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Apesar de também se mostrar sob a influência dos princípios que inspiram as relações internacionais africanas visíveis no tratamento da crise do Zimbábue pela UA, a SADC, mantendo a o respeito à figura do Presidente Mugabe e à soberania do Zimbábue, se mostrou mais vocal sobre a questão do que a organização continental. Em sua cúpula de 2001, a organização regional se mostrou preocupada com a situação da

357 Idem.

358 AHG/Decl.2 (XXXVII), Declaration On The Resolution Of The Land Question In Zimbabwe. 359 CILLIERS, J. Op. cit. 2003.

A organização chegou a rejeitar, na Cúpula de julho de 2004, um relatório da Comissão Africana de Direitos Humanos e dos Povos (African Commission on Human and People's Rights, ou ACHPR) sobre o Zimbábue que, feito por uma missão enviada ao país em 2002, descrevia a inexistência de liberdade de expressão nele. Após o Zimbábue argumentar que não tivera a oportunidade de examinar o relatório, ele não foi adotado pelo Conselho de Ministros nem constou na agenda da Assembléia dos Chefes de Estado e Governo da organização. NYTimes, “African Leaders Failing Zimbabwe, Prelate Says”, 08/07/2004. RAFTOPOULOS, B.; SAVAGE, T. [Eds.] Zimbabwe: Injustice and Political Reconciliation. Institute for

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economia do Zimbábue e estabeleceu uma força-tarefa para ajudar o governo de Mugabe a lidar com os problemas do país. Entretanto, ao mesmo tempo, a SADC embasou suas impressões sobre a segurança na região em um relatório feito por Robert Mugabe, então presidente de seu Órgão de Cooperação em Política, Defesa Segurança.360

Na cúpula extraordinária de janeiro de 2002, a SADC deixou clara sua preocupação com a campanha presidencial de Mugabe. No comunicado oficial do encontro, seus membros pediram ao Zimbábue respeito aos direitos humanos e a outras condições que garantisem que a eleição fosse livre.361 Entretanto, apesar da preocupação, a organização reafirmou sua solidariedade com Mugabe, considerando a eleição, no relatório de observação de sua Força-Tarefa Ministerial, substancialmente livre e justa apesar dos problemas que marcaram a campanha e das falhas no período de votação.362

A demonstração de preocupação da SADC sobre a questão do Zimbábue com mais clareza e freqüência do que a UA é compreensível, pois a SADC e seus membros, Estados vizinhos do Zimbábue, são mais diretamente afetados pelos transbordamentos negativos da crise, na forma de instabilidade, fluxos de refugiados, afastamento de investimentos e capital estrangeiro e aumento da percepção de risco da região. Ainda assim, a organização regional se opôs às sanções da UE, dos EUA e da Commonwealth, afirmando que elas eram nocivas ao povo zimbabuano e tinham profundos impactos negativos na África Austral. Embora em nenhum momento se explicou como as sanções, que eram direcionadas, afetavam a população e a região, o então Presidente da SADC, Benjamin Mkapa afirmou, em 2003:

I do not believe the application of sanctions in the case of Zimbabwe is a good, warranted, or even effective strategy. It has not worked, it will not work, and it only makes the life of the ordinary people in Zimbabwe unnecessarily difficult. Those sanctions should now be lifted. The quicker they are lifted, the quicker more influence for

positive growth and change can emerge.363

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Comunicado da Cúpula de Chefes de Estado e Governo da SADC, que ocorreu em Blantyre, no Malauí, entre 12 e 14 de agosto de 2001.

361 Comunicado da Cúpula Extraordinária de Chefes de Estado e Governo da SADC, Blantyre, Malauí, janeiro de 2002.

362 EISA, “Zimbabwe: Excerpts from 2002 African observer mission reports”, março de2002. 363 MKAPA, Benjamim. “Faster development of coherent SADC identity and shared destiny”. SADC Today, Vol. 6 No. 4. Outubro de 2003. p.7. Disponível em http://www.sardc.net/Editorial/sadctoday/V6- 4-10-03/SADCTODAYFAoct.pdf acessado em 01/04/2011.

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Apesar de não desejar desafiar a soberania do Zimbábue ou a legitimidade de sua eleição, em suas cúpulas anuais de 2002 e 2003, a SADC mostrou-se preocupada com a falta de alimentos com a situação econômica e política do Zimbábue.364 Na cúpula de 2004, a questão da crise política foi retomada quando a SADC adotou um protocolo com princípios e diretrizes para eleições democráticas na região da África Austral, o SADC principles and guidelines governing democratic elections.365 O protocolo demandava dos Estados membros a garantia de eleições regulares, acesso igualitário na mídia para todos os partidos, participação de todos os cidadãos nas eleições, tolerância política, liberdade de associação, educação eleitoral e um judiciário e um sistema eleitoral imparciais.366

Embora a organização reconhecesse a existência de problemas no Zimbábue e indicasse seu descontentamento com sua situação política diplomaticamente, na prática ela não se mobilizou, delegando a responsabilidade de solução da crise à África do Sul, apontada como mediadora. Após o encontro de 2004, o Zimbábue afirmou estar reformando seu sistema político e adequando sua legislação aos princípios do protocolo de eleições democráticas, postura que foi bem vinda pela SADC, que deixou claro seu desejo de que as eleições no país fossem livres e justas e para que as sanções contra o Zimbábue fossem suspensas e ela pudesse normalizar suas relações com EUA e UE.367 Depois disso, no entanto, a organização não verificou se a afirmativa do governo do Zimbábue era verídica, aceitando-a, juntamente com a alegação do Presidente sul- africano Thabo Mbeki de que sua diplomacia silenciosa estava dando resultados.368