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Ficha de triagem4: parte integrante da pasta de documentação do paciente juntamente com

o histórico formam o prontuário do PAMPA. Consta de três fichas (médica, psicológica e social) e é utilizada para as entrevistas de triagem de novos pacientes. As fichas de triagem foram selecionadas por conter a quantidade de informações dos pacientes que iniciam atendimento no PAMPA e utilizadas para o levantamento dos dados sócio-demográficos e psicológicos das adolescentes.

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Planilha de coleta de dados5: Elaborada a partir da seleção a priori de 34 variáveis

existentes nas fichas de triagem social, médica e psicológica do PAMPA. Utilizada para registrar os dados sócio-demográficos e psicológicos.

Roteiro de Entrevista6 : Elaborado para guiar a entrevista semidirigida individual com a amostra por conveniência, na segunda etapa da pesquisa, a fim de investigar variáveis psicológicas e fantasia inconsciente sobre a gravidez.

O roteiro de entrevista foi utilizado seguindo as colocações de Ocampo e Arzeno (1987) e Bleger (1995) no referente a entrevista clínica, que como técnica possui diferentes objetivos sendo particularmente útil para o diagnóstico.

Em nosso estudo utilizamos a modalidade de entrevista clínica aberta semidirigida, que oferece uma liberdade, tanto nas intervenções do entrevistador quanto pela seqüência das perguntas norteadoras do roteiro de entrevista, além da flexibilidade para que o entrevistado configure o campo da entrevista segundo a sua estrutura psicológica particular, possibilitando assim uma investigação mais ampla da psicodinâmica e o levantamento de hipóteses sobre a qualidade do vínculo transferencial e interpessoal. (OCAMPO; ARZENO,1979; BLEGER, 1975).

Já a escolha por um roteiro norteador permite uma melhor comparação sistemática dos dados devido ao número de participantes da pesquisa nesta fase.

O roteiro de entrevista elaborado para esta pesquisa contém, além dos dados de identificação, 18 perguntas modificadas a partir da categorização realizada por Neri (1983), sendo estabelecidas três categorias a priori:

1. Percepções sobre a gravidez : conhecer as fantasias da adolescente em relação à gravidez e os principais acontecimentos deste período, assim como as fantasias em relação ao filho.

2. Percepção das primeiras relações com os pais: conhecer as lembranças da adolescente sobre suas relações com seus pais e principalmente em relação à identificação e internalização da imago materna.

3. Percepção do relacionamento conjugal: conhecer o relacionamento atual com o parceiro e as fantasias relativas às mesmas com o nascimento do filho.

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Anexo B

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As entrevistas realizadas com as adolescentes não gestantes foram realizadas seguindo a teoria da adolescência de Aberastury (1970,1978), investigando a qualidade dos lutos pelo corpo infantil, os pais da infância, a identidade e bissexualidade infantil.

Teste de Relações Objetais de Phillipson (TRO): Selecionado a fim de investigar as

fantasias inconscientes de grávidas e não grávidas. Este instrumento foi escolhido devido a sua fundamentação teórica e à nossa maior experiência com sua aplicação clínica, em relação a outros instrumentos projetivos e seguindo as recomendações de Bleger (1975) a respeito da entrevista (primeira técnica utilizada) não excluir a utilização de outras técnicas de investigação da personalidade, mas pelo contrário, sendo ambas complementares no processo psicodiagnóstico.

Para a compreensão da dinâmica intrapsíquica inconsciente a situação projetiva é fundamental; segundo Grassano (1996) esta situação cria um vínculo situacional particular que configura o contexto. A situação projetiva é um processo vincular com uma limitação temporal explícita, na qual é excluída outra situação vincular prévia ou posterior, geralmente utilizada para o psicodiagnóstico, em que a comunicação está mediada por instrumentos projetivos para comunicar uma determinada problemática.

Os instrumentos projetivos são formas de investigação da personalidade e segundo Krigner (1999) oferecem estímulos de estruturação ambígua, sendo cada produção projetiva, expressão do modo como as pessoas estabelecem contato com a realidade interna e externa.

O Teste de Relações Objetais se fundamenta na teoria de relações objetais de Melanie Klein, desenvolvido por Phillipson (1970), é uma técnica de investigação do mundo interno, da sua dinâmica e a qualidade das relações objetais7, e da personalidade. Utilizado como instrumento diagnóstico, nos parece apropriado para a compreensão da dinâmica intrapsíquica de adolescentes grávidas e sexualmente ativas.

O TRO é uma técnica de estimulação visual e produção verbal, sendo-lhe peculiar a ambigüidade do estímulo” (ANDRIATTE, 1992, 1995). É um teste de conteúdo e de forma que utiliza estímulos ambíguos dando lugar à labilidade transferencial com ênfase no presente, no material dramático e dinâmico, recolhendo a projeção através da fantasia e da percepção, por possuir um alto grau de saturação projetiva e pouca incidência cultural.

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Relações Objetais é um conceito psicanalítico que se refere à qualidade da relação do sujeito com seu mundo resultado de uma determinada organização psíquica da personalidade, de uma apreensão fantasística dos objetos e de certos tipos priv ilegiados de defesa. (Laplanche e Pontalis, 1967, p.443-446).

Segundo Grassano (1996), o TRO permite investigar três áreas do funcionamento mental a partir de indicadores diferenciais de neurose, psicose e psicopatia fundamentado nos seguintes critérios:

- Capacidade de discriminação entre mundo interno/externo, realidade/fantasia, juízo de realidade, sentido de realidade.

- Capacidade de pensamento simbólico-abstrato: capacidade de análise, síntese e abstração, capacidade para estabelecer relações simbólicas com a realidade.

- Capacidade de insigh e elaboração: reconhecimento da realidade psíquica, reparação e sublimação.

- Capacidade de discriminação.

Para Ocampo e Arzeno (1979), o TRO oferece uma série de vantagens que provém do material-estímulo, ampla e detalhada fundamentação teórica específica na teoria das relações objetais de Klein e Fairbain. Dentre os teste projetivos se caracteriza por:

Conciliar o grau de dramatização do TAT e a neutralidade temática do Rorschach, é um teste de conteúdo e de forma que recolhe a projeção através da fantasias acionadas pela instrução e percepção; coloca a ênfase na seqüência temporal do drama associado à percepção, dando porém ênfase no presente. Abe destacar que a variável fundamental de conteúdo de realidade varia fundamentalmente em cada série.

Possui um alto grau de saturação projetiva, no TRO, são raros os bloqueios; por outro lado, a incidência cultural é escassa, e apresenta estímulos com um grau de estruturação intermediária, menos estruturados que o TAT e mais do que as do Rorschach.

O TRO possui lâminas em que são facilmente visualizadas figuras humanas, outras em que isso é provável e finalmente lâminas em que é possível visualizar figuras humanas, animais ou seres inanimados, e não sugere claramente o movimento humano. As figuras humanas não possuem rosto, sexo, idade, movimento, vinculações ou expressões é estão num cenário com pouco conteúdo de realidade, implicando na possibilidade de projetar o que se refere à relação transferencial.

O TRO consta de um total de treze lâminas8, doze delas divididas em três séries de quatro lâminas, denominadas de séries A, B e C, que se diferenciam nos padrões de claro- escuro, sombra e cor. A última lâmina é a branca.

3.4.1. Série A: sombreada de claro-escuro, possui pouca definição dos estímulos; o mundo humano é vago e o ambiente com poucos detalhes. Explora as primeiras relações de objeto

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de dependência e sua relação com o contato físico sensitivo, mobilizando fantasias de satisfação.

- Lâmina A (1): apresenta uma nova situação na qual o sujeito mostra seu temor frente ao desconhecido e como enfrenta a situação. Na interpretação há indicativos da relação transferencial e fantasias de doença, abandono e solidão.

- Lâmina A2 (2): estimula a projeção da imagem interna de um par unido por um determinado vínculo. Se incluído um terceiro personagem projetam-se aspectos infantis que impedem ver o par unido.

- Lâmina A3 (8): situação triangular, sendo freqüente o tema da separação.Serve para resolver o conflito com a autoridade e aliviar a manipulação da culpa.

- Lâmina AG (5): estimula ansiedades predominantemente depressivas. Explora a capacidade para elaborar perdas. Surge como defesa à ansiedade confusional ou idealização extrema, devido à angústia persecutória.

3.4.2. Série B: apresenta contornos escuros bem definidos e contraste branco e preto dando poucas possibilidades para interpretações diferentes à realidade apresentada, que realça climas de ameaça e indiferença. Mobiliza controles egóicos mais maduros e aparecimento de defesas neuróticas.

- Lâmina B1 (6): evidência conflitos com relação à própria identidade, podendo surgir defesas obsessivas e fantasias sexuais e de doença. A inclusão de personagem indica a impossibilidade de estar a só, devido aos aspectos persecutórios do mundo interno.

- Lâmina B2 (9): ambiente protetor mobiliza fantasias de ataque ao par ou exclusão deste. - Lâmina B3 (4): relação triangular com um par unido e outra pessoa afastada. Pode existir a negação da terceira personagem e aparecer a inveja. O vínculo projetado é de olhar. - Lâmina BG (10): projeção no grupo de sentimentos de aceitação, rejeição ou indiferença. Surgem fantasias de continência, doença e cura.

3.4.3. Série C: introduz a cor, o mundo humano é mais realista e o ambiente mais detalhado, mobilizando características sobre o vínculo com os objetos e aumentando a tensão e sentimentos agressivos e/ou amorosos entre o indivíduo e o grupo. Nesta série também predominam defesas do tipo neurótico, sendo comum fantasias de perda e elaboração de luto e sentimentos relacionados ao conflito edipiano.

- Lâmina C1 (12): conteúdos da realidade diversos, projeta ansiedades, fantasias, etc. A introdução de cor pode mobilizar sentimentos agressivos ou de afetividade.

- Lâmina C2 (11): aparecem situações de doença, morte, união sexual. As fantasias freqüentes são de perda e elaboração de luto. Com sentimentos de culpa e possibilidades de reparação.

- Lâmina C3 (3): mobiliza sentimentos relacionados com o conflito edipiano, envolvimento afetivo ou ataque. Pode aparecer a oralidade como forma de vínculo.

- Lâmina CG (7): reação com a autoridade externa e interna. Estimula a projeção de sentimentos agressivos competitivos e nível de aspiração.

- Lâmina branca (13): por não possuir nenhum estímulo representa uma situação projetiva total, explora uma relação transferencial, manifestação dos problemas atuais assim como as formas mais acessíveis de solução, características de organização da personalidade e elaboração de um projeto para futuro. (PHILLIPSON, 1970; OCAMPO; ARZENO, 1979; ROSA, 1995).

Segundo Andriatte (1992), o Teste de Relações Objetais tem-se mostrado um instrumento com grande potencial diagnóstico e prognóstico junto a adolescentes.

Protocolo de avaliação das lâminas do TRO9: O protocolo consta de dois quadros para

análise das lâminas do TRO em que serão avaliados os aspectos manifestos e a dinâmica intrapsíquica, através do Sistema Tensional Inconsciente Dominante (STID). O protocolo de avaliação está fundamentado nos trabalhos de Phillipson.(1970), Rosa (1995) e Krigner (1999).

Conjuntamente será realizada a interpretação dos relatos das lâminas, fundamentada na teoria das relações de objeto de Melanie Klein.

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