As áreas de prevenção de acidentes vêm evoluindo rapidamente, a medida que a sociedade, os trabalhadores e a legislação vêm exigindo uma qualidade de vida melhor para o trabalhador e um ambiente mais limpo e seguro para viver. Normalmente, quando uma empresa inicia um planejamento, tendo em vista a melhoria da segurança e higiene do trabalho, a tendência dos trabalhadores é de buscar soluções via aplicação de intermináveis recursos financeiros de forma a eliminar as condições inseguras dos projetos. Na prática verifica-se que esta estratégia não garante uma boa eficácia na prevenção. O longo tempo para a concepção das alterações, o custo envolvido, a parada da plantas industriais para implementar os projetos e a certeza de que outros problemas podem surgir, tornam o caminho longo e de duvidosa eficácia.
Infelizmente, a verdade é que não existe um projeto perfeito, uma concepção perfeita, uma estratégia totalmente eficaz ou uma implantação de um projeto sem que resulte em inúmeras condições inseguras que poderão servir de ponto de partida para um incidente ou acidente.
Assim é necessário encontrar uma nova forma de trabalho, uma nova estratégia que seja eficaz, barata e rápida de ser implementada e que atue profundamente na questão da prevenção dos acidentes. Vários especialistas trabalharam neste sentido, estudando a relação existente entre o acidente e o comportamento do ser humano frente ao mesmo. Como resultado destes estudos e experiências práticas é que modernamente surgiu a grande inovação que permitiu melhorar muitos os indicadores de segurança e meio ambiente das empresas que a aplicaram dentro de sua estratégia: A implementação da prevenção baseada no comportamento humano e na premissa de que a responsabilidade da prevenção é de todos os que estão na empresa.
prevenção de acidentes, frente ao seu trabalho e ao ambiente que o cerca, impedirá a ocorrência de eventos danosos ao ser humano ou ao meio ambiente.
Rundmo e Hale (2003) relatam, na introdução de seu trabalho intitulado “Managers’ attitudes towards safety and accident prevention”, que as atitudes saudáveis, relativas ao comportamento humano, e a prevenção do risco estão intimamente ligados.
Cicco & Fantazzini (1985) fazem inúmeras assertivas reforçando esta filosofia, indicando que a visão tradicional da prevenção, isolada da análise do comportamento humano, é uma visão primária e, infelizmente, ainda utilizada pela maioria dos empresários brasileiros. Quanto a forma de avaliar a questão prevencionista fora do âmbito comportamental e da responsabilidade de todos, eles afirmam que:
Querer insistir, por exemplo, que as causas dos acidentes do trabalho se resumem apenas a atos e condições inseguras, ou fazer inúmeras estatísticas de acidentes com o objetivo de avaliar o “desempenho” dos programas de prevenção existentes na empresa, ou, ainda, supor que o engenheiro e o supervisor de segurança são os únicos responsáveis pelo controle dos riscos de acidentes da organização, é ter uma visão já bastante ultrapassada e prejudicial aos interesses dos trabalhadores, da empresa e da Nação (CICCO & FANTAZZINI, 1985, p. 03).
Os mesmos autores concluem que:
Torna-se, portanto, necessário numa abordagem atual e mais realista do problema, mostrar aos que estão, direta ou indiretamente, empenhados na produção de bens e prestação de serviços que são eles os maiores interessados e beneficiários, devendo participar ativamente da identificação, análise e avaliação de todos os riscos que possam afetá -los e causar perdas decorrentes de morte ou invalidez de trabalhadores, de danos a propriedade ou a bens em geral, e de danos causados a terceiros (responsabilidade por poluir o meio ambiente, responsabilidade pela qualidade e segurança do produto fabricado ou do serviço prestado, entre outras) (CICCO & FANTAZZINI, 1985, p. 03 e 04).
Apesar dos pontos citados quanto o comprometimento de cada trabalhador com segurança e meio ambiente e a necessidade da internalização da cultura prevencionista por cada
indivíduo, fica uma lacuna que por muitas vezes é esquecida: o envolvimento direto da alta direção e seu corpo gerencial. Estes têm o papel fundamental de dar o exemplo em todos os programas que se queira implementar. Nestes casos não basta querer implantar, é necessário participar e dar o exemplo, praticando ações que permitam ao trabalhador ver e se espelhar quanto ao padrão que se espera de cada um. Portanto, as técnicas modernas de prevenção estabelecem que, dentro do sistema de gestão, os gerentes, inclusive diretores e presidente, devem envolver-se diretamente na prevenção dos acidentes e preservação do meio ambiente.
Neste sentido, Rundmo e Hale (2003) fazem assertivas que mostram a necessidade dos gestores em darem o exemplo e com isso influenciar seus colaboradores no sentido de implementar o padrão de trabalho seguro e ecologicamente correto.
A atitude e o comportamento dos gerentes pode influenciar as atitudes dos empregados, bem como o seu comportamento. Algumas empresas buscam o diálogo gerencial de segurança e a priorização na comunicação dos riscos, isto é, durante uma inspeção, se deslocam observando e falando sobre segurança. O diálogo versa sobre segurança focada em comportamento seguro e só então se faz a comunicação a respeito de perigos e riscos. Concordar que é difícil e embaraçoso falar para os empregados sobre segurança já denota uma atitude não ideal (RUNDMO e HALE, 2003, p. 559).
Da mesma forma, Cicco & Fantazzini (1985, p. 03) são enfáticos ao relatar que: “Muito se tem falado, mas nunca é demais repetir, que a responsabilidade pela prevenção de acidentes é de todos os funcionários da empresa, desde a alta direção até o mais modesto trabalhador”.
Finalizando, convém salientar outro ponto importante dentro desta forma inovadora de prevenção: a percepção do risco. O primeiro é colocar-se de forma imprópria frente ao risco ou subestimá- lo, enquanto que o segundo retrata a inadequada análise do risco que, como conseqüência, leva a uma tomada de decisão errada, mas consciente, a qual pode vir a
causar um acidente. Rundmo e Hale (2003) apresentam muito bem esta questão quando relatam que:
Freqüentemente é assumido que os acidentes acontecem por que há alguma coisa “errada” com a percepção individual do risco. “Julgamentos errados” do risco podem causar decisões impróprias tanto quanto um comportamento inseguro ou um “erro humano” (RUNDMO e HALE, 2003, p. 559).