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Charles Möeller e Cláudio Botelho passaram a trabalhar com mais recursos a partir da parceria com a empresa CIE-Brasil, permitindo que tivessem mais tempo e energia para criarem o que realmente tinham paixão por fazer. Sweet Charity foi o musical da Broadway escolhido e traduzido para o português por Botelho. A versão brasileira contou com a

participação da estrela Cláudia Raia, conhecida pelo público brasileiro por suas atuações em novelas da TV e musicais de teatro.

O espetáculo Sweet Charity é assinado por Bob Fosse, responsável também por Chicago. No Brasil a produção estreou em 13 de setembro de 2006, no Credicard Hall. Além da adaptação brasileira de Cláudio Botelho, contou com a direção de Charles Möeller, e direção musical de Miguel Briamonte. A história conta a trajetória da dançarina de cabaré Charity Hope Valentine, representada pela atriz Cláudia Raia que, após diversas decepções amorosas, se encontra com Oscar Lindquist, interpretado por Marcelo Médice. Os dois se apaixonam e Charity é pedida em casamento, porém, sem ter contado sua verdadeira profissão para o namorado.

O elenco foi composto por 27 atores-bailarinos; ao todo, o espetáculo contou com 200 profissionais entre elenco e produção. Só de figurinos o número chegou a 120. Cláudia Raia saiu por dois meses do Rio de Janeiro para ensaiar a peça em São Paulo. Sobre a rotina de ensaios, a atriz disse em entrevista à Folha On-line (2006): “Estou acostumada a trabalho intenso, mas montar um musical é completamente diferente, é três vezes mais trabalhoso que qualquer outra coisa, tem interpretação, vocal e dança, tudo ao mesmo tempo. É dedicação integral”.

Os cenários, que antes eram definidos de forma mais simplória, passaram por uma melhoria de elaboração e até um elevador foi comprado para a cena em que Charity se encontra pela primeira vez com seu futuro namorado, Oscar; cena essa que é o início do romance entre as personagens. Porém, na noite de estreia, o elevador não funcionou, resultando em um dia memorável para a dupla. A partir desse problema, perceberam que grandes cenários, estilo Broadway, precisam ser pensados milimetricamente e cronologicamente para os momentos de entradas, permanências e saídas no palco. “Não cometeria os mesmo erros. Na verdade aprendi fazendo. Entendi, por exemplo, que precisava estar muito mais próximo do cenógrafo. Eu pensava que ele poderia resolver qualquer problema” (CARVALHO apud Möeller, 2009, p. 132).

Imagem 18: Cláudia Raia e Marcelo Médici em cena de Sweet Charity.

Fonte da Foto: Site Möeller e Botelho.60

Muitas pessoas envolvidas no teatro classificavam a dupla como aqueles que tinham interesse somente na Broadway, dando pouca importância para a produção nacional. Mas a trajetória revela um início com textos e músicas da dupla enaltecendo as canções brasileiras, como Sassaricando – E o Rio inventou a Marchinha de 2007, que apresenta diversas marchinhas de Carnaval divididas em dois atos.

Vale lembrar que muitas marchinhas carnavalescas são oriundas dos palcos do Teatro de Revista, pois é a matéria prima de outro período de destaque do Teatro Musical Brasileiro. O espetáculo traz cerca de 100 canções e volta aos palcos cariocas sempre nos meses que antecedem o Carnaval.

Imagem 26: Musical Sassaricando - E o Rio Inventou a Marchinha.

Fonte da Foto: Site Möeller e Botelho.61

Outro musical, considerado por Möeller e Botelho um dos mais queridos, justamente por ser o primeiro completamente autoral, contendo todas as falas, letras e melodia inéditas, foi 7 – O Musical. Para Botelho, os demais espetáculos os prepararam para vivenciar profundamente a construção e execução do musical. Com músicas de Ed Mota, a produção estreou em 2007 no Teatro João Caetano, no Rio de Janeiro, e trazia histórias inspiradas em contos dos Irmãos Grimm, principalmente o drama da Branca de Neve, vítima de inveja por sua beleza. O espetáculo recebeu o Prêmio Shell em 2007 nas categorias de melhor direção, figurino e iluminação. Além disso, outros musicais da dupla receberam destaque pela temática brasileira, são eles: Os Saltimbancos Trapalhões – O Musical, Todos os Musicais de Chico Buarque em 90 minutos, Milton Nascimento – Nada será como Antes – O Musical, Suburbano Coração, entre outros.

Möeller e Botelho continuam até hoje mesclando produções adaptadas da Broadway com musicais com temáticas brasileiras. Os últimos espetáculos montados foram Nine – Um Musical Felliniano, que estreou no ano de 2015, no Teatro Porto Seguro, em São Paulo, e

Kiss me Kate – O Beijo da Megera, apresentado pela primeira vez no mês de outubro, no Rio de Janeiro.

Ao longo de quase duas décadas a dupla esteve à frente de, contando com o espetáculo que ainda está em produção e será lançado em 2016, no Rio de Janeiro, Se Meu Apartamento Falasse (Promises, Promises), 37 espetáculos, entre adaptações de textos e músicas de autores estrangeiros e de autores brasileiros, assim como de textos próprios.

Entretanto, os musicais não foram realizados somente por Möeller e Botelho. Outras empresas igualmente buscaram direitos autorais e patrocínios de diversos espetáculos teatrais, como a empresa Time For Fun que, com apoio de empresas privadas e do Ministério da Cultura, trouxe diversos espetáculos aos palcos brasileiros. Algumas produções ainda trazem em suas produções nomes como o de Miguel Falabella que, em parceria com a Chaim Produções, esteve à frente de várias montagens. A atriz Cláudia Raia, acostumada a estrelar musicais, também se tornou responsável pela produção. Ambos os artistas são contratados da Rede Globo e conhecidos do grande público, principalmente por seus trabalhos na televisão. Todavia, são igualmente reconhecidos por atuarem e produzirem espetáculos musicais; no caso de Falabella, até mesmo pela realização de roteiros, traduções e direções de espetáculos.

CAPÍTULO III - A MIDIATIZAÇÃO ENVOLTA ÀS ADAPTAÇÕES

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