B. MATERIELS ET METHODES
VIII. MISE AU POINT DES TECHNIQUES
VIII.2. M ISE AU POINT DU DOSAGE DE LA CYSTEINE
VIII.2.3. Perte de la cystéine par oxydation en milieu complexe
A Igreja de Santo Antônio é um monumento que se destaca no pequeno distrito de Santo Antônio do Pirapetinga e pela sua importância no contexto do acervo arquitetônico colonial de Minas Gerais, recebeu tombamento estadual através do Decreto 29.399 de 21/04/1989 de onde a importância para a sua preservação.
As primeiras notícias referentes à Igreja de Santo Antônio datam de 1725, quando foi emitida licença para sua reconstrução, provavelmente, substituindo pequena capela da década anterior quando já haviam mineradores no pequeno arraial. Em 1729, respondia às suas funções religiosas sendo ali registrada uma celebração de casamento. No ano de 1737 a edificação foi ampliada e, em 1875, torna-se Matriz por lei mineira, mas não teve instituição canônica permanecendo filial da Matriz de Nossa Senhora da Conceição de Piranga (TRINDADE, 1945, p.7).
A Igreja de Santo Antônio é um notável exemplar da arquitetura religiosa de médio porte produzido no período aurífero do século XVIII, em Minas Gerais. As especificações e técnicas construtivas desta construção foram documentadas nas “Condições na forma em que se há de fazer a capela do Glorioso Santo Antônio do Bacalhau”, documento conservado até os dias atuais (MIRANDA, 1984-5, p.66). As proporções existentes e o sistema construtivo atestam a adoção de parâmetros arquitetônicos herdados da cultura portuguesa aqui implantados pelos primeiros habitantes, no decorrer do século XVIII.
Situa-se no arruamento principal, no centro do distrito de Santo Antônio do Pirapetinga. Implanta-se em adro cercado por muro baixo de pedras e, na frente, possui escadaria com arranque de pedras trabalhadas em volutas, único exemplar existente na região.
O programa determina o partido desenvolvido segundo a disposição tradicional das igrejas mineiras da primeira fase do barroco: nave central ladeada por naves laterais onde se sobrepõem as tribunas e o coro, capela-mor introduzida por arco-cruzeiro, sacristia única na lateral direita (lado do Evangelho) e pequeno depósito atrás do retábulo-mor. A volumetria acompanha a disposição da planta com corpo mais elevado na nave, mais baixo na capela- mor e pé-direito ainda menor nas tribunas e na sacristia. Nesta Igreja não foi construída a Capela do Santíssimo o que a diferencia de todas as outras. A ausência de torres é tradicional na região e o sino é instalado na janela-sineira da tribuna da fachada principal.
As fachadas são moduladas pela estrutura autônoma de madeira aparente que, com as peças de madeira pintadas de azul, contrasta com as paredes caiadas de branco, plasticidade que define as edificações do Vale do Piranga. O frontispício desenvolve-se segundo composição central formada por dois retângulos delimitados pelas linhas das madres e dos esteios somado aos retângulos compridos que formam as tribunas arrematadas pelos cunhais. A modenatura determina a posição central da portada, das janelas do coro e do óculo quadrangular da empena, triangulação comum determinada para as fachadas das igrejas do setecentos. Na tribuna da direita abre-se uma janela sineira e na outra, uma janela simples equilibra a distribuição de vãos do frontispício. Nas outras fachadas, as janelas distribuem-se ordenadamente de acordo com a disposição dos elementos da gaiola estrutural. As esquadrias são emolduradas em madeira com vergas retas e vedadas por folhas, também, de madeira. Na fachada principal destaca-se o portal com duas folhas almofadadas e os balaústres das janelas rasgadas do coro que ornamentam o guarda-corpo entalado. Na empena, a abertura quadrangular foi vedada com caixilharia de madeira e vidros.
O sistema construtivo é a estrutura autônoma de madeira, revestida por tábuas, vedada com alvenaria de adobes sobre alicerces de pedras. Verificamos, na época de sua restauração, o grande comprimento dos esteios de braúna e, principalmente, o tamanho dos nabos que mediam de três a quatro metros de comprimento. A cobertura divide-se em vários telhados que na nave e capela-mor são em duas águas executadas com caibro armado ou tesouritas de madeira e as tribunas e sacristia cobertas em meia água com caibros sobrepostos às madres e frechais. Os beirais são suavizados pelos galbos do contrafeito e arrematados com cachorros de madeira e são forrados.
Internamente, o espaço central da nave alonga-se abrindo-se para as naves laterais em pórticos formados pelos esteios e madres que sustentam as tribunas. Logo na entrada, à direita, situa-se o batistério e atrás deste, a escada de madeira para acesso ao coro e à tribuna lateral direita. A tribuna esquerda, que foi totalmente reconstruída pela Comunidade depois de desabamento, não possui mais o piso e o único púlpito ali instalado não tem escada de acesso. O guarda-corpo do coro é em balaustrada de madeira e os das tribunas em madeira recortada. Os forros de madeira em abóbada de aresta na nave e abóbada de berço na capela-mor já foram substituídos e os atuais não apresentam elementos pictóricos e estão pintados de branco. Os forros das tribunas estavam totalmente apodrecidos e foram retirados na última intervenção e, por falta de recursos, ainda não foram restaurados.
Possui dois retábulos colaterais ao arco-cruzeiro e o retábulo-mor executados ao gosto rococó mas que apresentam repinturas e ainda não foram restaurados. Na sacristia, um retábulo mais simples abriga a imagem de Cristo carregando a cruz e, na parede lateral,
está instalado um lavabo esculpido em pedra sabão. Na nave, o belíssimo cancelo torneado e a pia batismal, ambos de madeira, são elementos que comprovam a mão de obra especializada e de grande valor que ali trabalhou no século XVIII. O acervo de imagens remanescentes do setecentos completa o conjunto de bens.
Os retábulos da nave e da capela-mor apresentam entalhe simplificado cujo esquema decorativo prende-se às linhas neoclássicas de final do setecentos. O altar-mor possui colunas interrompidas por ornatos no terço médio inferior e quartelões centrais. Na base, as mísulas são decoradas por acanto. O camarim, com perfil recortado em curvas e contracurvas, abriga trono escalonado, encimado pela imagem do santo padroeiro. No entablamento, no eixo das colunas externas, destacam-se fragmentos de frontão curvo, que
ladeiam dossel com sanefa movimentada. Ao centro, uma tarja arremata a estrutura. 47
Os retábulos colaterais ao arco-cruzeiro seguem modelo semelhante e abrigam as imagens de Santana e São Gonçalo. Nele, destacam-se os quartelões centrais, marcados por curvas e contracurvas, apoiados sobre mísulas ornadas por acanto, o perfil da tribuna recortado em angra e em S, e o detalhe ornamental coroando a estrutura com desenho semelhante ao de uma cartela. A pintura floral do pano de fundo do camarim contrapõe-se ao entalhe comedido dos ornamentos. Existem referências documentais de serviços executados nestes retábulos pelo pintor Gonçalo Francisco Xavier, no entanto, os altares foram repintados e escondem a pintura original que poderão ser redescobertas depois de futuras prospecções e restaurações.
Esta Igreja localiza-se “na rua" (expressão usada pelos habitantes para designar o centro urbano perto do comércio local). É utilizada para o culto cotidiano da Comunidade na hora do terço diário e das missas mensais enquanto o Santuário só recebe os fiéis durante os Jubileus, por isto, a importância pela sua preservação, uma preocupação constante dos moradores de Bacalhau. A Igreja de Santo Antônio de Bacalhau destaca-se pela sua qualidade plástica e arquitetônica, assim como, pelos parâmetros volumétricos aliados ao programa e partido com planta tradicional que exemplificam a implantação em território mineiro de toda a tradição da arte de construir trazida pelo colonizador português.
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As descrições dos retábulos baseiam-se em informações retiradas do Processo de Tombamento da Igreja de
Santo Antônio de Santo Antônio do Pirapetinga – Piranga Mg, do IEPHA/MG, disponível para consulta na
PIRANGA – DISTRITO DE SANTO ANTÔNIO DO PIRAPETINGA (BACALHAU)
a) b)
c) d)
FIGURA 26: a-b-c) Vistas do arruamento e do casario do distrito de Santo Antônio do Pirapetinga (Bacalhau). d) Igreja de Santo Antônio com Santuário no fundo.