Administration of informational
4.2 Place of Propulsion
O município de Natal foi fundado em 1599 e teve uma organização espacial dividida em fases. Nos primeiros séculos de povoamento teve um processo de urbanização lento, ganhando ênfase apenas no século XIX pelo comércio promovido pela economia agroexportadora (CUNHA, 1991), com destaque para o algodão, impulsionando o povoamento e comércio em alguns bairros da Região Leste do Natal, como Ribeira e Cidade Alta.
Até o final do século XIX, o núcleo central de Natal se restringia aos bairros Cidade Alta e Ribeira. No ano de 1901 surgiu o bairro Cidade Nova, resultante de um plano de ordenamento urbano, induzindo o surgimento dos bairros Petrópolis e Tirol (COSTA, 2000). Fora do perímetro urbano da época existiam ocupações nas Rocas, Passo da Pátria, Baldo, Barro Vermelho, Refoles (hoje Alecrim) e Quintas, cujos habitantes, segundo Costa (2000), desenvolviam atividades agrícolas e pecuárias.
Nas primeiras décadas do século XX houveram migrações do campo para a cidade e investimentos do setor público em equipamentos urbanos que também influenciaram no aumento populacional. Além da busca por trabalho, outro motivo que impulsionou a imigração foi a fuga gerada pela seca que ocorria no sertão. Segundo Lima (2006, p. 109), “em 1904, forçados pela seca que assolava toda a região Nordeste, chegaram à Natal mais de quinze mil retirantes vindos do sertão”, praticamente duplicando a população da cidade.
A expansão territorial de Natal aconteceu substancialmente a partir de meados do século XX por influência da Segunda Guerra Mundial, quando ocorreu um processo de migração dos moradores de municípios interioranos para a capital, “instalação de equipamentos militares, como bases e unidades de saúde, além de ampliação da malha viária” (QUEIROZ, 2010, p. 11).
Nesse momento houve uma mudança no processo de urbanização com a criação de um mercado de terras urbanas, especulação imobiliária e formação de núcleos periféricos (LIMA, 2006). A população que não tinha condições de morar nas áreas centrais, devido ao preço dos imóveis, alojou-se na periferia da cidade, ocupando, principalmente, os bairros de Alecrim e Nova Descoberta (MEDEIROS, 2013).
O aumento populacional gerou uma demanda por habitação e a cidade foi se expandindo para áreas ainda naturais a partir de planos urbanísticos, construção de conjuntos habitacionais ou através da ocupação de forma irregular pela população de menor poder aquisitivo (LIMA, 2006), que normalmente foi se estabelecendo em bairros populares ou em áreas ainda desabitadas.
De acordo com Furtado (2005, p. 111), “nas décadas de 60 e 70, houve um constante aumento da população e ocupação de áreas limítrofes do espaço construído da cidade” e a política de investimentos da SUDENE (Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste) foi um dos fatores impulsionadores desse aumento. Além das obras de infraestrutura construídas no período, houve uma expansão dos conjuntos habitacionais.
Medeiros (2013) advoga que a política de conjuntos habitacionais teve um papel fundamental para a estruturação e expansão do espaço urbano do Natal, primeiramente, com a construção de conjuntos em áreas periféricas ao antigo centro da cidade. Posteriormente, na década de 1970, os investimentos na economia industrial e o apoio do Banco Nacional da Habitação levaram à “expansão horizontal da cidade em direção a região norte, possibilitando uma política habitacional direcionada para a reprodução da força de trabalho, por meio da construção de conjuntos populares nessa região” (MEDEIROS, 2013, p. 6-7). As construções em áreas próximas aos limites do município continuaram nas décadas de 1980 e 1990. Ainda de acordo com Medeiros (2013, p. 7), as construções foram distribuídas
entre conjuntos das Companhias de Habitacão (COHABs) e dos Institutos de Orientação de Cooperativas Habitacionais (INOCOOPs). As distinções entre os conjuntos de COHAB e de INOCOOP são determinadas pela diferenciação da renda a que esses órgãos atendiam. Os conjuntos de COHAB foram destinados à população de menor poder aquisitivo. A COHAB pretendeu destinar as moradias, mediante a demanda gerada pelos incentivos industriais na região, ao operariado [...]. A população de renda média baixa fica sob a tutela dos INOCOOPs, os conjuntos do INOCOOP, foram construídos mais ao sul, valorizando de imediato as áreas circunvizinhas, através da expansão dos serviços.
Conforme Furtado (2005, p. 115), “a localização desses conjuntos no espaço urbano gerou grandes vazios provocando a descontinuidade da mancha da cidade”. Estes vazios são considerados por Santos (2009) como uma característica da urbanização corporativa das cidades brasileiras, denominadas pelo autor de cidades espraiadas. Nelas há uma carência de “infra-estruturas, especulação fundiária e imobiliária, problemas de transporte, extroversão e periferização da população, gerando, graças às dimensões da pobreza e seu componente geográfico, um modelo específico de centro-periferia”. (SANTOS, 2009, p. 106).
A Figura 2 evidencia a expansão da ocupação territorial do município de Natal: até a década de 1970 a ocupação da cidade concentrava-se na Região Leste da cidade, incluindo Cidade Alta e Petrópolis, e em áreas isoladas das demais regiões; até a década de 1980 houve uma expansão em bairros da Região Oeste e Sul; até a década de 1990 a ocupação foi ampliada para áreas mais distantes do centro da cidade, nas Regiões Norte, Sul e Oeste, atingindo todo o
bairro Pitimbu e parte do bairro Pajuçara; após 1990 e até os dias atuais, a ocupação territorial foi expandida na Região Norte, incluindo outras áreas do bairro Pajuçara, e nos bairros Guarapes e Planalto, localizados na Região Oeste.
Figura 2 – Expansão da ocupação territorial do Natal.
Fonte: adaptado de Ataíde (2013).
Todo esse aumento do tecido urbano da cidade fez com que houvesse intervenções no ambiente natural, como terraplanagem de áreas de mangue, desmatamento de matas ciliares, ocupação em cima de dunas, formação de lixão, dentre outros (LIMA, 2006). Essas alterações
geraram consequências nas áreas naturais, expressas, por exemplo, na “poluição do aquífero Dunas/Barreiras, destruição do manguezal, assoreamento do rio Pitimbu, aterramento das lagoas interdunares, destruição da vegetação das dunas, exaustão de recursos naturais não- renováveis” (MEDEIROS, 2007, p. 19). Percebe-se, portanto, que a expansão territorial da cidade influenciou na alteração do ambiente natural, inclusive alterando a cobertura vegetal original.