A Rede Globo de Televisão representa um marco significativo na história da implantação da televisão no Brasil. Nada tem a ver com a instalação inaugural da televisão no Brasil, mas tem muito que ver com a projeção do modo brasileiro de fazer televisão. Tem a Rede Globo, também, a marca diferenciadora de ter sido a primeira emissora brasileira que teve sua base de sustentação numa parceria com uma poderosa organização norte- americana da área da comunicação. A associação com o grupo Time-Life possibilitou à Rede Globo dar um passo à frente -em relação à concorrência com as emissoras brasileiras-, pois pôde usufruir da possibilidade de assimilação das técnicas de produção televisiva em uso nos Estados Unidos. As práticas televisivas assimiladas pela Rede Globo eram avançadas e inovadoras, em comparação com os padrões brasileiros, e ainda desconhecidas, ou de difícil acessibilidade no país.
O estabelecimento de uma nova maneira de fazer televisão, a partir dos anos 1970, foi proporcionado pela Rede Globo de Televisão64, com a implantação de um telejornal em rede, que, além de cobrir grande parte do território brasileiro –passando a impressão de estar presente em todos os locais–, apresentava outra grande novidade: os correspondentes internacionais. A criação de uma programação nacional teve forte influência dos padrões de produção estabelecidos no eixo Rio de Janeiro-São Paulo, em razão de estarem firmadas na capital paulista e na capital fluminense as bases de operação das chamadas cabeças-de-rede, as sedes das emissoras nacionais de televisão.
A criação do Jornal Nacional foi coletiva, segundo revela Walter Clark em suas memórias, transcritas em livro pelo jornalista Gabriel Priolli65. Clark diz que houve muita polêmica entre os profissionais que eram os responsáveis pela programação da emissora carioca, havendo principalmente a resistência de quem não acreditava na eficácia de uma transmissão em rede nacional. Mas sustenta (hoje comprovadamente) que a ousadia da Rede Globo foi a melhor
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ROCHA, Liana Vidigal, estudo de caso sobre a Rede Globo: Jornalismo Aberto X Jornalismo Fechado, São Paulo, ECA-USP, maio de 2001, p. 9.
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CLARK, Walter, com Gabriel Priolli. O Campeão de Audiência – Uma Autobiografia. São Paulo, Best- Seller, 1991, 420 p.
estratégia, pois aniquilou a concorrência, cujos telejornais (todos locais) ficaram com cara de coisa velha, sem nenhum interesse, diante da transmissão de um jornal em rede nacional, mesmo que este ainda apresentasse muitas falhas.
Com esse elemento surpresa da transmissão de um telejornal em rede, que deixou as demais emissoras com a tarefa de correr do prejuízo, a Rede Globo deixou claro, desde logo, que o Jornal Nacional foi criado para ser o carro-chefe da programação. Com esse perfil, o produto não poderia deixar margem aos ataques que, certamente, seriam promovidos pela concorrência. Foi, então, montada pela Rede Globo uma estrutura de programação que se mostrou imbatível para a manutenção do alto nível de audiência do telejornal, segundo a avaliação de Carlos Eduardo Lins da Silva66: "O Jornal Nacional seria o programa de prestígio da emissora. E para que tivesse uma audiência garantida, ficaria espremido entre duas telenovelas, o gênero mais popular".
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a) Breve história da emissora e os principais momentos
A Rede Globo de Televisão surgiu em meados dos anos 1960, e tornou-se a emissora líder de audiência no País através de uma joint-venture com o grupo norte-americano Time-Life. Pertencente ao jornalista Roberto Marinho, proprietário das Organizações Globo (integrando, na época, a rádio Globo, o jornal O Globo e a Editora Rio Gráfica), a emissora instalada num antigo prédio no bairro do Jardim Botânico, no Rio de Janeiro, entrou no ar no dia 26 de abril de 196567. E foi legalizada oficialmente pelo então presidente da República, marechal Artur da Costa e Silva, em 23 de setembro de 196868.
Hoje, com uma rede de 115 afiliadas, a Rede Globo de Televisão atinge mais de 99 por cento do território brasileiro, e tem uma participação de 60 por cento no número de televisores ligados no horário nobre69. Com essas características, a Globo é considerada a única emissora do País que dedica quase toda a sua grade de programação a produções brasileiras, exportando programas, num processo absolutamente inverso do praticado pelas concorrentes.
Na apresentação do Dicionário da TV Globo, Luís Erlanger, Diretor da Central Globo de Comunicação, argumenta que durante a ditadura militar, o jornalismo da Rede Globo foi restringido pela censura "em alguns casos, mais do que outros veículos de comunicação"70. E que nessas circunstâncias, a dramaturgia da casa ficou com a responsabilidade de retratar e criticar a realidade política e social brasileira, tendo por isso conquistado a aceitação do público, constituindo-se numa das mais importantes fontes de difusão cultural dentro e fora do Brasil.
Na questão da censura, citada por Luís Erlanger, deve-se considerar que ele expõe a versão interna da Globo, enquanto eram emitidas opiniões contrárias e até ácidas, em relação ao posicionamento da direção das Organizações Globo,
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ROCHA, Liana Vidigal, dissertação de mestrado apresentado à ECA-Escola de Comunicações e Artes da USP – Universidade de São Paulo, maio de 2001, p. 12.
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HERZ, D. A História Secreta da Rede Globo. Porto Alegre: Tchê!, 1987, p. 190.
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FIUZA, Sílvia Regina de Almeida, Coord. Do Projeto Memória das Organizações Globo. Dicionário da TV Globo, Vol.1: Programas de Dramaturgia & Entretenimento. Projeto Memória das Organizações Globo, Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2003, 922 p.
considerado em sintonia com o poder da ditadura militar. Fausto Wolff71, em coluna no jornal semanal O Pasquim 21, logo depois da morte de Roberto Marinho, faz uma dura crítica, dizendo que o dono da Globo "jamais se incomodou com a Censura, pois estava de acordo com ela"72.
Para Fausto Wolff, foi também perniciosa a atuação da Rede Globo depois do fim da ditadura militar. E ele observa que "a Globo colocou seu poder a favor da direita (...) fabricou Collor (...) e quando Brizola foi candidato a governador do Rio de Janeiro pela primeira vez, arranjou um computador que dava a vitória a Moreira Franco"73.
São informações sobre vários assuntos, que um crítico da televisão junta de uma vez só, como que para despejar raiva pessoal contra o veículo eletrônico ou uma emissora específica. Contudo, consideramos pertinente pontuá-las, antes de observar que o sucesso alcançado pela Rede Globo de Televisão a coloca em patamares muito acima dos da concorrência. Seus
índices de audiência na programação ficam muito além dos conquistados pelas
emissoras que a seguem.
Na economia globalizada, não adianta uma empresa se desenvolver bem em seu próprio território se não cuidar da sua imagem externa, internacional. Sobre essa questão, Luís Erlanger destaca que a marca registrada da Globo vem sempre vinculada a um padrão de qualidade, que está associado ao seu consagrado símbolo visual – a logomarca com o globinho – "está sempre associada ao som do plim-plim: síntese invejável para qualquer empresa do setor audiovisual"74. Para o Diretor Geral Artístico e Diretor da Central Globo de Controle de Qualidade, Mário Lúcio Vaz, a TV Globo é, "segundo os padrões internacionais, em seus quase 40 anos de história, um dos grandes fenômenos de sucesso desse país"75.
Falar sobre a TV Globo leva, necessariamente, a falar de Walter Clark. Considerado sempre como o homem providencial, o profissional que salvava emissoras, que desenvolveu a TV Rio e transformou a Globo no que hoje é,
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WOLFF, Fausto. Jornalista, colunista do jornal O Pasquim 21.
72
O PASQUIM 21. Vai começar a verdadeira novela da Globo! Número 76, de 19.08.2003, p. 24.
73
Idem, idem. O computador citado por Fausto Wolff é o episódio que ficou famoso como o Caso da Proconsult, uma empresa contratada para fazer a contagem paralela dos votos
74
Idem, p. x.
Clark fez de sua vida e carreira um testemunho raro e precioso que se confunde com a história da televisão brasileira76.
Chamado por Roberto Marinho, em fins de 1965 para salvar a jovem TV Globo, então sem faturamento após sete meses no ar, o poder de Walter Clark dentro da empresa cresceu tanto que, "dez anos depois, era ele quem recebia honras e homenagens, não quem lhe pagava o salário"77. Claro que uma situação como essa levaria a incômodos que culminaram com a rumorosa demissão em 1977.
A imagem da TV Globo é bem delineada por Walter Clark, sobretudo na questão da tecnologia, que chegou num momento providencial, e por conta de um desastre. Na tarde de 14 de julho de 1969 pegou fogo o Teatro Paramount, da TV Record, onde eram realizados seus grandes shows, os festivais de música popular, o programa O Fino da Bossa, liderado por Elis Regina, e onde era apresentado o maior sucesso do momento, o programa Jovem Guarda, sob o comando de Roberto Carlos. Duas horas depois, no mesmo dia, o fogo consumiu os estúdios da TV Globo em São Paulo. "Assim que terminou o Programa Silvio Santos e o público deixou o auditório da rua das Palmeiras, as chamas começaram a destruir o Canal 5 de São Paulo"78.
No dia seguinte foi a vez de o fogo atingir as modernas instalações da TV Bandeirantes, que acabara de oferecer ajuda ao pessoal da Globo e que, agora, também estava precisando de assistência. Walter Clark relata79 detalhadamente essas mazelas, mas observa que a tragédia foi providencial para que a Rede Globo desse um grande passo na conquista do moderno equipamento tecnológico de que necessitava:
"Com o incêndio, nos livramos de uma só vez de toda a velharia técnica que atrapalhava a nossa produção. E com o dinheiro do seguro – uma bolada de quase 7 milhões de dólares– pudemos comprar tudo o que precisávamos, do jeito que queríamos, novo em folha"80.
76
CLARK, Walter, com Gabriel Priolli. O Campeão de Audiência – Uma Autobiografia. São Paulo: Best Seller, 1991, 420 p.
77 Idem, texto de orelha. 78 Idem, p. 204.
79
Idem, p. 207.
Também a questão da centralização da produção no Rio de Janeiro foi equacionada sem traumas e surgiu depois desse incêndio. O que havia queimado era toda a possibilidade de produção em São Paulo, uma vez que, nessa época, já era forte a existência de um núcleo, de grande peso, na capital paulista. Programas de auditório que garantiam boa audiência, como os do Chacrinha, de Silvio Santos, e de Dercy Gonçalves. Era complicado, de um momento para outro, pegar tudo e transferir para o Rio de Janeiro, que era o objetivo inicial, de centralizar tudo na cabeça de rede, a sede, matriz, da emissora. No relato de Walter Clark, já distanciado daquele terrível momento por que passava a emissora, percebe-se a frieza de raciocínio do homem que, das cinzas, deu formas à construção do glamour da emissora do Jardim Botânico:
"Recomeçar uma estação do zero, em instalações improvisadas, poderia desanimar qualquer homem de TV. Mas, para nós, isso foi simplesmente o melhor que podia acontecer (...) Mais ainda: com a incapacidade temporária de São Paulo fazer a sua própria programação, fizemos a centralização da produção no Rio sem traumas e sem a resistência que certamente enfrentaríamos, se não houvesse o álibi do incêndio."81
Exatos 49 dias depois do incêndio em São Paulo, a Rede Globo inaugurou o telejornalismo em rede nacional do País. O primeiro programa em rede nacional da televisão brasileira foi o Jornal Nacional, lançado no dia 1º de setembro de 196982.
Uma coisa ficou determinada desde logo: o Jornal Nacional firmou uma imagem de cumpridor de horário. O programa entrava no ar exatamente no horário anunciado. O horário de apresentação cumprido à risca levou o telespectador a se sentir respeitado. Poderia soar um pouco antiquado falar sobre o cumprimento de horários da programação hoje em dia, quando as emissoras de televisão, de modo geral, seguem orientações que tentam se enquadrar aos padrões exigidos no mercado. Padrões que, de certa forma, acabaram sendo impostos a partir da entrada da Rede Globo. O que a emissora
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Idem, idem.
fez não era novidade. Consistia apenas em seguir e cumprir as regras estabelecidas.
Cumprir as regras estabelecidas, certamente, não tinha nada a ver com o que era praticado no mercado. Havia, nos anos de 1960/1970, emissoras que anunciavam um programa ou um filme para 11 da noite, por exemplo. E o programa ou filme só entrava no ar aí por volta de 15 para meia-noite. Um atraso de 45 minutos, sem qualquer explicação ao público. Claro que o telespectador se sentia desrespeitado. Quando começou a ter contato com a modernidade da administração praticada pela Globo, com respeito aos horários, com profissionais competentes, com qualidade técnica. Hoje, as transmissões, em geral, são conectadas por cabos, e a imagem chega limpa no receptor, onde quer que ele esteja. Naqueles tempos, era difícil manter a qualidade da imagem. E a Globo chegou inovando também nesta parte. Com equipamento moderno e bem instalado, a imagem da Globo era a melhor entre os canais disponíveis.
Com todas essas possibilidades e qualidades à mão, o telespectador foi, naturalmente, se fixando nas imagens apresentadas pela Rede Globo de Televisão. É que a líder de audiência também não se tornou líder por acaso. E o respeito às regras estabelecidas é a parte do jogo que pode determinar a vitória, a conquista das metas estabelecidas, ou não. Por causa do salto de qualidade que deu, a Rede Globo obrigou a concorrência a correr do prejuízo e buscar também a qualificação técnica necessária, aliada à melhor estratégia de mercado, com o suporte de qualidade humana necessário para tentar disputar o segundo lugar na preferência do público que, por enquanto, vem dando sinais de estar satisfeito com o que a Rede Globo está apresentando, já que os
b) O JN como objeto de pesquisa
O Jornal Nacional inaugurou, no Brasil, a apresentação de um programa em rede de cobertura nacional simultânea. Essa primeira apresentação de um telejornal foi realizada há mais de 34 anos e, ainda hoje, mantém a receptividade de expressiva parcela do público telespectador, sendo, por isso, considerado um fenômeno na televisão brasileira83.
Essa receptividade positiva, quase instantânea, do público aconteceu num primeiro momento por causa da novidade. No instante em que o JN entrou no ar, e o telespectador se identificou com a representatividade de todo o país na tela, com as chamadas de reportagens dos mais diversos pontos do Brasil, não teve jeito: foi empatia imediata. E ninguém mais quis saber dos telejornais meramente locais84.
Num segundo momento, o fator qualidade, técnica e respeito ao público foi determinante. Nada aconteceu por acaso. Uma emissora como a Rede Globo de Televisão, tendo seus laços fundadores em associação com um grupo norte-americano de comunicações, pesquisou e se utilizou da experiência desenvolvida pelo parceiro nos Estados Unidos. Observou todo o processo de produção desenvolvido lá e o trouxe para cá. O mesmo aconteceu no departamento de Jornalismo. Mas essa influência do jornalismo praticado nos Estados Unidos, que teria sido ativa no lançamento do Jornal Nacional, não se deu de maneira irresponsável, nem alienada, como observa José Marques de Melo: "O jornalismo brasileiro estruturou-se criativamente, absorvendo com seletividade os modelos que se nos insinuaram ou impuseram, adquirindo feição diferenciada"85.
A renovação promovida pela Rede Globo estabeleceu uma nova relação do telespectador com a programação apresentada pelas demais emissoras. Já não havia espaço para improvisação. Toda a programação passou a ter formato determinado, sem surpresas, e o cumprimento do horário ficou sendo sua marca registrada. Tal era a rigidez no respeito ao espaço a ser utilizado no ar,
83
SOUZA, Florentina das Neves. Alguns momentos dos 50 anos do Telejornalismo no Brasil. Dissertação de mestrado, Departamento de Ciências da Comunicação da ECA- Escola de Comunicação de Artes da USP – Universidade de São Paulo, 2000, p. 163.
84
CLARK, Walter. Obra citada, p. 214.
85
que uma produtora de comerciais funcionava exclusivamente para checar cada peça antes de ser apresentada. No caso de a peça publicitária apresentar formatação diferenciada da padronização estabelecida pela Rede Globo, não era levada ao ar. Ainda que houvesse apenas a diferença de 10 frames86 -a
menor unidade de tempo de exposição de uma imagem, equivalente a 1/30 de segundo-, a peça era devolvida para ser reformatada.
A estratégia de funcionamento do Jornal Nacional, com suas equipes qualificadas, jornalistas competentes, respeito ao público telespectador, no sentido do cumprimento preciso do horário, aliado à qualidade técnica de transmissão de sinais que permitiam captação com qualidade superior nos receptores domiciliares, levou Squirra a observar que o JN foi "o exemplo melhor planejado e mais bem sucedido"87 de "copiar a forma dos informativos norte-americanos"88, conforme preconizado por Fernando Barbosa Lima. A possibilidade de se lançar um jornal cobrindo o território nacional só se tornou viável com a Embratel interligando diversos pontos do Brasil, antes inatingíveis, conforme observa Sérgio Caparelli89. Também se considerou que o surgimento do JN só foi possível por haver interesse do governo militar pois, segundo Elizabeth Carvalho, "a integração pela notícia coincidia com o endurecimento do regime"90. Pesquisadores destacam que esse modelo político autoritário caminhava paralelo ao avanço tecnológico que permitiu a integração nacional através do jornalismo televisivo. É nesse sentido a menção que faz o pesquisador Mello e Souza a um "Brasil Novo", que estava impressa na lauda que o apresentador Hilton Gomes leu na sua estréia no novíssimo telejornal: "O Jornal Nacional, da Rede Globo, um serviço de notícias integrando um Brasil Novo, inaugura-se neste momento: imagem e som de todo o País"91.
O surgimento do Jornal Nacional foi motivo de muito comentário. De todos os setores. Sobretudo no meio econômico, a primeira entrevista do JN com o ministro da Fazenda, Delfim Netto, em rede nacional, foi motivo de reações positivas. Esse sentimento de positividade foi promovido pelo novo estilo de fazer jornalismo que a Rede Globo instalou. Para Carlos Eduardo
86
RABAÇA, C. A. & outro. Frame, o mesmo que quadro. Obra citada, p. 223.
87
SQUIRRA, S. O Telejornalismo no Brasil. Paper apresentado para o 'Projeto Barcelona' da Escola de Comunicações e artes da USP, em dezembro de 1992, p. 9.
88
LIMA, F.B. e outros. Televisão & Vídeo. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1985, p. 11.
89
CAPARELLI, S. Televisão e Capitalismo no Brasil. Porto Alegre: L&PM, 1982, p. 122.
90
CARVALHO, E. e outros. Anos 70 – Televisão. Rio de Janeiro: Europa, 1979-1980, p. 32.
91
Lins da Silva, citado por Squirra92, o Jornal Nacional "inaugurou um novo estilo de jornalismo na TV brasileira. Primeiro, por iniciar a era do jornal em rede nacional, até então inédito entre nós. Depois, por consolidar um modelo de 'timing' da informação (...) Terceiro, porque consagrou um estilo de apresentação visual requintado e frio, pretensamente objetivo (...) Quarto, pela extensão dos assuntos abrangidos, com a instalação de escritórios no exterior..."93. Na observação de Squirra, "vários desses parâmetros de atuação foram realmente introduzidos no meio pelo Jornal Nacional. Todavia, já se encontravam sólidos nos similares norte-americanos da época"94.
De acordo com o relato de Walter Clark, anotado por Gabriel Priolli95, o Jornal Nacional não foi uma criação de uma cabeça. Surgiu de um brain-storm da equipe libderada por Walter Clark e José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni. Segundo Clark, era idéia de Roberto Marinho tirar o Repórter Esso da TV Tupi e levá-lo para a Globo. Walter Clark foi contra. Considerava o noticiário coisa antiga, argumentando que a Globo precisava era de sacudir o mercado com uma novidade do tipo a transmissão de um jornal em rede nacional. A idéia encontrava resistência, mas acabou vencedora. E Clark diz ter saboreado o sucesso do JN como uma vitória pessoal: "Os nossos humildes jornais, que começaram com a Glória Maria como repórter, no Rio, e a Marília Gabriela em São Paulo, acabaram virando o prestigiadíssimo Jornal Nacional, alavanca na formação da Rede Globo"96.
92
SQUIRRA, S. Obra citada, p. 10.
93
SILVA, Carlos E.L. Muito Além do Jardim Botânico. São Paulo: Summus, 1985, p. 38.
94 SQUIRRA, S. Obra citada, p. 10. 95
CLARK, W. Obra citada, p. 213.
c) O jornalismo maquiado e das fontes oficiais
O jornalismo brasileiro viveu em sobressalto durante o período da ditadura militar, em que houve a censura na imprensa, que avançou muito além dos assuntos políticos. Depois de vasculhar os temas que poderiam ou