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5.2 Expansion of a domain
ASPECTOS FISIOGRÁFICOS E CONTEXTO GEOLÓGICO
2.1 – CLIMA E VEGETAÇÃO
Segundo Soares (1964) a Ilha de Trindade apresenta clima do tipo oceânico tropical com temperatura média de 25 °C, sendo o mês de fevereiro o mais quente (30 °C) e o de agosto o mais frio, com temperatura em torno de 17 °C. Está sob o domínio dos ventos alísios de sudeste (Almeida 2002). A pluviosidade média anual é baixa (924 mm), com duas estações anuais, uma seca nos meses de janeiro a março, e outra úmida nos meses de julho a agosto (Sá 2010). De acordo com Clemente (2006b) a ilha apresenta microclimas variados em diferentes posições topográficas. Nas partes mais baixas e secas do setor norte da ilha predomina um microclima semelhante ao semi-árido e nas regiões mais altas, a partir de 400 metros de altitude, o clima é mais úmido com chuvas orográficas.
De acordo com Almeida (2002) a Ilha da Trindade apresenta vegetação do tipo campestre, com ervas, gramíneas e ciperáceas nas regiões baixas e superfícies do vulcanismo ankaratrítico nas regiões de piroclastos do platô axial. Também são encontradas vegetação arbórea como samambaias gigantes de até 6 m (Figura 2.1) de altura e comunidades de fetos arborescentes gigantes (Cyathea trindadensis) nas vertentes dos morros fonolíticos. Em estudos de uma topossequência da Ilha, Clemente et al. (2009) encontraram a espécie endêmica Cyperus atlanticus consideradas do tipo rasteira; e nas altitudes mais elevadas, vegetação de maior densidade com destaque das espécies Myrsine floribunda, com cobertura herbácea mista de Pytyrogramma, Cyperus, Bulbostyls e nas regiões onde não existe erosão aparente, indivíduos jovens de Cyathea.
Figura 2.1: Espécie de samambaia gigante (Cyathea trindadensis) no domínio da Sequência Desejado. Figure 2.1: Espèces de fougères géantes (Cyathea trindadensis) dans la domination de la Séquence
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2.2 – GEOMORFOLOGIA
Castro (2010) descreveu os aspectos geomorfológicos da ilha de Trindade através de um conjunto de formas diferenciadas caracterizadas por: Domínio Planalto Axial (Almeida 1961); Domínio de Vertentes Costeiras (Almeida 1961 apud Castro & Antonello, 2006) e; Domínio Litorâneo (Castro & Antonello, 2006).
2.2.1- O Domínio do Planalto Axial
São encontradas as maiores elevações da ilha, onde se originam todos os cursos de água importantes, assim como numerosas incisões que drenam as escarpadas vertentes (Figura 2.2). Esse domínio é formado por derrames fonolíticos, graziníticos e nefeliníticos, intercalados em tufos. O planalto apresenta elevação acima de 350 m com um relevo de morros separados por profundos vales. No centro da ilha ocorrem cristas elevadas que correspondem aos principais divisores de águas. Essas cristas apresentam-se sustentadas em derrames fonolíticos constituídas pelos picos do Desejado (600 m), Trindade (590 m), Verde (553 m), São Bonifácio (570 m) e Grazinas (477 m).
Figura 2.2: Derrames fonolíticos da Sequência Desejado em região de maior elevação da Ilha de Trindade. Figure 2.2: Déversements phonolytiques de la Séquence Desejado dans la région de plus haute altitude de l'Île
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2.2.2- Domínio de Vertentes Costeiras
Ocorrem superfícies rochosas abruptas que descem ao mar, das quais se erguem os picos fonolíticos (Almeida 1961 apud Castro & Antonello 2006). Outra feição morfoestrutural da ilha é o Vulcão do Paredão formado por ruínas de um edifício vulcânico alto (acima de 200 m), semidestruído pelo mar. A sul, são encontrados paredões de tufos, falésias verticais com altura de aproximadamente 200 m (Figura 2.3); a oeste, as vertentes voltadas para os morros fonolíticos caem suavemente, em quase perfeita coincidência com a superfície original do cone vulcânico. Os declives caracterizam-se, em geral, por escarpas abruptas, principalmente na face voltada para o quadrante sudoeste. A rede de drenagem caracteriza-se por caráter torrencial de mediana competência. A periodicidade do fluxo é limitada ao período chuvoso. Na estação seca, as vazões dos córregos são pouco expressivas.
Figura 2.3: Paredão de tufos provavelmente da Sequência Desejado. Figure 2.3: Mur de touffe probablement de la Séquence Desejado.
2.2.3- Domínio Litorâneo
Reflete de certa forma, a resistência da estrutura em que se estabeleceu. As saliências, geralmente, acham-se suportadas por rochas eruptivas que se destacam no traçado geomorfológico. As mais proeminentes pontas são caracterizadas por grandes corpos fonolíticos, diques, como ocorrem nas pontas da Crista do Galo, Cinco Farilhões, Sul e Noroeste. Destacam-se também antigos condutos vulcânicos (necks) constituídos pelo morro Pão de Açúcar (392 m) e as pontas do Príncipe e Monumento
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(Castro & Antonello 2006). A plataforma de abrasão esculpida pela ação marinha é relativamente estreita e descontínua, destacando o baixo Sueste como a mais expressiva. As pontas do Túnel e Paredão (Figura 2.4) participam da mais destacada saliência do litoral da Trindade.
Figura 2.4: Ponta do Vulcão do Paredão que resistiu a erosão marinha. Figure 2.4 : Pointe du Volcan do Paredão qui a résisté à l'érosion marine.
2.3 – GEOLOGIA REGIONAL
A Ilha de Trindade é formada por cinco episódios vulcânicos de derrames e intrusões de rochas subsaturadas em sílica com acentuado teor sódico-alcalino. Estes episódios vulcânicos foram descritos por Almeida (1961 apud Castro & Antonello 2006) da base para o topo: Complexo de Trindade, Sequência Desejado, Formação Morro Vermelho, Formação Valado e Vulcão do Paredão (Figura 2.5). Sobre os derrames vulcânicos ocorrem os depósitos holocênicos que representam uma pequena parcela das unidades estratigráficas ocorrentes na ilha (Castro & Antonello 2006) (Figura 2.5). Tais derrames vulcânicos e depósitos holocênicos são descritos a seguir.
2.3.1- Complexo Trindade
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na maior parte da ilha (Figura 2.6). É um conjunto heterogêneo de rochas piroclásticas variadas associadas principalmente ao vulcanismo fonolítico (Almeida 2006). Os piroclastos são recortados por diques de composição nefelinítica, fonolítica, olivina analcítica, analcita basanítica, gauteítica e outros. Recentemente Pires et al. (2016) fizeram datações radiométricas por 40Ar/39Ar e identificaram que o
pico da atividade vulcânica fonolítica-nefelinítica ocorreram entre 3.9 e 2.5 M.a. Os grandes volumes
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Figura 2.5: Mapa Litológico da Ilha de Trindade. Modificado de Patrício (2012).
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Figura 2.6: Fonolitos e nefelinitos do Complexo Trindade. Fonte: Clemente (2006a). Figure 2.6: Phonolites et néphélinites du Complexe Trindade. Source: Clemente (2006a).
2.3.2- Sequência Desejado
Sobre a superfície de erosão do Complexo de Trindade ocorre a Sequência Desejado constituída de derrames de fonolitos e nefelinitos intercalados com camadas de piroclastos da mesma composição (Figura 2.2). De acordo com Pires et al. (2016), esse vulcanismo apresenta entre 2.5 M.a a cerca de 1.6 M.a.
2.3.3- Formação Morro Vermelho
A Formação Morro Vermelho ocorre no alto vale do Córrego Vermelho, região central da ilha, como resultado de uma erupção explosiva de lavas ankaratríticas (variedade melanocrática de olivina nefelinito com biotita) (Figura 2.7). Cordani (1970) indica que as erupções não seriam mais antigas que 170.000 anos.
2.3.4- Formação Valado
No litoral norte da ilha entre as praias dos Cabritos e dos Portugueses ocorrem depósitos do grande cone aluvial do córrego do Valado contendo intercalações de piroclastos e derrames de lava tannbushíticas (olivina-nefeliníticas) (Figura 2.8). A erupção aparentemente se processou a partir de
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uma fenda situada a meia encosta, paralela à costa atual, em sítio onde existem diversos diques de tannbushito (olinvina-nefelinito) de estrutura escoriácea (Almeida 2002). Tendo em vista a geomorfologia da ilha, Almeida (2002, 2006) supõe uma idade pós-glacial ao vulcanismo Valado.
Figura 2.7: Lavas ankaratríticas erodidas da Formação Morro Vermelho. Fonte: Clemente (2006a). Figure 2.7: Laves ankaratritiques érodées de la Formation Morro Vermelho. Source: Clemente (2006a).
Figura 2.8: Tannbuchitos da Formação Valado. Fonte: (Clemente 2006a).
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2.3.5- Vulcão do Paredão
O vulcão do paredão localiza-se na porção oriental da ilha (Figura 2.4). Segundo Almeida (2002) este vulcão testemunha a última erupção na ilha e derradeira atividade magmática em território brasileiro. O cone do vulcão é formado pelo acúmulo de piroclastos variados como tufos lapilíticos e cineríticos contendo bombas rotacionais, blocos, agregados e aglutinados de lava melanefelinítica, basanítica e tefrítica. As datações geocronológicas realizadas por Pires et al. (2016) registraram idades de 0.25 M.a. para os depósitos vulcânicos do Vulcão do Paredão. De acordo com Pires et al. (2016) esse evento representa a atividade vulcânica mais recente do território brasileiro.
2.3.6- Depósitos Holocênicos
De acordo com Castro & Antonello (2006) os depósitos holocênicos são representados pelos depósitos eólicos, praias, aluviões, recifes algálicos e depósitos de encosta (Figura 2.9). Os depósitos eólicos escalonares (dunas) são provenientes das contribuições exclusivas de tufos vulcânicos, materiais piroclásticos e recifes algálicos (Castro 2010).
Figura 2.9: Depósitos de praias e depósitos de encostas na Praia do Príncipe. Figure 2.9: Dépôts de plages et de dépôts à flanc de colline sur la Praia do Príncipe.
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