B. Expression et distribution du ClC-3
4. Perspectives
4.2. Perspectives concernant l'étude du ClC-3
mim sempre existe a vontade de continuar junto! Então o cupido flechou esse coração aqui e eu não sei o que fazer!!! Enquanto a flecha está ali vamos lidando com essas coisas!
A fala de F retoma a questão da viagem de J à Veneza em meio a construção da casa, e ratifica os seus sentimentos por ele, afirmando que apesar de tê-lo sobrecarregado e aborrecido, o amor e o afeto não diminuíram e por isso sempre vê possibilidade de permanecerem juntos, de enfrentar os conflitos e superá-los.
F continua) A questão da liberdade é outra coisa que me encanta muito na relação que eu tenho com ele e que é muito diferente quando era com mulheres e que eu vejo com meus amigos hetero também, que eu vejo que é diferente. Nós temos muita autonomia e isso é uma coisa que são pontos de identificação! O que eu vejo hoje na nossa relação. Não sei! Não estou pensando em falar nada brilhante não porque eu acho que ele já condensou tudo (risos), ele foi muito mais romântico do que eu poderia imaginar, em geral ele é mais racional, eu que chego com música e essas coisas todas. O que eu vejo é assim: eu fico muito contente da escolha que eu fiz, acho que eu sou um cara de muita sorte na vida, a natureza foi muito prodigiosa comigo, a vida tem sido muito prodigiosa comigo e eu não poderia ter parceiro melhor! Eu acho que ele é ... enfim, ele é um encantamento! É o “meu vício desde o início, meu mar...”.
Além da ênfase quanto ao amor de F por J, e o contrário não é menor, ainda aparece o aspecto da liberdade existente como algo que facilita e enaltece a relação, dando a impressão de que por serem do mesmo sexo e subsidiados na relação que construíram há uma confiança maior, uma segurança que a certeza da escolha proporciona, garantindo o sentido de autonomia e identificação sentida por F, que inclusive acredita ser diferente nos casais heterossexuais.
F continua) [...] Ontem mesmo nós tivemos uma discussão que, eu acho que é isso um pouco: essa história de eu ser cuidadoso e cuidador às vezes, eu percebi isso, eu vou deixando a pessoa muito à vontade, pra além do que eu acho que precisaria ser, e eu vou
assumindo muitas coisas nas costas, então, quando eu vi, eu passei o dia todo cuidando da casa e ele fazendo outras coisas, aí eu tava estressado, eu tive um treco: “Escuta, deixa de ser folgado, vem me ajudar aqui!!!”, e ele (J) disse: “E minha liberdade?”, e eu (F) respondi: “Não quero saber de sua liberdade não! Nós estamos presos nessa história eu também queria a minha liberdade!!!!”. (risos)
Então coisas que eu não fazia antes e que de repente eu me via pesado na semana e é lógico, eu vou deixando tudo e a vida do outro vai ficando cor-de-rosa. Então a conjugalidade tem a ver com isso, da gente poder dividir as coisas, as responsabilidades, as alegrias, tristezas.
Agora não sei, nós passamos por... são quase 20 anos, nós passamos por processos muito duros assim, eu sempre falo pra ele: “Pode ser o que for, se o amor desgastar, se você quiser outra pessoa eu vou ser eternamente, eternamente o seu parceiro!”.
O movimento da vida de casal, mais uma vez é explicitado nestas colocações, pois ao mesmo tempo em que F discorre sobre o afeto que os une e que sustenta a relação de tantos anos, também indica as dificuldades que se fazem presentes no dia-a-dia, exigindo um do outro mais atenção e envolvimento para suprir as necessidades individuais de cada um. Portanto, embora haja ênfase na construção da vida de casal, esta inegavelmente se estabelece a partir da individualidade que vem a se constituir um importante elemento da organização da vida cotidiana, produzindo, ao mesmo tempo, situações de cumplicidade e conflitos.
A segurança expressa por todos os casais quanto ao fato de serem assumidos é outro ângulo que se apresenta como um diferencial na relação do próprio casal, assim como na relação com os outros – amigos, vizinhança, família e comunidade. Como J relatou, houve um momento em que acreditaram ser mais difícil viver numa cidade do interior, mas ao contrário do que se esperava, durante o tempo de residência, 10 anos, vivenciaram apenas uma situação que se caracterizou como homofóbica, em que J foi insultado no espaço de trabalho por um colega e apesar de ter processado judicialmente a pessoa, acabou perdendo:
J) [...] Eu estava muito cansado desse negócio e deixei a coisa acabar por aí. Mais a parte desse evento, de um evento em 10 anos, as pessoas me respeitam muito, muito na Universidade, os alunos me respeitam muito, os colegas me respeitam muito por questão de competência! Então eu me sinto respeitado dentro da Universidade e o
F também é muito respeitado por questões de competência mesmo.
J acredita que a competência profissional, sua e de F, é um fator indiscutível na obtenção de respeito e consequentemente propicia uma vivência do dia-a-dia com os vários segmentos de maneira tranqüila, sem que a orientação sexual esteja em evidência no sentido de trazer algum impasse ou comprometimento para as atividades profissionais, embora também já tenha sido relatado que as relações sociais se dão sem que sofram interferência.
A fala de J leva a crer que todas as dimensões da vida privada, inclusive a orientação sexual, no espaço público, tornam-se irrelevantes diante da competência profissional; fica evidente que as relações sociais se conformam através das relações de produção e reprodução da vida material, na perspectiva do trabalho.
O autor Otávio Ianni (1998, p. 51) coloca que:
As relações sociais estão intimamente ligadas às forças produtivas. Adquirindo novas forças produtivas, os homens transformam o seu modo de produção e, ao transformá-lo, alterando o modo de ganhar a vida, eles transformam todas as suas relações sociais.
Ao relacionar o apontamento do autor com as colocações de J, é possível reafirmar a importância do trabalho na vida do homem, que neste caso garante, através da competência profissional, a respeitabilidade e reconhecimento social.
P) Pensando nisso, você acredita que o nível econômico e