O propósito fundamental da comunicação do risco assenta, sem dúvida, na noção da prevenção. Isto significa que o objetivo da comunicação do risco consiste em disponibilizar ao público a informação necessária, para que este último seja capaz de tomar decisões informadas sobre as medidas a adotar para mitigar o risco.
Neste sentido, os profissionais responsáveis pela comunicação do risco devem incorporar alguns princípios importantes com o objetivo de tornar este processo de comunicaçãobem mais eficiente:
- Concretizar a comunicaçãode um modo continuado. A comunicação do risco deve ser uma atividade contínua. - As mensagens devem ser simples, de fácil compreensão.
- Deve evitar-se o uso de termos de carácter tecnicista demasiado complexos e o uso de termos numéricos e probabilísticos deve ser feito com cuidado. A verdade é que de uma maneira geral o público tem dificuldade, por um lado, em compreender valores numéricos extensos e, por outro, tem também dificuldade em compreender valores percentuais e probabilidades, em particular, perante riscos desconhecidos e, claro, sobre os quais existe pouca informação disponível.
12 Neste sentido revela-se útil recorrer à utilização de comparações, ou seja, é útil estabelecer comparações entre riscos mais conhecidos pelo público e o risco que está a ser comunicado naquele determinado momento, mas sobre o qual o público possui pouca ou nenhuma informação.
O objetivo é simples. O objetivo consiste em auxiliar o público a compreender melhor o risco que esta a ser comunicado e, deste modo, ser capaz de tomar decisões sobre as medidas e comportamentos redutores do risco a adotar.
- Recorrer ao uso de vários canais e ferramentas de comunicação, respeitando os objetivos da comunicação do risco. Nunca se deve restringir a comunicaçãoa um único canal de comunicação.
- A informação deve ser consistente e deve ser repetida ao público constantemente.
- Informar o público sobre as medidas que o público pode adotar com o objetivo de garantir a sua segurança.
- Usar bons gráficos e imagens, promovendo um mix atractivo de comunicaçãoverbal e visual. Incluir imagens e gráficos atrativos, histórias interessantes que captem a atenção do público para as mensagens claras, simples e concisas importantes sobre o risco.
- Ter em atenção o nível académico do público-alvo da mensagem sobre o risco. Numa situação de preocupação, stress e receio, a atenção do público é menor e a sua capacidade de compreensão é também menor. Logo, por exemplo, se o nível de escolaridade do público-alvo ronda o 12º ano de escolaridade, as mensagens sobre o risco devem ser elaboradas de modo a que um indivíduo que possua o 9º ano de escolaridade seja capaz de as compreender facilmente.
Por conseguinte, é importante ter em consideração alguns fatores que são basilares para determinar a aceitação do público no que diz respeito à mensagem sobre o risco e que devem ser considerados antes de dar início à elaboração da mensagem:
É essencial prestar muita atenção às necessidades e às
preocupações do público a quem se destina a mensagem sobre o risco.
Ao mesmo tempo é fundamental não subestimar a capacidade do público de compreender os dados científicos relacionados com o risco.
O truque está em conseguir apresentar uma mensagem sobre o
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As mensagens devem ser claras com o objetivo de não só assegurar a capacidade do público para tomar decisões conscientes sobre o risco, mas também de limitar a probabilidade de dar origem à desinformação que, por sua vez, e, em última instância, pode dar origem à tomada de decisões desaqueadas perante o risco.
Mensagens claras são aquelas que contêm a menor quantidade possível de termos demasiados técnicos e que pura e simplesmente evitam a informação que é desnecessária para a tomada de decisões por parte do público no que diz respeito à manutenção da sua saúde e bem-estar face ao risco ou, pelo menos, no que toca a reduzir os efeitos nefastos do risco.
CO NSI ST ÊN CI A
Garantir a consistência das mensagens sobre o risco pode não ser nada fácil, caso os peritos envolvidos no processo de gestão do risco apresentem interpretações contraditórias acerca dos dados disponíveis sobre o risco, os seus efeitos e comportamentos a adotar.
Basicamente a consistência é difícil de assegurar, se não existir consenso entre os diversos stakeholders que integram o processo de gestão do risco.
DA DO S M AI S IM PO RT AN TES
Na fase de elaboração das mensagens sobre o risco, os dados mais importantes para o público para a compreensão do risco (dimensão, consequências para o público, medidas redutoras do risco) devem ser enfatizados, repetidos e não devem ser atirados para segundo plano ao misturarem-se com dados das mensagens menos relevantes.
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A mensagem sobre o risco deve ser adequadamente reconfortante, alarmante, desafiadora ou simples consoante o impacto sobre o público que os profissionais da Comunicação do risco pretendem atingir. Assim, a mensagem sobre o risco pode ser apresentada de um modo positivo ou negativo.
AS DECISÕES SOBRE O RISCO TOMADAS PELO PÚBLICO PODEM SER INFLUENCIADAS PELO TOM E ESTILO SELECIONADOS PARA A MENSAGEM.
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E O porta-voz (ou a fonte de informação) deve ser considerado fidedigno e consistente. Isto significa que o porta-voz deve ser capaz de apresentar a mensagem de um modo convincente e claro.
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ICO Para que a mensagem sobre o risco se destaque entre toda a informação à qual o público tem acesso,
é fundamental que a mensagem se baseie naquilo que o públcio considera importante e se baseie naquilo que o público deseja saber – é essencial que a mensagem vá de encontro às necessidades do público.
A mensagem sobre o risco não pode assumir-se enquanto autista, no sentido de se focalizar somente na informação que a organização responsável pela Comunicação do risco considera importante.
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A LINGUAGEM NÃO-VERBAL NA COMUNICAÇÃO DO RISCO
Em qualquer ato comunicacional independentemente do seu objetivo é vital que o porta-voz alinhe a linguagem verbal e a linguagem não-verbal, ou seja, as palavras ser coerentes com a linguagem corporal.Assim, de seguida, serão enumeradas algumas ideias importantes no que diz respeito à linguagem não-verbal: - Recostar-se na cadeira: pode dar a entender que o porta-voz da mensagem não está interessado no tópico em questão; que não está preocupado com o tema sobre o risco; ou que não está disposto para cooperar no processo de resolução.
- Ocultar as mãos: pode sugerir que o porta-voz se sente culpado, que está a enganar ou que não está a ser sincero perante a informação que está a transmitir. Pelo contrário, colocar as mãos à vista poderá dar a entender que o porta-voz está disponível para o debate, para a negociação. Além disso, colocar as mãos à vista pode ser encarado enquanto sinal de sinceridade.
- O tom da voz do porta-voz, por si só, é uma mensagem: subir o tom de voz pode sugerir que o porta-voz se encontra tenso, nervoso e que não está a ser totalmente sincero. Pelo contrário, baixar o tom de voz pode ajudar a mostrar ao público que o porta-voz é honesto, que se preocupa com o público-alvo e com a sua segurança e o seu bem-estar.
- Cruzar os braços: pode ser entendido enquanto sinal de arrogância, impaciência, teimosia. E pode também dar a entender que o porta-voz adotou uma posição defensiva e que não quer ouvir o público.
- Balançar o corpo constantemente: pode atuar enquanto indicador de nervosismo e falta de confiança perante a mensagem que está a ser transmitida.
- Tocar frequentemente na cara: indicia falta de honestidade e nervosismo.
- Apoiar a cara na palma na mão: pode ser considerado enquanto sinal de aborrecimento ou falta de interesse. - Mãos crispadas: podem ser atuar enquanto indicadores de hostilidade, fúria. Podem também sugerir que o porta- voz está determinado a levar a sua ideia avante e que não está disposto a cooperar.
Enfim, quando o público está zangado, está mais atento aos sinais não-verbais, por isso, a linguagem corporal de índole negativa, tal como os exemplos acima apresentados, são facilmente detetados.
15 É extremamente importante que as mensagens não-verbais sejam consistentes com as mensagens verbais.
Caso se verifique uma desconexão entre as mensagens verbais e as mensagens não-verbais, as mensagens não-verbais prevalecem e por muito que o porta-voz fale, a mensagem acaba por ser ignorada
pelo público.