mediador, é justamente formar e desenvolver o senso crítico desse cidadão que estará sendo inserido dentro da sociedade.” (P3)
“O papel do educador é como a concepção de Sócrates, ele tem que despertar no aluno a capacidade dele de apreender, não é aquele que deposita conhecimento, mas aquele que instiga o aluno a conhecer a buscar o conhecimento”. (P4) “Nesse mesmo contexto da concepção de educação eu acredito que o educador é o mediador, aquele que vai trazer no olhar dele os ensinamentos que vai alicerçar quem ouve, quem está sendo educado”. (P5)
“O educador talvez tenha o papel mais importante dentro das profissões [...], é o educador que desenvolve atitudes, competências e habilidades, sendo aí um provocador”. (P6)
“O educador tem o papel de disseminar as informações de uma forma correta, [...] mas o papel do educador é manter a sua postura de forma correta, com transparência, dentro do seu conteúdo [...]”. (P7)
“O educador faz o papel de mediador entre a ciência e o senso comum”. (P8)
“Contribuir para o desenvolvimento pessoal e profissional do aluno viabilizando esse processo de educação”. (P9)
“O educador [...] é um orientador dos seus alunos não só em sala, mas fora também,[...]ele tem que ser coerente daquilo que ele fala com aquilo que ele vive, eu não consigo dissociar aquilo que eu sou com aquilo que eu falo”. (P10) P A P E L D O E D U C A D O R
duas preocupações importantes. A primeira, uma visão de trabalhar o senso crítico, que por sua vez, consolida-se com a visão do Projeto Político do curso. A segunda, a percepção de integração do indivíduo na sociedade, “é justamente formar e desenvolver o senso crítico
desse cidadão que estará sendo inserido dentro da sociedade.
Na visão do P2 “O educador tem o papel de conduzir os alunos [...] mostrando os
caminhos [...] sendo o educador um mediador”. P8 “O educador faz o papel de mediador entre a ciência e o senso comum”.
Na fala do P1, mesmo sem usar o termo mediador, ele direciona para esta realidade de mediação, na medida em que coloca o papel do educador como um organizador da educação, proporcionando a interação entre educador e educando, vejamos: P1 “O
educador é a pessoa responsável por organizar essa educação [...] Para que essa educação possa fluir tanto do educador para os educandos, como dos educandos para o educador.”
A fala deste participante confirma-se com o entendimento de Maturana e Nissis (1995) ao relatarem que a educação é um momento de mudança baseado na convivência, na medida em que os educandos se transformem e interagem com os educadores.
Na concepção do P4 e P6, o educador é aquele que desperta a capacidade de aprender do aluno, tendo um papel de instigador e provocador: P4“O papel do educador é
como a concepção de Sócrates, ele tem que despertar no aluno a capacidade dele de apreender, [...] aquele que instiga o aluno a conhecer a buscar o conhecimento”. P6“O educador talvez tenha o papel mais importante dentro das profissões [...], é o educador que desenvolve atitudes, competências e habilidades, sendo aí um provocador”.
Esta mesma concepção, também é discutida por Gadotti (1998) ao trabalhar a concepção socrática, quando descreve Sócrates como um instigador e provocador do conhecimento.
Para o P10, (professor que apresenta mais tempo de magistério), o papel do educador é o de orientador, não limitando-se ao espaço da sala de aula, “O educador [...] é um orientador dos seus alunos não só em sala, mas fora também,[...].
Foi observado em seu discurso uma forte acentuação axiológica e ontológica.
Axiológica quando fala sobre a coerência entre o que ele fala com o que vive, “[...]ele tem que ser coerente daquilo que ele fala com aquilo que ele vive [...]. Ontológica quando
relaciona a questão do “ser” com o falar, “[...] eu não consigo dissociar aquilo que eu sou
com aquilo que eu falo”.
Na concepção do P9, o professor deve desenvolver o papel de um contribuidor, viabilizando o desenvolvimento não só pessoal, como profissional: “Contribuir para o desenvolvimento pessoal e profissional do aluno viabilizando esse processo de educação”.
De outro modo, na contramão dos demais participantes, P7 apresenta uma concepção tradicional mecanicista, em que o papel do educador é apenas o de disseminar informação relacionada ao conteúdo.“O educador tem o papel de disseminar as informações, [...]com transparência, dentro do seu conteúdo [...]”.
Sobre isto, Mizukami (1986), em uma de suas críticas, denuncia que o professor com esta postura desenvolve no aluno um ser passivo, caracterizando a função do processo educativo, apenas, na realização de tarefas.
O quadro 03 expõe os principais elementos que foram identificados nas falas dos professores, quanto ao segundo aspecto, “papel do educador.”
Quadro 03: Principais falas do 2º aspecto “papel do educador/1ª categoria. Fonte: Pesquisa de campo.
Ao analisar este aspecto, é possível perceber de modo geral, uma concepção sobre o papel do educador bastante harmônico. 50% dos participantes (P1, P2, P3, P5 e P8) entendem que a ação de mediar, deva ser o principal papel do educador.
No
me
2º ASPECTO: PAPEL DO EDUCAOR
Mediador Orientador Contribuidor Disseminador Instigador Provocador
P1 X P2 X P3 X P4 X P5 X P6 X P7 X P8 X P9 X P10 X 1ª CATEGORIA
Na mesma perspectiva, outro grupo (P4, P6, P9 e P10), representando 40% dos entrevistados, mesmo com termos diferentes ao de mediar como, organizador, contribuidor, instigador, provocador e orientador, permaneceu na mesma sintonia. Diante desta realidade, os dados levam a entender a existência de uma relação entre os discursos dos entrevistados com o Projeto Político do curso pesquisado, Este fato, pode constituir um prenúncio de ações que se direcionam na perspectiva da complexidade.
Apenas um participante (P7), apresentou uma visão dissonante a dos demais entrevistados. Como se pode observar em seu discurso, o professor “disseminador de informações” é entendido por ele como sendo o papel do educador. Esta concepção além de ir
de encontro a visão dos demais participantes, apresenta-se totalmente desvinculado tanto da Proposta do Projeto do curso, quanto aos princípios da complexidade.